Cross Destination
54 Capítulo Cinquenta e Quatro
Notas iniciais

Cada um dos presentes, tentavam assimilar, o que haviam acabado de ouvir. Mesmo os que já desconfiavam de Noah ser o traidor. Quer dizer, um dos, já que foi confirmado que havia mais de um, quando Renee levou Felicity até Cooper. Noah estava longe dos outros, e o que estava segurando Gregory a partir para cima do homem, era a mão firme de Mike. Mesmo que ele também quisesse socá-lo, sabia que deveria pensar com cautela, pois a frente deles, havia a chance de encontrar a esposa de Oliver Queen. E ele não era o único a pensar daquela forma, mais da metade dos seguranças pensavam daquela forma. Tyler era segurado por Dimitri, que percebeu o rosnado que saiu da boca do amigo. Ele tinha sido o primeiro a voltar a si. Os outros, voltaram em seguida.
Noah não estava com medo de nenhum deles. Na verdade, ele sabia que merecia uma surra, e se Tyler, Gregory, Roy ou Oliver quisessem fazer tal ação, ele não se defenderia. Seu corpo doía. Não havia descansado um dia sequer, procurando pela loirinha que havia lhe conquistado, de uma forma que ele jamais pensou que aconteceria. Ela era encantadora, não era surpreendente que tivesse conquistado todos os outros seguranças. A forma como ela o tratava, a forma como ela lhe sorria, a forma como ela confiava nele, o deixava envergonhado. Deixou que Renee a levasse e agora ela estava nas mãos de Cooper novamente. Aquela mulher já sofreu o demônio, e mais uma vez, sofreria nas mãos do carrasco.
Respirou fundo, ao se lembrar do porquê de não ter dito desde o começo. Desde o momento em que percebeu seu erro, desde o momento em que se arrependeu. Mas não pode dizer. Ele quis, ele tentou sair da equipe de Cooper, mas não conseguiu. Estava nas mãos dele. E ele sabia que quando Cooper tinha alguém em suas mãos, era destruidor. Ele não se importava com os meios de conseguir atingi-lo. Ele soube disso no momento em que ele quis usar as crianças para atingir a Smoak-Queen. Ouviu um rosnado, e soube que cada um dos que estavam a frente dele, havia voltado a si. Mais uma vez ele respirou fundo, dessa vez, dando alguns passos em direção aos outros, chamando a atenção.
Antes de eu levá-los até Cooper..., eu vou contar tudo o que eu sei. – Os outros franziram o cenho. – Tudo que eu fiz a mando dele.
Mas é muito maldito. – Collin segurou o irmão. – Você está admitindo então?
Seu desgraçado. – Nate segurou Dylan. – Vou matar você.
Eu ajudo. – Roy rosnou.
Filho da puta, confiei em você.
Eu sei que estão com raiva, mas se acalmem. – Mike pede depois de Oliver se pronunciar.
Se acalmem? – Repete, lentamente, de forma irritada. – Minha mulher...
Oliver, ele sabe de coisas que precisamos saber. – O interrompeu. – E se ele está disposto a contar..., vamos ouvi-lo. – Os outros tentaram se acalmar ao perceber que Mike estava certo.
Fala de uma vez. – Rosnou.
Eu sei que têm o direito de ficar puto. Cada de um de você tem esse direito, mas eu me arrependi. Eu..., não sabia que Cooper era tão desequilibrado.
Não sabia? – Roy grita, furioso.
Não. Ele me pediu para levar a mulher dele de volta pra ele. E eu pensei que fosse só isso.
Ela não é mulher dele. – Oliver rosnou.
Eu sei disso. Agora, eu sei disso. Mas quando eu me infiltrei..., ele havia me contado outra história.
Estou curioso agora. – Oliver coloca as mãos nos bolsos da calça. – Que raio de história era essa?
Que você a fez sofrer durante um tempo, que eles se conheceram e se apaixonaram... – Oliver e Roy fecharam as mãos em punhos. – Que você a fez bater um carro, e se machucar.
Filho de uma... – Oliver, Roy e Barry se interrompem propositalmente.
Você não está mentindo não, né?
Tem uma pasta na minha mochila, Gregory. – Apontou para a dita, que estava atrás de Luke. – Nela, tem essas informações que estou dizendo. – Dylan se soltou para pegar o conteúdo que o outro falou.
Termine de contar. – Roy ordenou.
Ele me disse, que ela estava contigo, mas porque estava sendo obrigada. – Ele viu o chefe trincar os dentes. – E eu imaginava que era verdade..., até conhecê-la.
Oliver. – Dylan chamou, e o loiro o olhou. Ele tinha uma pasta azul, quase preta, nas mãos. – É tudo verdade.
Eu continuei fazendo coisas para ele, mesmo sabendo da verdade..., não tinha outra opção. Ele me tinha em suas mãos.
Você estava com medo do maldito, seu covarde?
Não, Gregory. Eu não estava preocupado com a minha vida.
Então com quem? Você não tem família.
Greg. – Mina o repreende.
Tudo bem, é verdade. – Suspirou. – Mas Cooper sabia da Lívia. – Os irmãos da garota estremeceram.
Como é? – Perguntam juntos. Gregory de forma irritada, e Collin de forma temerosa.
Ele a ameaçou, quando eu quis desistir.
Filho da puta. – Os irmãos rosnaram.
E foi por isso que eu fiquei calado.
Estava tentando proteger nossa irmã. – Collin diz, agradecido apesar de tudo.
Eu gosto dela.
Não vamos falar da minha irmãzinha, no momento. – Gregory diz, se virando de costas, tentando não imaginar Noah e Lívia juntos.
Okay. Eu fui contra, quando aceitaram que Renée a levasse. Eu tentei fazer com que desistissem dessa ideia, ninguém me ouviu.
Porque nós tínhamos quase certeza de que você era o X9. – Hayley diz, fazendo o outro suspirar.
Sabendo o que aconteceria, eu segui o carro, mas o maldito foi mais esperto que eu. E eu o perdi de vista.
Por que você não sabe do esconderijo?
Porque Cooper não confia mais em mim. Mas ele vai se encontrar comigo, se eu disser que tenho informações. Só preciso que ele confie em mim, e receba minha ligação. Em algum momento isso vai acontecer.
E se não acontecer?
Eu sei que vai, eu o conheço.
Espera. – Eles olharam para Gregory. – Ele sabe da minha irmã. E ela está sozinha...
Você acha mesmo que vou ouvir ela sendo ameaçada..., e vou deixá-la sem proteção? – Noah o interrompeu.
E quem são os agentes?
Dig é um deles.
Ele não está aqui agora, por conta disso? – Oliver pergunta, com a sobrancelha arqueada.
Ele sabia disso tudo? – Luke, Liam, Adam e Andrew perguntam juntos, confusos, afinal, Diggle não era de esconder detalhes de Oliver.
Só soube a verdade quando Felicity desapareceu. Eu contei tudo, ele me socou, claro.
Mereceu. – Dimitri o interrompeu.
Mas acreditou em mim. Pedi para ele me deixar contar para todos, e ele aceitou. Mas antes de vir contar, eu precisei ir atrás de Felicity e Cooper. Estava me sentindo culpado.... – Balançou a cabeça. – Não os encontrei em nenhum dos esconderijos.
Okay. – Oliver passou a mão no rosto. – Me diga tudo que fez. Cada detalhe.
Eu vou contar.
Agora é mesmo a hora?
Luke, eu quero saber. – O outro deu de ombros, e cada um dos seguranças, olharam para Noah, que suspirou.
O homem que estava sentado de frente para os outros, começou contar cada um dos detalhes. Contou sobre o quase sequestro de Felicity em Central City, que ele só soube um tempo depois, que a loira estava fugindo era dele, e não de Oliver. Contou sobre a armação que Cooper fez, ao hackear o sistema da empresa. Oliver ficou puto ao saber sobre isso, porque apesar de tudo, ele não imaginava que isso tinha sido obra do outro. Noah contou que a intenção dele, era deixar Oliver cada vez mais na empresa, e de algum modo, fazer Felicity ficar sozinha no apartamento.
Tudo que eles ouviram de Noah, os deixou indignados, mas mais que isso, sentiram ainda mais ódio e nojo de Cooper. Ele tinha a intenção de sair da cidade, com Felicity, mas não havia dito para onde a levaria, quando plano tivesse sido concluído. Noah também contou, sobre quando Bryan foi parar no hospital. E isso deixou não só Oliver e Roy irritados, mas Tommy também. Ele fechou as mãos em punhos, enquanto ouvia o outro falar sobre o plano, mas acabou o interrompendo, quando seu ódio falou mais alto.
Então, quando meu filho levou um tiro, você estava envolvido? – Praticamente rosnou.
Eu não atirei. Eu pedi a Cooper para não envolver as crianças, mas ele não me escutou. Fui obrigado a levar quem atiraria...
Quem? – Tommy perguntou.
Renée. Foi ele quem atirou. Nós dois estávamos de folga.
Desgraçado. – Se controla para não gritar.
Eu chamei a ambulância e por isso ela chegou tão rápido.
Eu sei que não estavam querendo acertar meu sobrinho.
É verdade, Harper. Eles queriam o Merlyn. E teria sido ele, se na hora, Renée não tivesse mudado de alvo.
Então não foi um erro?
Não. Ele ia acertar os dois, mas os seguranças apareceram muito rápido e o plano dele foi pelos ares.
Quando eu colocar minhas mãos nesse desgraçado...
Tem mais uma coisa. – Oliver o olhou. – E você não vai gostar.
Tudo que disse aqui, eu não gostei, qual a diferença?
A diferença é que envolve sua mãe. – O Queen franziu o cenho.
Como assim? – Noah suspirou, respirou fundo e só então decidiu responder, já temendo a reação do Queen.
Quando aconteceu aquele ataque no seu carro. A emboscada..., eu quero dizer... – Oliver balançou a cabeça, indicando que sabia do que ele falava. – Cooper tinha certeza de que você estava no carro..., ele tinha armado aquele plano, com Renée..., e o alvo era você.
Mas minha mulher foi no meu lugar, eu sei dessa história.
O que você não sabe, é que não contaram ao Cooper que Felicity quem estaria no carro. – Oliver franziu o cenho.
Ninguém poderia fazer isso. – Roy diz.
Os que sabiam, eu confio.
Tinha uma pessoa que sabia, Oliver. E ela não contou ao Cooper. Ao contrário, ela armou para que os homens dele destruísse o carro e os pagou muito bem para isso. — Oliver começou a ligar os pontos. Os outros tinha os olhos surpresos, Roy tentava conter a raiva que estava sentindo.
Você está querendo dizer...
Foi a sua mãe. – Respondeu antes que ele terminasse a pergunta. – Ela e Cooper fizeram um acordo. Ele aceitou não te matar, mas te daria um susto, nessa emboscada.
Minha irmã quase morreu..., e você está dizendo que a culpa...
É de Moira Queen. – O cortou. – E eu tenho provas. – Estendeu um pendrive que Oliver não conseguiu pegar, por conta do que acabou de ouvir. Roy pegou da mão do outro de forma brusca.
São vídeos dos encontros deles. Eu consegui..., com muito custo.
Minha mãe mandou matar a minha mulher? – Pergunta devagar, depois de finalmente, conseguir voltar a si.
Eu juro que é verdade. – Oliver trincou os dentes, fechou as mãos em punhos, e com a respiração ofegante, ele andou até a saída.
Onde vai? – Roy se faz ouvir.
Vou atrás da maldita. – Rosnou. – Você vai entregar isso pra polícia. – Roy se surpreendeu, ao contrário dos outros. – E você... – Olhou para Noah. – Vai testemunhar.
Pensei que quisesse colocar o plano de Noah em prática. – Nate se pronuncia, ainda surpreso pelo que acabou de ouvir, assim como os outros, com exceção de Mike, que já estava desconfiado.
E eu quero. Podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. – O elevador se fecha quando ele terminou de falar.
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Oliver não se surpreendia com mais nada que vinha de sua mãe. Ele não esperava descobrir que a culpa de sua mulher ter quase morrido no atentado de meses atrás, a culpada de os trigêmeos terem nascido em uma cabana, longe dele, com o perigo de não terem sobrevivido, era Moira Steel. Pior que isso, descobrir que ela também se aliou ao homem que mais fez mal a sua esposa e aos seus filhos, que estava transformando a vida de sua família em um inferno, e que estava com a mulher que amava sei lá onde. Tudo isso, só o fez ter mais certeza de que sua mãe estava completamente desequilibrada. Ela nunca mudaria. mesmo que desejasse muito por isso – inconscientemente – ele tinha a certeza absoluta de que ela nunca mudaria, nunca se arrependeria.
Por mais que Oliver tivesse desistido da mulher que o colocou no mundo, lá no fundo, bem no fundo de seu coração, ele queria acreditar que ela seria uma mulher melhor, que ela o apoiaria em suas escolhas, que se arrependeria de tudo que fez, e pediria perdão a sua mulher, e também ao filho por tudo que fez. Agora ele já não se importava mais. O que tinha restado daquela esperança, foi destruída no instante em que ouviu as últimas que Moira aprontou.
Não se importando com o susto que o jardineiro levaria naquele momento, fez com que o carro derrapasse, por conta da velocidade, e o estacionou de frente para a porta da mansão. Estava tão possesso que não cumprimentou o senhor – já de idade – assustado, ou Raisa, que estava confusa com sua aparição, ou mesmo o carro grafite, que pertencia ao homem que era como um pai para ele, estacionado na garagem. Rasa não se incomodou com a forma como o outro passou por si sem cumprimentá-la, principalmente porque havia percebido a irritação do homem que viu crescer.
Oliver ouviu uma discussão, com vozes um pouco alteradas, assim que chegou perto da sala. Percebeu finalmente, então, que Walter estava presente, e que as pessoas que discutiam era ele e Moira. Se segurou para não entrar quebrando tudo, mesmo que sua vontade era de falar tudo que estava engasgado em sua garganta, desde o apartamento até ali. Na mansão que teve sua infância e adolescência. Estava tão curioso com a discussão do antigo casal, que se refreou, e jogou todo seu ódio para o mais fundo de seu coração, para poder escutar a conversa.
Eu não vou te dar o divórcio. – Diz em alto e bom tom.
Moira, o que você quer com isso? – A voz dele saiu calma, mas não menos cansada.
Eu quero você. – Oliver revirou os olhos. – Eu te amo.
Eu não quero esse tipo de amor. Eu não quero o amor, vindo de uma mulher sem escrúpulos como você.
Eu já disse, fiz isso tudo pelo bem dos meus filhos...
O mesmo discurso de sempre não vai fazer com que eu mude de ideia. – Sua voz continuava no mesmo tom. Um suspiro alto e longo saiu por seus lábios. – Você compreende o sofrimento que fez seu filho passar? Você não se arrepende, nenhum pouco, de fazê-lo perder seis anos da vida dos filhos?
Eu não me arrependo de ter afastado aquela golpista da vida do Oliver. – Walter balançou a cabeça. – Pena não ter durado para sempre. – Oliver trincou os dentes, e apressou os passos, chegando à sala e chamando a atenção para si, ao se aproximar.
Foi por isso que se juntou ao Cooper? – Os dois em frente ao Queen se surpreenderam por vê-lo. Mais que isso, se surpreenderam por sua fala. – Por isso você pagou para que os homens daquele maldito, fizessem uma emboscada no carro onde minha mulher estava? Para tirá-la de vez do meu caminho?
Filho... – Ela estava surpresa duplamente. Primeiro por vê-lo e segundo por ele saber daquela história.
Sobre o que Oliver está falando, Moira? – Walter pergunta, já temendo pela resposta, reprimindo o rosnado que queria escapar de seus lábios.
Eu não sei. – Uma risada debochada foi ouvida.
Você não sabe? Quer que eu refresque a sua memória?
Moira... – O ex-casal se olharam. – Você mandou matar uma mulher grávida? Pior, matar a mãe dos seus netos, sendo que três deles estavam dentro dela?
Não adianta negar. – Oliver a interrompeu, sabendo do que ela era capaz. – Eu tenho provas, e também tenho uma testemunha. – Em seu interior, ela começou a se preocupar, mas não demonstrou nem por um momento. – E nesse momento, essa testemunha, muito importante e conhecida por mim, está falando com a polícia. – A loira arregalou os olhos, não esperando por tal afirmação. Ela não conseguiu manter a mesma pose de "não saber de nada", por mais que esse fosse seu desejo, diante aquela frase, foi impossível. Walter passou as mãos nos cabelos de forma nervosa. – Sabe..., lá no fundo, eu esperava que você... – Soltou o ar, balançando a cabeça, em sinal de decepção. – Se arrependesse. Que de alguma forma, percebesse o erro que cometeu, e que estava cometendo, e pedisse perdão por cada um deles.
Oliver...
Mas eu não me importo mais. – A cortou. – Aquele resquício de esperança que eu tinha, e que eu não havia falado para ninguém... – Riu, triste. – Nem mesmo para a minha mulher..., virou pó. – Os olhos de Moira se lacrimejaram, mas ela as impediu de cair. – Não sinto mais nada por você. Nada.
Oliver não esperava falar cada uma daquelas palavras, com tanta calma. Assim como ele havia dito, em alto e bom som, ele não sentia nada naquele momento. Estava entorpecido. Seu coração não mais batia desenfreado, suas mãos não mais suavam, sua respiração estava mais calma do que ele imaginou que poderia ficar – o que o deixou realmente surpreso –, e seu corpo havia parado de tremer no momento em que percebeu, tristemente, que sua mãe continuava com o mesmo pensamento egoísta, fútil, mesquinho e preconceituoso de sempre. Não adiantaria perder a calma, não adiantaria gritar, não adiantaria ficar possesso, ou mesmo esbravejar, porque nada que fizesse mudaria a opinião ou o modo de agir da mulher a sua frente. E por isso seu corpo estava tão calmo. Porque era inútil discutir. Porque Oliver Queen não sentir mais nada pela antiga Moira Queen.
Eu não me importo se você vai passar o resto de seus dias miseráveis atrás das grades. – Ele volta a se pronunciar. Cada palavra que estava entalada em sua garganta, implorava para ser dita. – Você plantou tudo isso para si mesma... – Deu de ombros. – Então que colha seus frutos podres.
Senhor Queen? – Os três se viram, encontrando Raisa. Moira respirou fundo, tentando não demonstrar o quão ficou abalada por aquelas palavras.
Sim, Raisa? – Sua voz quase não si.
É a polícia. Eles estão aqui... – Não houve tempo para resposta, pois os homens uniformizados apareceram no campo de visão de cada um dos presentes. E Quentin Lance estava entre eles.
Moira Queen, a senhora está presa.
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Felicity sentia os braços dele rodearem sua cintura, enquanto dormia, puxando-a para mais perto de seu corpo. Ela prendeu a respiração, temendo que ele acordasse. Não sabia quantas horas haviam se passado, mas tinha certeza que já era quase de manhã. Ela pedia mentalmente, para que ele não acordasse, por mais que ela quisesse muito um banho – sozinha de preferência. Há quantos dias estava com aquele homem? Ela gostaria de saber. Gostaria de poder saber a quantos dias exatamente — já que quando começou a marcar no bloquinho de notas, já havia se passado bastante dias — estava naquela situação asquerosa. Não sabia como havia se alimentado, estando com o estômago revirando cada um dos dias malditos em que teve o corpo violentado por aquele homem. Mas ela não teve opção. Não queria ser machucada novamente. Cooper havia levado aquela nova Felicity para o fundo do poço. Estava tão forte no começo, mas tudo ruiu, no momento em que ele começou a tocá-la daquela forma nojenta. Ela pedia força. Força para suportar até que o marido a encontrasse, força para conseguir não abaixar a cabeça para Cooper, força para não demonstrar medo, força para ser petulante, mesmo que ele se irritasse. Porque ela não era mais fraca. Ela não se permitiria ser mais fraca.
O medo estava atormentando-a. Estava fazendo-a se encolher e novamente, fazer tudo que ele ordenava. E ela se recriminava por isso, não só isso, ela se odiava por fazer tal coisa. Sentia-se suja. Ela nunca havia traído Oliver, e ter seu corpo ser usado daquela forma, era agoniante. Sentia vontade de chorar. Não podia conduzir sua própria vida, não podai escolher para quem se entregar, não podia ser feliz, não com aquele homem ao seu lado. Suspirando, Felicity decidiu fazer algo sobre aquela situação. Prometeu que não fugiria, mas se pudesse encontrar algum lugar, para se refugiar, ou uma passagem, que pudesse levá-la para longe daquele lugar, ela não pensaria duas vezes em usufruí-lo. Precisava encontrar uma maneira de se comunicar com seu marido, ou seu irmão, ou seu pai..., ou até mesmo seus seguranças. Tinha o número de Mike e Gregory de cor, graças a sua memória fotográfica. Como ela amava ter esse dom.
Mesmo temendo que ele acordasse, conseguiu sair de seus braços. Devagar, sem querer fazer algum som que pudesse despertar o homem que a atormentava a tantos anos, ela pegou uma calça legging dourada com desenhos em prata e uma blusa vermelha de mangas longas – ela preferia aquele estilo de blusa, estando no mesmo ambiente que Cooper –, com um leão cinza no meio dela. Caminhou em direção ao banheiro, depois de pegar a lingerie. Precisava tirar aquele cheiro, que parecia estar impregnado nela. Estava enjoando-a. Havia marcas vermelhas, outras se arroxeando, por cada parte de seu corpo, em especial nas coxas. Balançou a cabeça, se impedindo de se lembrar das últimas horas.
A água quente batendo contra seu corpo, a fez relaxar. Fechou os olhos sentindo aquela sensação gostosa, sensação essa, que ela não sentia desde que chegou aquele lugar. Não conseguia relaxar, quando tomava banho, o medo, o tormento, seu corpo trêmulo, só de imaginar Cooper a tocando, não deixava. Sua cabeça não parava de latejar, e naquele dia, por algum motivo, durante o banho, ela não se sentia tão destruída. O medo ainda estava em cada parte de seu corpo, mesmo assim, conseguia respirar. Talvez porque não tinha aquele homem com ela. Era o terceiro banho que ela tomava sozinha, e todos os dias, ela desejava que fosse sempre assim, mas infelizmente, era algo raro de acontecer.
Felicity abriu os olhos imediatamente, quando ouviu a porta de vidro ser aberta. Seu corpo tremeu, sua respiração ficou alterada, e ela não conseguia sair do lugar, mesmo que quisesse. Estava com tanto medo, por saber quem era, que não conseguia nem se virar e muito menos correr para fora do banheiro. Sentiu os braços dele em volta de sua cintura, e a boca, em seu pescoço. Ela ficou mais tensa do que já estava quando sentiu os beijos dele naquela área. Não queria aquilo, não queria que ele a tocasse, não queria aquele banho em conjunto. Só queria um tempo para ela, e por não ter mais de poucas horas sem ele, ela quis chorar.
Deveria ter me acordado, meu amor. – Ela não conseguiu responder, por mais que quisesse. –Eu gosto tanto quando compartilhamos o banho. – Uma das mãos começou a acariciar a barriga, e ela estremeceu. – É tão gostoso. Sentir você assim..., juntinho de mim. Senti tanta falta disso, amor, já disse isso, não? – Os beijos desceram pelo ombro e costas. – Por isso, não venha sozinha novamente.
Se você acha que eu vou te acordar, está muito enganado. – Sua voz finalmente saiu, e ela suspirou aliviada. – Odeio esses banhos, e odeio mais ainda ter suas mãos em mim. – Tentou se desvencilhar, mas ele a apertou contra ele, forte, de um modo que ela gemeu de dor.
Eu não me importo. – Retrucou, ainda com a voz mansa. – Pelo jeito você continua bastante abusada... – A virou de repente, empurrando-a sem nenhuma delicadeza, até a parede. – E isso meio que me excita..., apesar de me irritar na maioria das vezes. – Mostrou um sorriso malicioso, que fez o estômago de Felicty embrulhar. – Eu adoro esse seu jeito mais..., feroz. Seja mais assim quando estivermos fazendo amor.
Eu não sei onde você vê o ato que faz comigo como amor. – Ele franziu o cenho, e ela soube que ele não havia gostado de seu comentário. – Eu vejo tudo isso como abuso, violação, defloração, violência. E eu sinto repulsa todas as vezes em que me toca. – Ele trincou os dentes, e quando viu a mão dele vindo em sua direção, ela fechou os olhos, mas para a sua surpresa, ele socou a parede ao lado de sua cabeça.
Vai se arrepender por essas palavras. – Rosnou, olhando-a no fundo dos olhos verdes, antes de sair do cômodo, a passos transtornados, de forma possessa.
Felicity engoliu em seco e seu corpo estremeceu, mesmo estando debaixo da água quente, pensando no que ele poderia lhe fazer, mas jogou para o alto todos os seus medos, e terminou seu banho. Pelo menos teria paz pelos próximos minutos. Ela só não sabia quantos minutos seriam. Esperava que fosse mais de meia hora, porque precisava de relaxar um pouco, mas precisava admitir, definitivamente, ela temeu a forma como ele lhe falou.
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Isso não me surpreende nenhum pouco. — Laurel comenta ao ouvir o amigo.
Oliver não podia deixar de contar aos amigos sobre a nova descoberta. Ele aproveitou que cada um de seus amigos apareceram para visitá-lo, como sempre vinha acontecendo desde que Felicity foi levada, e contou tudo que Noah havia contado. Eles estavam furiosos com o homem, mas não mais que com Moira. Ela havia passado de todos os limites. Oliver admitiu que por mais que ela tenha o decepcionado tantas vezes, ele não imaginou que ela seria capaz de se juntar ao pior homem da face da terra para tirar Felicity de sua vida. Sua esposa quase morreu, seus filhos poriam não ter sobrevivido, e saber que a culpa de todo o desespero que passou por todos aqueles dias tinha sido de sua mãe, realmente o deixou mais decepcionado do que já estava. Ele não sentia raiva, não mais. Todos os sentimentos que tinha por aquela mulher não mais existia, ele pensava nela, se lembrava dela sendo presa, e nada vinha ao seu coração. Era como se não o abalasse.
Os amigos puderam ver que ele estava bem. Tommy não esperou vê-lo tão calmo, apesar de tudo que descobriu, não com relação a Moira. Pensou que ele estaria surtando, gritando, destruindo meio mundo. Nada disso aconteceu e ele se surpreendeu. Roy parecia estar prestes a fazer o que seu amigo não estava fazendo. Ele tremia de ódio ao ouvir o cunhado contar a história, trincava os dentes vez ou outra, xingava Moira de maldita tantas vezes que todos ali havia perdido a conta.
Quando ele contou, eu não duvidei nem por um minuto. A forma que ele disse..., ele estava sendo sincero. E então ele mostrou um pendrive...
Eu sinto muito por você, mas sinceramente? Espero que aquela maldita mulher passe o resto da vida miserável dela atrás das grades. — Roy diz, ainda tremendo.
Ela não se arrepende, nem um pouco?
Ray, ela fingiu não saber do que eu estava falando, quando comecei a falar. – O amigo balançou a cabeça. – Eu vi a reação de surpresa e medo dela ao ouvir que eu tinha uma testemunha.
Fico com pena de Walter. – Laurel diz.
Como ele estava quando o deixou?
Cansado, decepcionado... — Thea suspirou, preocupada. — Aquela cena foi mais um motivo para ele não desistir do divórcio.
Era isso que ela queria? Que ele desistisse?
Ele estava lá para fazê-la dar o divórcio, Thea.
Eu sabia que ela dificultaria as coisas.
Quem não? — Sara diz. — Aquela mulher não se permitiria perder. Ela lutaria até o fim.
Quero ver se ela vai suportar ficar naquele lugar.
É capaz de ela surtar, Cait. Aquela mulher é fútil, de nariz em pé, acha que é dona do mundo. — Laurel diz, gesticulando. — Tenho certeza de que nem presa, ela vai mudar.
Eu ainda me surpreendo com a maldade das pessoas. — Barry diz. — Sabe o que é mais triste? É ver que a maioria delas faz por puro prazer.
Como Moira. E Cooper. — Sara diz, concordando com Barry.
Aquele maldito homem. — Roy rosnou. — Fico imaginando o que minha irmã está passando nas mãos dele.
Eu não gosto nem de imaginar. — Todas as outras concordaram com Caitlin.
Eu penso nisso todos os dias. — Eles olham para o marido da desaparecida, de forma penosa. — Eu vejo o desespero nos olhos dos meus filhos, a saudade..., vejo a forma como os trigêmeos estão crescendo rápido. Eles já estão falando algumas palavras..., e ela está perdendo.
Eles começaram a engatinhar, e ela também perdeu isso. — Roy completa, tão triste quanto o cunhado. — Não é justo.
Eu perdi os primeiros momentos dos gêmeos e agora Felicity está perdendo os dos trigêmeos. — Passou as mãos nos cabelos.
Não vai ser por muito tempo. — Barry diz. — Ela vai estar de volta. Felicity vai vê-los andar, vai ouvi-los chamá-la de mamãe, ouvi-los chamar você de papai...
É isso aí. Agora, com Noah na jogada, vamos conseguir encontrá-la.
Confiam nele? — Laurel pergunta depois do marido.
Ele está sendo verdadeiro. — Roy teve de admitir. — Estava protegendo a namorada.
Lívia. Coitadinha. Nem está sabendo da merda que está acontecendo. Do perigo que Noah vai estar se colocando com seu plano.
O que? — Caitlin franze o cenho, olhando para Sara. — Ela não sabe?
Ela está grávida, Cait. — Oliver conta, fazendo todos os outros, com exceção de Roy e Sara, se surpreenderem. — Combinamos de só contar quando tudo acabar.
Grávida? — Laurel balança a cabeça, imaginando a cabeça da menina ao descobrir tudo aquilo. — Se algo acontecer ao Noah, ela vai criar a criança sozinha.
Não vai ser fácil para ela. – Thea diz, penalizada. – Ela só tem 17 anos. Ela está apaixonada, pelo que Roy me disse.
Vamos fazer o possível e o impossível para que nada o aconteça.
Apesar de tudo que ele fez. — O cunhado completa.
Ele está tentando se redimir, é algo bom. — Ray diz. — Meu pai fez o mesmo. Todos merecem uma segunda chance, Roy.
Eu sei.
Ah, recebemos pelo menos uma boa notícia hoje. Pouco antes de chegarem. — Oliver diz, jogando o corpo no sofá.
Por favor, precisamos de uma. — As mulheres dizem juntas.
Kara saiu do coma.
Oliver estava saindo da mansão quando recebeu a ligação de Mon–el. Ele olhou para a tela umas cinco vezes antes de finalmente atender. Ele não conhecia aquela família a mais tempo que sua esposa, mas havia criado uma amizade. Ao ver o nome do marido da melhor amiga de sua esposa, pensou no pior. Ele fechou os olhos por alguns minutos, pedindo, implorando, para que não fosse uma notícia ruim. Ele não suportaria, afinal, sabia que isso deixaria sua esposa destroçada quando ela soubesse. Haviam combinado de se falar sempre, um dando notícias para o outro. Mas Mon-el havia parado de ligar a alguns dias, e pensou que Kara havia piorado. Ele tentou se comunicar com os agentes, mas eles diziam que a família estava uma bagunça, as crianças sentiam falta da mãe e Mon-el e a irmã de Kara não estavam conseguindo lidar com a situação. Por isso, quando ele ligou, depois de mais de uma semana sem fazê-lo, imaginou que Kara não havia resistido. O quão aliviado ficou, ao descobrir que ela havia despertado. E que falando perfeitamente. Sem sequelas. E ele agradeceu tanto por Deus não ter deixado que Cooper conseguisse matar aquela mulher. Agradeceu por Deus não ter deixado um marido viúvo e três crianças órfãs de mãe.
Graças a Deus. — O coro foi ouvido por Oliver e Roy.
Ela está bem. Fora de perigo, mas está em observação, claro.
Já está sabendo de Felicity?
Mon-el não teve coragem de contar. — Oliver responde à Sara.
É o melhor a se fazer. — Barry diz. — Ela acabou de acordar, precisa de repouso, descanso..., e com certeza, nenhum estresse. — Todos concordaram.
É tão bom saber que ela está bem. — Caitlin diz, tendo o apoio dos outros.
Sim. Eu fico aliviada e feliz pela família dela. — Sara diz sorrindo.
Saber que aquele maldito não conseguiu matá-la é realmente um alívio. — Laurel diz antes de suspirar longamente.
É uma preocupação a menos para todos nós. — Thea diz. — Agora, tudo que precisamos é trazer Felicity para casa.
A conversa foi interrompido pelo toque da campainha. Antes que Oliver fizesse a menção de se levantar, Roy o fez, andando até a porta. Ele já não estava suportando ficar sentado, e precisava andar para ver se controlava e acalmava seu humor. Ele queria mesmo era acompanhar Noah nas interrogações na agência, mas Oliver achou melhor deixar apenas os agentes. Sabia que ele não se conteria e acabaria fazendo algo que pudesse comprometer o plano do traidor arrependido. Não podia nem mesmo culpá-lo, porque enquanto o ouvia contar tudo que fez, ele sentia o seu interior queimar e a vontade de surrá-lo até a morte passou por todo seu corpo. Ele conseguiu se conter, assim como Roy. Não foi fácil, para nenhum dos dois, mas sabiam que era necessário.
Nenhum dos presentes esperavam por aquelas duas pessoas. Eles sabiam que àqueles dois deveriam estar com os outros agente, ouvindo o plano de Noah, que seria repassado para eles quando tudo fosse resolvido. Eles se aproximavam, sérios, de mãos dadas, o que não era surpresa para ninguém ali. Oliver se levantou assim que percebeu a presença dos dois agentes, surpreso, mas ansioso. Antes que pudesse se pronunciar, Caitlin o fez.
Você ainda está trabalhando? — A morena franziu o cenho.
Ela é teimosa. — O namorado responde.
Eu estou grávida, não inválida. — Bufou, fazendo Laurel sorrir.
Dizia o mesmo para Tommy quando estava grávida.
A diferença entre vocês, é que seu trabalho não era perigoso. – E nenhum deles puderam deixar de concordar com Ray.
Não deveria estar nessa missão, Lena. — Sara diz, preocupada.
Eu tentei persuadi-la.
Todos os agentes tentaram, na verdade. — Roy completa. — Mas essa mulher é bem teimosa.
Talvez seja por isso que ela e Felicity se deram tão bem. — Thea diz, fazendo os outros concordarem.
Eu estou sendo protegida 24 por dia, não se preocupem. — Revirou os olhos.
Deveria sair dessa missão.
Oliver, eu já disse que não. Eu devo isso a Felicity. — E eles perceberam mais uma vez, que ela realmente estava arrependida, e que a amizade que ela tinha pela loirinha era verdadeira.
Se você pensar ir a campo, te interno. — Laurel, Thea e Sara riram ao ouvir Caitlin.
Eu não deixaria. — Michael diz. — Nem que eu tivesse que autorizar essa internação. — Os outros sorriram.
Primeiro, vocês são muito exagerados, e segundo, eu não seria louca.
Mais louca, não é?
Thea. — A irmã riu.
Tudo bem, já estou acostumada. — Deu de ombros, realmente não se importando com o comentário da mais nova.
Então, o que vieram fazer aqui? – O casal se olha ao ouvir a pergunta de Oliver, e os outros percebem que é algo sério.
Algum problema? — Barry pergunta, com o cenho franzido.
Não. Viemos apenas avisar que Noah descobriu a localização de Cooper. — Michael responde.
O plano está sendo colocado em prática neste instante.
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