Cross Destination
20 Capítulo Vinte
Notas iniciais

Oliver se virou na cama e não sentiu o corpo da esposa junto dele. Suspirou e abriu os olhos, se virando na cama novamente. Olhou no relógio que estava na mesa de cabeceira e ficou surpreso ao perceber que passava das 6h. Ouviu o barulho da porta e olhou para a mesma, vendo a esposa sair apenas de toalha.
Você acordou cedo. – Felicity pulou.
Que susto, Oliver. – Ele riu. – Vai assustar outro. Que coisa.
Não foi minha intenção. – Ela fez um bico e voltou a caminhar para o closet.
Você vai se atrasar.
Já estou indo. – Se levantou da cama e viu ela sair do closet. – Não quer voltar para o banho comigo? – Ela sorriu.
Eu adoraria, mas você vai se atrasar, e nossos filhos também. – Ele suspirou.
Deveria ter me acordado. – Ela riu.
Faço isso na próxima vez. – Beijou os lábios dele, e o deixou ir tomar banho. – Não demore. – Felicity se vestiu rapidamente e correu para o quarto dos filhos, se surpreendendo ao encontrá-los acordados. – Bom dia, meus amores.
Bom dia, mamãe. – Dizem juntos.
Vocês estão acordados. Que surpresa. – Se aproximou.
Mamãe, me ajuda com isso? – Pergunta, entregando o arco.
Claro, amor. – Arrumou entre os cabelos lisos.
Mãe, e o papai?
Ele está tomando banho. Ele se atrasou um pouco. – Ele assentiu. – Bom, enquanto vocês terminam de colocar o tênis, eu vou preparar o café da manhã.
Não. – Os gêmeos dizem juntos. – Não, mamãe. O papai vai fazer. Ele sempre faz. – Bryan completa. Felicity cruza os braços.
As mochilas de vocês estão prontas?
O papai ajudou a arrumar ontem. – O menino responde, enquanto amarrava o cadarço. – Mãe, coloca em mim? – Ele se aproxima com a correntinha com suas iniciais.
Conseguiu colocar na sua irmã? – Pergunta, percebendo que a filha já estava com o dela no pescoço.
Sim, mas não consigo colocar em mim. – Se virou de costas para a mãe. – O que agente vai levar de lanche hoje?
O papai esqueceu de fazer amor. – Bryan a olhou quando ela terminou de fechar o feche. – Hoje vocês compram o lanche na escola, está bem?
O que agente quiser? – Brooke pergunta, animada.
Nada de besteiras. – A menina fez um biquinho. – E por favor, tomem cuidado com as alergias.
Mamãe, você diz isso sempre.
Porque eu me preocupo, meu amor.
Bom dia. – Oliver aparece na porta do quarto. Brooke corre para o pai que a pega no colo. – Você está linda, como sempre, princesa. – Ela sorriu, beijando o rosto do pai em seguida.
Eles estão esperando o café da manhã.
A mamãe queria fazer, pai. – Bryan diz.
Amor, nosso combinado não é esse. – Ela bufou. – Vamos, vou preparar o café.
Eu quero waffles. – Bryan diz.
Eu também. – A irmã concordou. – Mas, papai, eu não quero de mel.
Okay. Sem mel. – Seguiu para as escadas com a esposa e o filho seguindo-o.
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Oi, Lyon. – Oliver vê a filha abraçando o garoto.
Oi, B. Oi, Bry. – O seu filho sorriu.
Que cara é essa? – Olhou para o pai de seu afilhado.
Estou cansado. – Tommy respondeu. – Laurel está dormindo mal, e consequentemente, eu durmo mal. – Oliver assentiu.
Isso é praga. – Eles ouvem. – De tanto falar dos outros...
Ah, você está engraçadinho á uma hora dessas, Allen. – O outro riu junto de Oliver.
Você trouxe o filho do Cisco?
É. ele tinha umas coisas para resolver... – Olhou para o menino que estava ao lado de Bryan.
E então? Como está a mais nova grávida? – Barry revirou os olhos.
Você é um filho de uma mãe. – Tommy riu. – Como é possível?
Você sabe... – Tommy diz, maliciosamente.
Estou falando de você ter descoberto. – Revirou os olhos.
Esse é meu dom.
Se meter na vida alheia é um dom? – Oliver pergunta.
Tão cedo, e vocês já estão provocando um ao outro?
Sarah. – Oliver cumprimenta, confuso.
Ora, você virou babá? – Tommy provoca, e ela revira os olhos.
Ray pediu para eu trazer Killian hoje. Ele tem uma reunião importante. – O menino olhou para ela. – Vai lá, a gente se vê mais tarde. – Ele correu para onde as outras crianças estavam.
Como vocês estão? – Barry pergunta.
Continuamos bem. – Sorriu. – Mesmo ele ainda visitando o avô, ele não mudou seu tratamento para comigo, apesar de Ray estar pensando em proibir que seu pai veja Killian.
E alguém pode culpá-lo?
Eu fiz o mesmo. Moira não se aproximará dos meus filhos.
Killian sempre volta estranho de lá. E ontem ele disse que o avô disse que logo eles morariam juntos.
O que? – Sarah bufou.
É isso mesmo. Disse que vai tirar o menino de Ray.
Isso não é coisa que se diga a uma criança.
Ele não quis dizer ao pai, mas disse para mim. Ele estava assustado, e confiou em mim.
Killian, você quer que eu faça um sanduíche para você? — Pergunta quando eles entram em casa. Ray tinha buscado o filho no avô, e deixado ele com Sarah em casa. Estava achando estranho, o menino estar calado demais, mas deixou para questionar o que era, novamente, quando voltasse do trabalho.
Não quero. — Ela o olhou, incrédula, e colocou as mãos na cintura.
Como assim? Você não quer sanduíche? Quem é você e o que fez com Killian Palmer? — Diz com um sorriso, mas para a surpresa dela, ele não sorriu. Suspirando, ela pegou na mão dele. — O que foi, hein? — Ele balançou a cabeça. — Querido, seu pai está preocupado. Você ficou calado do seu avô até aqui.
Não é nada, Sarah. — Diz com a voz baixa.
Vem comigo. — O puxou, levando-o até o sofá, sentando-se depois que o induziu a fazer o mesmo. — Vamos conversar. — Ele a olhou. — Eu sei que pode ser difícil confiar em mim, mas eu quero ajudar.
Mas eu confio em você. — Ela sorriu. — Mas não aconteceu nada.
Killian, eu sei que alguma coisa aconteceu. — Pegou no queixo dele. — Você está triste. E eu sei que tem algo te incomodando. Que tal me dizer para eu ajudar? — Os olhos dele lacrimejaram, e Sarah sentiu um aperto no peito.
O que houve, querido? — Ele abraçou a cintura da madrasta, escondendo o rosto na barriga dela. — Me diz. — Passou as mãos nos cabelos lisos. Esperou que ele se acalmasse. Ele começou a soluçar, e ela o abraçou forte. — Está tudo bem. — Sussurra.
O vovô... — Ele começa, antes de levantar a cabeça, e olhar nos olhos claros de Sarah. — Ele disse... Ele disse... — Se interrompe, soluçando.
Calma. — Passou a mão no rosto, retirando as lágrimas. — Respira fundo, e me diz o que ele disse. — Ele fez como ela pediu, coçando um dos olhos. Ele ficou em silêncio por poucos minutos.
Ele disse que vai me tirar do papai. — Sarah arqueou as sobrancelhas, indignada. Não é possível que aquele homem teve o disparate de dizer aquele tipo de coisa á uma criança. — E que eu vou morar com ele pra sempre.
Isso não vai acontecer. — Diz, séria. — Seu pai nunca deixaria.
Eu não quero contar pro papai.
Por que? — Pegou no queixo dele, quando ele abaixou o rosto. — Diz pra mim.
Não quero que o papai brigue com o vovô.
Meu amor, seu pai precisa saber para que ele resolva isso. — Sorriu. — Ele te ama. Ficaria chateado por você esconder isso dele. — Ele voltou a soluçar. — Não precisa ficar assim. Você vai continuar aqui, com seu pai. Ninguém vai te tirar dele. — Diz, balançando a cabeça. Sarah sabia que Juiz nenhum tiraria um filho, de um pai.
Promete?
Eu prometo que faremos de tudo para que você fique com seu pai. Está bem? — Ele assentiu. — E eu vou contar para o seu pai. Posso?
Pode. — Diz, balançando a cabeça. Sarah beijou os cabelos lisos. — Obrigado, Sarah.
Você pode sempre contar comigo. Sempre pode falar comigo, sobre qualquer coisa, está bem? — Ele assentiu, voltando a abraçar a cintura dela.
Ele se apegou á você. – Oliver comenta, enquanto olhava para o garoto que estava ao lado de Lyon. – A forma que ele olha para você... Ele precisava de alguém como você, por perto, para conseguir se expressar, entende? Ele não contou ao pai, mas contou á você. Você contou para o Ray sobre isso?
Contei sim. Ele ficou bem revoltado. Conversou com Killian, para tranquilizá-lo. – Os amigos assentiram.
E como ele reagiu quando contaram sobre o casamento? – Barry perguntou, curioso.
Muito bem. Ele disse que estava tudo bem, se isso fizesse o pai feliz. – Os outros sorriram. – Disse que gosta muito de mim. Então, nós vamos marcar a data. – Diz com um sorriso, e os amigos assentiram, enquanto olhavam para as crianças, que seguiram a professora.
Vai dar tudo certo.
Eu espero que esteja certo.
Ele melhorou bastante. Bryan disse que eles estão... Como é que meu filho disse? – Pensou por alguns minutos. – Ah. Não me lembro. Mas estão se dando bem. Passos de bebê, eu acho. – Deu de ombros.
Ele só precisava ser ouvido, e Ray conseguiu conversar com ele.
Você ajudou, não?
Um pouco. – Sorriu. – Bom, eu tenho que ir. Estou na equipe hoje.
Com Tyler?
Sim, por que?
Vê se não vão provocar um ao outro. – Sarah revirou os olhos.
Deixa eu ir.
Eu também tenho que ir. – Barry se pronuncia. – Caitlin não estava bem quando eu saí. – Sarah o olhou.
Em pensar que Tommy estava certo quando disse que ela estava grávida.
É, Sarah. – Barry bufou. – Como, eu ainda não sei.
E de quanto tempo ela está mesmo, Barry?
Ela está terminando o segundo mês.
Então é melhor você ir pra casa mesmo. Os três primeiros meses são perigosos. – Barry concordou com Tommy.
Bom, eu tenho que ir trabalhar.
Não vai para casa?
Não, Tommy. Hoje eu tenho coisas para fazer.
Hummm. Quanto tempo você dá para que Felicity fique grávida de novo, Sarah?
Dou um ano.
É muito. – Tommy diz, fazendo os outros rirem. Oliver revirou os olhos. – Eles estão no cio, cunhadinha.
Vai se ferrar, Tommy. – E os outros voltam a rir. – E você, Sarah? Não sei porque está falando de mim... Você anda tão estranha esses dias. Vai ver você que está grávida. – Ela olhou para o amigo surpresa pelo comentário.
Eu concordo com você, amigo.
Eu não estou grávida.
Tá. E eu vi um boi voando. – Barry balançou a cabeça enquanto ria, não entendendo o comentário idiota do amigo. – Você acha mesmo que engana alguém? Você está mais corada, seus olhos andam brilhando pra caramba... Além de que seu apetite está de dar medo.
Vai se ferrar. – Cruzou os braços. – Eu não estou grávida. Não estou. Você anda vendo coisas...
Eu acertei com a Cait.
Inacreditavelmente, isso é verdade. – Barry diz.
Não estou grávida. – Volta a repetir, se irritando. – Eu tenho mais o que fazer. – Os outros olham para a loira, com as sobrancelhas arqueadas.
A Sarah está muito estranha.
Ela se irritou com isso? – Barry pergunta, incrédulo.
O primeiro sintoma da gravidez. – E dessa vez, tanto Oliver quanto Barry tiveram que concordar com o amigo, apesar de quererem rir de como o amigo disse.
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Felicity estava meio deitada no sofá, enquanto lia um livro. Estava agoniada por ficar em casa sem fazer nada, por mais que ainda não se sentisse bem em sair de casa. Alissa tinha acabado de sair, depois de deixar o almoço pronto. Felicity sentiu seu celular vibrar. Ligou a tela percebeu que era uma mensagem de Sarah, dizendo que precisava conversar.
"Não quer vir para cá?"
"Na verdade, estou chegando aí"
"Estarei te esperando"
"Tudo bem"
"Beijo"
Felicity mandou o mesmo, e desligou a tela. Ela se perguntava o que a amiga queria falar. Esperava que não fosse nada muito sério. Deixou o livro de la, curiosa. Ela sabia que se Sarah queria conversar com ela, e não com a irmã, era porque ela estava assustada com alguma coisa. E era muito raro ver a amiga assustada. De repente ela ouve a campainha. Sabendo que só poderia ser Sarah, pois Mike e os outros não deixariam mais ninguém subir, ela caminhou até a porta e abriu, sem ver pelo olho mágico, quem era.
Lis. – Ela entrou depressa, abraçando a amiga em seguida.
Aconteceu alguma coisa?
Bom... Eu não sei. – Caminhou até a sala com felicity ao seu lado.
Como assim não sabe? – Se sentou, e Sarah fez o mesmo. Elas estavam sentadas meio de lado, olhando para os olhos uma da outra.
Eu estou surtando um pouquinho. – Passou a mão na testa. – Eu já imaginei passar por algo assim, mas não agora. Eu não pensava nisso agora. Ainda não me casei, tenho um enteado de seis anos, e...
Sarah. – Felicity a interrompeu. A amiga estava falando rápido demais, estava ficando confusa. – De vagar. Me explica o que está acontecendo. – Diz depois de pegar nas mãos da amiga.
Eu acho que estou grávida. – Apesar de ter falado rápido, Felicity entendeu o que ela tinha dito, e por isso arregalou os olhos.
Você... – Começou, mas se interrompeu. – Sarah, espera, porque você acha isso?
Eu estou ficando irritada por qualquer coisa, ando comendo mais do que eu como normalmente. Tommy disse que estou estranha, e que com certeza estou grávida.
E você vai dar ouvidos ao Tommy?
Ele soube sobre a Cait.
Sarah, isso foi uma coincidência.
Eu estou estranha, Lis. Hoje mesmo, eu me irritei por bobagem com um agente. Eu pedi desculpas, mas eu gritei com ele, na frente de um monte de gente. Eu não sou assim. E eu não sou de chorar também, e ultimamente, eu tenho chorado por causa de tudo. – Felicity riu.
— Você deve estar cansada.
Sério que você acha isso?
Na verdade, tem chances de você estar grávida sim, por causa desses sintomas aí, mas... Você e Roy se cuidam?
Bom, não o tempo todo. – Felicity bateu a mão na testa.
Se você não queria uma criança agora, por que não se cuidou?
Ah, Felicity não faz pergunta difícil. – A amiga riu. – E não ria, me ajuda.
O que eu posso fazer? – Felicity suspirou ao ver o desespero da amiga. – Vá ao hospital e faça um exame de sangue. Não faça esses testes de farmácia, que nem sempre dá certo.
Eu não quero ir sozinha.
Ora, eu posso ir com você.
Hoje não dá. Eu tenho umas coisas para fazer ainda na agência. – Mordeu o lábio nervosa. – Amanhã, pode ser?
Claro. Você vem me buscar? – A amiga assentiu. – Olha, não fique se desesperando atoa. Talvez isso seja um alarme falso. E se você estiver mesmo grávida... – Sorriu. – Isso vai uma dádiva, Sah. Um filho é sempre uma bênção, e eu tenho certeza de que tanto Ray quanto Killian vão adorar se for verdade. Acredite, eu também surtei um pouco quando soube, mas sabe, quando comecei a sentir eles mexendo dentro de mim... É lindo, Sah. Você vai ver como isso vai mudar a sua vida completamente, e de um jeito maravilhosamente fofo. – Sarah sorriu, agradecida, e a abraçou.
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Oliver suspirou cansado. Ele já estava se irritando com aquele documento. Walter tinha lhe enviado aquela coisa á duas horas e ele não conseguia se concentrar. Só no que pensava era no recado que tinham lhe mandado á poucos minutos. Ele sempre disse que aquilo não era um problema, mas por algum motivo ele temia e muito o que estava por vir. Balançou a cabeça, quando percebeu que talvez deveria ter ouvido Sarah e Tommy quando eles lhe deram aqueles conselhos, se tivesse ouvido, talvez não estivesse preocupado com aquele bilhete. Ele agradeceu aos céus quando ouviu a porta se abrir, mas ficou preocupado ao ver sua irmã com uma cara assustada.
Thea?
Ollie. – Ele se levantou e se aproximou.
O que houve?
Eu... – Ela se interrompeu. – E-Eu...
Thea, o que aconteceu? – Ele ficou ainda mais preocupado quando viu que ela tinha um corte pequeno no supercílio, e um dos braços estava ralado.
Eu estava indo para a casa do papai... Mas então... Então eu encontrei Shane. – Oliver fechou as mãos em punhos.
Aquele desgraçado te machucou?
Eu disse que não teria volta, ele não gostou.
E ele te bateu. Aquele covarde, filho da puta. – Rosnou. Trouxe a irmã para o sofá que tinha na sala. – Hanna, chame meu pai. – Gritou de sua sala.
Eu dei uma joelhada no saco dele e corri. Ele disse que isso não ficaria assim.
Ah, com certeza não. Esse maldito mexeu com a irmã do cara errado.
Se eu tivesse ouvido você e Tommy antes... Se tivesse me afastado...
Ei. A culpa não é sua. – Beijou os cabelos da irmã. – Vai ficar tudo bem. Minha mulher já é perseguida por um lunático, não vou deixar isso acontecer com minha irmãzinha. – Thea o olhou incrédula.
O que? – Oliver percebeu que falou demais.
Esquece o que eu disse.
Ollie, você disse...
Thea, por favor. – A cortou. – Estou preocupado com você, e eu não quero você metida nisso.
Okay. – Fez um biquinho, desgostosa com o pedido do irmão. Ela tinha ficado curiosa e elém de tudo preocupada com a cunhada.
Oliver. – Thea olhou para a porta, e Walter se assustou quando viu a "filha" machucada. – Thea? O que houve com você?
O maldito do Shane fez isso. – Oliver praticamente rosnou. – Enquanto o senhor fica com ela, eu vou atrás do desgraçado.
Você não vai atrás de ninguém. – Entrou na frente do filho. – Ele não deve estar sozinho, é perigoso, filho.
Ele ameaçou a Thea.
Eu vou resolver isso. – Oliver trincou os dentes. – Me deixe cuidar disso, Oliver. – Ele bufou.
Tá. Tudo bem. – Olhou para a irmã.
Venha, Thea. Vou levá-la para casa.
Não fico no mesmo cômodo de Moira Steele. – Ela diz. – Eu amo você, papai, mas não consigo. Não quero vê-la.
Ela não está em casa.
Onde ela está? – Oliver pergunta, arqueando as sobrancelhas.
Ela disse que ia visitar uma amiga e voltava á noite. – Thea e Oliver estranharam, a mãe deles não era de ficar até tarde na casa de uma amisa, alguma coisa ela estava aprontando, e disso eles tinham certeza. – Mas se você preferir, eu deixo você no Malcom.
Vai ficar em casa? – Walter sorriu.
Eu fico, se quiser.
Mas depois vai ter que me deixar no meu pai.
Claro, querida.
Eu cuido das coisas por aqui. – Walter assentiu, Thea abraçou o irmão e seguiu o homem que via como pai.
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Você tem certeza de que quer sair? Com esse tempo? – Mike arqueou as sobrancelhas, desgostoso. – É provável que chova. – Ele queria muito que ela mudasse de ideia, mas já tinha ouvido pela companheira de trabalho que ela era muito teimosa.
Eu não sou de açúcar, Mike. – Sorriu. – Eu quero sair. – Ele suspirou. Felicity pegou a bolsa que estava em cima do sofá. – Eu sabia que Sarah mandaria você aqui para me convencer a ficar em casa.
Ela só está preocupada com você.
Eu sei disso, mas eu preciso de ar. E eu quero fazer algo diferente hoje.
E não pode esperar seu marido chegar em casa? – Ela arqueou as sobrancelhas, estranhando Mike estar tentando convencê-la de ficar em casa, apenar de sua situação tensa. – Ele nem mesmo sabe, Felicity.
Eu decidi a poucas horas. – Ele bagunçou os cabelos. – Por que eu acho que está escondendo algo de mim?
Não estou. – Diz rapidamente, sério, tentando não demonstrar seu nervosismo.
Por que não quer que eu veja meu marido?
Eu não disse isso. – Os olhos claros que estavam focados na sacada, voltaram para a loira, sabendo que se ele desse muita bandeira, ela descobriria seu nervosismo. – Eu só estou preocupado, mas se você quer ir... Tudo bem. – Diz, depois de um suspiro.
Ótimo. – Sorriu, saindo do apartamento.
Collin. – Felicity o olhou, ele estava com o celular na prelha. – Apronte o carro, estou descendo com a Felicity.
Ela vai mesmo?
Sim. – A olhou pelo canto do olho. – Ela é teimosa. – Felicity sorriu, não se importando com o comentário do outro.
Tudo bem. Estarei esperando no estacionamento.
Não. Nos espere na portaria.
Até lá então. – Desligaram.
Só vamos nós três?
Não. Gregory e Dimitri também irão nos acompanhar, só que em outro carro. – Ela assentiu. Assim que chegaram a portaria, encontraram o carro preto, Felicity entrou assim que Mike abriu a porta.
Nós vamos para a empresa Queen. – Collin o olhou, e o amigo balançou a cabeça, como se dissesse para ele não dizer nada.
Vai dar merda. – O garoto de vinte e dois anos sussurrou, e Mike que estava ao seu lado, concordou mentalmente.
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Oliver ainda não conseguia se concentrar nos papeis a sua frente. Dessa vez não era a mensagem que tinha recebido que o preocupava e sim sua irmãzinha. Mesmo que seu pai tenha dito para ele não se envolver, ele não parava de pensar que deveria fazer alguma coisa. Um traficante ameaça sua irmã, e isso ficava barato? Bom, não deveria. Suspirou. Rodou a cadeira, ficando de costas para a porta. Tinha falado com o pai a alguns minutos, ele tinha lhe dito que Thea estava mais calma, e que ele já tinha falado com Quentin. Esperava que o pai de suas amigas conseguisse pegar o desgraçado. Se ele não fizesse, ele mesmo o faria. Ninguém ameaçava sua irmãzinha e saia impune.
Oliver. – Ouviu ser chamado e se virou com a cadeira, olhando para a porta.
Quando você chegou? – Não estava surpreso por vê-la, ela tinha mandado uma mensagem á poucas horas, de que estava chegando na cidade.
Faz algumas horas. Você nem foi me receber no aeroporto. – Ele reprimiu um revirar de olhos.
É. Estava ocupado.
Tão ocupado que não podia ir me buscar?
Eu disse a você que não iria. Não deveria estar tão surpresa, muito menos chateada. – Apoiou os braços na mesa.
Então é verdade? – Ele olhou para onde ela olhava, a aliança em seu dedo. – É verdade que se casou?
Sim.
Você nem esperou nosso término esfriar.
Helena, nós não tínhamos nada. Eu nunca te prometi "relacionamento sério". Nós ficamos, foi bom, mas acabou.
Para mim era sério.
Para mim não. – E ela desviou os olhos, sentindo-os lacrimejar. – Eu sempre disse que não queria me envolver. Era só um caso para mim, e você aceitou.
Para mim não era só um caso.
Mas foi o que eu ofereci. – Retrucou mais uma vez. – Olha, não faça uma cena, está bem? – Pediu, quase perdendo a paciência.
Você se casou por causa dos gêmeos.
O que? – Arqueou as sobrancelhas, desgostoso.
Se casou porque ela lhe deu filhos. Foi só por isso.
Não. Não foi só por isso. – Retrucou. – Eu a amo. Por isso eu me casei. – E ouvi aquilo a magoou. – Helena, o seu trabalho é ficar na cola de Cooper.
Não precisa dizer de novo.
Então por que veio aqui se já tínhamos conversado sobre isso por telefone?
Porque eu queria te ver.
Não deveria ter vindo. – E ela novamente ela sentiu uma pontada no coração. Oliver suspirou. – Estamos rastreando o Cooper, mas mesmo assim, ele ainda não saiu de Vancouver. – Decidiu mudar de assunto.
Mas mandou os homens dele, como eu disse. – Oliver assentiu. – E eu descobri que ele pretende vir para Starling.
Ótimo. – Era o que ele queria, afinal de contas. – Quero que ajude Nate e os outros na segurança dos meus filhos.
Seus filhos?
Você disse que queria me ajudar.
Estou fazendo isso por você. Só por você. – Oliver se levantou.
Helena, vou deixar algo bem claro aqui... Se você fizer alguma coisa que possa prejudicar meus filhos e minha mulher... Por estar distraída... Vai se arrepender. – Ela engoliu em seco. – Por isso, ou você ajuda de verdade, ou você pode sair dessa missão.
Eu vou ajudar. Eu prometi. – A porta se abriu.
Miya?
Senhor... Bom, é que... – Ela olhou para trás e voltou seus olhos para o chefe. – Acabei de ver sua esposa. – Oliver se surpreendeu com o que ouviu.
Olha quem eu encontrei, Ollie. – Tommy chegou com Felicity e Miya se afastou, para deixa-lo entrar. Tommy arregalou os olhos, surpreso por ver Helena naquela sala. Pensando na merda que aconteceria agora que elas estavam frente a frente, ele desviou os olhos para o amigo, que parecia estar tão surpreso quanto ele, vendo Felicity ao seu lado. Miya decidiu deixá-los.
Felicity... – Os olhos de Oliver foi da esposa para Tommy, que balançou a cabeça para os lados, sem deixar que a amiga visse, e então Oliver voltou os olhos para a esposa. – O que está fazendo aqui?
Eu vim te ver. – Oliver se aproximou. – Eu não tinha nada para fazer em casa, e pensei que podíamos pegar os gêmeos e ir comer fora.
Eu teria te buscado se tivesse me avisado. – Ela deu de ombros. Os olhos verdes se desviaram para Helena. Quem era ela? Era o que Felicity se perguntava. A mulher se aproximou, ficando ao lado de seu marido.
Não vai nos apresentar, Ollie? – A voz de Helena soou na sala. Felicity não gostou de como ela tinha chamado seu marido. Oliver fechou os olhos, para logo abri-los, respirando fundo. Olhou para Tommy que sussurrou um se fudeu.
Helena...
Eu sou Felicity. – O cortou. – A esposa do Oliver. E você, quem é?
Helena é...
Ela pode responder, Oliver. – Helena se surpreendeu vê-la interromper o marido. – Ela não é muda. – Tommy riu baixo. – Então, você é...
Eu sou Helena Bertinelli. Ex-namorada do Ollie. – Oliver colocou dois dedos entre os olhos, enquanto os fechava. Ele sabia que Felicity estava desgostosa, e nem olhava para ela para saber disso. A mão de Helena foi parar em um dos braços de Oliver que a tirou logo em seguida.
Ex-namorada? – Felicity o olhou, mas voltou a olhar para Helena. – É um prazer, Helena. – Mesmo que ela estivesse irritada, ela conseguiu sorrir para a mulher de cabelos negros. – Eu não sabia que meu marido mantinha contato com uma ex-namorada.
Nós trabalhamos juntos. – Ela tocou novamente no braço de seu marido, se aproximando ainda mais o corpo do dele. – Nós somos muito amigos, não é, Ollie? – Diz, olhando nos olhos de Felicity, com um sorriso divertido.
Helena... – Ela o olhou e ele se afastou dela. – Você já pode ir.
Mas Ollie... E sobre...
A Sarah vai falar com você. – Ele estava se controlando para não gritar com a mulher. – Agora saia.
Está bem. – Deu um sorriso falso. – Foi um prazer, Felicity.
O prazer foi meu, Helena. – Ela disse, mas os olhos estavam fuzilando o marido. Tommy segurou uma risada. Helena saiu da sala, deixando o casal e Tommy sozinhos.
Bom... Eu vou indo. Eu só vim entregar um documento para o Walter, mas ele não estava. Deixei com sua secretária. – Tommy beijou o rosto da amiga e Felicity sorriu para ele. – Até mais. – Ele fechou a porta quando saiu. Felicity voltou os olhos para o marido, irritada, ele percebeu.
Felicity...
Você é um idiota.
Felicity...
Quer dizer que você namorava ela? – O cortou mais uma vez. – E ainda mantém contato? – Ele tentou se aproximar, mas ela se afastou.
Ela acabou de chegar de viagem. Nós não nos vemos desde... – Se interrompeu, ficando em silêncio por menos de três minutos, antes de voltar a se explicar. – Tem um tempo. – Felicity cruzou os braços.
Não me importo quanto tempo isso tem. O que importa é que... Você nunca me contou sobre isso.
Meu amor. – Se aproximou.
Não me toca. Você não tinha o direito de esconder esse tipo de coisa de mim. – Oliver suspirou. – "Nós somos muito amigos". – Repetiu a frase da outra. Oliver segurou uma risada. – Isso não tem graça, Oliver. – Ela gritou.
Você está com ciúmes? Felicity, eu me casei com você. – Sentiu as mãos dele em sua cintura, e mesmo que sentisse um choque percorrer todo seu corpo, a imagem daquela mulher o tocando, não saia de sua cabeça.
Você não vai conseguir me convencer com essas frases românticas. – Se afastou do marido. – Você me escondeu que mantém contato com uma ex-namorada.
Meu amor... – Felicity fechou as mãos em punhos. – Helena não significou nada para mim.
Se não significou por que escondeu de mim sobre ela? – Retrucou. – Você é um imbecil. E eu não quero mais conversar. – Oliver se colocou entre ela e a porta.
Não faz isso. Volte aqui, e vamos terminar essa conversa.
Eu não quero. Porque no momento a minha vontade é de te esmurrar. – Gritou.
Felicity, quer se acalmar e me ouvir?
O momento que eu deveria te ouvir, passou. – Retrucou, revoltada.
Quantas vezes terei que dizer que ela não significa nada para mim? Eu amo você, Felicity. Por que tem que ser tão teimosa, ás vezes?
Por que você tem que ser tão cretino? – Retrucou. – Eu vou embora.
Espera. Você não queria almoçar?
Você está brincando com a minha cara? – Oliver suspirou. – Eu não quero mais almoçar.
Então eu levo você em casa.
Não. Mike está lá embaixo.
Meu amor...
Conversamos em casa. – Oliver passou as mãos no rosto, estressado. Deveria ter ouvido o conselho de Tommy e Sarah.
Inferno. – Praticamente gritou.
**--** **--**
Vamos, Mike.
Mas... – Olhou para Collin. – Mas você não iria almoçar com o Oliver?
Ia. Não vou mais. – Ela estava irritada, eles perceberam. Mike e Collin então se lembraram de ver Helena sair do prédio. Elas devem ter se "conhecido", eles pensam. Mike abre a porta para que Felicity entre, e vai para o banco do motorista. Felicity não conseguia tirar a cena do marido com a mulher morena da cabeça. A voz da mulher, dizendo que eles eram ex-namorados, era a frase que mais repetia em sua mente. Eles se conheceram no trabalho, e seu marido nunca tinha lhe dito nada sobre ela antes. Felicity piscou duas vezes e olhou para Collin e Mike. No trabalho, ela pensou.
Mike. Collin. – Eles olham para a loira pelo retrovisor. – Vocês conhecem Helena Bertinelli? – Os garotos se olham por breves minutos até se voltarem para Felicity.
Sim. Ela é nossa colega de trabalho.
Então vocês sabiam que ela e Oliver...
Nós não temos nada a ver com isso. – Collin diz. – Nós sabíamos que você não sabia sobre ela, e que ela estava de volta na cidade...
Então ela está na cidade a pouco tempo? – O interrompeu, mas porque estava suriosa demais.
Chegou hoje. – Ela abaixou o olhar. – Há pouco mais de uma hora. – Ela o olhou. – Tenho certeza que Oliver não fez por mal, ao não te contar.
Ele é um idiota. – Os amigos se olham. – Ele pede para eu não esconder as coisas... Enquanto que ele mesmo tinha coisas que não me contava. – Balançou a cabeça. – Uma ex-namorada. – Sussurrou. – O que sabem sobre ela?
Acho que deveria perguntar ao Oliver, Felicity. – Mike diz.
Eu estou perguntando á vocês. – Mike deu um longo suspiro, quando o amigo pousou os olhos nele, antes de se voltar para a loira, olhando-a pelo retrovisor.
Ela está na agência a três anos. – Collin começa a contar e Mike o olha, balançando a cabeça. O amigo dá de ombros. Se felicity queria saber, ele contaria, afinal, tinha percebido o quão magoada ela estava. – Ela e Oliver estiveram na mesma equipe por sete meses.
Sete meses. – Sussurrou. – Foi esse o tempo que ficaram juntos?
Não sei.
Eles não estiveram juntos por muito tempo. Pelo que Sarah disse foram cinco meses, apenas.
Sarah sabia. – Voltou a sussurrar. – Quer dizer que Tommy e Laurel também sabiam? Todos sabiam sobre ela e Oliver? – Mike e Collin a olham, e ela balança a cabeça, decepcionada, triste. – Só eu que estava no escuro.
Eu sinto muito.
Onde ela mora? – Felicity olha séria para os garotos.
Você não vai querer saber, Felicity. – Collin diz.
Onde ela mora? – Repete lentamente. Mike Suspira antes de virar o corpo inteiro para trás, para vê-la melhor.
No mesmo condomínio que você e Oliver. – Felicity arregala os olhos. – Collin disse que não iria querer saber. – Os olhos de Felicity lacrimejaram, mas ela respirou fundo, não deixando que nenhuma lágrima descesse. Ela não choraria.
Obrigada por me contarem. – Diz, e desvia os olhos para a estrada. Mike se vira de volta para o volante e volta a dirigir quando o sinal abre. Ele e Collin ficaram com pena da mulher. Eles viram a tristeza nos olhos verdes, e se olhando pela última vez, eles se perguntavam se tinha sido uma boa ideia ter contado tudo que contaram.
**--** **--**
Oliver? – Ele olhou para a porta, vendo o pai. – Está tudo bem, filho?
Está. – Diz depois de um suspiro. – E Thea?
Está bem. Está com Malcom... Ele não ficou muito feliz quando contei o que houve. – Oliver assentiu. – Tem certeza de que está bem, filho? – Oliver deu um longo suspiro.
Eu e Felicity discutimos. – Walter se aproximou.
Por que?
Porque eu não contei á ela sobre Helena Bertinelli.
Oliver. – O pai o repreendeu. – Por que não contou?
Não achei que fosse importante. – Walter balançou a cabeça para os lados. – Entre eu e Helena foi só... Diversão. – Deu de ombros. – Não havia sentimentos. Era só um caso.
Oliver, vocês estiveram juntos por mais de um mês. Preciso dizer que esse fato já tornava vocês em "casal"? – E novamente ouve o filho suspirar, dessa vez bem alto. – Não deveria ter escondido da sua mulher que esteve com alguém pouco antes dela voltar.
É. Percebo que foi um erro... – Passou as mãos nos cabelos, bagunçando-os. – Eu não sei o que fazer, pai. Ela está muito magoada.
É claro que está. É completamente compreensivo. Ela é sua esposa, Oliver. E enquanto ela contava sobre sua vida fora de Star, você não contou sobre a sua...
Droga. Não era minha intenção magoá-la. E ainda tem Helena, que voltou, e... Com sentimentos por mim.
Ela sempre teve sentimentos por você. Nunca percebeu? – Oliver tinha percebido, mas ele já tinha dito á mulher que não queria compromisso. Ela tinha aceitado ficar com ele sem promessas. Para ele era só sexo.
Eu acabei com tudo quando ela começou a falar demais sobre compromisso. – Respirou fundo, fechando os olhos. Sua cabeça parecia que ia explodir. – E então ela viajou á trabalho...
Você esteve em contato com ela, depois que Felicity voltou? – Abriu os olhos.
Mandei que ela rastreasse Cooper.
Oliver. – O repreendeu. Oliver percebeu o quão incrédulo o homem estava. – Você colocou a mulher que te ama nessa situação?
Eu não coloquei ninguém. Ela pediu para ajudar. – Deu de ombros.
Isso foi um erro. Um grande erro.
É. Eu sei. E agora eu tenho que me afastar de Helena... E enfrentar minha mulher. – Passou as mãos no rosto. – E eu sei que não vai ser fácil. Conheço a mulher que eu tenho.
Você vai ter que esperar para fazer isso. – Se levantou. – Temos uma reunião muito importante agora. – Oliver jogou a cabeça para trás, se encostando na cadeira. – Por isso vim te chamar.
**--** **--**
Felicity apertou o prato nas mãos. Estava com tanta raiva, tanto ódio, que não sabia como estava conseguindo conter tudo que sentia. Por que seu marido esconderia dela sobre aquela mulher? Se perguntava se tinha significado alguma coisa para ele, afinal, ele escondeu dela que teve outra mulher antes de ela voltar. Felicity não estava magoada por ele ter ficado com outra pessoa nesses seis anos que esteve longe, afinal, ele tinha esse direito, eles não estavam juntos. Mas ela não aceitava mentiras, e muito menos omissões. Aquela cena passava e repassava em sua mente, e ela sentia mais raiva. Raiva por ouvir aquela mulher lhe falar daquele modo sobre seu marido, raiva por vê-la tão perto dele, raiva por Oliver esconder dela sobre a ex-namorada. Ex-namorada. Só de pensar naquele verbo, o sangue dela esquentava. Ela o ouvia conversar com os filhos enquanto colocava o macarrão no prato das crianças. Ele se sentou do outro lado da mesa, onde sempre se sentavam. Respirando fundo, ela resolveu se sentar na cabeceira da mesa, e apesar de Oliver estranhar, ele não disse uma palavra sobre aquilo, sabia que ela estava magoada. Novamente ela saia daquele plano, se lembrando do marido surpreso por vê-la. Com certeza não esperava que ela fosse chegar justo quando a ex o visitava. Ela mordeu a parte interna da bochecha. Ela soube que tinha alguma coisa errada no momento que viu o marido nervoso, mas não imaginava ouvir o que ouviu daquela mulher. Felicity desviou os olhos do prato, que ela havia colocado macarrão sem perceber, por estar pensativa demais, olhou para Oliver e novamente se lembrou da cena de mais cedo; daquela mulher na sala dele, pegando no braço dele, tão perto do corpo dele, com aquele sorriso provocador. Apertou ainda mais o prato entre as mãos, e trincou os dentes, ela sabia que os filhos estavam presentes, mas a raiva era tão grande... Ele ainda não tinha lhe explicado aquela história direito, tudo porque na hora do seu surto, foi embora com Mike e quando ele chegou, ela estava com Brooke e Bryan. Sarah tinha ido buscar os dois, já que ele precisou entrar em uma reunião de emergência. Agora, ela se arrepende de não ter conversado com ele antes. De não ter colocado para fora tudo que estava engasgado na sua garganta. Mas como ela poderia conversar naquela hora, se no momento tudo que ela queria, era bater nele até sua mão doer? Queria gritar, esbravejar, dizer o quanto ele foi um maldito, por ter escondido Helena Bertinelli, dela. Aquele nome lhe revirava o estômago. Ele foi um cretino, ela pensou. Idiota, maldito, imbecil, covarde, xingou mentalmente.
Felicity? – Ele a chamou pela segunda vez, ela não tinha percebido. – Está tudo bem? – Essa pergunta foi o estopim para ela se levantar e jogar o macarrão que estava em seu prato, na cara dele. As crianças olharam sem entender nada. A respiração dela estava ofegante. – Okay. – Limpou com um pano de prato, o molho que estava no rosto. Oliver sabia que ela ainda estava irritada. Quando chegou em casa, já passava das 15h da tarde, e ela começou a ignora-lo. Suspirou, enquanto pensava que não deveria mesmo ter escondido sobre Helena da esposa. Percebeu que os filhos tinham ficado assustados. Provavelmente nunca tinham presenciado a mãe irritada.
O que houve, mamãe? – O casal ouviu a voz da filha que estava confusa.
Bryan. Brooke. Quero que fiquem aqui. Eu e a mãe de vocês vamos conversar. – Oliver olhava nos olhos verdes que o fitava, sérios. Ela estava muito irritada.
Vocês vão brigar? – Bryan pergunta, assustado.
Não. Só vamos conversar. Não mexam em nada, está bem? – Eles assentiram. Felicity foi na frente, em passos rápidos e pesados. Oliver suspirou e a seguiu enquanto tirava um pouco de macarrão que grudou na camisa. – Felicity. – Chama quando entra no quarto enquanto tirava a camisa suja. – Felicity.
Não me toca. – Desviou da mão dele. – Por que não me contou sobre ela?
Não é importante, eu disse isso.
Eu que sei se é ou não importante. – Cruzou os braços. – Vocês dois... – Ela se interrompeu, se lembrando, mais uma vez da cena que aconteceu na sala dele.
Ela não é ninguém, okay? Para mim, ela não é ninguém.
Não foi isso que eu ouvi. Vocês namoraram.
Não. Nós ficamos, é diferente.
Grande diferença. – Revirou os olhos.
Felicity, ela não é importante para mim. – Frizou a palavra "importante", tentando convencê-la daquele fato.
Mas você é para ela. – Ele suspirou.
Você pode, por favor, confiar em mim?
Como? Como quer que eu confie, se não me conta as coisas? – Ela balançou a cabeça e fez um barulho com a garganta quando ele deu um passo em direção á ela. – Você pede para eu confiar em você... Mas você não me contou sobre sua ex-namorada.
Ficante. – Ele corrigiu. – E me desculpe. Eu deveria ter dito á você. Mas porra... Eu não imaginei que ficaria tão irritada por causa de alguém que nem me importa mais. Com alguém que está fora da minha vida á mais de três meses, bem antes de você voltar para mim.
Você está de brincadeira? Ela mora aqui. Nesse condomínio, Oliver. – Ele se surpreendeu por ela saber sobre aquilo.
Como sabe disso?
Mike me contou. Eu perguntei e ele me respondeu. – Ele suspirou. – Você não acha que isso é muito humilhante?
Eu sei. Me desculpe. Ela se mudou pouco antes de você aparecer.
Claro. E vocês faziam a festa. – Debochou, quando ficava de costas.
Ela nunca veio no meu apartamento. – Diz rapidamente, não querendo ter mais um problema com a esposa. Ele dava razão a raiva dela, ele ficaria assim também se estivesse no lugar dela. – Helena Bertinelli é apenas uma... Ela trabalhou comigo na agência. Foi assim que eu a conheci. – Se aproximou da esposa, enquanto se explicava. – E nós não temos mais nada. Eu acabei com o que tivemos quase dois meses antes de você aparecer. – A abraçou por trás, mas ele nem mesmo se mexeu. – Ela viajou á trabalho quando nós terminamos, e desde então nunca mais a vi. Por favor, confia em mim. Não tenho mais nada com ela. Eu não faria isso com você. – Felicity se virou, ainda nos braços dele.
Jura que não tinha nada com ela quando me pediu em casamento?
Eu juro. – Ele percebeu que ela estava mais calma.
E ela vai continuar te rondando?
Ela está no grupo de pessoas que estão protegendo nossos filhos. – Felicity não gostou, ele percebeu. – Confia em mim, ela não seria burra de fazer alguma coisa que pudesse te prejudicar. Ou nossos filhos. – Ele beijou os lábios dela rapidamente, em um selinho. – Confia em mim, meu amor. – Beijou novamente. – E eu prometo que não escondo mais nada de você.
Se você me esconder mais alguma coisa, eu juro que vou te bater. – Ele riu.
Tudo bem. Nunca mais vou esconder coisas de você. – A beijou de verdade dessa vez. Felicity passou os braços pelo pescoço do marido, correspondendo ao beijo carinhoso. Eles ouviram um barulho e se separaram.
O que estão fazendo? – Oliver segurou uma risada. Os filhos estavam olhando para eles pela brechinha da porta.
Vocês estavam brigando? – Eles estavam preocupados.
Estamos bem.
Mas mamãe, a senhora jogou o macarrão no papai. – Felicity se repreendeu por te feito isso, pelo menos na frente das crianças, afinal, o marido tinha merecido aquilo.
Desculpe, amor. Eu fiquei irritada.
Por que?
Nada muito importante. Ás vezes eu e seu pai vamos discordar de algumas coisas... – Olhou para o marido, antes de voltar a olhar para os filhos.
Já estamos bem. – Oliver afirmou, para tranquilizá-los. As crianças fitaram os pais por alguns minutos. – Vamos comer? – Oliver pergunta. – Já está ficando tarde, e amanhã vocês têm aula. – Decide mudar de assunto.
Verdade, e vocês não vão matar aula. – Ambos assentem e seguem os pais, caminhando para o primeiro andar.
**--**
Tommy gargalhava, e Oliver se segurava para não socar o amigo. Barry ainda estava surpreso, e um pouco indignado. Como é que ele esconde algo tão sério da esposa? Mesmo depois de ouvir sua história, de saber que contou para a esposa sobre o beijo que Iris tinha lhe dado no dia do noivado, Oliver continuou escondendo algo tão sério da esposa. Já era de imaginar que ela ficaria magoada. Barry achava que Felicity estava com razão quando ficou irritada e decepcionada com o marido. Mesmo com Tommy rindo, Barry não prestava atenção, por estar surpredo demais com o que acabou de ouvir. Oliver estava arrependido, os amigos perceberam isso quando ele começou a falar. Ele voltaria atrás com essa escolha que fez, se pudesse, mas agora era tarde demais. Ele agradecia muito pela esposa ter o pedoado. Barry balançou a cabeça, voltando a si quando Oliver deu um suspiro alto. Tommy parou de rir quando Barry o empurrou, fazendo com que ele percebesse o desconforto de Oliver. Mesmo assim, Tommy deixou escapar um sorriso provocante. Ele tinha avisado ao amigo, pediu para que ele contasse, e mesmo assim ele não o ouviu, então foi mais que merecido o que Felicity fez á ele.
Já acabou com a palhaçada?
Não fique irritadinho, não. Você que pediu por isso.
Eu não fiz por mal. Entre eu e Helena foi... Apenas diversão. Eu nunca imaginei que as duas iriam se conhecer, ainda mais daquele jeito. Felicity ficou irritada com a minha omissão.
Ela jogou macarrão na sua cara. – Riu novamente, imaginando a cena. – Virei ainda mais fã da Felicity. – Oliver não respondeu. – Quando eu vi a cara dela, eu imaginei que você estaria muito ferrado.
Ela ficou chateada. Irritada, para falar a verdade. Não quis conversar quando você saiu. E quando eu cheguei em casa, as crianças estavam com ela, então não pudemos conversar. Além disso, ela estava me evitando.
E ela te jogou macarrão na cara. – Repete. Ele tinha adorado saber sobre aquilo. Barry ainda estava digerindo o que tinha acabado de ouvir, por isso não havia se pronunciado.
Não precisa ficar repetindo. – Tommy riu.
Eu disse para você contar, não disse? – Oliver bufou. Seu amigo sabia jogar na cara quando queria.
Espera... – Os dois olham para Barry. – Então você tinha uma ex-namorada e você não contou para a Felicity? – Barry perguntou retoricamente, não acreditando na burrice do amigo.
Eu não achei que fosse importante.
Oliver, isso é importante para qualquer mulher.
Viu? Eu disse. – Tommy repete.
Você já disse isso. – Rosnou.
E eu vou dizer quantas vezes eu quiser. Eu falei para você contar sobre a Helena, mas você me ouviu? Não. Eu disse que você iria se ferrar, e você me escutou? Também não. – Oliver revirou os olhos. – Helena é um problema.
Ela não é louca de se meter a besta comigo. Ela sabe muito bem disso.
Ela é apaixonada por você.
É por isso mesmo. Se ela fizer qualquer coisa que prejudique meus filhos e minha mulher... Eu já avisei, ela vai se arrepender.
Você acha, então, que ela vai apenas fazer como você está pedindo? Sem ter nada em troca?
Ela sabe que eu não a amo. Já deixei isso claro para ela
Mulheres ás vezes são complicadas, Oliver. – Tommy concordou com Barry. – Bom, o importante é que Felicity te perdoou.
Ainda bem.
Eu não entendo, depois de tudo que me ouviu falar. A minha história com Iris... E mesmo assim você não contou á sua mulher.
Eu... Eu estava errado em pensar que ela não se importaria em não saber que eu tinha uma ex-namorada.
Era melhor ela ter sabido por você, do que do jeito que soube. – E Oliver concordou com Barry. Felicity não ficaria tão magoada, se tivesse ouvido da boca dele sobre Helena.
O que Helena disse sobre Cooper? – Tommy pergunta, curioso.
Ele continua em Vancouver, mas pretende vir para Star. É só o que sabemos por enquanto.
E o que você vai fazer?
Eu? Nada. Vou deixar ele cair na minha armadilha. – Os outros arquearam as sobrancelhas.
Você contou sobre isso para Felicity?
Disse que eu estava cuidando disso pessoalmente.
Ele vai vir para Star.
Eu estou contando com isso. – Disse, sombrio.
**--** **--**
Felicity segurava a mão de Sarah, que estava nervosa. Elas estavam sentadas uma do lado da outra, na sala da médica, esperando pelo resultado. Felicity queria que ela se acalmasse, mas estava complicado. Ela estava com medo do resultado, com medo do que Ray falaria, e mais... Com medo de como Killian ficaria se ela estivesse mesmo grávida. Já tinha explicado á ela que tudo ficaria bem, mas ela era tão teimosa.
Sarah, eu ainda não entendo esse seu medo. – Se pronuncia. – Ray vai ficar feliz se você estiver grávida. E o Killian... Ele disse daquela vez que seria legal ter um irmãozinho, lembra? – Ela assentiu, se lembrando da cena. – E também, Bry me disse que Killian contou á ele que sempre quis ter uma irmãzinha.
Estou com medo de ser mãe.
Ah, pelo amor, se tá brincando? – Virou o corpo para olhá-la melhor. – Você é a tia mais que amada, e ainda diz que está com medo de ser mãe? Você vai se sair muito bem, Sah.
Será? – Respirou fundo. – Ainda tem o meu trabalho.
Você vai ter que parar de trabalhar se estiver grávida, será perigoso para o bebê. Mas isso não quer dizer que depois que ele estiver grandinho, você não possa voltar a fazer o que gosta. – Sorriu. – Você tem muito tempo, e ainda nem sabemos se o resultado é positivo.
Alguma coisa me diz, lá no fundo, de que sim, é positivo.
Seja o que Deus quiser, amiga. Se vier um bebê, ótimo. Se não, ótimo também. Não fique tão preocupada.
Aquela boca maldita do Tommy. – Sakura riu. – Como é possível? Ele acertou com a Cait, e agora...
Vai entender. Vai ver por ele estar prestes a ser pai, vai ver é esse... Como posso dizer? Sexto sentido? – Franziu o senho ao falar a última frase, e ambas riram.
Sexto sentido. – Balançou a cabeça ao repetir o que a amiga disse. – Era só o que faltava. – Revirou os olhos. – Tome cuidado, hein? Vai que ele abre aquela boca santa... – Debochou ao dizer a última palavra. – E você acabe grávida.
Sabe, se isso acontecer, eu não vou me importar. – Sarah a olha surpresa. – Eu ainda tenho muito medo do que pode acontecer, por causa do Cooper, mas... Sarah, Oliver perdeu os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras risadas, dos gêmeos. Seria injusto eu não dar isso á ele.
Ele não te culpa por isso. Você passou por coisas horríveis, Lis, não fez por mal-esconder os gêmeos dele. Na verdade, você tentou contar, né? Mas a Moira é um demônio.
Eu ainda não descobri nada sobre a carta.
Nós vamos descobrir. – Ela assentiu. – Agora, voltando a falar sobre a futura gravidez... – Sorriu. – Vocês estão se protegendo?
Não? – Sarah riu.
Você quer mesmo ficar grávida, né?
Eu estava tomando o anticoncepcional, mas... Oliver pediu para eu parar. Para deixar acontecer, e eu... – Sorriu, se lembrando dos olhos azuis brilhando ao fazer o pedido. – Eu não pude negar, sabe? Mesmo com medo do que pode acontecer com esse futuro bebê. Eu quero muito outro filho, dessa vez, criando junto do Oliver, mas ao mesmo tempo, meu corpo treme só de imaginar o que pode acontecer á esse bebê. O que Cooper fará quando descobrir. Eu estou confusa, Sarah. Eu quero muito, mas também não quero agora...
Vai ficar tudo bem, Lis. E você ficar confusa, é totalmente normal. – Pegou nas mãos da amiga. – Você passou por tantas coisas... Mas não se preocupe. Eu protejo vocês. Ninguém vai encostar nos meus sobrinhos. – As duas sorriram uma para a outra. – E muitos menos na minha melhor amiga. E já que você quer tanto ser mãe novamente, eu espero que venha gêmeos de novo.
Sarah, eu quero ser mãe, mas não precisa de tanto, né? – Ela riu. – Você não sabe como é difícil ser mãe de gêmeos.
Ah, querida. Eu imagino. Mas dessa vez você não estará sozinha. Terá eu, seu marido, e todos os nossos amigos. Além é claro, dos gêmeos. Eles vão adorar ter irmãozinhos. – Diz animada. Apesar de Felicity se sentir bem em falar sobre aquilo, ainda temia. Caso ficasse grávida novamente, ela pensava no que poderia acontecer.
Bom, quando vier, vai ser muito bem-vindos. Isso me fez lembrar do aniversário dos gêmeos. Será no próximo mês, e eu... Estava me esquecendo.
Também, com tudo que estamos passando, é totalmente normal você se esquecer. – A porta se abriu, e Sarah olha para a médica que entrava. Se lembrando do porque estar ali. – E então, doutora?
Bom, pelo que consta nos seus exames... Sim, você está grávida. – Felicity e Sarah se olharam. – Pouco mais de três semanas.
Você vai ser mãe, Sah. – Diz sorrindo.
Eu vou ser mãe. – Ela não sabia o que sentir, mas estava feliz.
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