Wynonna Earp já havia dado seu depoimento e estávamos aguardando o veredito do juiz. Waverly falava repetidamente "Vai ficar tudo bem", enquanto abraçava sua irmã, a mais velha não conseguia esboçar reação, parecia não acreditar no que estava acontecendo. Gus revisava os papéis como advogado. Doc e Dolls, assim como eu, não sabiam o que falar ou o que fazer, embora Dolls ainda se esforçava para falar algumas palavras de conforto, a situação parecia ficar pior com isso. Waverly começou a chorar copiosamente quando disseram que era para Wynonna entrar. O advogado colocou a mão nas costas dela, fazendo Waverly a soltar. Passei o braço em volta de sua cintura e a conduzi para a sala.

"(...) a ré Wynonna Grace Earp, 27 anos, foi sentenciada a 8 anos de prisão por tentativa de queima de arquivo, 4 anos por incêndio culposo e 3 anos e 16 dias por perjúrio. Totalizando 15 anos e 16 dias, porém devido aos serviços prestados ao governo, a pena foi reduzida em 5 anos, totalizando 10 anos e 16 dias em regime fechado, sem possibilidade de fiança. (...)"

Wynonna começou a chorar e olhar para irmã que chorava mais ainda. Os policiais foram em sua direção para algemá-la. Antes que eu pudesse segurá-la, Waverly correu e abraçou a irmã, enquanto era puxada pelos policiais. Mostrei meu distintivo ao juiz e segurei Waverly, ela ainda tentava encostar em Wynonna, a abracei com força, enquanto ela via a irmã mais velha sendo levada. Wynonna deu uma última olhada para trás e disse "Eu te amo, babygirl" para a mais nova. Waverly parecia que estava perdendo as forças. Ajudei ela andar até o banco.

— Nicole, não deixa levarem ela. Você é policial, faz alguma coisa!- Conseguiu dizer entre um choro e outro.

— Se eu pudesse fazer algo, mas... não tem como. A gente precisa estudar um jeito dela sair da prisão o mais rápido possível. — Disse, me sentando ao lado dela.

— E todo mundo vai ajudar. — Avisou Dolls. — Inclusive minha chefe está me ligando com alguma informação. Vou levar a Gus para casa e resolver isso. Apontou para o celular e saiu da sala. Alguns minutos depois pediram que a gente saísse, pois ia ter outra audiência. Levei Waverly e Doc para a casa das Earps.

— Eu quero ver a Constance. — Disse sem descer do carro, parando de chorar e me olhando séria. Doc tinha aberto a porta, mas a fechou.

— Como? — Perguntou Henry.

— Eu quero que a Nicole faça a volta e me leve para onde vocês prenderam minha tataravó. — Terminou de limpar as lágrimas.

— Ok, mas por quê? — Liguei o carro e fiz a volta para sair de lá.

— Porque ela conhece o juiz, pode ter sido ela que mandou prender minha irmã, então ela vai ajudar a soltar.

— Henry, onde vocês deixaram a Constance? Porque a Dini eu sei que está na delegacia, numa caixa à prova de som, mas a Constance...

— Waverly tem alguma consideração pela sua parente? — Perguntou Doc, entrando entre os bancos da frente.

— Neste momento nenhum.

— Ótimo, porque eu e a Wynonna a enterramos até o pescoço nas Salinas. — Fiz a volta na estrada quando percebi que estava indo para o lado errado.

— Você tem certeza que quer percorrer esse caminho, Waverly?

— Parece que é minha melhor chance. -Nedley começou me ligar.

— Esqueci totalmente que eu tinha que voltar a trabalhar depois do almoço.

— Tudo bem, eu pego o jipe. — Quando voltei para a casa das Earps, haviam duas pessoas sentadas na varanda, que se levantaram ao ver o carro entrando na propriedade. — Meus irmãos. — Comentou. — O que eles estão fazendo aqui? — Desceu do carro e foi até eles. Desliguei o motor e fui atrás dela.

— Sophia, Sérgio, essa é minha namorada, Nicole Haught. Nicole, esses são meus irmãos. — Cumprimentei os dois e esperei eles falaram o que estavam fazendo ali. Doc saiu do carro e foi para o celeiro. Waverly não tinha me contado o que os irmãos tinham ido fazer na casa da Mattie.

— A gente ficou sabendo sobre o que aconteceu com a Wynonna, na verdade todo mundo ficou sabendo. — Comentou Sérgio. — Não viemos perguntar se precisa de algo, porque é óbvio o que você precisa. — Pegou no bolso um cartão — Esse é o telefone do nosso tio Viktor Lion. Ele é o melhor advogado do Arizona e não vai cobrar nada. Já está sabendo do caso.

— Por que vocês estão fazendo isso? — Perguntou Waverly pegando o cartão. Sophia chegou perto da Waverly e falou algo em seu ouvido, que confirmou com a cabeça.

— Porque a maldição está no triângulo de Ghost River e a gente espera que você esteja com a cabeça no lugar quando acharmos o... ser.

— Como vocês acharam a Waverly? — Perguntei desconfiada.

— O padre que estava com o diário da Wilma contou a Donna que alguém o tinha levado, mas agora a gente acha que ele sabia que a Donna é a mãe da Mattie e contou de propósito para a gente te achar, afinal ela nunca mais vai esquecer o sobrenome Earp. Rastreamos seu número de celular — Apontou para mim- e paramos na casa da Mattie. Ward matou nossos pais e não se incomodou de ter deixado três crianças órfãs. — Contou Sophia.

— Desculpa... — Disse Waverly.

— Você não tem culpa, ninguém tem raiva de você ou algo do tipo, você nem tinha nascido. — Continuou. — Só que a gente imaginou que você tinha morrido junto com eles.

— Marie, foi a primeira esposa do nosso pai, quando soube que iam mandar a gente para orfanatos separados, pediu nossa guarda e ganhou. Marie é vizinha da Donna, Spencer e Gretta. Gretta nos contou que fez seu parto, mas não sabia que o Ward tinha morrido. — Terminou Sérgio. Muito nome, muita informação.

Waverly pediu que a gente entrasse, enquanto ela ligava para o tio. Sophia e Sérgio pareciam ter a mesma idade da Wynonna e a primeira lembrava Waverly fisicamente, cabelo comprido, castanho, olhos castanhos esverdeados, mas por outro lado ela era muito séria, mais alta e se vestia formalmente. Sérgio tinha os mesmos olhos, mesma aparência séria, mas parecia muito mais confiante que as duas.

— Antes que você ache que a gente está mentindo, por ser coincidência demais sermos vizinhos da Spencer, devo dizer que não é coincidência. Nossa avó Aurora se casou com um Cryderman, Cryderman são metamorfos e a gente não sabe como controlar a transformação, ouvimos falar que a Spencer fazia "Curas" milagrosas e fomos atrás.

— Espera, vocês são o quê? — Waverly interrompeu a conversa entrando na cozinha, ainda falando ao telefone, procurando papel e caneta. Me levantei e peguei o que ela precisava em minha bolsa. Ela terminou a ligação e se sentou, parecendo aliviada.

— Então? — Perguntou Sérgio se sentando ao lado de Sophia.

— Ele disse que encontrou duas pessoas que estavam sob cuidados do oficial de condicional. Essas pessoas também foram julgadas por crimes parecidos, então ele consegue usar isso como argumento e pedir uma nova audiência. — Segurei a mão dela. Doc entrou na cozinha.

— O que eu perdi?

— Vão tentar pedir Habeas corpus para Wynonna. — Disse Waverly.

— Babe, já que o Doc voltou, eu preciso ir. — Me levantei e ela se levantou também.

— Vou com você até o carro. — Andamos até o veículo e a abracei.

— Vai ficar tudo bem. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa me liga ou me encontra na delegacia. — Ela respirou fundo, me apertando contra ela.

— Foi muito importante você ter ido hoje. Não sei o que teria feito se você não tivesse me segurado.

— Eu disse que sempre ia estar ao seu lado. — Dei um beijo rápido nela e abri a porta do carro, mas logo a fechei. — Cuidado com eles. Eu sei que são seus irmãos, mas... eles são metamorfos. — Falei a última palavra mais baixo.

— Eles podem ser, mas eles nunca se transformaram, assim como eu, então...

— Você...? — Fiz uma pausa para absorver a informação. — O-okay... — Entrei no carro e fechei a porta.

— Nicole... — Colocou uma das mãos no vidro, o abaixei um pouco.

— Eu volto quando acabar meu turno.

Waverly podia ter escolhido ser uma coisa só, mas não, ela quis ser todos os seres sobrenaturais ao mesmo tempo, além de ter a família mais complicada da história. Só gostando muito para continuar.

Enquanto eu fazia patrulha, Dolls me mandou mensagem dizendo que a chefe dele conhecia o juiz, mas só o ajudaria com o caso se levasse algum retornado até ela. Achar um retornado não era difícil, o problema era conseguir lidar com ele sem morrer antes, sem a Wynonna e a peacemaker. A herdeira precisava de toda a ajuda possível e talvez só um bom advogado não fosse o suficiente. Dolls queria minha ajuda e não era para a BBD, com certeza eu ajudaria.

Mandei mensagens de tempos em tempos para o Doc me dizer como a Waverly estava e se os irmãos dela já tinham ido embora. Henry disse que eles ainda estavam lá e contavam algumas histórias sobre a mãe biológica deles, mas que ela estava esperando uma ligação do Viktor.

JH(17:25): Sabia que a Marie teve 3 filhos e a Isabel 4? 2 morreram.

N(17:41): Não conte para Wynonna.

W(18:45): Só queria avisar que estou bem e que estou te esperando.

N(19:00): Dolls pediu minha ajuda, vou demorar um pouco.

W(19:02): Acho que você arrumou uma desculpa para demorar para me encontrar, depois do que eu disse.

N(19:03): Fala com o Dolls, se minha palavra não bastou.

W(19:03): Desculpa, não quis dizer isso.

N(19:03): Tudo bem, eu não queria ser grossa.

N(19:07): Você não sabe o quanto custa ir para outro lugar que não seja ao seu lado agora.

W(19:10): Quero você aqui antes da meia noite.

N(19:34): Sim, senhora. Acabei de encontrar o Dolls. Até mais tarde.

W(19:35): Espera, você acha que eu devo ir encontrar a Constance?

N(19:35): Conversar com ela sim, pedir ajuda talvez seja pagar um preço alto demais.

W(19:37): Vou esperar você chegar para decidir. Amanhã vou encontrar o Viktor no Shorty's, pode ir comigo? Eu marco para depois do seu turno.

N(19:38): Com certeza.

Quando eu encontrei com o Dolls, eu percebi que eu estava usando o colar de ammolite, nenhum retornado ia se aproximar da gente, cortei o cordão e o deixei no carro. Estavamos parados em frente ao estacionamento de trailers do Bobo del Rey. Aquilo parecia menos assustador do que o dia que eu conheci a Gus. A gente só precisava pegar um retornado, colocar no porta-malas e levar até a Lucado, chefe do Dolls, certo? Simples, fácil e rápido, mesmo se não fosse nada disso, a gente estava pronto para enfrentar qualquer coisa, ou quase qualquer coisa.

Nem todo mundo que vivia ali era retornado, mas a maioria dos homens era. Dolls queria entrar em um dos trailers, atirar, pegar a pessoa e sair sem ser percebido. Parecia fácil, então eu tinha quase certeza que ia dar errado. O lado de fora estava vazio, normalmente aquela hora uma boa parte estava indo beber no Shorty's, provavelmente os retornados faziam a mesma coisa. Dolls correu até um trailer, abriu a porta, mas estava vazio, fez isso nos próximos 4, nada. Eu vigiava atrás de um barril.

— Plano B. — Disse Dolls enquanto andava para o carro. A gente tinha um plano B? Antes que ele pudesse me explicar, três pessoas passaram pela entrada, dois homens e uma moça.

— Parece que vão dar uma festa e não chamaram a gente. — Comentei.

— Não são esses que invadiram um evento do prefeito e comeram a mão dele ao vivo? — Perguntou dando a volta na entrada.

— Porque não basta ser retornado, tem que ser canibal. — Olhei para o Dolls — E claro que a gente não vai tentar pegar um deles, né? — Ele olhou para mim, depois olhou para os lados e voltou para o estacionamento de trailers. — Dolls, se eu não voltar antes da meia noite a Waverly me mata e hoje não é um bom dia para morrer... de nenhuma forma.

— Você não vai morrer hoje, oficial Haught, posso te garantir. -Me jogou as chaves do carro dele e entrou no trailer. Ouvi barulho de briga por vários minutos. Eu deveria entrar lá? A moça que entrou com eles logo saiu com uma ferida enorme no braço, que parecia uma mordida. Perguntei se ela estava bem apesar daquilo, ela disse que sim. Ouvi barulho de tiros. Falei para ela ficar aqui, depois que amarrei um pedaço de tecido em volta da ferida para estancar o sangue. Olhei pela janela do trailer. Dolls estava amarrando os dois. Andei com a moça até meu carro e a deixei sentada no banco de trás, enquanto eu abria o porta-malas do Dolls, que vinha arrastando os dois canibais pela corda. Antes dele chegar ao carro, percebeu que não conseguia mais puxá-los.

— O que aconteceu? — Perguntei.

— Não sei, parece que tem algo bloqueando. — Tentou passar sozinho pela barreira invisível e conseguiu. Um dos retornados voltou a si e tentou se soltar. Dolls atirou nele novamente. Virei o rosto.

— Talvez seja a ammolite? — Perguntei, imaginando que a pedra alcançasse um bom diâmetro de alcance e fui para o carro. — Vou levá-la para o hospital, quer que eu encontre com você depois?

— Acho que a Waverly precisa mais de você do que eu. — Assenti — Ah, Haught...

— Sim? — Olhei para ele, enquanto eu segurava a porta do carro para entrar.

— Você ainda vai ser da Black Badge.

— Que tal você perguntar se eu quero, antes de decidir por mim? — Sorri, entrei no carro e fui ao hospital. — Qual seu nome? — Perguntei olhando pelo retrovisor.

— Bethany. Agradeça seu amigo por me tirar de lá.

— Pode deixar. — Estacionei o carro e a ajudei sair.

N (21:40): Waves,não estou mais com o Dolls, estou no hospital com uma moça que precisou de ajuda.

Charlie (21:42): Pode me dizer o que a garota mais famosa da sua cidade está fazendo no presídio que eu estou trabalhando?

N (21:42): Wynonna?

Charlie (21:43): Estou com ela na enfermaria.

N (21:44): O que aconteceu?

Charlie (21:45): Parece que ela tem um passado com uma das presas. Brigaram durante o jantar, Wynonna está na enfermaria, Megan na solitária.

N (21:46): Embora ela esteja na enfermaria, ela está bem? O que ela tem?

Charlie (21:47): Olho roxo, está com outros hematomas no corpo e quase morreu asfixiada. Vou ficar aqui essa noite, então não se preocupe, mas ela precisa sair daqui logo, Megan não é a única a não gostar dela.

N (21:48): Estou dando o meu melhor. Obrigada.

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Notas finais
Então, o que estão achando da fanfic??? Gostaram do capítulo? Bjs, Brandi