Cross Destination

56 Capítulo Cinquenta e Seis


Notas iniciais
Quem estava com saudades? Eu estava de monstão, gente, vocês não fazem ideia. Estava ansiosa para vir postar hoje, mas infelizmente não consegui fazê-lo mais cedo. Bom, antes de tudo, quero avisá-los que essa linda história está finalizando, estou chorando por isso, porque eu com certeza sentirei falta dessa maravilha, e claro, de seus comentários. Quero avisar, que junto a essa reta-final emocionante - preparem os lencinhos -, vem também uma nova capa, ainda mais perfeita. Agradeço à Byunxisorion pela capa maravilhosa. Sem mais... Boa Leitura!

A preocupação estava nos olhos de Oliver; qualquer um podia ver. E quem poderia culpá-lo por isso? Felicity tinha sido encontrada inconsciente, não acordou desde então e já fazia seis horas que ela havia chego ao hospital. Ele se perguntava como ela reagiria quando soubesse daquela notícia. Ele mesmo ficou abalado quando soube, e aquelas horas sabendo que a esposa estava no quarto hospitalar, fora de perigo, foram os suficientes para ele pensar bem, e com calma naquela mudança surreal que aconteceria em sua vida, e em especial, na de sua esposa. Ele pôde pensar bem, e entender a situação, se colocar no lugar da mulher que amava, e na daquele pequeno ser. Ele ou ela não tinha culpa alguma, e mesmo que ele sentisse um ódio enorme pelo maldito, que graças a Deus, já estava no fundo de uma cova, ele não poderia sentir o mesmo por aquela criança.

Quando Amélia, a médica responsável por Felicity, disse que sua mulher estava grávida com pouco mais de doze semanas, ele quase surtou. Ele teve que se segurar para não gritar de ódio, e esmurrar a parede. Ele sentiu algo tão ruim dentro dele, que até mesmo ele se assustou quando percebeu nas coisas que pensava. Por um momento ele odiou aquele bebê. Por um momento, ele desejou que a esposa perdesse a criança, e depois, de algumas horas pensando, ele percebeu o quão cruel estava sendo. Era um ser inocente. Não pediu para estar ali, não pediu pelo pai que tinha, não pediu por nada daquilo. Era injusto pensar de forma tão cruel sobre aquele pequeno ser que crescia no ventre de sua esposa.

Oliver queria muito acreditar que a esposa pensaria como ele. Que ela se colocaria no lugar daquela criança, e que pensaria de forma serena sobre aquela situação. Mas ele sabia que seria impossível. Ele tinha certeza de que ela não conseguiria amar aquela criança, e no momento, já não era possível fazer um aborto; que ele não deixaria ser feito, mesmo que a esposa gritasse e esbravejasse. O tempo de gestação já estava avançado, e nada poderia ser feito. Era até melhor. Assim nada aconteceria aquela criança. Apesar de ainda não conseguir pensar de forma positiva sobre o filho ou filha que sua esposa esperava, ele não queria que nada de mal a acontecesse, porque ele e a esposa seriam os vilões da história se fizessem mal a uma criança que não pediu para ser feita. Por uma criança que poderia ser adotada. Adotada. Era essa a palavra que vinha a cabeça de Oliver. Eles poderiam dar ela a adoção, era o certo a se fazer, afinal, Felicity não conseguiria amar aquela criança, e ele muito menos.

Os amigos, não haviam dito uma palavra sobre aquela notícia. Eles não tinham o direito de se meter, não tinham o direito de dizer o que o casal deveria fazer, por mais que tivessem suas opiniões sobre aquela gravidez indesejada. Eles sabiam qual seria a reação de Felicity e já sentiam o peito se apertar ao imaginar o desespero dela. Roy havia ficado alguns minutos ao lado da irmã, pensando no quanto ela sofreria com aquela notícia. Ele queria estar ao lado dela, dizer o que ela deveria fazer, mas ele sabia que não conseguiria, além disso, o casal deveria decidir o que fazer. Ele não sabia o que pensar sobre aquela criança, que ele tinha que admitir, era inocente, completamente inocente.

Amélia avisou que Felicity acordou e chamou pelo marido dela, que tinha ido tomar um ar. Ela avisou ao Queen que a paciente não podia passar por nervoso, mas que ela precisava saber sobre a gestação. Eles precisavam cuidar do bebê, fazer exames e não teria como fazer todas aquelas coisas sem que a mãe da criança soubesse. Enquanto andavam pelo corredor até o quarto, eles conversavam sobre como contar a notícia, a médica sabia que não seria fácil e por isso decidiu que ele não deveria fazê-lo sozinho. Oliver entrou no quarto com cautela, e ela lhe sorriu quando o viu. Ele se aproximou e beijou os lábios que ele tanto sentiu falta, e emocionado, a abraçou.

— Oliver. – Ela o abraçou de volta, fechando os olhos, e sentindo o cheiro que ela sentiu tanta falta. Era como se aquele cheiro a fizesse ter certeza de que era mesmo ele ali, em sua frente, abraçando-a.

— Meu amor. – Beijou sua bochecha. – Você acordou. Está bem, está a salvo.

— Você demorou tanto... – Os olhos dela lacrimejaram e ele sentiu seu peito apertar.

— Me desculpe. Aquele desgraçado não queria ver Noah. Foi difícil... – Ele se interrompeu ao ouvir um soluço vindo da esposa. – Ei, você está bem agora.

— Noah. – Ele franziu o cenho. – Ele está morto. – Oliver arregalou os olhos, sentando-se na cama. – Renee o matou..., na minha frente. – Soluçou mais duas vezes. – A mando dele. – Não queria dizer o nome dele. Não estava pronta, e talvez nunca estaria.

— Não acredito.

— Ele enfiou um punhal no peito do Noah. – Oliver passou as mãos no rosto dela. – E..., eu fui obrigada a assistir tudo. Sem poder fazer nada.

— Você não é culpada. Ele é.

— Noah se arrependeu. Ele estava tentando me ajudar, ele me..., ele me deu um localizador.

— Ele disse que ia entregar a você, para o caso do dele parar de funcionar, mas eu não imaginei que... — Se interrompeu novamente. Por isso ele tinha dito que a vida dele estaria em perigo, pensou.

— Ele me pediu perdão. Ele estava arrependido. – Soluçou. – Ele só era um garoto quando Cooper o encontrou e o contratou. Ele só precisava de um lugar para dormir, e alguma coisa para comer. Ele não fez aquilo porque era uma má pessoa...

— Ei. Está tudo bem. – A interrompeu. – Eu já entendi. Vamos esquecer isso.

— Como é que eu posso me esquecer daquela cena? Isso nunca vai ser possível.

— Felicity...

— Ele pedindo perdão, e mandando Renee ir para o inferno. – A lembrança veio a sua mente. – Em seguida..., o punhal no meio do peito dele, e o sangue descendo por seus lábios... – Oliver trincou os lábios, sentindo um ódio maior ainda por Cooper. Como ele teve coragem de fazer Felicity assistir aquele horror?

— O importante é saber que ele se arrependeu de verdade. Que ele fez de tudo para te salvar..., ele se redimiu. – Ela assentiu. – Nós vamos tentar encontrar o corpo dele, para que ele tenha um funeral.

— Não tem corpo.

— O que? – Seus olhos se encontraram novamente, um surpreso e o outro choroso. – Como assim?

Ele queimou o corpo. – Chorou, e Oliver a puxou para seus braços, abraçando-a, tentando confortá-la.

**--** **--**

Enquanto a esposa dormia, depois de chorar o tanto que precisava, Oliver pensava em uma forma de contar sobre a gravidez, sem que chocasse muito a esposa; coisa que ele sabia, seria impossível. Como fazer para que a esposa não surte, e acabe se machucando? O que fazer e como falar, para que a sua mulher não faça nada que a prejudique, ou pior, que prejudique aquela criança? Ele não sabia como dizer. A médica achava que, como alguém que a conhecia bem, tinha que ser ele a contar, com uma psicóloga ao lado. A mulher seria chamada por ele quando Felicity acordasse. Ele queria poder fazê-la se esquecer de todo o horror que viveu naqueles quatro meses e duas semanas. Os trigêmeos estavam com pouco mais de 10 meses. Ele nunca deixava de falar para os bebês sobre a mãe, e ele tinha certeza, de que mesmo passando tanto tempo sem vê-la, eles a reconheceriam. Eles já estavam balbuciando várias palavras desconexas, e logo começariam a falar. Esperava que a esposa não perdesse isso. Seria no mínimo muito injusto.

Felicity começou a se mexer, e Oliver se sentou de forma ereta na poltrona. Ela estava acordando, e o medo de ter que contar sobre aquela notícia, só crescia. Ela iria surtar, ele tinha certeza. Ele quis fazer o mesmo a pouco, mas se controlou por conta do lugar em que estava. Mas a sua mulher não conseguiria. Era com ela que aquilo estava acontecendo, era um bebê do homem que a fez ficar três meses longe da família, que fez da vida dela um inferno, que a machucou de todas as formas imagináveis e inimagináveis. Como ela poderia ficar bem, e aceitar aquilo de forma "legal"?

— Ei, eu estou aqui. – Ele diz, ao perceber que ela ficou agitada. Seus olhos se encontraram, e ela se aliviou.

— Pensei que estivesse sozinha.

— Eu não deixaria você sozinha. Eu nunca mais vou te deixar sozinha. – Pegou na mão direita dela.

— É tão bom ouvir isso. – Ele beijou sua testa.

— Eu estava com tantas saudades de sentir seu cheiro, e ouvir a sua voz.

— Eu também. Senti sua falta..., pensei que nunca mais te veria.

— Não vamos pensar nisso. – Ela concordou.

— Estou com saudades de todos. Nossos filhos, os bebês...

— Eles estão ótimos. Bryan e Brooke cuidam muito bem deles, sabia? – Ela sorriu. – E estão os ensinando a andar, faz pouco mais de quatro dias.

— Eles já estão aprendendo a andar? – Os olhos dela começaram a lacrimejar.

— Eu sei que você ficou muito tempo longe deles, mas você não pedeu tanta coisa. Eles ainda não falam mamãe e papai.

— Mesmo assim. Eles nem devem me reconhecer.

— Claro que não, amor. Eu falo de você o tempo todo, e os gêmeos também. Kitty, Lyon..., Killian. – Sorriu. – Eles mostram fotos suas. Nossos filhos sabem que você é a mãe deles.

— Será?

— Não vamos ser tão pessimistas. – Pediu, e então, de repente, a porta se abre, e eles olham para ela. Oliver já esperava pela mulher ruiva.

— Boa tarde. Meu nome é May. Sou a psicóloga do hospital.

— Eu vou ter que ver uma psicóloga? – Marido e mulher se olham. Ela não estava feliz.

— Meu amor..., tem algo que eu não te contei. – Ela franziu o cenho. Oliver olhou para a psicóloga que balançou a cabeça, induzindo-o a falar. – Quando você foi..., tratada pelos médicos, eles descobriram algo... – Suspirou. Como dizer? – Felicity, eles descobriram que você estava grávida. – A respiração dela se tornou descompassada, os olhos se arregalaram, e ela passou a querer se sentar. – Espere, vai se machucar. – Millie se aproximou, mas deixou que apenas o marido da mulher a encostasse.

— Eu estava..., estava... – Frisou a palavra, e o marido percebeu que ela estava lhe perguntando se era no passado.

— Não. Você está grávida. – Frisou. Ela começou a se debater, e tirar as mãos do marido de perto dela.

— Não. Não, não, não. – Começa a dizer desenfreadamente.

— Felicity. / Senhora Queen. – Oliver e May chamam juntos.

— Não quero. Eu não quero essa criança. – Grita desesperada. – Tira isso de mim, tiro isso de mim.

— Eu vou chamar por uma enfermeira. – May saiu apressada.

— Felicity, por favor, se acalma.

— Eu não quero, eu não quero, eu não quero... – Ela não parava de gritar o mesmo, enquanto se debatia na cama, e chorava. – Tira isso de mim, tira isso de mim.

Grita com toda a força dos seus pulmões, repetindo várias vezes a mesma frase. A enfermeira chega com a médica responsável pelo caso da Queen, fazendo com que ela comece a se acalmar e em seguida, adormecer. Oliver estava tremendo. Ele não conseguia parar de tremer, até mesmo tinha se levantado da cama, onde havia se sentado para poder acalmar a esposa. Ela estava transtornada. Ele imaginou muita coisa, mas aquilo que aconteceu? Nunca passou pela sua cabeça que veria a esposa daquela forma.

Ele tentou acalmá-la, mas de nada adiantou. Ela continuou se debatendo e gritando, fazendo-o ficar mais transtornado do que já estava. Oliver não queria vê-la daquela forma. Não queria que ela se sentisse daquela forma, ficasse tão desesperada. Sentiu seu peito apertar, enquanto via a esposa ser contida pela enfermeira e a médica. Sabia que era para o bem dela, mesmo assim, era triste.

— Ela vai dormir por algumas horas. – Amélia diz.

— Quando ela acordar, vai estar mais calma. – Oliver assentiu à May. – Vamos falar com ela juntos novamente...

— Eu não imaginei isso. – A cortou. – Não nessa proporção, não dessa forma.

— Eu sei que é difícil, mas ela passou por algo traumático, e ela precisa de tempo para absorver tudo isso.

— Eu sei. – Balançou a cabeça. – Eu sei, só não é fácil vê-la assim.

**--** **--**

Oliver não reconhecia a esposa, mas sabia que era normal vê-la completamente inerte. Os olhos estavam opacos, desde que acordou. Não falou uma palavra, apenas ouviu. Ele sentiu a mão dela apertar a sua quando ouviram que a criança estava bem, mas que Felicity precisava se cuidar para que continuasse assim. Sua esposa não perguntou pela criança, não o olhou quando ele disse que ficaria tudo bem, que ele estaria ao lado dela o tempo todo. Apesar de sentir seu peito apertar por vê-la daquela forma, ele tentava ser positivo, confiar de que ela ficaria bem, independentemente da situação. Aquele bebê era um inocente que não merecia ser odiado, muito menos que desejassem sua morte. Não, ele não pensava assim e nunca pensaria, mas não crucificaria a mulher que o carregava, se ela pedia por isso.

No momento em que as crianças chegaram – e ele contava cada um dos seus sobrinhos maiores, além de seus gêmeos –, Felicity mudou completamente; os olhos brilharam, um sorriso pequeno apareceu em seus lábios e o corpo se levantou imediatamente – ao ouvir a voz de cada um deles –, sentando-se de forma feliz. Oliver havia pedido para que Laurel trouxesse os trigêmeos mais tarde, quando a esposa estivesse mais calma, mas sabendo que as crianças estariam extasiadas para verem a tia preferida e a mãe mais que amada, ele concordou com a presença deles. Ela sorria como a muitas horas não o fazia, abraçava as crianças, dizia sentir tantas saudades quanto eles. Em nenhum momento perguntaram sobre o que houve, e Oliver agradeceu mentalmente por isso.

Enquanto o Queen via a interação mais que linda, ele pensava na reação dos filhos ao descobrirem sobre a gravidez da mãe. Ele precisava ser paciente e cuidadoso, afinal, sua intenção é impedir que eles sintam o mesmo nojo que a mãe sentia por aquele bebê. Precisava fazê-los entender, o que sua esposa não conseguia ver ou mesmo entender naquele momento, precisava explicar que a mãe que eles conheciam antes, não é a mesma, que ela precisava de tempo e que aquele bebê podia ser um problema para Felicity, mas não para eles. Oliver não sabia o que aconteceria com aquele bebê que estava no ventre da esposa, imaginava que ela o daria a adoção, mas mesmo assim, os filhos precisavam saber que ele ou ela era alguém que não merecia ser odiado, ele só não sabia como fazê-lo ainda.

Killian começou a contar sobre as novidades dos irmãozinhos; os passinhos, as palavras, cada coisa nova que eles faziam. E Kitty e Lyon não ficavam atrás, em relação a seus irmãozinhos. Apesar de a loira não falar quase nada, durante o conto, ela queria saber de Connor, Enzo, Eliza e Nichole, o marido percebeu. E para a sua surpresa, a ouviu fazer um comentário ou outro sobre eles. As crianças a faziam bem, ele percebeu, mas isso não queria dizer que isso o deixava menos preocupado com a situação. Felicity ainda estava depressiva e extremamente sensível, e ele se perguntava por quanto tempo ela conseguiria ficar naquele personagem. A psicóloga havia avisado que por enquanto, não seria tão complicado porque ela apenas sabia do bebê, mas que a história mudaria quando ela começasse a sentir ele ou ela chutar; poderia ser uma reação emocionante, como também pode ser uma reação pior a de mais cedo. E isso, o preocupava mais do que qualquer outra coisa.

Em algum momento, eles cansaram. Felicity dormiu, por conta do medicamento e as crianças foram levadas – depois de beijar a tia e se despedir do tio – por Barry, que havia aparecido para buscá-las. Oliver pediu para que alguém voltasse mais tarde para buscar os filhos, pois precisava ter uma conversa séria com eles. Brooke ficou confusa e curiosa, mas Bryan, além de curioso, ficou extremamente preocupado, Oliver percebeu isso no momento em que os olhos caíram sobre ele. Barry avisou que Tommy os buscaria e antes de sair, observou a filha e os sobrinhos se despedirem dos gêmeos.

Oliver respirou fundo, soltando o ar segundos depois, assim que ficou sozinho com as crianças. Brooke foi a primeira a se pronunciar, ao perguntar se haviam feito algo. Oliver respondeu que não, de imediato, pedindo para que não se preocupassem. Olhou para a esposa por um curto momento, voltando a olhar para os filhos, pedindo que o seguisse. Havia falado com Amélia pouco antes das crianças chegarem, e ela havia deixado que ele usasse sua sala para poder conversar com os gêmeos sem que fossem interrompidos. Agradeceu muito a médica por isso, afinal, seria uma conversa complicada, que necessitaria de bastante cuidado, e não poderia ser na frente da mãe deles. Por isso eles seguiam para a tal sala. Oliver entrou e assim que as crianças passaram, ele fechou a porta.

— Sentem-se. – Pediu, sentando-se na poltrona que havia em frente a um sofá de dois ligares. – Vou pedir que me ouçam e que não me interrompam.

— Papai, o que está acontecendo? – Bryan pergunta, de braços cruzados.

— A mamãe voltou..., diferente.

— Diferente como? – Brooke quem perguntou, fazendo Oliver suspirar, tentando encontrar uma forma de contar.

— Okay. – Sentou-se de forma que pudesse apoiar os cotovelos nas pernas. – Vocês sabem com quem ela estava. – Eles assentiram. – Bom, nesse tempo, a mamãe passou por muitas coisas... – Engoliu em seco só de pensar. – E quando a encontrei e a trouxe para o hospital, descobriram algo..., difícil para ela. – As crianças não perguntaram nada, apenas esperavam que o pai continuasse, e o mais velho agradecia por isso. – A mãe de vocês está grávida. – Ambos arregalaram os olhos.

— A mamãe vai ter um bebê? – Bryan pergunta, descruzando os braços.

— Sim. E esse bebê não é meu. – Diz devagar, e no instante seguinte, Brooke olhou para o irmão, que se levantava do sofá de forma imediata.

— Não. Não, papai, isso não pode.

— Bryan...

— Não. – Oliver não esperava pelo grito do filho. – Não é justo. A mamãe não vai ficar bem com isso.

— Bryan, a sua mãe precisa que sejamos fortes, por ela.

— Mas esse bebê...

— Não tem culpa alguma. – O interrompeu. – Ele não pediu para ter o pai que tem, não pediu para ser concebido..., Bryan, assim como não é justo estar acontecendo isso tudo com sua mãe, também não é justo que ele seja odiado sendo que não pediu por nada disso.

— O bebê é inocente, não é, papai? – Oliver olhou para a princesa dele e sorriu.

— Sim, querida.

— Eu tenho medo do que isso pode fazer à mamãe, mas entendo o que o papai quer dizer. – Bryan virou o rosto.

— Eu não digo que estou..., completamente bem, com isso, mas não odeio esse bebê, porque eu seria pior que Cooper e Moira, se o fizesse. – Bryan o olhou. – Eu não vou obrigá-los a amar o irmão ou irmã de vocês, só peço que não o repudiem, o odeiem, e por favor, não falem sobre ele com a mãe de vocês.

— Ela já sabe? – A voz de Bryan ficou baixa.

— Sim. E ela não ficou nada bem ao saber.

— Mas ela estava sorrindo.

— Porque estava com saudades de vocês. – Deu um meio sorriso.

— Papai, a mamãe não vai ficar bem, não é? – A voz de Brooke saiu embargada.

— Venha aqui, filha. – Ela fez como pedido, sentando-se em uma das pernas do pai. – Eu não vou mentir, principalmente porque prometi que não o faria, por isso serei sincero: ela vai ficar mal por algum tempo, ela vai demorar a superar tudo que aconteceu e mais..., superar estar grávida daquele homem.

— Ela não pode tirar?

— Bryan. – Se surpreendeu com a pergunta do filho.

— Eu já ouvi isso na escola.

— Mas não é o melhor, não quando sua mãe já completou o terceiro mês.

— Por que? – Oliver suspirou.

— Porque isso poderia machucar a sua mãe, não só o bebê.

— Fisicamente? – Oliver concordou. Bryan abaixou o olhar.

— Você é um bom garoto, e não o culpo por não querer que sua mãe tenha esse bebê.

— Não? – Volta a olhar para o pai, surpreso.

— Não. Mas isso não quer dizer que seja o certo, filho. Como eu disse, ele ou ela é inocente, e é seu meio irmão.

— Meio irmão. – Os gêmeos acabaram sussurrando juntos.

— Ele já não tem um bom pai..., será que ele merece também não ser amado pelos irmãos?

— Não. – Sussurraram juntos.

— A mãe de vocês não decidiu ainda o que vai fazer, e eu acho que ela não vai querer ficar com ele, mas..., esse bebê continua tendo o sangue de vocês, continua sendo irmão de vocês... – Eles assentem. – No momento, tudo que peço é que me ajudem com a mãe de vocês e que por favor, não odeiem ou repudiem o meio irmão de vocês, pelo bem não só do bebê, mas da mãe de vocês.

— Como assim? – Brooke pergunta, apesar de Bryan também ficar confuso.

— A cada sensação ruim que ela sentir, ela fica pior. Sua mente fica pior, ela se debilita e isso é ruim para a saúde dela. Se ela sentir que vocês também não aceitam o bebê, ela vai sentir ainda mais repudio por ele e consequentemente, vai piorar sua saúde mental. – Oliver suspirou. – Eu não sei se entenderam...

— Está dizendo que se ela sente que não gostamos do bebê, vai se sentir culpada por estar nos deixando assim, vai odiar ainda mais o bebê e ficar ainda mais doente. – Bryan diz, interrompendo o pai, tendo a irmã em concordância em tudo que ele disse.

— Isso mesmo. – Diz, orgulhoso da inteligência dos filhos.

— Vamos ajudar, papai. – Bryan concordou, se aproximando, pegando na mão do pai.

— Obrigado. – Os gêmeos o abraçam, fazendo-o passar os braços em volta dos dois, fechando os olhos, sentindo por um instante, uma sensação de que apesar do tempo, tudo ficaria bem.

**--**

Uma semana havia se passado. Uma semana que estava sabendo sobre aquela criança. Faziam exames e ela não queria saber de nada. Não queria ouvir nada. Para ela estava sendo um inferno aquilo tudo. Ela queria tirar. Ela implorou, mas foi dito que era impossível. A criança já estava formada. Quase quinze semanas. Era esse seu tempo de gestação. Como era possível aquilo estar acontecendo? Ela não conseguia pensar em mais nada, a não ser na situação em que se encontrava. Seu marido estava tão calmo, que ela se perguntava como era possível, seu irmão dizia que tudo ficaria bem, seus amigos iam visitá-la sempre, mas nunca falavam sobre a gravidez, talvez tinham tanto nojo por aquela criança quanto ela.

Seu humor mudava toda vez que via os filhos. Cada um deles. Os gêmeos contaram sobre tudo o que aconteceu em sua ausência, mas não perguntavam pelo bebê; assim como prometeram fazer. Os trigêmeos reconheceram a mãe e foram para seu colo sem resistência alguma. Eles ficaram horas no colo dela, sendo paparicados, beijados, abraçados, e quando tiveram que se despedir, choraram. Como ali era um hospital, aquela tinha sido a única vez que viu os trigêmeos, mas Thea continuava levando os gêmeos para vê-la. E ela era muito agradecida. Se não fosse por eles, ela não conseguiria sobreviver ao resto do dia. Ou da semana.

Não falava quase nada durante o dia, com exceção das horas em que passava com os filhos e sobrinhos. Eles a distraiam sem nem perceber. Estavam todos preocupados, até mesmo a psicóloga. Ela vinha ver Felicity todos os dias, tentava fazê-la falar, mas a única coisa que a loira fazia, era olhar pela janela. Oliver queria poder ajudar, mas como? Ele mesmo não estava muito bem com aquela gravidez, mas sabia que não podiam fazer nada. Aquela criança não tinha culpa, era o que ele dizia a si mesmo todos os dias, e parecia começar a dar certo. Ele não sentia ódio pela criança, mas também não conseguia sentir amor. Com Felicity era o contrário, ela sentia tanto ódio por aquela criança, que ela se sentia suja. Era errado ela pedir para que aquela criança morresse? Era errado desejar que perdesse aquele bebê? Ela se perguntava se Deus a castigaria e a odiaria da mesma forma que estava fazendo com a criança que ainda estava em seu ventre.

— Podemos conversar? – Ela olha para a porta, encontrando o marido, encostado no batente com os braços cruzados.

— Sobre o que?

— Eu sei que não quer falar sobre... – Apontou para a barriga dela com as duas mãos abertas.

— Oliver...

— Me escuta. – A interrompe enquanto se aproximava. – Eu sei que isso, para você é um horror. Que você não queria essa criança.

— Não. Eu não quero, Oliver. – Corrigiu. – Eu não quero essa criança. Ela não é minha.

— Você não a quer..., eu entendo. Mas não é justo você odiá-la a esse ponto. Odiá-la a ponto de querer que ela morra, Felicity.

— Eu... – Se interrompe propositalmente. – Você entende o que é ter uma criança com o sangue do maldito que fez da minha vida um verdadeiro inferno?

— Essa criança não tem culpa. – Felicity levantou as mãos para coloca-las no ouvido, não querendo ouvir o mesmo que a psicóloga havia dito, mas o marido as segura. – Ela é inocente e não pediu para estar aqui. – Olhou para a barriga da esposa. – Ela não pediu para ter o pai que têm.

— Isso não quer dizer que eu consiga amá-la. – O cortou. – Não dá. Eu não vou conseguir amar..., isso. – Ele suspirou. – Eu posso estar errada? Sim, eu posso sim. Mas fui eu quem vivi o inferno.

— E ela viverá um também, se você continuar rejeitando-a.

— Eu não vou criar essa criança. – Ela afirma. – Eu não vou..., ser a mãe dela.

— Não estou dizendo para você criá-la..., pode dá-la para a adoção. Mas você não pode ficar...

— Se eu pudesse abortar, já teria feito. – O cortou novamente, puxando as mãos, antes de desviar os olhos do marido para a janela, olhando o dia chuvoso.

Oliver suspirou mais vez, deixando de tocá-la, já que ela estava tão irredutível a ele e aquela conversa, infelizmente. Ele sabia que não seria fácil voltar a falar com ela sobre a gravidez, que não seria fácil fazê-la enxergar aquela criança com outros olhos – como ele estava enxergando, apesar de ser filha de quem é. Ele não conseguia amar aquele bebê, mas sabia que ele ou ela merecia uma vida boa, merecia pais que dará todo o amor que ele ou ela merece. Mesmo querendo muito fazer a esposa entender como pensava, ele decidiu que era hora de desistir – pelo menos por aquele momento – e sabendo que não adiantaria falar com ela naquele momento, decidiu deixá-la sozinha no quarto.

— Eu vou estar no saguão. – Avisou, mas ela nem mesmo assentiu. Suspirando ele saiu do quarto, pensando em como sua vida virou de cabeça baixo.

Notas finais
Por favor não matem a autora. Ela não fez na maldade. O que eu quero com isso, gente, é mostrar a vida real, a nossa vida nesse mundo que algumas pessoas pensam que é cor-de-rosa. Triste dizer, ele não é. Isso que aconteceu com Felicity acontece com várias garotas, eu conheço duas, sem contar as que eu não conheço pessoalmente. Algumas, não conseguem nem mesmo olhar para a criança, mesmo depois de tanto tempo, outras, acabam se apaixonando desde o nascimento e ainda tem as que depois de algum tempo, acabam conseguindo se aproximar e com o tempo, criando um laço que jamais imaginou que criaria. Quero mostrar que eu não julgo a pessoa que renega a criança, quando passa por tal situação, mas também não acho que ela tem culpa. É um inocente que não pediu por nada disso na vida dela, e por isso não merece não ser amada. Espero que entendam que isso não é uma forma de fazer com que Felicity sofra ainda mais, é só uma forma de mostrar como é mundo. Nem sempre as coisas acabam como gostaríamos que acabassem, infelizmente, além disso, algumas coisas nos acontece para aprendizado. Falo por experiência própria - não que eu tenha passado pelo que a Felicity passou.