Notas iniciais
Espero que vocês estejam prontos para a bagunça que é a árvore genealógica da Waverly!

Capítulo 16- Explicações

Depois que tomamos café, desci para lavar a louça e ela desceu comigo. Lembrei que o Nedley tinha me entregado a pasta sobre minha cidade.

— Waves, lembra que você me disse que sabia o que tinha acontecido com minha cidade? O Nedley ontem me entregou uma pasta sobre ela, mas eu ainda não a abri.

— E você quer abri-la agora? — Perguntou com certo receio. Ela estava sentada na bancada, ao lado da pia, enquanto eu lavava os potes onde as frutas tinham sido postas.

— Se você não quiser abrir comigo, eu abro depois. — A olhei rapidamente, como se tivesse perguntando se ela queria fazer aquilo comigo.

— Acho que vai ser um ponto mais complicado do que você pensa. — Passou a mão na testa, como se estivesse começando a ficar nervosa ou ansiosa. — Okay, onde está a pasta? — Sequei as mãos e entreguei a ela a pasta. Waverly a colocou de lado e disse — Antes de você ler, acho mais fácil eu te explicar algo que eu sei de todos os fatos.

— Okay. — Concordei, em pé de frente para ela.

— Meu tataravô Wyatt matou os filhos da Constance e do Clootie, a bruxa que me sequestrou. O Clootie, antes de ser morto também pelo meu tataravô, lançou uma maldição, uma maldição de verdade, onde todas as pessoas que ele matou com a arma dele, voltariam a viver quando o próximo herdeiro completasse 27 anos. A maldição só acaba quando todos forem mortos, pelo mesmo herdeiro. Wynonna é a herdeira da maldição.

— Além de bruxas, na cidade nós temos zombies. E eu achando que não poderia ficar pior. — Comentei.

— Na sua cidade, aconteceu algo parecido, mas não foi a maldição do Clootie com os Earps, ninguém sabe o que fez os retornados aparecerem por lá, mas deve seguir a mesma linha. — Fez uma pausa pensando se tinha mais alguma coisa a dizer — Em resumo é basicamente isso.

— Então vamos supor que um herdeiro morre aos 28 anos e o herdeiro acabou de nascer, todos os retornados ficam na cidade até o herdeiro completar 27 anos? E nada ou ninguém consegue matá-los, a não ser o Earp certo, com a arma certa. É isso?

— Sim. Você pode atirar neles com outras armas, eles se machucam por alguns minutos, mas logo voltam como se nada tivesse acontecido.

— Então se eu precisar fugir, eu posso atrasá-los, mas não matá-los. Ótimo.

— Espero que você não tenha que lidar com esse tipo de situação. — Puxou meu braço para si e me beijou.


Era muita informação para absorver, mas era mais fácil de aceitar, já que eu já sabia sobre a Constance. Se tudo aquilo sobre os zombies era verdade, eu encontraria mais detalhes na pasta que o Nedley havia me dado, mas com a Waverly ali eu não tinha coragem de me separar dela ou pensar em qualquer outra coisa. Voltamos para o quarto. Depois de algumas horas fomos interrompidas com o Doc me perguntando se estava tudo certo para o jogo. Havia me esquecido totalmente do caso que a gente ia trabalhar hoje.

— Waves, preciso ir me encontrar com o Doc. Aquele caso da outra semana, lembra? — Levantei e prendi meu cabelo para ir tomar banho.

— Eu vou me encontrar com o Cryderman. — Avisou, se levantando também.

— Ah, não sabia que era hoje. — A olhei pelo espelho da cômoda. Ela me abraçou por trás e me deu um beijo nas costas. — Posso ir para lá depois.

— Claro. — Sorri e caminhei até o banheiro, ela não me soltou.

Encontrei com o Doc na porta do evento, ele me avisou que já tinha visto a Julia entrar. Logo a avistamos no bar com a Dini, conversando e bebendo. Julia encarou Doc com desprezo, afinal ele foi o único que conseguiu vencê-la. Henry foi chamado para o primeiro jogo que não era com nenhuma das duas.

— Será que a gente vai conseguir se divertir hoje? — Perguntou Julia encostando a mão em meu ombro. Dini se levantou e saiu do evento.

— Depende, você vai me contar seu segredo para ganhar todas as rodadas?

— Se eu te contar deixa de ser segredo, não? — Arqueou uma das sobrancelhas e me entregou um copo de chopp. Eu não queria aceitar, mas peguei o copo automaticamente. Fazer contato visual com ela era um grande problema, parecia que bagunçava minhas ideias.

— Segredos devem ser descobertos com o tempo. — Comentei, dando um gole na bebida.

— Nem todos, alguns segredos podem ser mortais. — Disse e saiu andando, sem olhar para trás. A segui até o banheiro. Meu celular começou a vibrar, ela não deixou eu ler a mensagem. Julia me olhava de cima abaixo, como se eu fosse um pedaço de carne. Por mais que eu não quisesse aquilo, eu não conseguia evitar. Ela me empurrou na parede com força e me beijou, segurando meu rosto, como se eu não pudesse me mover.

— Ah há há, parece que alguém vai perder todos jogos hoje. — Disse Waverly escancarando a porta do banheiro, com a Wynonna trás dela, segurando a arma e apontando para Julia, que se assustou e me soltou. Coloquei a mão na cabeça, tentando me livrar do poder que ela tinha sobre mim. Julia tentou fugir, mas Waverly a impediu. Wynonna mirou na cabeça dela e a arma acendeu com algumas partes em amarelo.

— Straight Flush direto para o inferno. — Disse Wynonna atirando na moça. Onde abriu um buraco no chão em chamas e de repente Julia havia sumido.

— O que acabou de acontecer? — Perguntei.

— Ela é uma das retornadas da maldição do Wyatt. — Avisou Wynonna, guardando a arma. — Além disso, a vadia desenvolveu poderes psíquicos que pode ser que confunda a cabeça de algumas pessoas a fazerem ou desistirem de algo. Cadê o Doc? — Perguntou abrindo a porta.

— Sala 7. — Informei e ela saiu. Não sabia com que cara olhar para Waverly novamente depois de ter beijado a Julia novamente. — Desculpa. — Subi o olhar do chão até o dela lentamente. Ela me olhou com uma das mãos na cintura e depois sorriu.

— Tudo bem, eu sei que não era você. Ela estava te manipulando. — Respirei fundo, aliviada. Ela andou lentamente em minha direção e segurou meu braço, me puxando para mais perto dela. — E não é como se a gente estivesse namorando, né? — Perguntou, sem esboçar nenhuma expressão. A afastei com as duas mãos.

— Acho eu me perdi. — Dei mais alguns passos para trás.

— A gente está?

— Pensei que sim. Você não quer?

— Claro que eu quero, só pensei que você ia querer um tempo comigo antes disso.

— Você quer um tempo? — Ambas estavam sérias, se olhando, esperando uma resposta concreta da situação.

— O que eu quero é você. — Senti minha garganta ficar embargada imediatamente e meus olhos lacrimejarem. Andei até ela e a beijei. Logo a porta se abriu.

— Ow, ow, ow.

— Wy-nonna?! — Waverly soltou minha cintura olhando para a irmã parada na porta com a boca meio aberta.

— Erh... Melhor eu ir. — Passei pelas duas e sai. Voltei para o bar e pedi um chopp, Henry apareceu procurando pela Wynonna, quando ele ouviu o que aconteceu se sentou e parou para beber comigo.

— Fiquei sabendo que a srta. Earp mandou aquela moça direto para o lugar dela? Muito bom.

— Quero ver como eu vou fazer o relatório. — Bati meu copo no dele num brinde. Ambos olhavam para a porta do banheiro, esperando as duas saírem.

— Então vocês duas... — Doc apontou para mim e para a porta do banheiro.

— Sim, nós duas... E vocês dois...? — Fiz o mesmo sinal que ele.

— Não existe "vocês dois", Oficial Haught. — Virou o copo e pediu um Whiskey.

— Não é o que parece... — Comentei, esperando que ele não ouvisse.

A porta do banheiro se abriu e ambas saíram de lá em nossa direção. Virei o conteúdo do copo garganta a dentro, nervosa. Waverly parou ao meu lado e me deu um beijo na bochecha.

— Está tudo bem. — Sussurrou em meu ouvido.

— Ei, Doc. Você vai ficar? Eu vou voltar para casa. — Perguntou Wynonna.

— Só me aqueci até agora. — Pegou o copo e deu um gole, mostrando que dali não sairia tão cedo, principalmente depois de ter ganhado as duas partidas que jogou minutos antes.

— Você vem? — Olhou para Waverly com a mão em meu ombro e depois para mim.

— Vou. Me manda mensagem depois? — Perguntou se afastando. Concordei com a cabeça.

Segunda-feira chegou um pacote endereçado a Waverly, sem remetente. Fui até a sala onde ela trabalhava com o setor especial, intitulado como Black Badge Division. Dolls, Doc, Wynonna e Waverly me olharam ao mesmo tempo, minha vontade era de fechar a porta novamente e fingir que não tinha ido, mas poderia ser importante, então ignorei os olhares.

— Chegou isso para você. — Entreguei e pedi licença.

W: Você pode ir comigo ao corpo de bombeiros?

N: O que você precisa fazer lá?

W: Te explico no caminho. Tem a ver com os papéis.

N: Vou avisar o Nedley e te encontro lá embaixo.

Quando estacionei o carro em frente ao corpo de bombeiros ela me mostrou o que tinha dentro do envelope. Era a certidão de nascimento de um membro de alguma organização paralela que ficava dentro do corpo de bombeiros, chamada de "Ordem".

— Antes da gente entrar e falar sobre meus possíveis parentes, preciso te contar outra coisa. — Se ajeitou para ficar sentada de frente para mim. Esperei ela falar. — Eu contei para o BBD que você sabe sobre a maldição.

— Oh, por isso eles estavam me olhando. — Comentei.

— É bem possível. Eles confiam em você, então talvez a gente precise de você em alguns casos.

— Sério? — Sorri, sem conseguir esconder minha empolgação.

— Sério. — Fez uma pausa — Vem, vamos ver o que eles sabem sobre isso. — Levantou o envelope.

Saímos do carro e entramos na sede dos bombeiros. Um homem da minha altura se levantou e caminhou até nós.

— Waverly Earp, a garota que a gente estava esperando.

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Notas finais
Não esqueçam de me dizer o que estão achando.