Cross Destination
55 Capítulo Cinquenta e Cinco
Notas iniciais

Felicity tinha sido arrastada por um dos homens de Cooper. Ela não sabia o que esperar. Não sabia mesmo. Ela sentia um medo agoniante. Ela sabia que alguma coisa tinha acontecido. Cooper estava mais desequilibrado do que já era. Ela tentava fazê-los parar de puxá-la, mas era mais fortes que ela. Ela passou por um corredor extenso, dois andares, para baixo, e então chegou à uma sala estranha, que lhe dava arrepios. Estava escuro. Os olhos dela doeram quando uma luz forte demais foi ligada. Tremendo dos pés à cabeça, e de olhos arregalados, ela viu Noah em uma mesa retangular, deitado, com as mãos e os pés amarrados. Os olhos deles se encontraram. Como? Ela se perguntava. Por que? O que ele estava fazendo ali? Como havia lhe encontrado? Será que isso queria dizer que Oliver estava por perto? Eram tantas perguntas, e nada de respostas.
Você reconhece ele? – Ouviu a voz de Cooper. Ele caminhava com as mãos no bolso, completamente sério. – Reconhece, não é?
O que vai fazer?
Você quer mesmo saber? – Ela estremeceu. – Quer ouvir uma história? – Ele deu um sorriso macabro e ela tremeu. – Vou contar. Era uma vez, um homem poderoso, que queria uma mulher. Um dia..., ele encontrou um moleque que precisava de comida..., esse homem poderoso, o ajudou. Claro, ele pediu algo em trocar. Daria o que ele precisasse, mas teria que lhe fazer favores. Um deles..., era conseguir trazer a mulher que amo para mim. – Felicty arregalou os olhos. – Ele prometeu fazê-lo. Estava dando tudo certo. O homem poderoso o infiltrou na equipe de agentes na qual a mulher dele era protegida..., mas houve um problema um tempo depois...
Não. não. – Sussurrou.
Ele se apaixonou, se arrependeu... – Bufou. – E quis trair seu chefe. – Rosnou. – Ele queria tirar a mulher que o chefe dele amava, levá-la para longe. Queria entregá-la para aquele maldito do Queen. – Sua voz se alterou. – Adivinha quem era o moleque morto de fome?
Noah. – Ela olhou para o homem que não parecia estar com medo.
Isso mesmo. Esse garoto..., era Noah.
Me perdoe. – Noah pede perdão, olhando nos olhos de Felicity.
Cala a boca, infeliz. – Gritou. – Ninguém pediu para falar.
Eu..., não imaginei que..., Cooper era tão louco. – Ele levou um murro na boca, com um soco inglês. Felicity soluçou ao mesmo tempo em que fechava os olhos.
Ele me traiu. E ele tem que pagar por isso. – Ela abriu os olhos imediatamente.
Não. – Gritou. – Por favor, Cooper. Eu te imploro.
Por que está implorando por esse..., ser desprezível? – Ela queria gritar que era ele o desprezível, mas não podia fazê-lo, não com a vida de Noah em jogo.
Ele não merece morrer. Por favor.
Não chore. – Rosnou.
Está tudo bem, Felicity. – Ela o olhou, e então o viu receber um soco no estômago, com o mesmo objeto de antes, fazendo-o reprimir um gemido de dor, apesar de tossir sangue.
Não a chame pelo nome. – Noah não se importava, Felicity pôde ver isso.
Você é uma boa pessoa, e eu..., não mereço que se preocupe comigo. – Diz, mesmo com dificuldade. Felicity se aproxima, fazendo com que Cooper franza o cenho.
Eu te perdoo, Noah. – Diz chorando. – Eu te perdoo. – Ela pega em sua mão, e então sente ele lhe entregando algo. Seus olhos se encontram, era como se ele lhe dissesse para não deixar que ninguém visse. O que era aquilo? O que ele estava lhe entregando, que Cooper não poderia ver? Ela fechou a mão em volta daquela coisa, pequena e fria, sem tirar os olhos dele.
Você vai ficar bem.
Noah. – Ela sussurra, ainda chorando. Cooper trinca os dentes, e então se aproxima, irritado, pegando no rosto dela com força em seguida.
Você vai ver ele sendo morto. – E ela soluça e se debate nos braços dele.
Não, não, não, não. Por favor.
Esse é seu castigo por ter dito todas aquelas coisas para mim. – Ela soluçou. – Esse é o seu castigo por perdoá-lo..., esse é o seu castigo por chorar por ele. – Rosna a última palavra, apertando mais e mais a mão no rosto dela, e a outra no braço direito.
Noah. – Ela sussurra.
Me mate de uma vez. – Gritou. – Mas deixe ela fora disso. – Felicity gritou um "não", com todas as forças dela.
Ela vai assistir até o final. – Olhou para Felicity. – Você vai assistir até o final, e vai ficar aqui, comigo, até que ele seja queimado. – Soltou o rosto dela de forma bruta.
Por favor..., por favor, eu te imploro, Cooper. – Chorou.
Não implore por mim. – Noah tossiu. – Está tudo bem.
Não. Não está! – Grita. – Por favor, Cooper. Eu estou te implorando. Por mim. – Ela se deixa cair no chão, ajoelhada diante do outro. – Não o mate. Não o mate. Deixe-o... – Ela se interrompeu ao ver Renee. – Você.
Olá, loirinha. – Brincou. – Está sendo bem tratada?
Maldito. Desgraçado. – Ela se levanta, gritando. – Oliver confiava em você. Ele deixou as pessoas que mais ama, em suas mãos..., e você o traiu. – Felicity recebeu uma bofetada de Cooper.
Não diga o nome desse maldito na minha frente.
O maldito é você. – Rosnou. Outra bofetada.
Pare, Cooper. – Noah grita. – Deixe-a. Não a machuque.
Você é um fraco. – Renee diz. Os agentes se encaram, um com olhar de deboche e o outro com o de ódio.
Você acha que vai ficar vivo? – Os seguranças se olham. – Acha mesmo que vão te deixar vivo? Gregory vai te matar.
Ele não matou você, que engravidou a irmãzinha dele.
O que? – Felicity olhou para os dois. – Lívia está...
Está. – Noah responde.
Felicity balança a cabeça. O que seria dessa criança? Era o que ela pensava. O que seria de Melissa sem Noah? Ela se preocupava sim com eles dois. Ela se preocupava com aquela criança, e com a garota que havia se apaixonado pelo homem a sua frente, que estava condenado a morrer. Ela não podia deixar que isso acontecesse sem fazer nada, mesmo que soubesse o que ele fez. Sabia que ele estava arrependido, e sabia que era verdadeiro. Como o deixaria morrer, sendo que ele estava protegendo-a, e colocando a própria vida em risco, traindo Cooper? Felicity começa a se desesperar, e é dessa forma que ela olha para o homem ao lado dela.
Cooper. Cooper, eu faço o que você quiser...
O que? – Noah grita. – De jeito nenhum.
Eu faço, Coop. Por favor, não mate ele. Por mim. Você diz que me ama...
E você mesmo assim se entregou várias vezes para aquele filho da puta. – Gritou e ela deu dois passos para trás, temerosa. – Eu tento ter você para mim, e você chora, tenta fugir, diz ter nojo..., mas se entregou para aquele maldito do Queen sem pensar duas vezes. Você vai se arrepender por isso. Por ter fugido de mim. Por ter me afastado, e me dito tantas coisas..., que realmente me magoaram. – Ele é louco, ela pensa. Completamente louco.
Sabe quem vai matar você? – Renee riu, se pronunciando, olhando para Noah. – Eu.
Vai para o inferno. – Rosna para o outro, que gargalhou.
Você vai chegar lá primeiro que eu.
Pronta para ver a morte do traidor? – Felicity chorou alto.
Cooper. – Soluçou, pedindo mais uma vez que o deixasse viver. – Por favor.
Chega disso. – Grita. – Faça. – Outros dois homens se aproximam e seguram Felicity, de uma forma que a fizesse ver tudo o que aconteceria. Ela se debatia, pedia, gritava, e todos fingiam não ouvir.
Vai ser um prazer. – Diz sorrindo. – Últimas palavras?
Espero que Gregory e Oliver te torturem até a morte. – Os outros riram alto, inclusive Cooper. – E acredite, isso vai acontecer.
Só nos seus sonhos. – Sorriu, arrumou o punhal na mão esquerda e perfurou em seu peito.
Não! – Felicity grita alto, desesperada, em meio as lágrimas. O sangue desceu pela boca de Noah, agora morto. – Não, não, não. – Diz chorando, se soltando dos que a seguravam; eles a deixaram se soltar ao olharem para Cooper. – Noah. – Ela abraçou o corpo já sem vida de Noah e chorou.
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Me solta.
Gritava com toda sua força, enquanto era arrastada por Cooper. Ela ainda tinha as marcas de lágrimas por conta do que houve a Noah a alguns minutos. Não conseguia se esquecer do que aconteceu. Sua mente revivia aquelas cenas várias vezes. Não conseguia acreditar que ele estava morto, não conseguia deixar de ficar revoltada por Cooper ter feito uma maldição na vida de Noah. Ele errou, mas se arrependeu, e não seria ela a crucificá-lo pelo resto da vida. Chorou ao pensar que ele já não tinha mais vida, ao se lembrar que ele havia deixado um filho e uma jovem garota que o amava. Lívia o amava, e agora criaria o filho sem o pai dele.
Cooper segurava Felicity pelos cabelos, sem se importar com sua força. Ouvia seus gritos, ouvia seus xingamentos, sentia ela tentar escapar de sua mão, mas não se importava. Estava possesso. As palavras ditas por ela naquele banheiro ainda estavam cravadas em sua mente. Ele revivia a todo instante, e isso o fazia ficar mais furioso do que já estava. Chegou ao quarto, abrindo a porta com o pé, sem se importar com a força que fez. A jogou na cama de forma bruta e pode ver as marcas de lágrimas no rosto dela. Trincou os dentes, mesmo que a visse completamente assustada. O fato de ela ter chorado por Noah, por ter dito que o perdoava, por ter implorado pela vida dele, o deixava ainda mais possesso. Sem demoras, se colocou em cima dela, sentindo-a se debater, mas não se importou. Suas mãos machucavam o corpo abaixo dele, a ouvia reclamar, ouvia a voz embargada pedindo para ele parar, mas ele fingia não escutar, e continuava a dar o tratamento que ela merecia.
Felicity se debatia, usando toda a força que tinha — o que não era muita —, mas nada que fazia adianta, como todas as outras vezes que foi violentada por aquele homem inescrupuloso. Ele beijava seu pescoço de forma que a machucava, apertava suas coxas, com a mesma brutalidade com que a beijava. Felicity se assustou com a forma em que ele rasgou cada uma das peças de roupas que vestia, inclusive sua calcinha. Estava completamente nua, diante dele, mais uma vez, e como sempre, o desespero bateu a porta. Ela o viu se afastar para tirar a própria roupa, e por isso se arrastou para fora da cama, mas não conseguiu se livrar dele por muito tempo, uma das mãos grandes puxou seus cabelos, com força, fazendo-a gritar.
Você não vai fugir de mim. — Rosnou, jogando-a na cama novamente. — Lembra-se do que me disse? — Se colocou por cima dela. — Das coisas horríveis...
Foram apenas a verdade. — Seu rosto virou de forma bruta para a direita, ao receber a bofetada.
Vai sentir o que é ser violentada de verdade. — Ela arregalou os olhos ao ouvir aquelas palavras. — E vai se arrepender por cada uma das palavras que me disse.
Cooper. — Ela o empurrou, mas não adiantou. — Pare, pare... — Se mexeu a baixo dele, sentindo as mãos grandes separarem suas pernas uma da outra, de forma brusca. — Não faz isso. — Praticamente implorou. — Não, não, não...
Ela gritou ao sentir o membro dele entrar de forma brutal para dentro de sua cavidade, apertando as unhas contra os braços dele. As lágrimas começaram a descer pelo rosto pálido, enquanto sentia os movimentos brutos. As forças dela estavam acabando, ela já não conseguia gritar, só chorar, soluçar, enquanto seu corpo era brutalmente machucado. As mãos dele apertavam com força suas coxas, os beijos eram ásperos e feroz.
Minha. É minha. — Rosna, enquanto aumenta o ritmo das estocadas, cada vez mais brutal. — Você vai ter que aceitar.
Mesmo que tivesse sentido o corpo dela amolecer, e começar a perder um pouco da força, não deixou aquele corpo, não deixou de morder cada parte daquele corpo, não deixou de estar dentro da cavidade dela. Os movimentos desaceleraram, mas não deixaram de ser bruscos. Suas mãos continuavam a apertá-la, continuavam a machucá-la, propositalmente. Sentiu o sangue, sentiu os olhos dela pesarem, mas não se importou, continuou com as estocadas. Queria machucá-la da mesma forma que ela o machucou, queria que ela sentisse a dor que ele sentiu, queria que ela se arrependesse. E então, Felicity fechou os olhos, perdendo a consciência, deixando de sentir a dor agonizante.
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Gregory tinha se se afastado dos outros. Apesar de também estar procurando por Felicity, seu foco era Renee. Ele mesmo queria dar uma lição no maldito. Fazer ele sofrer. Fazê-lo implorar pela própria vida. Suas mãos tremiam só de imaginar em pegá-lo. E iria. Porque o maldito não iria fugir, como esteve fazendo todos aqueles dias em que ficaram sem notícias da Queen. Enquanto andava, com a arma em mãos, focado, para não ser pego de surpresa, ele imaginava o inferno que Felicity deve ter passado aqueles meses todos naquele lugar. Franziu o cenho, se lembrando de que as janelas que haviam pelo lugar eram todas falsas. O lugar era iluminado por conta das lamparinas. Parecia idade média, pensou. Se encostou na parede ao ouvir passos apressados. Independente da pessoa que estava para passar, iria ser pega de surpresa. Como estava escondido onde a lamparina não pegava, e estava de preto, não conseguiriam vê-lo. Quando percebeu que os passos estavam próximos, ele se colocou na frente da pessoa. Seus olhos o reconheceram, e ele sorriu.
Ah, mas eu tenho tanta sorte. – Diz, lentamente. – Era você mesmo que eu estava procurando, maldito.
Gregory.
Olá, Renee. Quanto tempo. – Debochou. – Podemos trocar uma palavrinha?
Como achou esse lugar? Como vocês chegaram até aqui?
Que bom que perguntou. Tem pessoas que mesmo fazendo merda, se arrepende.
Noah. – Rosnou.
Mas você é diferente. Eu sei que não está arrependido. Posso ver seus olhos faiscarem. – Se aproximou mais um pouco, trincando os dentes. – Você entregou uma mulher boa, carinhosa, amável, para o desgraçado do Sheldon, por dinheiro.
Eu entreguei sim. Por dinheiro. Não sou de ferro. E ele paga melhor. – O corpo de Gregory tremia de raiva, com tal afirmação.
Você é um maldito.
Pode ser que sim, pode ser que não... – Deu de ombros. – O fato é que eu não me importo com o que você diz de mim. Não me importo com o que acontece com a loirinha.
Não a chame assim. – Rosnou. – Você não tem esse direito. Não tem o direito nem mesmo de falar o nome dela.
Eu pensei que você fosse noivo. Se apaixonou foi? – Provocou. – Olha, ela é casada.
Eu não preciso explicar meus sentimentos para você. O carinho que eu sinto por Felicity, não é da sua conta. – O outro riu. – Mas sabe, tem algo que é da minha conta. Confiamos em você, Felicity confiou em você, assim como Oliver..., e você nos traiu. Eu passei dias, em uma situação desgraçada com aquela mulher, grávida ainda por cima..., e a culpa também é sua. – Rosnou.
Foi Moira Queen quem fez aquela...
Nós estamos sabendo, inútil. – O cortou. – Mas você queria o chefe. – Se aproximou mais um pouco. – O queria morto. Do mesmo jeito que o quero agora. E você está sozinho...
Eu não preciso de ajuda para acabar com você. – Gregory riu.
Mesmo? Se acha tanto, ao ponto de ter certeza de que pode acabar comigo? Sozinho?
Eu posso. – Gregory trincou os dentes, jogou a arma no chão, e se jogou em cima de Renee.
Eu vou destruir você.
O socou no rosto, várias vezes, fazendo-o sangrar. Renee tentava sair debaixo, tentava virar o jogo, mas Gregory era mais alto e mais forte. Em um instante, ele estava deitado no chão, com o corpo do outro em cima de si, e no próximo, estava sendo pressionado na parede. Sua cabeça latejou quando sua cabeça foi contra a parede grossa três vezes. A arma que estava em suas costas, havia sido tirada de si, antes que pudesse pegá-la. Tentou chutá-lo, mas não conseguiu, em seguida, levou uma joelhada no estômago. Tão forte, que ficou sem ar por alguns minutos. Gregory não estava segurando sua força. Todo o desespero que passou quando teve a emboscada, o desespero que o chefe e os agentes passaram quando Felicity desapareceu, todos aqueles meses, que a Queen ficou a mercê de Cooper, o agente estava descontando tudo no baixinho a frente dele.
Com uma das mãos, o jogou para o outro lado do corredor, fazendo-o bater o corpo com força contra o chão. A arma que havia jogado no chão, voltou para o cós de sua calça. Colocou as mãos nos bolsos e pegou o "soco inglês". O fez sofrer um pouco com as mãos nuas, mas agora ele o faria se arrepender de ter nascido. Gregory se aproximou, deixando-o se recuperar. O viu tossir algumas vezes, e entre essas vezes, o viu cuspir sangue. E Gregory gostou de ver isso. Renee se levantou com dificuldade, e então de repente sentiu uma faca atingir uma de suas pernas, passando entre a carne. Reprimiu um gemido de dor.
Eu acho que acertei uma artéria. Quanto tempo você aguenta?
Vai se ferrar. – Gregory riu.
Antes de morrer, eu quero que você implore pela sua vida.
Eu nunca farei isso.
Então eu me divertirei tentando. – A força de seu soco, quando entrou em contato com a pele do rosto, o fez dar alguns passos para trás, caindo no chão.
Você não tem coragem de me matar. – Provocou, e em seguida, outra faca, do mesmo porte, atingiu seu peito, fazendo-o gemer baixinho, fechando as mãos em punhos.
Continue provocando, para ver se continua vivo pelas próximas horas. – Caminhou até ele. – Eu errei o coração de propósito.
Você é um fraco. – Mais um soco, tão forte quanto o de alguns minutos atrás. – Por que não me mata de uma vez?
Ah, porque eu quero te ver sofrer. Como a Felicity sofreu, como Oliver e as crianças sofreram. Como os amigos e familiares dela sofreram, por todos esses meses, sem notícias, sem saber onde ela estava. – O socou duas vezes, fazendo-o cuspir um dente. – Um já foi, faltam trinta e um.
Desgraçado.
Gregory não se importou, apenas o socou. No rosto e no estômago, várias vezes, sem se importar com sua força. seu corpo foi empurrado, mas não foi o bastante para sair de cima de Renee, que continuou tentando se soltar. Recebeu um chute no estômago, o que o fez se afastar, mas não sentiu dor alguma. Na verdade, Gregory sentiu mais raiva. Antes que o outro pudesse se levantar – coisa que ele tentava fazer com dificuldade –, Gregory o empurrou de volta para o chão, com o pé. Pegou no cabo da faca que estava perfurada em seu peito e a arrastou até a cintura. Ele ouviu o grito de Renne, ouviu o som da faca rasgando o tecido da roupa e viu a quantidade de sangue que estava saindo do corpo abaixo dele. Suas mãos se sujaram, e para terminar puxou a faca, de uma só vez, ouvindo mais um grito.
Você não disse que acabava comigo sozinho? – Debochou. – E isso que está sentindo..., é dor, por acaso? – O outro tinha a respiração ofegante. Gregory gargalhou. – Esse som é muito bom para os meus ouvidos.
V-vai..., para..., a pu-puta..., que te pa-pariu. – Quase não consegue terminar a frase.
Eu acho que eu não entendi muito bem. – Riu em seguida. – Quer tentar novamente? – Pergunta, ao mesmo tempo que sua faca passa pelo lado esquerdo do rosto dele, cortando-o. O viu trincar os dentes. – O que será que a Felicity passou com o maldito? Quantas vezes ela deve ter implorado para que ele não a machucasse, para que ele não a tocasse?... – Trincou os dentes só de imaginar. – E você é culpado por cada uma das vezes que ele a tocou, a machucou. – Na última palavra, ele perfurou a faca nas costelas, fazendo-o gritar mais uma vez. – Ela deve ter gritado, assim como você está fazendo agora. Gritado, chorado, implorado para que ele a deixasse em paz. – Retirou a faca, quando começou a ouvir passos. – Você quer viver? – Se afastou, olhando para cima, encontrando olhos que conhecia bem, no final do corredor. – Vai. Fuja como um covarde que é. – Se colocou de pé.
Q-qual é a..., pega-dinha? – Se coloca sentado, respirando com dificuldade.
Não é isso que você quer? Viver sua vida, com o dinheiro sujo que recebeu? Vai em frente. – Renee se levantou. – Só não vou dizer boa sorte, porque eu não sou falso como você.
Não preciso... – Respirou fundo. – De nada vindo de você. – Se virou, mas antes que desse um passo, encontrou Roy, Collin e Mike lado a lado.
Com saudades? – Collin debochou.
Como vai, filho da puta? – Roy diz em um rosnado.
Você estava mentindo. – Rosnou para Gregory.
Não. Eu disse que podia fugir, mas eu não disse que seria fácil. – Sorriu.
Minha mão está coçando... — Quando Renee percebeu, estava sendo jogado contra a parede, enquanto recebia vários socos do irmão da loira na qual estava com Cooper. — Por tudo que fez em nome do desgraçado do seu chefe, por tudo que fez pelas costas dos agentes... — Ouviu seu grito quando perfurou a faca que estava no cós de sua calça, em seu estômago. — Pelas coisas que ela passou nesses meses todos aqui, nesse mausoléu, nas mãos do filho da puta... — Se interrompeu propositalmente, jogando-o do outro lado do corredor. — Eu não quero que sofra aos pouquinhos. Isso eu desejo ao seu chefe maldito. — Rosnou.
Eu... — Se levantou com dificuldade. — Consigo sair daqui... — Mike desviou de uma faca que veio em sua direção.
Mesmo depois da surra e da tortura, ainda consegue fazer isso? Parabéns.
Não é um completo inútil. — Collin diz depois de seu líder.
Você acha que consegue fugir? — Roy se pronuncia, rindo junto de Gregory, de forma debochada.
Você está perdendo bastante sangue..., não acho que chegue até a porta desse casebre com vida.
Quer ajuda? – Mike pergunta, completando a frase de Gregory, antes de colocar a arma que tinha na mão direita na testa dele, vendo Roy fazer o mesmo, ao seu lado.
Vá para o inferno. – A voz de Roy, Gregory, Collin e Mike soaram juntas, e em seguida, o líder do grupo e o irmão de Felicity apertam o gatilho, fazendo o som do tiro ser ouvido por todo aquele lugar.
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Oliver imaginou muita coisa, ao entrar naquele lugar. Ele imaginou que encontraria sua esposa, amedrontada, em cima de uma cama, ou em algum canto da casa, tentando se proteger. Seus braços em volta do corpo, enquanto as lágrimas desciam incessantemente. Ele sabia que ela podia ter sido violentada por Cooper, mas não imaginava isso a todo instante, porque doía demais. Sabia que poderia encontrar sua esposa e Cooper no meio do caminho. Seus músculos tensionavam a cada passo que dava, em direção ao quarto, em que ele descobriu que a esposa estava, e se perguntava se o culpado de todas suas angústias também estaria ali. Mas com todos os pensamentos que tinha, de quando encontrasse a mulher que amava, aquela, nunca havia sequer passado por sua mente. Não imaginou encontrá-la jogada na cama, seus cabelos esparramados no colchão, seu corpo parcialmente arranhado, outra parte, cheia de sangue, inclusive seu lábio inferior. Ela estava desacordada, e ele teve medo de saber se estava viva. Havia muitas marcas no corpo nu de sua mulher, vermelhas e arroxeadas. E ele se encheu de ira.
Quando chegou naquela casa de "bonecas", ele estava desesperado para encontrar a esposa. Não se importou em esperar pelos outros, por mais que devesse. Foi seguido por Mike e Gregory, e os outros se espalharam pela casa. Deveriam encontrar Noah, Cooper, Renee e matar todos os malditos comparsas do homem que sequestrou Felicity. Eles haviam chego até ali, graças a ideia de Noah, que ele teve que admitir, foi muito boa. Cooper caiu como um pato no plano do outro. Se viu totalmente cego, com mais ódio do que já estava daquele homem, ao encontrar a mulher que amava tanto, praticamente morta no colchão ao lado. Oliver não pensou, ele apenas se jogou para cima do desgraçado, e o socou. Cooper foi pego desprevenido, ele não esperava ser emboscado daquela forma. Ele nem mesmo estava sabendo que haviam encontrado sua casa. Oliver desferia vários socos em seu rosto, mas isso não parecia ser o suficiente para o Queen. Trincou os dentes, segurando-o com uma das mãos, no pescoço, apertando consideravelmente, dizendo que iria matá-lo com suas próprias mãos. Cooper sorria, sem se importar com a dor em seu rosto, mas o que ele não esperava, era gritar ao sentir algo perfurar seu braço. Oliver estava com uma Faca Guepardo Hunter na mão livre, e com ela, ele cortava o braço dele do começo dos ombros, até as mãos, enquanto o ouvia gritar.
Tenho certeza de que minha mulher sentiu muito mais dor.
Vai para o inferno. – Rosnou, cheio de raiva. – E ela é minha mulher, faço com ela o que bem entender.
Oliver sentiu suas mãos tremerem, mas de ódio, e então, sem esperar que ele se recuperasse, aprofundou a ponta da faca em seu rosto, descendo-a até parte do pescoço. Se ele se importava em ver o homem abaixo dele gritar? Nenhum um pouco. Ele imaginava a esposa gritando, se debatendo, chorando, implorando para que ele não a tocasse. Ele imaginava ela assustada, amedrontada, em cima daquela cama, ou encostada na porta do quarto, pedindo mentalmente para que ele não voltasse no próximo dia, mesmo sabendo que isso jamais aconteceria. E era isso que o deixava mais irado do que já estava. E isso o fazia ficar cego, machucando o homem a sua frente pior do que ele fez com a sua loirinha.
Oliver avisou que ele iria pagar. Avisou que o faria se arrepender. Que faria implorar para que parasse, enquanto o cortava no peito, de forma mais profunda, indo até as costelas, onde ele perfurou a faca inteira, sentindo o sangue dele esparramar em sua camisa preta e calça na mesma cor. Mas ele não se importou nenhum pouco, nem quando o outro começou a arfar, tremer e tossir sangue. Ele não quis parar, e não parou. Oliver ouviu o grito do outro, quando perfurou a ponta da faca debaixo das unhas de cada um dos dedos da mão, enquanto a mão livre segurava a mão de Cooper, que tentava se soltar. Seu corpo o prensava contra o chão, enquanto continuava com a tortura. A próxima parte, Oliver teve que se afastar, pois seria a última. Cooper ainda estava vivo, e o olhava de forma que o desafiasse. E mesmo estando naquelas situações, cuspindo sangue, ele deu uma meia levantada antes de se pronunciar
Felicity Smoak é minha, e somente minha. — Oliver trincou os dentes. — Eu faria isso tudo de novo, para ela saber quem é que manda.
Cooper estava provocando Oliver, e o Queen sabia disso, e por esse motivo, dessa vez, ficou com a expressão normal no rosto, não se deixando abater por aquelas palavras, por mais que sentisse seu corpo tremer em fúria. Ouviu uma risada rouca, tão baixa, que quase que o outro não conseguiu ouvir. Suas mãos pararam no meio do caminho, quando o outro voltou a falar.
Sabia... – Tossiu várias vezes. Oliver desceu a mão que estava com a faca, esperando pelo término do que ele diria, por mais curiosidade do que qualquer outra coisa. – Sabia que ela chamava por você todos os dias? Ela implorava para que eu não a tomasse para si, porque amava você. E ela acreditava que você a salvaria. – Riu. – Coitada. Ela acreditava que fugiria de mim, acreditava que você a encontraria..., mas isso demorou muito. — Oliver trincou os dentes. — Não que eu me importasse com isso, afinal, você longe, seria muito mais fácil, tê-la para mim. Eu a faria esquecer a maldita ideia de fugir de mim, em algum momento. E eu teria conseguindo fazê-la me amar, se você não tivesse entrado no meu caminho mais uma vez. — Rosnou a última frase.
Ela nunca ia amar você. Você é louco, completamente desequilibrado. Um desgraçado insano. Você é um maldito psicopata. – Rosnou a palavra “maldito”.
Eu a tive por todos esses meses. – Diz lentamente, na intenção de provocar Oliver. – Eu toquei cada parte daquele corpo, eu senti o corpo dela a baixo do meu, enquanto a possuía de todas formas possíveis e inimagináveis. – Oliver trincou os dentes mais uma vez, fechando as mãos em punho, mesmo que uma delas tivesse uma faca. – Eu tive maravilhosos três meses com ela. E enquanto ela tentava acreditar que você não havia desistido de resgatá-la, eu a tinha só para mim. Me deliciava com o corpo perfeito, gostoso e sensacional.
A respiração de Oliver já estava irregular. Suas mãos serradas de tal forma, que as unhas da mão esquerda perfuravam a palma de sua mão, dolorosamente. Seus dentes apertados, rangiam com o atrito, e ele conseguia sentir a adrenalina correr por seu corpo, o coração batendo desenfreado em seu peito, e por mais que tentasse, controlar o grunhido, enquanto ouvia aquele homem falar, foi inútil, pois saiu de seus lábios sem sua permissão, e aquela dor e impotência agoniante não ia embora. E não iria tão cedo, ele tinha certeza disso. Todos seus medos, anseios e a raiva, que o consumiram durante aqueles quatro meses sem notícias de sua esposa, vinham da impotência perante o rumo de tudo que houve. E só piorava a cada palavra dita pelo maldito homem, além do estado despedaçado de Felicity.
E sabe a... – Tossiu mais uma vez, colocando a mão sobre a barriga. – A melhor parte, Queen? É que eu vou ter o que sempre quis. – Sorriu. – Quer saber o que é? – Oliver sentia seu corpo tremer. – Eu vou dizer... – Olhou para Felicity por um tempo considerável, antes de se voltar para Oliver, que apesar de sentir que deveria matá-lo de uma vez, esperava pelo que viria. – Todos os comprimidos que ela tomou nesses meses, dado pela pessoa de minha confiança... – Oliver piscou algumas vezes, tentando compreender do que ele falava. – Eram de farinha. Eu sabia que ela os tomaria, regularmente, se confiasse na mulher que fazia nossa refeição todos os dias. Eu sabia que a minha cozinheira, a convenceria de que era uma boa pessoa, e que estava aqui por medo. – Gargalhou, arfando em seguida, sentindo dor. Respirou fundo algumas vezes. – Sua amada Felicity, pode estar esperando um filho meu.
Oliver arregalou os olhos. Seus músculos tencionaram, e ele realmente pensou que o outro estava brincando, mas não estava. Os olhos de Cooper lhe diziam que era verdade, e por esse motivo, sentiu seu interior clamar, em revolta, seus olhos faiscaram, e ele só viu o que fez quando a faca que agora ambas suas mãos seguravam, perfurava dolorosamente, o membro do homem a frente dele, que estava tampado apenas pela boxer. Cooper gritou, jogando-se no chão, levando uma das mãos até o local. Oliver retirou a faca, sem piedade alguma, pegou a arma que estava escondida no cós da calça, por baixo da camisa que vestia, e apontou para ele, sentindo seu interior gritar para fazê-lo.
Você merece o pior. Eu quero que morra, seu filho da puta, desgraçado. – Gritou, ao mesmo tempo que destravava a arma em sua mão direita. – Vai para o inferno. – Antes que apertasse o gatinho, alguém o parou. E Oliver só descobriu quem era, quando o outro se colocou em sua frente.
Não faça isso.
Saia da frente, Gregory.
Você acha que eu não quero a morte do desgraçado? Eu quero. Mas não acha que ele deveria sofrer, engasgar pelo próprio sangue, enquanto se aproxima cada vez mais perto do inferno? – Diz com a voz raivosa. Oliver pensa por um momento. – Sua esposa precisa de você. E só de você. – Oliver o olhou, finalmente, desviando sua atenção de Cooper. Gregory soube que havia chamado a atenção do chefe, e quase suspirou. – Deixe-o agonizar. Eu fico até ter certeza de que ele finalmente se foi. – Fechando os olhos, tentando acalmar sua respiração, o Queen deixou que o amigo pegasse a arma. – Leve-a daqui.
Não precisou pedir duas vezes. Oliver correu até a esposa, ainda inconsciente, pegando-a no colo, e saindo do quarto. Olhou para o rosto machucado dela. Antes tão branca, agora com várias marcas arroxeadas e avermelhadas. Tão linda, e tão machucada. Ele queria que ela abrisse os olhos claros, para vê-lo. Para ver que ele a salvou, que ele não a decepcionou. Que ele estava ali para protegê-la. Mas ela não o fez. Estava quente, seu corpo estava muito quente. Além disso, sua respiração estava fraca, e ele se desesperou. Temia não chegar ao hospital a tempo. E recriminava por ter cuidado do maldito primeiro, e não da mulher que amava. Por um momento, ele não mais se lembrava da possibilidade horrível, de Cooper tê-la engravidado, ele só pensava em salvá-la.
Está tudo bem agora, meu amor. Você está a salvo.
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