Cruel Fairy Tale
3 Capítulo 2 - E meu nome é...
Notas iniciais
Ah, o cap vai ter um tantinho de links, peço desculpas a quem não gosta disso. É só ignorar, ok? Ah, como vocês perceberam eu fiz o cap um pouquinho maior que o da Jaqs, mas eu prometo que vou diminuir no meu próximo cap. É só que eu precisava explicar algumas coisas e ambientar um pouco mais a fic... Enfim...
Aproveitem!
Claro. Escuro. Claro. Escuro. Claro. Escuro. Claro.
Demorou certo tempo pra eu notar que eu deveria parar de piscar e tentar me acostumar com a claridade daquele local. Aquele local... Onde eu estava mesmo?
Procurei na minha mente algo que indicasse que onde estava. Mas eu tinha apenas uma memória: um homem alto, moreno e corpulento com feições raivosas me olhando com um sorriso estranho. Ele segurava um bastão de qualquer coisa metálica. A memória acabava quando, na lembrança, eu senti uma grande dor de cabeça.
Sentei e vasculhei o local a procura de algo ou alguém que pudesse me ajudar. Será que eu estava na mão de sequestradores? Bem, se eu estava sendo sequestrada, a pessoa era muito rica... Talvez eu tivesse sido resgatada do sequestro pelo meu namorado e... Eu tinha um namorado?
Aquele era o momento certo de divagar? Eu não sabia onde estava, talvez o melhor fosse eu descobrir onde eu estava primeiro.
A sala que eu estava era chique. Eu estava num sofá meio creme, meio bege meio cinza... A cor do sofá era completamente indefinida pra mim. Ao meu lado tinha duas poltronas brancas, na minha frente tinha uma mesa meia triangular meio redonda. Mais a frente dessa mesa, tinha outra mesa de centro de madeira com algumas revistas em cima e outro sofá atrás dela, bem parecido com o que eu estava. Atrás das poltronas havia uma porta que dava pro lado de fora da sala.
A minha direita tinha uma espécie de corredor entre a parede e uma estante estranha que levava a uma porta que eu pensei que fosse a saída. Tinha um abajur alto também ao lado do sofá que eu estava. Perto da estante, tinha uma mesa posta pra seis pessoas. Seja lá quem fosse o dono da casa, estava esperando alguém.
Será que eu estava atrapalhando?
Atrás do outro sofá tinha uma parede grande que separava os locais da casa, mas ela não tinha porta. Perto da mesa tinha um espaço que eu imaginava onde dava pra cozinha da casa. Também não tinha porta.
Quem morava ali gostava de lugares espaçosos e abertos.
Continuei olhando pra tudo aquilo. Estava completamente maravilhada com o local. Era simples e chique ao mesmo tempo. Eu poderia facilmente morar em um local desses.
– Acordou, Samantha? – eu escutei uma voz masculina e me assustei.
– Quem é Samantha? – eu perguntei
– Você – ele apontou pra mim.
Eu era Samantha? Não? Sim? Qual era meu nome?
– Como você sabe que eu sou a Samantha? – perguntei e ele apenas apontou pra mim – Pare de apontar pra mim! – reclamei
– Estou apontando pro seu pescoço – ele se defendeu com um bico. Que cara infantil, eu pensei.
Eu coloquei uma mão em meu pescoço e senti uma correntinha de metal ali. Realmente tinha Samantha escrito ali. Entretanto ao me mover, eu senti que meu braço doía. Identifiquei como dor de cansaço.
– Você não me conhece – eu afirmei. Afinal, ele não sabia meu nome – Então como eu vim parar aqui?
– Eu achei você num saco ontem, perto do meu prédio. – Estávamos em um apartamento então. – Quem é você?
Aquela era uma boa pergunta. Quem era eu?
– Eu não sei. Não lembro. Acho que eu sou a Samantha. – eu disse olhando pro meu cordãozinho – Apesar de não entender porque eu andaria com cordão de identificação. Será que eu era considerada um cachorro? Ou esse é o nome de outra pessoa? Uma namorada, talvez... – eu virei pra ele – Mas eu não sei quem eu sou.
Ele pareceu se espantar com o que eu disse. Acho que se estivéssemos com os papéis trocados, eu também me espantaria. Quero dizer, qual é a freqüência que você acha alguém desmemoriado na frente da sua casa, num saco?
– Sabe como você foi parar num saco de lixo?
– Eu estava em um saco de lixo? – porque alguém me jogou fora? – Eu não sei. – eu suspirei realmente tentando buscar algo em minha mente, mas a única memória que me vem é a do homem me batendo com o metal – Eu só me lembro que tinha alguém com uma barra de ferro grande na minha frente e de depois ter sentido uma dor de cabeça forte. – eu suspirei mais uma vez sabendo do óbvio – Acho que estou com amnésia por trauma físico.
– Você não sabe do seu nome, mas sabe que tem uma doença? – ele perguntou estranhando e eu dei de ombros. Também não sabia como eu sabia daquilo.
Meus ombros também doeram quando fiz isso. Talvez eu devesse estar machucada. Parei um momento pra me analisar. Eu estava com vários hematomas espalhados pelo corpo. Algumas parte do meu corpo estavam arranhadas e tinham sangue seco.
– Eu sujei seu sofá – eu disse ainda me olhando o seu sofá -, desculpe. Estou te atrapalhando, não é? – O homem a minha frente só me olhava analisando, parecendo cada vez mais confuso – Eu... Me desculpe por ter tido que cuidar de mim e por ter sujado o sofá. –Eu me levantei, meu pé reclamou e eu fiquei zonza, logo voltei a sentar – Eu fiquei zonza, desculpe, acho que vou ter que te atrapalhar por um tempo mais. Talvez eu possa me esconder em algum lugar antes das pessoas chegarem...
– Não tem ninguém vindo – ele disse e eu apontei a mesa posta – É decorativo, ela sempre fica posta dessa forma. – eu assenti como prova que eu tinha entendido. A pele do meu pescoço doeu.
Eu tinha hematomas até no pescoço? Eu levei minha mão até lá.
– Não – ele disse quando eu encostei no meu pescoço e eu logo tirei a mão – Não encoste aí.
Eu realmente tinha hematomas no pescoço... Enforcamento? Chupão? Ele era meu namorado? Não, ele nem sequer me conhecia...
Ele apenas me olhava parecendo tentar me entender ou entender o que estava acontecendo. Ele andou até um banco de madeira que ficava no meio da sala separando o que deveria ser a sala de visitas e a mesa de jantar e se sentou me observando.
– Você está dolorida? – Ele estava brincando comigo? Claro que eu estava! Eu estava completamente roxa! – Acha que está com alguma parte do corpo quebrada? – Eu neguei com a cabeça. Nada doía tanto pra eu pensar que estava quebrado.
–Meu tornozelo está doendo, mas não acho que seja uma torção. – eu disse – O que será que... –Algo pareceu fazer muito sentido na minha cabeça.
Porque um estranho pega uma garota que foi jogada fora e leva pra dentro de sua casa? Porque não chamar a policia, a ambulância ou algo assim? Se eu fosse aproveitadora, eu poderia acusá-lo de seqüestro, de abuso e dos vários outros crimes que minha mente me listava.
– O que foi? – ele perguntou preocupado
– Porque você fez isso comigo? – eu perguntei me encolhendo no sofá, com medo. Claro que isso não ia resolver. Eu estava fraca e com fome, então ele poderia fazer qualquer coisa que quisesse comigo – O que você quer de mim? Você mandou aquela pessoa me bater? É isso? Eu não sei quem sou nem quem você é, pode me deixar ir e... Prometo que não conto nada pra ninguém!
Ele afastou o tronco de mim parecendo horrorizado com o que eu tinha dito.
– Eu sou Fredward Benson. – ele disse simplesmente depois de um tempo. Era pro seu nome indicar alguma coisa? Fiz minha melhor expressão de “Que?” e ele revirou os olhos antes de continuar – Eu sou uma pessoa importante. Não podia deixar você no chão, lá jogada na frente do meu prédio, porque isso ia gerar escândalos. Também não podia chamar policia e ambulância porque ia acabar vazando e gerar escândalos. – ele massageou a têmpora, claramente cansado – Mas eu chamei um médico aqui.
– Eu... Desculpe por isso. – eu fiquei envergonhada – Você foi um cavalheiro cuidando de mim e eu te acusei. Desculpe.
– Tudo bem, não é como se você se lembrasse de tudo. – ele me olhou, analisando o efeito que essa ultima frase causaria em mim. Eu apenas sorri abertamente e assenti agradecida – Agora eu tenho que descobrir o que vou fazer com você.
“- Agora eu tenho que descobrir o que vou fazer com você – disse a voz do homem corpulento a minha frente. Eu sentia que estava quase desmaiando, sem forças. Não havia nem um pequeno pedaço do meu corpo sem doer – Você já deve estar quase morta mesmo, não preciso gastar mais nada com você... Talvez eu deva te dar o destino que você merece... Um lixo como você... – ele riu de algo – Já sei o que eu vou fazer..”
Eu estava gritando e com as mãos na cabeça quando eu me senti ser chacoalhada pelo homem que disse se chamar Fredward, que agora estava sentado no mesmo sofá que eu.
– O que houve? – ele perguntou, com a preocupação estampada em seu rosto
– Eu... não me joga no lixo de novo, por favor – eu pedi me encolhendo no sofá, chorando. — Eu sei que estou te atrapalhando, mas eu posso só sair e... não precisa me jogar fora, eu não vou armar escândalo nenhum pra você. Eu prometo.
Ele se afastou de mim e me olhou atentamente.
– Eu nunca pensei em te jogar no lixo. Agora se acalme.– ele disse firme, num claro tom de ordem. – O que houve?
– Você disse que não sabia o que fazer comigo... – eu passei o braço no nariz pra limpar ele. Quando meu nariz começou a escorrer? – E eu lembrei que o homem falou isso e disse que eu era um lixo e... Depois você me achou no lixo.
Ele me olhou com pena. Eu não gostei muito daquilo, mas também não podia fazer nada. Se eu o irritasse, ele ainda poderia fazer algo comigo, não é?
Não tive mais tempo para divagações porque logo uma pessoa meio velha entrou pela porta depois do corredor que tinha a estante estranha. Ele era um homem com cabelos tão pretos que eu pensei que tinha que ter tinta neles. O rosto triangular estranhamente combinava com o nariz pontudo e os lábios finos dele.
Fredward se levantou do sofá e foi o cumprimentar.
– Doutor Carol. Que bom que chegou. Já sabe que deve manter tudo no mais absoluto sigilo, certo? – Os dois deram as mãos – Ela está toda machucada e sem memória.
– Ela está sem memória, jovem mestre? – ele perguntou olhando pra mim – Vou analisá-la, mas com certeza precisarei fazer exames mais precisos.
– Sem problemas desde que nada vaze pra mídia.
– Ainda com receio que apareça outra Liz na sua vida? – perguntou o médico se aproximando de mim e me dando um sorriso, que eu não decidi se era pra me deixar com medo ou confortável – Eu sou o Doutor Albert Carol. E você?
– Eu não sei. – eu respondi com a verdade – Mas eu estou me chamando de Samantha. Mesmo achando que isso me equipara a um cachorro. — eu mostrei a ele o cordão e ele riu. Eu não entendi porque ele riu, eu não estava fazendo uma piada – Você vai fazer exame de corpo e delito em mim? Eu não quero que Fredward se preocupe caso algo vaze e isso serve de prova que ele não fez nada comigo... Assim ele sai como herói. – Eu olhei pro Fredward e ele me olhava espantado. O Doutor Carol também me olhava espantado. – O que foi? Qualquer um sabe que exame de corpo e delito é necessário como prova de um crime. – eu assenti concordando com o que eu tinha dito, um hábito pelo que pareceu. – Eu não sou boba, seja lá o porquê isso tenha acontecido, não muda o fato que isso foi um crime.
– Senhorita, lembra-se de quantos anos você tem? – eu neguei e vi ele colocar um dedo na frente dos meus olhos. – Siga fixamente meu dedo com seus olhos– ele movia o dedo e eu obedecia enquanto ele continuava a falar — Lembra-se de como veio parar aqui? – eu assenti e continuei olhando o dedo dele
–Alguém me bateu e me jogou no lixo. É tudo o que eu lembro. – ele parou de mover o dedo e colocou uma lanterna no leu ouvido por algum tempo. Logo ele pareceu satisfeito
– Quantos dedos tem aqui? – ele perguntou me mostrando dois dedos
– Dois. – ele pegou meu braço direito e o analisou, apertando-o em algum lugar – Ai, isso ta roxo e dói. Não precisa apertar pra ter certeza – eu puxei meu braço com força e isso fez doer um pouco mais.
– E você sente algo além de dor no corpo?
– Eu fiquei zonza agora a pouco, quando tentei ir embora – olhei pra Fredward pedindo apoio e ele assentiu com a cabeça – mais nada além disso, pelo menos, não que eu tenha percebido. – o médico deu um sorrisinho de lado.
– É possível que seja labirintite. – eu neguei com a cabeça
– Não parece ser infecção, ou eu estaria zonza mesmo sentada. – disse enquanto pensava nas possibilidades – E não estou. Talvez tenha sido por culpa da batida na cabeça? – perguntei e coloquei a mão do lado da minha cabeça – Tem um machucado na minha têmpora – disse sentido a dor de encostar nele. – Talvez isso tenha afetado...
– Afetaria sua audição também e você parece escutar bem. Ouve algum zumbido? – eu neguei. – Você trabalhava em que?
Pra que esse tanto de pergunta idiota? Eu já tinha dito que eu não lembrava!
– Eu não sei! – disse revirando os olhos. E ele assentiu
– Bem, Senhorita, talvez a gente deva ir ao hospital agora. – o médico olhou para o outro homem presente na sala – Jovem mestre, podemos não saber o nome nem a idade nem nada dela, mas sabemos que ela era alguma coisa relacionada à área da saúde.
Área da saúde? Um flash passou na minha cabeça. E não consegui entender o que aquela imagem significava.
–-----
A gente já estava em um hospital e eu estava deitada numa maca.
Foi praticamente um suplicio chegar aqui. Fredward claramente tinha algum problema mental. Sem sacanagem nenhuma.
Ele fechou cada porta da casa quatro vezes, me deixou esperando um pouco no subsolo até que ele pegasse o carro lá no térreo e entrasse na garagem e ainda ligou e desligou o carro duas vezes antes da gente sair.
Tudo bem que eu estava toda suja e machucada, mas ficar me escondendo era um pouco de mais, certo? Se bem que... ele tinha falado que era importante e estava todo neurótico sobre vazar qualquer coisa...
De qualquer forma, o fato de ele estar encarando a porta do consultório do Dr. Carol era muito estranho. Será que era porque ele não tinha a aberto e fechado as quatro vezes?
– Senhorita, por favor olhe pra frente – o médico me repreendeu.
Fredward Benson era realmente uma pessoa importante, eu decidi. Aquele tanto de médicos ao meu redor não seria possível se ele não fosse extremamente rico.
Eu estava deitada numa maca, vestindo aquelas roupas de hospital que mostram tudo que não é pra mostrar e aparentemente era pra eu fazer o que os médicos estavam me mandando. Ao meu redor tinha cerca de cinco médicos e umas quinze enfermeiras. Eles estavam fazendo o exame de corpo e delito mais minucioso que eu já tinha visto na minha vida.
Não que minha vida seja muito grande, já que de acordo com meu cérebro eu tinha menos que algumas horas de vida. Maldita amnésia. Maldito cérebro troll. E maldito...
Da onde veio esse humor seco? Será que eu era assim antes? Eu tinha sido tão doce desde que acordara... Mas agora eu tava virando alguém sarcástica... Argh! Odeio essa coisa de não lembrar de nada!
E Fredward Benson continuava encarando a porta.
– Hei – eu disse chamando a sua atenção, e a de todos os médicos ao meu redor -, Fredward, vá lá e abra e feche a porta mais três vezes, por favor. Isso está me irritando.
Ele me sorriu como se tivesse achado a luz no fim do túnel. Cara estranho.
– Você também abre a porta e fecha várias vezes?
– Eu não sei, não lembro. – fui sincera – Mas isso está me irritando.
Ele abriu e fechou a porta quatro vezes e se sentou. Era só eu que vi que aquilo estava errado? Pelo que eu percebi ele era fanático por numero pares e múltiplos de dois. Porque a porta tinha sido aberta e fechada cinco vezes? Quero dizer, quatro que ele fez e mais uma que foi a que a gente entrou?
Mesmo depois de ter sentado de volta, ele voltou a encarar a porta como se ela fosse sua inimiga mortal. Eu estapeei todo mundo que tava me analisando e levantei. A porta... Foi meio complicado porque eu tava toda dolorida, mas eu cheguei na porta.
Ah... Mais três vezes. Bem melhor.
– Pronto. Oito. –eu virei pra ele e sorri – Número par!
Ele olhou pra mim como se eu fosse uma espécie de deusa, mas logo pareceu entrar em depressão. Será que era porque eu tinha reparado que era cinco vezes e ele não? Será que ele tinha feito aquilo como um teste e eu tinha estragado tudo?
Droga, eu faço tudo errado...
Fui repreendida pelos médicos e uma enfermeira me arrastou de volta pra maca. E eu fui segurando a parte de trás da minha roupa pra não mostrar nada muito constrangedor.
Depois de eu deitar, a enfermeira fechou a cortina e aí começou a parte chata e vergonhosa do exame. Não foi legal ter um homem olhando para minha parte mais íntima, mas eu sabia que aquilo era preciso pra não prejudicar o homem que estava do outro lado da cortina caso algo viesse a acontecer.
Afinal, ele tinha me achado e me tirado da rua, não é?
Cara, que história estranha! Uma pessoa aleatória me acha na rua e cuida da mim. Se não fosse por ele eu estaria morta agora. Depois dizem que não existe gente legal no mundo e...
E se ele estivesse mentindo? De ele ter sido o culpado de tudo isso, eu não duvido nada. Talvez ele tenha ficado com peso na consciência, ou talvez ele esteja cuidando de mim porque eu tinha alguma informação que ele queria e agora que eu perdi a memória ele quer recuperar...
Se bem que era mais fácil ter me matado depois de ver que eu perdi a memória. A não ser que ele não acredite realmente que eu perdi a memória. Droga! Droga! Maldito cérebro que não me fornece as informações desejadas!
E mesmo que ele fosse o culpado, o que eu poderia fazer? Eu nem sabia em que cidade eu estava! Não conhecia ninguém e pra piorar a situação não tinha documentos comigo e era bem provável que o homem que fez isso comigo, quando me visse viva, iria querer terminar o serviço.
Não demorou muito para sair daquele exame e entrar em outros. Mas dessa vez tinha máquinas e outros equipamentos mais tecnológicos. Depois de algumas horas eu voltei praquela sala que Fredward estava.
Se eu confiasse no Fredward eu tinha cinqüenta por cento de chance de sair viva. Se eu não confiasse nele, era uns noventa por cento de chance de eu não sair viva disso tudo. Acho que eu não tinha opção a não ser pedir ajuda pra ele.
– Está tudo bem, doutor? – ele perguntou enquanto eu me sentava na cadeira ao lado dele, já de volta com meu short jeans e blusa de péssimo gosto que eu estava vestindo antes.
–Jovem mestre... – o médico caminhou até uma placa branca na parede e a ligou, colocando a radiografia da minha cabeça lá – Senhorita, você consegue identificar algo aqui? – ele perguntou olhando pra mim.
Eu observei atentamente aquela radiografia. Aquela não poderia ser a minha!
– Isso é meu? – eu perguntei incrédula e o médico assentiu – Impossível! Eu perdi a memória! Eu não estou mentindo sobre perder a memória, eu realmente não lembro de muita coisa.
–Sim, eu sei. – ele disse me mostrando uma pasta com exames de Tomografia Computadorizada, Eletrocardiograma entre outros mais corriqueiros como exame de sangue e urina. – Vê aqui? – ele apontou para um resultado específico
– É, faz sentido, mas se estavam me espancando porque me envenenar também? Não era mais fácil terminar o serviço me batendo? – eu perguntei vendo as altas taxas de monóxido de carbono que eu tinha no meu corpo – A não ser que eu tenha ficado num porta mala de um carro bem velho... – eu tentei ligar as coisas – Isso faz algum sentido ou estou falando abobrinha?
Olhei pra eles, Fredward estava boquiaberto com o que eu tinha dito e o médico concordava com o que eu dizia.
– Como a amnésia foi causada por monóxido de carbono, a gente não sabe ainda quanto tempo ela vai durar. Mas já que estamos tratando de uma amnésia global... – eu suspirei sabendo que eu teria que me esforçar muito se quisesse reter algo na minha cabeça e assenti.
– Não há possibilidade da amnésia ser causada por um trauma? – perguntei apontando pra minha cabeça e ele assentiu – Mínimas, né? – ele assentiu novamente. Droga! – Eu queria entender porque eu sei tanto disso, mas não lembro meu nome – eu rodei meu dedo mostrando todo o consultório médico
– Nunca se sabe qual área que a amnésia vai afetar. – disse o médico.
– Hei! O que está acontecendo aqui? –exigiu saber Fredward. Eu tinha me esquecido que estava ali.
Pareceu ser bem comum eu conversar assuntos de médicos com médicos. Outra imagem apareceu em um flash na minha cabeça e eu novamente não consegui entender o que ela era.
Doutor Carol começou a explicar pro Fredward que eu tinha sido envenenada com monóxido de carbono, um gás altamente mortal que sai dos escapamentos dos carros e de outros lugares e que em quantidades altas, mas não o suficiente pra matar, ele causava amnésia global: o que significava que eu não iria lembrar nada da minha vida até aquele dia e que provavelmente teria dificuldades de reter algo na memória.
Ele disse também que fora isso, meu corpo não parecia estar em um estado muito grave, apesar de eu ter sido violentada. Eu olhei pro rosto do Doutor e tentei entender o que ele tinha dito.
– O que foi, senhorita? – ele perguntou
– O que é ser violentada? – eu perguntei confusa – É grave?
–Sabe ler uma tomografia, mas não sabe o que é ser violentada? – perguntou Fredward em um tom baixo revirando os olhos, mas logo falou num tom mais baixo ainda — ... pro seu próprio bem.
– Ser violentada é quando duas pessoas fazem sexo sem uma delas querer – eu assenti entendendo. Aquilo tinha acontecido comigo? Porque eu não me sentia mal então? — Tudo bem, você não vai ter traumas com isso porque você não lembra. – o médico sorriu – É como se nunca tivesse acontecido. Tudo tem um lado bom.
Eu abri um sorriso enorme e assenti.
Tudo tinha um lado bom.
– Que bom que eu estou bem e que vou melhorar! –eu me espreguicei na cadeira do consultório e gemi, apesar de estar bem eu ainda estava fisicamente dolorida – Só resta saber agora pra onde eu vou. O lado ruim é que eu não sei onde eu moro, nem se tenho família. – eu me virei para o homem ao meu lado – Você pode me deixar dormir na sua casa hoje? Vou procurar um trabalho e saio de lá amanhã. Prometo!
– O que? – ele perguntou como se eu tivesse cometido todos os pecados do mundo em uma frase – Na minha casa?
– Só por hoje. Eu não tenho pra onde ir. – pedi mais uma vez – E eu não conheço ninguém!
Dr Carol nos observava e Fredward massageava as têmporas.
– Hoje e apenas hoje – eu abri um sorriso enorme
– Eu te abraçaria, mas eu to suja e você tem TOC então eu não vou fazer isso – eu ainda sorria completamente alegre e ele se espantou. – Hum... Você não sabia que tem TOC? – eu perguntei com cara travessa. Acho que fiz merda...
Perdi um lugar pra dormir hoje. Droga.
– Como você sabe disso? – ele me perguntou.
–Você demonstra a todo minuto. Tudo seu é milimetricamente organizado e limpo. Tem a mania de fazer tudo que envolve sua própria segurança pelo menos duas vezes seguidas, para conferir se está realmente certo. – eu dei de ombros e me arrependi.
Merda de corpo doendo.
Ainda vou descobrir porque eu saio da personalidade doce e entro na personalidade do mal do nada...
– Senhorita, você sabe o como tratar de pessoas com TOC?
– Quando é grave antidepressivos, mas em geral terapia cognitivo-comportamental, ou como eu chamo: adestramento, já resolve. – eu assenti confirmando o que eu falava antes – Se não me engano tinha algo sobre aumento de serotonina de forma natural que ajudava bastante o tratamento. – Argh! Tinha mais coisa sobre o assunto que eu não estou lembrando! – Tem mais jeitos, não tem? – eu perguntei angustiada por não saber – Eu não lembro, desculpe.
– Hum... –o médico coçou o queixo pensando algo.
– Nem sequer pense nisso – reclamou o homem do meu lado e o médico abriu um sorriso malvado.
–--
Era cinco horas da tarde quando nós voltamos ao apartamento de Fredward. Ele estacionou na garagem do prédio, no lugar mais perto possível da onde ficava o elevador. Entramos na casa dele e encontramos uma menina sentada no sofá que eu tinha acordado.
– Que bom que você está bem! Mamãe estava prestes a se descabelar quando te ligou e você não respondeu. – ela respondeu se pondo de pé e colocando as mãos na cintura. – E essa casa não tinha um tapete bem aqui? – ela apontou pro chão.
Foi aí que eu lembrei que tinha sido acordada sei lá que horas da manhã e que tinha vomitado pra cima de Fredward. Que vergonha! Deixa pra lá... deixa isso pra lá... Aposto que ele nem lembra mais disso! Claro, Samantha, porque isso é uma coisa que a gente esquece com facilidade... Afinal, é algo tão corriqueiro... Quem nunca vomitou em cima de outra pessoa? Oh! Onde tinha um buraco pra eu entrar?
Eu respirei fundo e decidi esquecer o assunto. A amnésia não é tão ruim nessas horas. Ele andou até perto do sofá e eu o segui decidindo pensar apenas no que aquela frase me fornecia de informação: a pirralha era a irmã dele.
Bem, pelo menos eu não ia ter problemas com namoradas e ele não ia ter problemas com a polícia. Essa era a tal de Liz? Não a Liz era alguém ligado a memórias ruins e...
– Olá, Charlie – disse Fredward suspirando cansado. É, não era a Liz mesmo.
– Quem é essa aí? – ela perguntou olhando pra mim com a sobrancelha erguida – Namorada nova? E ela veio da guerra?
– Não... – ele olhou pra mim, pra menina e novamente pra mim. Com um sorriso no rosto – Eu preciso que você guarde um segredo maninha...
Minutos depois lá estava eu, tomando banho numa banheira enormemente grande sendo ajudada pela menina que se chamava Charlie e que eu nunca tinha visto antes. Tá, se eu visse minha mãe na minha frente eu iria falar a mesma coisa dela, então tanto faz.
Eu reparei que os únicos cômodos da casa que tinham porta eram o lavabo na sala, os quartos e o closet. Nem mesmo o banheiro que ficava dentro do quarto tinha porta. Pensei no porquê daquilo. Será que era pra evitar que ele não ficasse abrindo e fechando desnecessariamente todas as outras portas?
Não era hora de ficar divagando...
– Charlie? – eu chamei e ela me olhou com pena, resolvi ignorar o olhar – Sabe onde eu posso achar um emprego?
– Eu não sei... Eu poderia falar pra você trabalhar junto com meus pais, mas pra isso eu teria que contar que você...
– Não podemos fazer alarde sobre isso, seu irmão sairia bem prejudicado, não é? Sua mãe faria picadinho dele por me ajudar e sua família inteira sairia mal com a mídia
Ela assentiu.
Pelo que eu tinha entendido, eles eram realmente famosos pela mãe ser dona de um canal de TV e o pai ser dono de um banco bem famoso. Não me pergunte os nomes. Porque eu não sei nem o meu!
– Você pode pedir pra ele pra ser sua empregada... – ela riu do que falava, como se o irmão dela nunca fosse aceitar aquilo – Mas não se preocupe com achar trabalho por agora. O médico não disse que é pra você ficar as duas semanas aqui em repouso? – ela perguntou – Quem sabe você não consiga algum emprego nesse meio tempo.
– Eu nem tenho documentos! – me lembrei que eu também não poderia recorrer a métodos lícitos pra arranjá-los ou eu acabaria ferrando Fredward. – Além do mais eu não posso sair dessa cobertura pra não gerar problemas pro seu irmão. – Eu a lembrei. – E todo o tempo que eu passar aqui vai ser pra ajudá-lo a melhorar do TOC.
Esse tinha sido o trato que o médico fez com Freddie: ele me dava casa e comida por duas semanas, que era o tempo que eu precisava pra me recuperar da maioria dos machucados e roxos. Enquanto eu cuidaria do TOC dele.
Eu e o médico sabemos que os pacientes muitas vezes só se tratam por causa da família e como Fredward morava sozinho era bem capaz de ele não fazer nada além da terapia. Até que ela funciona sozinha, mas não muito.
Foi engraçado ver Fredward resmungando o caminho de volta inteiro algo como “finalmente minha mãe vai largar do meu pé por causa disso”. Claro... Porque com certeza TOC tem cura... E os pandas azuis voam também.
– Você tem um grande conhecimento sobre medicina, mas não se lembra do próprio nome. Que história estranha... – ela riu – Foi encontrada sem memória por um homem rico, bonito e legal... Parece até um conto de fadas. – ela negou e pareceu se lembrar de algo – Esqueça isso! Primeiro temos que decidir um nome pra você.
– Eu estou me acostumando com Samantha, apesar de não gostar dele... Faz eu parecer um cachorro! – eu reclamei olhando o meu colar de identificação, que era como eu estava chamando minha correntinha.
– Podemos todos te chamar de Sam – ela sugeriu enquanto eu me lavava – Sam... Uma abreviação igual a Charlie... –eu ri da menina. Ela era tão fofa e inocente – Agora um sobrenome... Taylor?
– Samantha Taylor... –neguei com a cabeça – Fica estranho.
– Verdade. Sam Grande – ela riu do nome – Nah... Sam Spears – ela gargalhou – Olha que bonito: Sam Spears
– Eu achei isso pior do que Sam Taylor – eu disse enquanto vestia uma roupa
– Ah, qual é, você vai poder fingir que é parente da Britney – eu olhei pra ela confusa. Eu deveria saber quem é Britney? – Britney Spears... Não conhece? – eu neguei e ela deu um sorriso maléfico – Ah então vai ser Samantha Spears
Enquanto ela tagarelava sobre nomes, sobrenomes e outras que eu não estava querendo muito escutar, eu terminei de me arrumar (com umas roupas que estavam não sei onde e também não sei de quem eram) e saímos do quarto. Segui ela até a cozinha da casa.
Eu nunca tinha visto algo tão grande na minha vida! Tá que minha vida não era muito grande de acordo com minhas lembranças e tá que o resto da casa era enorme também, mas a cozinha era espetacular!
O piso era claro, seguindo os outros cômodos, no meio tinha uma ilha redonda com um cooktop em cima, ao lado do fogão seguia uma bancada preta e perto dela tinha três banquinhos altos pretos também. Do lado esquerdo tinha bancadas com armários. Perto da porta estava a geladeira de duas portas preta e ao lado o forno elétrico. Do lado direito da bancada, tinha um tapete com uma poltrona virada pra cozinha e um abajur alto. Atrás da poltrona tinha uma parede enorme de vidro que mostrava toda a vista de Seattle. Lindo! Totalmente lindo!
Mas eu não pude ficar admirando a beleza da cozinha por muito tempo, porque Charlie resolveu contar a novidade pro irmão que estava sentado num do banquinhos pretos lendo um jornal com uma xicara na mão.
– Fred, o nome dela vai ser Sam Spears – aquilo certamente era uma espécie de piada que só eu não entendia porque ele engasgou com o que quer que ele estivesse tomando – Legal né?
– Não, não vai ser esse – ele afirmou em um tom de ordem – Tenha pena dela, Charlotte – a menina pareceu desanimar com aquilo.
– O que é isso? – ela perguntou apontando pra xícara que ele estava tomando, claramente querendo mudar de assunto. – Café? Eu quero! – ele assentiu e mostrou a cafeteira em cima da bancada pra garota.
Café? Ele tinha TOC! Não podia tomar café...
– Bem – eu comecei meio hesitante e ambos me olharam –, você não pode tomar café. Isso aumenta a ansiedade e...
Freddie me ignorou tomou outro gole e virou a página do jornal que lia.
Ninguém. Ignora. Sam. Spears. E. Fica. Impune.
Foi somente por isso que eu caminhei até ele puxei com força a xícara da mão dele joguei todo o conteúdo na pia. Ele me olhava numa mistura de indignação e estranhamento. Levantei a sobrancelha o desafiando a fazer algo.
– Durante duas semanas eu estou sendo sua médica. – eu avisei – E você vai melhorar. Quer você ou não.
Charlie riu alto.
– Adorei essa garota. Vai lá, Sam Spears! –ela fez uma dancinha que eu imaginei que fosse uma imitação de lideres de torcida — Dá um jeito nele!
– Eu quero café. – ele disse entre dentes – Me devolve isso.
– Pois não vai ter! – eu voltei no mesmo tom. E meu estomago roncou alto assustando a ambos. –Além do mais, eu estou com fome. É hora de comida, não de café. Onde estão as coisas pra eu preparar algo pra gente comer?
– Como assim preparar? –ela perguntou como se eu tivesse cometido o maior dos pecados ali, na frente dela. Realmente os dois eram irmãos – Hoje é sábado! Dia de pizza!
Eu olhei pra eles confusa. Como assim?
– É um ritual que fazemos. Todo sábado que a gente não tem nada pra fazer nesse horário ela vem pra cá e pedimos pizza.
– Peça uma a mais, por favor – eu pedi meio envergonhada – Eu não tenho dinheiro agora, mas eu vou procurar um trabalho e volto isso...
– Ah, fica tranqüila – Charlie balançava as mãos olhando pro celular – Não é como se a gente tivesse passando necessidade. – ela riu de algo que eu não entendi e também não quis perguntar – Você tem alergia a alguma coisa? Gosta de alguma coisa...
– Eu não sei. – eu tentei me lembrar, mas nada vinha em mente e minha barriga roncou de novo – Nada do que entrar aqui vai me fazer mal. Parece que faz dias que eu não como. – eu tentei fazer uma piada.
Eu não sei o que eu falei de mais, mas ambos se olharam e depois olharam pra mim com pena. Aí eu entendi. Talvez realmente fizesse mesmo dias que eu não comia. Quer dizer, eu tinha comido um salgado no hospital entre um intervalo de exame e outro, mas aquilo não tinha matado nem a fome das minhas lombrigas.
– Hum — remungou Fredward pra si mesmo — ...mais pro seu próprio bem. — Era a segunda vez que ele me falava aquilo e eu ainda não tinha entendido o que era.
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Realmente deveria fazer dias que eu não tinha comido nada, porque eu devorei uma pizza grande de presunto inteira sem sequer prestar atenção no que eu tava fazendo. Mas pelo menos eu descobri que eu gosto de presunto.
E como eu gosto de presunto!
Charlie tinha saído depois que tínhamos comido tudo. Ela era uma menina bem legal. A família inteira era daquele jeito? Se fosse, poderia facilmente invejá-la por viver com eles.
Talvez eu tenha uma família cheia de Charlies me esperando e eu estou aqui perdida de tudo. Até de mim mesma.
Ignorei meus pensamentos e a dor do meu corpo e fui fazer algo útil. Arrumar a cozinha. Afinal, iria ficar naquela casa e tinha que retribuir o favor. Fredward estava me observando da porta. O fato dele ter ficado ali me observando como se eu fosse, sei lá, um animal de circo me incomodou bastante.
– Eu não vou tirar nada do lugar – eu avisei. – Fique tranquilo.
– Eu estou pensando outra coisa – suspirou – Como eu vou fazer pra sobreviver a você duas semanas?
Eu suspirei também e resolvi ignorá-lo, continuando a trabalhar. Cara, eu realmente tava dolorida.
– Ein? Como eu vou sobreviver a você? – ele parecia não estar falando comigo apesar de só ter eu ali na cozinha e de ele olhar diretamente na minha direção.
– Eu não tenho memória. – eu disse tentando confortá-lo e ele pareceu acordar de algum transe e me olhar de verdade – De acordo com os ambientalistas eu sou um bebê e vou aprender tudo do ambiente. – ele me olhou como se eu tivesse duas cabeças. Ou talvez três – Eu estou dizendo que como eu não sei quem sou, você pode me moldar a seu bel prazer.
Ele deu um riso travesso
– .... demais pro seu próprio bem. – Fredward resmungou com humor.
– O que você disse? – eu perguntei curiosa, o olhando atentamente. Já era a terceira vez que ele dizia a mesma coisa!
– Você é estúpida demais pro seu próprio bem. – ele repetiu mais alto – Você não mede o que vai falar.
– Não é minha culpa se eu perdi a memória e nem que todos os meus filtros se foram junto com ela – eu me defendi voltando arrumar a cozinha. Aquele homem sabia ser um pé no saco quando queria – Ainda vai ler esse jornal? — ele balançou a cabeça em um não.
– Quer dar uma olhada nele e achar um sobrenome melhor? – ele perguntou – Spears não é um sobrenome bom. Nada bom.
– Foi a Charlie que escolheu. –ele riu tão alto... Talvez a Charlie não fosse tão boazinha. Eu comecei a folhear o jornal até que parei numa notícia sem nada de chamativo – Quem é essa mulher? Pamela Puckett... – eu perguntei fazendo ele se aproximar pra ver a notícia que eu apontava
– Pamela Puckett? – ele disse – Noiva do prefeito de Seattle.
“- Senhorita Puckett – um homem me chamou e eu olhei pra trás para vê-lo. Ele era loiro, tinha um uniforme azul, parecia bem musculoso e sorria de forma doce.”
Eu acordei do meu transe com as leves chacoalhadas que Fredward estava me dando. E eu estava novamente gritando com as mãos na cabeça. Eu realmente tenho que parar de dar chilique quando eu lembrar das coisas.
– Eu tinha esse sobrenome – sussurrei pra ele – Esse era o meu sobrenome.
– Você se lembra dessa mulher? – ele perguntou e eu neguei – Ela tem duas filhas: Melanie e Jéssica. Algo te vem à mente? – eu neguei novamente e ele ficou preso em seus pensamentos.
– Desculpa. – ele me olhou e me lançou um sorriso
– Tudo bem, talvez você nem seja parente dela, só tenha o mesmo sobrenome. – ele disse sorrindo – Nem tudo é ruim. Sam Puckett. É um bom nome.
Eu sorri largamente e assenti.
Era um bom nome pra mim.
Notas finais
Tentei fazer um pouco de comédia. Espero que tenha conseguido.
E o que acharam? Abri um leque bem grande sobre muitas coisas né? Por exemplo a Liz... Quem será ela? Espero que a Jaqs nos responda isso ou nos dê uma dica (porque aí eu também vou saber quem ela é)!
Acho que a Jaqs vai me matar por causa das filhas da Pam serem a Mel e a Jéssica...
Bem, se acharem algo que não faça sentido ou que esteja diferente de qualquer coisa que tenham visto no cap 1, avisem que a gente concerta isso nos caps futuros.
Ah, e não deixem de visitar o grupo da fic! Tá, tá eu fico quieta!
Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau!
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