Irmã I
Já estava em harmonia, encontrava seu fluxo aos poucos e lentamente, mas progredia.
Sentia a Energia esbarrar em sua forma etérea, mas não podia lutar. Tinha apenas que movimentar e progredir de camada em camada. Até chegar na rachadura, que notou dias atrás.
Viu o seu reflexo e começou a toca-lo.
“A missão tinha que ser comprida.” – lembrava a jovem.
A membrana do Espelho aos poucos se rendia aos comandos da sua forma etérea, as vibrações estavam começando a passar.
A sensação de tocar na membrana que divide os mundos é algo surreal até mesmo para ela, ao mesmo tempo em que a reprime de tentar, também traz uma sensação de ordem e equilíbrio.
Com o tempo que ficou admirando e estudando, conseguiu as vibrações corretas para sua missão e mandou a mensagem. Uma vez que passou da membrana, está nas mãos dos Cosmos.
Contudo, o Espelho reagiu de forma forte, jogando o espirito que o tocava para longe, bem longe.
Levou seis dias de meditação e concentração para conseguir chegar até o Espelho, mas poucos segundos para voltar ao seu corpo.
Era como se estivesse afundando em um profundo rio, depois de lutar para muito para chegar até a superfície.
Ao abrir os olhos, deu uma respirada funda em profundo êxtase. Seus sentidos começavam a voltar, ouvia a cachoeira, sentia as gotículas de agua acertar sua pele. O gosto da saliva que tentava lubrificar sua língua que estava seca.
Uma sensação refrescante tomou conta da jovem atordoada. Notou a agua sendo derramada em sua boca e sua irmã dizer:
– Descanse querida, já fez demais por enquanto.
– Acho que consegui. – disse lutando para ficar acordada.
Só viu o sorriso caloroso da irmã, antes que dela dizer:
– Isso é bom, eu tenho bastante fé em você, na verdade todas nós temos.
Apenas devolveu o sorriso mais aberto que podia. Estava satisfeita consigo mesma.
– Obrigada, me traga mais água. Por favor.
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