-Alô?- Falei sonolento ainda.

-Alô, Strify?- A voz do outro lado da linha estava trêmula.

-Kiro?-

-Ai Deus me diz que está tudo bem com você. -Sentia preocupação na sua voz.

-Eu estou bem, mas o que aconteceu com você? –

-Eu tive um pesadelo horrível. Eu sonhei que você tinha morrido e entrei em desespero. -

-Nossa, não precisa se preocupar Kiro, foi só um sonho. Eu estou bem, e nada vai me acontecer. – tentei tranquilizá-lo, mas confesso que eu tinha me assustado um pouco com isso, estava começando a levar os nossos sonhos mais a sério. Temi.

-Promete que vai ficar bem? –

-Prometo. Agora descansa e não se preocupe comigo. -

-Ta bem, desculpe se te acordei. -

-Não precisa pedir desculpa. Foi até bom porque eu teria que acordar mais cedo mesmo para arrumar as coisas do Kiro antes de ir trabalhar. Ele é tão dorminhoco que nem o barulho do telefone acordou ele.-

-Ele esta aí com você?-

-Está. Dormiu comigo essa noite.-

-Da um beijo nele por mim. Te amo. –

-Eu também te amo. – Respondi com toda a sinceridade.

-tchau. -

-tchau. –

Desligamos. Olhei para o relógio e já ia dar 5h da manhã. Acordei Kiro e o levei no colo até sua caixa. Ele ainda estava sonolento então não demorou muito para dormir. Enchi um outro pote com água para ele e fui tomar meu banho.

As horas, os minutos, os segundos longe dos meus Kiros pareciam durar uma eternidade. Mas graças a deus tinham um fim, e depois de ser torturado com a saudade eu era recompensado com todo o amor que eles me davam.

Os dia estavam se passando e eu e o Kiro sonhávamos as mesmas coisas. Kiro sonhava que eu tinha morrido e eu sonhava que estava chorando com nosso cachorrinho. A gente já havia denunciado os caras, mas acho que ainda não tinham encontrado eles, bom pelo menos nunca mais vi a cara de nenhum deles por aqui.

Certo dia estavamos eu e o Kiro jr. (como Kiro o havia apelidado) esperando Kiro chegar, ele disse que tinha uma coisa para me dar e que essa noite seria especial para a gente. Junior não parava um segundo, andava de um lado para outro, ele devia estar entediado ou pelo menos era isso o que eu achava. Ele pegou a coleira dele e trouxe até mim que estava sentado no sofá vendo TV, como se quisesse que eu levasse ele para passear, mas eu estava com preguiça e como estava esperando Kiro chegar não podia sair. Ignorei, mandei ele ficar quietinho e voltei a guardar a coleira dele. Ele ficou um tempo me olhando como se me repreendesse e eu não estava entendendo nada, então ele sentou-se em frente a porta e não saiu de lá enquanto eu não resolvi fazer o que ele queria.

Liguei para Kiro para avisar que o Junior queria passear e que não ia me deixar em paz enquanto eu não fosse. Liguei, liguei e liguei, mas não consegui falar com ele. Deixei um recado com o porteiro para quando ele chegasse e fui levar o Junior para passear. Ele estava me puxando um pouco o que era estranho já que ele sempre andava tranquilamente ao meu lado, ele ainda era filhote mas já estava bem grandinho e fortinho, ele parecia saber exatamente onde queria ir.

-Calma Kiro, não precisa puxar. – Eu disse e logo depois ele puxou forte e eu acabei soltando a coleira, ele saiu correndo e eu fui atrás.

-KIRO! KIRO, VOLTA AQUI.- Eu gritava correndo atrás do cachorro. Então eu comecei a reconhecer a rua em que Junior havia me levado, um lugar sombrio e escuro como nos meus pesadelos. Ele já não corria mais ele estava parado olhando alguma movimentação estranha, caminhei até ele e segurei a coleira para não correr o risco de perdê-lo novamente, olhei para onde ele estava olhando e vi uma encruzilhada.