Acordei e olhei a minha volta, aquela não era a minha casa, era um hospital, e Kiro estava dormindo na cadeira ao lado da cama onde eu estava deitado. Fiquei observando o rosto dele enquanto dormia, mas ele começou a despertar, e percebeu que eu o olhava.


-Você está melhor Strify?- Ele parecia realmente preocupado, tinha olheiras como se tivesse passado a noite acordado.


-Sim.- Foi tudo o que eu consegui responder


-Que bom. Quando tiver melhor eu quero que me diga se conhece quem fez isso com você ou pelo menos descreva alguma coisa deles porque eu não vi direito, aquele beco era um pouco escuro. – Kiro ia se atropelando com as palavras como se estivesse com muita raiva deles.


Afirmei com a cabeça fazendo movimentos leves.


-A, seu presente está lá em casa por enquanto.-


-Eu já sei o nome dele.- Eu pronunciava cada palavra com dificuldade.


-Qual vai ser?-


-Kiro. Se não se importar.- Sorri frágil


-Que lindo. Porque me importaria? Adoraria receber essa homenagem. — Ele disse sorrindo com os olhos cheios de lágrimas.


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Certo tempo se passou e eu estava saindo do hospital. Eu já aguentava mais ficar lá, mesmo Kiro indo ficar um pouco comigo todos os dias, ele também tinha a vida dele pra cuidar, e agora tinha que olhar Kiro o cão, pra mim enquanto eu estava no hospital.


Foi bom chegar em casa outra vez. Eu e os Kiros passamos aquela tarde de sábado juntos, parecíamos até uma família feliz de filmes de romance. Combinei com Kiro o homem, que segunda assim que eu saísse do trabalho eu iria fazer a minha denuncia contra os homofóbicos que me atacaram.


Kiro foi embora e ficamos apenas eu e o Kiro mais novo. Coloquei um pouco da ração que Kiro havia comprado para ele no pote, mas ele não parecia estar com fome, entrou na caixinha dele que estava começando a ficar apertada já que ele era um filhote gorducho e estava ficando grandinho.


-É Kiro eu tenho que comprar a sua casinha logo.- Passei a mão pela cabecinha dele, sorrindo.


-Você é bem limpinho, e como o papai Kiro disse que você tomou banho, vou te deixar dormir comigo. Vem Kiro- Caminhei até o quarto estalando os dedos e o pequeno (já não tão pequeno) Kiro veio atrás de mim. Deitei na minha cama e ele pulou deitando-se ao meu lado, ele me acalmava. Kiro estava certo quando disse que ele me fazer bem.


Adormeci tranquilo, mas logo se foi a minha tranqüilidade quando voltei a sonhar.


“Eu estava sentado no sofá, chorando. Alguma coisa muito ruim tinha acontecido, mas eu não sabia o que era. Um vento calmo, porém bem gelado soprava da janela totalmente aberta, eu estava com frio, mas meu desanimo me impedia de fechá-la. KiroJunior, estava comigo, sentou-se ao meu lado só que no chão e apoiou sua cabeça na minha perna como se entendesse a minha dor.”


O telefone tocou me acordando daquele sonho que eu não entendia.Atendi.