Cross Destination
39 Capítulo Trinta e Nove
Notas iniciais

Oliver passava a mão na barriga que evidenciava seus cinco meses. Falava com seus filhos vez ou outra. Era como se fosse um sonho, mas ele sabia que era real. Muito real. Ele seria pai novamente, dessa vez, de três. Ele observou a esposa por alguns minutos. Ela dormia. Naquele dia ela não havia acordado disposta, e por isso ele preferiu ficar em casa. Avisou Walter e foi instruído a ficar com Felicity. Ele agradecia muito seu pai por todo o apoio. Os bebês haviam parado de mexer, finalmente, já que aquilo estava incomodando um pouco sua esposa, e deixando-a sem dormir por horas. Mesmo um pouco pálida, ela era linda demais. Ele sorriu ao sentir os bebês se mexerem mais um pouco. Eles estavam concordando com ele? Provavelmente. Já passava das três horas da tarde, ele havia deixado a esposa sozinha por algumas horas, para poder fazer o relatório que deveria ter entregue naquele dia. Como ela estava melhor, ela o convenceu de que poderia ir para o escritório. E ele foi. Mas não conseguindo se concentrar por muito tempo, ele acabou voltando para o quarto, e encontrando-a dormindo tranquila. Quando estava por perto os bebês se agitavam muito, mas quando estava fora, era pior. Felicity havia lhe confidenciado aquilo a alguns dias. Ele ouviu um respirar fundo da esposa, e soube que ela acordava.
— Bom dia, meu amor. – Sussurrou. Ela piscou algumas vezes, para então o olhar.
— Bom dia. – Responde baixinho.
— Está melhor? Sente-se melhor? — pergunta preocu
— Uhum. – Ela respira fundo mais uma vez. – O enjoo passou e eu consegui dormir melhor.
— Eu pude ver, estou aqui a três horas, e você não acordou.
— Terminou o relatório? – Ela colocou a mão por cima da dele.
— Depois de três horas no escritório sem conseguir me concentrar, eu só o terminei aqui ao seu lado. – Ela sorriu. – Estava preocupado.
— Tão fofo. – Ele revirou os olhos. – Obrigada.
— Vocês são minha vida, é claro que eu me preocuparia. – Beijou a barriga por cima do pano da camisola. Oliver era sempre tão atencioso, cuidadoso, gentil. Ainda mais agora com a gravidez tripla. – Você conseguiu comer depois que fui ao escritório? Eu pedi para Alissa trazer seu almoço.
— Eu comi melhor no café da manhã. Parece que minha fome está muito maior, eu estou literalmente comendo por quatro. – Ele riu e ela o acompanhou. – Ela ainda me trouxe mingau de chocolate.
— Alissa está te mimando tanto quanto eu. – Ela sorriu.
— Ela é ótima. Que bom que ela voltou.
— Ela estava em luto. – Eles assentiram. – Bom, o que importa é que agora eu tenho ela para me ajudar com vocês. – Beijou a barriga mais uma vez.
— Se continuarem a me mimar desse jeito, eu vou virar um hipopótamo loiro.
— Eu continuaria te amando. – Beijou sua bochecha. – Eu vou continuar gostando de você em todas as suas formas, baby. Porque eu te amo demais. – Deixou um beijo no pescoço da esposa. – Você é minha razão de viver, literalmente.
— Sabe, eu estou louca para saber os sexos. – Felicity comentou.
— Parece que eles não querem que saibamos disso. – Aproximou a cabeça da barriga. – Ei, filhos, queremos saber quem são vocês, então por favor, deem uma ajudinha, okay? – Felicity sorriu ao ouvi-lo falando com os bebês, como ele sempre fazia. – Estamos ansiosos.
— Nem mesmo temos os nomes. – Felicity faz um biquinho.
— Vamos escolher. – Oliver afirma piscando para a esposa.
— Prometemos aos gêmeos que eles poderiam ajudar. – Felicity lembra e Oliver sorri..
— Papai. Mamãe. – Eles ouvem as vozes dos dois filhos.
— Por falar neles... – Olhou para a porta.
— Estamos aqui, meus amores. – Não demora, e eles aparecem na porta do quarto.
— Porque não foi buscar a gente na escola, papai? – A pequena perguntou, já entrando no quarto, ao lado do irmão.
— A mamãe não estava se sentindo muito bem, e eu não quis deixá-la sozinha. — Explica.
— O que está sentindo, mamãe? – Apesar de apenas Bryan perguntar, ambos estavam preocupados.
— Estou melhor, querido. Estava enjoada, só isso.
— Mesmo? — Pergunta desconfiado.
— Mesmo. – Responde sorrindo. – Os bebês estão mexendo, vem sentir. – Ambos colocaram a mão direita ao mesmo tempo, e logo sorriram ao sentir os chutes.
— Eles são fortes.
— São sim, Bry. Eles estão chutando muito e por isso a mamãe não consegue dormir muito bem. – O menino olha para o pai.
— Eles ficam agitados quando o papai está perto. – Brooke comentou.
— E ficam piores quando o papai não está. – Bryan completa. – Por que?
— Porque eles sentem falta do papai. – Felicity responde.
— Então, eu e a mamãe estávamos pensando em escolher os nomes. – Bateu a mão no colchão, e ambas as crianças subiram nela, sentando-se de frente para a mãe. Bryan ao lado do pai, e Brooke do outro lado.
— Vai ser tudo menina, papai.
— Não vai não. – O irmão retruca.
— Okay. Nós ainda não sabemos, então vamos escolher três nomes de meninos e três de meninas. – Os dois concordaram.
— Eu tinha um em mente. – Felicity se pronuncia. – De menina. Era o nome que eu ia dar á Brooke, mas acabei mudando quando soube que tinha um menino também.
— Qual, mamãe?
— Kallie.
— Você se lembra. – Oliver fala sorrindo e olha com carinho para a esposa.
— Claro que eu me lembro. – Ela responde sorrindo.
— Eu quero ter filhos. – Oliver comenta. Eles estavam deitados na cama, com Felicity deitada quase inteira por cima dele. Ele a abraçava carinhosamente.
—Você quer? – Ela apoia o queixo no peito dele, e lhe sorri. – Você nunca disse isso antes.
— Eu nunca achei o momento para dizer. – Sorriu. – Eu imagino uma garotinha como você.
— Eu imaginei que você diria que queria um menino.
— Pode ser também. Mas eu quero uma garotinha como você. cabelos negros e olhos verdes, do jeitinho que te conheci, toda rebelde.
— Credo, Oliver. – Ele riu. – Vamos deixar o rebelde de fora, tá? – Ele volta a rir.
— Tudo bem, eu aceito.— Suspira fingindo derrota.
— Você pensa em algum nome para a garotinha?- Felicity pergunta.
— Sim.
— Mesmo? – Ela fica surpresa com a resposta.
— Eu gostaria que nossa filha se chamasse Kallie.
— Muito bonito. Kallie. – Repete o nome em seus lábios. – Perfeito.
— Então estamos combinados?
— Sim. Se tivermos uma filha, colocaremos seu nome de Kallie. – Ele a beijou lentamente, carinhosamente.
— Então o senhor que escolheu, papai? — Bryan pergunta interessado.
— Sim, baby. Foi a muito tempo, eu e sua mãe ainda não estávamos noivos, mas eu já estava para pedi-la em casamento.
—É bonito o nome. Eu gosto. – A irmã concorda. – Então vai ser tudo com "K"?
— Sim. Eu prefiro.
— Então, outro nome de menina, alguma ideia Brooke?
— Uhum. Katie. – Os pais sorriram. – Assim como o término de Kallie.
— Boa escolha, Beev. – E os quatro sentiram o bebê mexer. – Olha, mamãe, eu acho que o bebê concorda. – Os pais riram.
— Sim, o bebê concorda. – Oliver diz. – Isso quer dizer que é ela?
— Parece que sim. – Felicity responde sorrindo.
— Tomara que venha pelo menos um menino. – Os pais voltam a rir. – Vai ser muito injusto ter só eu de menino, ora.
—Tudo bem, escolha o nome masculino.
— Mas mamãe, a senhora disse para escolher três nomes de menina.
— Sim, mas como Kallie quem escolheu foi o papai, e eu só o lembrei, então eu vou escolher o outro. E eu já até sei qual é.
— Qual? – Oliver pergunta, curioso.
— Kristie. Assim como as irmãs, ela terá o mesmo término.
— Eu aprovo. – Ele olha para a barriga. – E você bebê? – Ninguém se mexe.
— O que isso quer dizer, mamãe? Que não aprova, ou que não é uma menina? – Os pais sorriram.
— Vai saber, filho.
— Tomara que seja a segunda opção. – Os pais riram.
—O nome, filho. Qual vai escolher?
— Na escola, os professores mandaram a gente achar significados de nomes, e eu achei dois bem legais. Kyle e Kanne.
— Eu gosto desses dois nomes. O que acha Beev? – Oliver pergunta a filha.
— São bonitos, sim. Mas eu acho que vem tudo menina, então não adianta escolher. – Os pais balançam a cabeça com um sorriso nos lábios.
— Vou fingir que nem te ouvi. – Bryan diz, fazendo um bico.
— Então fica assim, quando soubermos os sexos dos três, decidimos quais desses nomes será. – Felicity dá a ideia, passando a mão na barriga.
— Combinado? – Oliver completa.
— Combinado. – As crianças gritam rindo entre si, enquanto seus pais sorriam.
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Felicity esperava o marido sair do banho. Ela estava inquieta. Agoniada. Ela sentia uma sensação que não conseguia definir se era boa ou ruim. O marido estava deixando-a maluca, com aquela demora. Ela precisava dele. E urgente. Ela passou a mão na barriga. Ela já tinha sentido aquela sensação antes. Mas agora estava muito pior. Estava maior. Era difícil de se conter. Com os gêmeos ela não tinha sentido aquilo. Não naquela proporção. Nunca naquela proporção. Parecia que nada que ela comia, sustentava. Nada que comia, fazia aquela vontade, aquela sensação, passar. Ela ouviu o chuveiro ser desligado, e se aliviou. Até mesmo fechou os olhos, dizendo mentalmente um “Graças a Deus”.
— Oliver. – Chamou quando ele saiu do banho, apenas de short de dormir.
— Hum?
— Estou com desejo. – Ele a olhou nos olhos.
— Desejo?
— É. E é muito forte, preciso agora. – Ele se aproximou.
— Por favor, me diga que não é nada que precise me fazer sair de casa. — Oliver diz jogando os ombros pra frente desanimado.
— Não. Acho que temos os ingredientes aqui.
— Ingredientes? – Suspirou. – Você quer que eu faça?
— A não ser que queira ir procurar.
— Okay. – Ela sorriu. – Espera. É algo nojento?
— Nada que eu como é nojento. — Felicity retruca.
— Meu estômago discorda. – Ela riu. – Me diz o que quer.
— Quindim com Nutella. – Oliver fez uma careta.
— O que você não me pede sorrindo, que eu não faço chorando. – Ela volta a rir, e o seguiu para fora do quarto.
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Oliver, Felicity e os filhos estavam no supermercado. Mesmo que Alissa sempre fizesse as compras, naquele dia, por causa do calor, e da agonia que a esposa estava sentindo, Oliver decidiu que eles mesmos fariam aquela tarefa. E estava sendo uma alegria para os filhos. Bryan e Brooke achavam que era uma festa. Tudo que eles queriam, jogavam no carrinho, para o desespero da mãe e a diversão do pai. A cada sessão que eles passavam, era um punhado de besteira que eles colocaram no carrinho. Como os filhos nunca tinham tido aquela experiência, ele deixaria que tivessem ela pelo menos naquele dia. Ele ria quando a esposa o olhava, pedindo para que ele dissesse algo. E quando ele não dizia nada, ela o fuzilava. Ela poderia falar alguma coisa, impedir os filhos, mas ela também não tinha coragem. Era a primeira vez que eles iam a um supermercado. Mesmo quando eles estavam se escondendo de Cooper, ela pedia as compras por telefone. Oliver observou a esposa quando os filhos abriram o refrigerador.
— Não vai dizer nada? – Perguntou, já sabendo a resposta.
— Não. Você não disse nada até agora. — Oliver diz rindo.
— Essa não é a resposta certa. – Riu. – Você só não está reclamando, porque essa é a sua sessão preferida.
— Mamãe, sorvete de Chocomenta! – Entregou o pote para a mãe.
— A gente pode levar um de cada sabor?
— Você quer tomar café-da-manhã, almoçar, lanchar e jantar sorvete, garoto? – Ele riu.
— Eu acho que a gente deve levar um de cada sabor. – Oliver a olha com o cenho franzido. – — Você sabe que eu preciso de pelo menos um pouco de sorvete todos os dias.
— Se eu levar, você primeiro vai me prometer que não vai levantar de madrugada para tomar dele. – Ela fez um biquinho. – Prometa.
— Mamãe, é pegar ou largar. – Ela olha indignada para o filho.
— Ouviu seu filho, né?
— Mamãe, promete logo, eu quero levar todos. – Oliver riu.
— Você está usando até nossos filhos?
— Eu? Claro que não, meu amor. – Beijou os lábios dela lentamente.
— Papai, a gente está aqui, tá? – E o casal não pôde deixar de rir ao ouvir o filho.
— É. Respeita a gente.
— Okay. – Arrastou a palavra.
— Eles são mesmo seus filhos, né?
— Felicity, nós ficaremos aqui até você me prometer.
— Okay, okay. – Brooke começou a dar pulinhos animados. – Eu prometo. Seu chantagista.
— Eu não me importo nenhum pouco em ser chamado assim. – Se virou.
— Você adora mandar em mim.
— Eu amo cuidar de você. – Corrigiu, olhando-a nos olhos, ao se virar novamente para ela.
— É. E a gente também.
— Mamãe, muito doce faz mal. A tia Cait disse que a mamãe e os bebês podem ficar doentes.
— Cait é uma linguaruda.
— Ela fez bem em dizer isso para nossos filhos. – Olhou para as crianças. – Agora que sabem disso, fiquem de olho e não deixem a mãe de vocês extrapolar no doce.
— Sim senhor. – Dizem juntos, fazendo os pais rirem.
— Tô de olho, hein mamãe! – Apontou dois dedos da mão direita, dos próprios olhos para os olhos da mãe. Achando graça, Felicity faz o mesmo, sorrindo.
— Papai, agora que a mamãe já fez a promessa… nós podemos pegar os sorvetes? – E novamente os pais gargalharam.
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Oliver estava extremamente cansado, mas sabia que a esposa estava muito mais. Ela não tinha conseguido dormir nem por meia hora, depois que se deitaram. Os bebês mexiam muito, e não a deixavam dormir. Se ele não tivesse sentido a esposa se mexer a todo momento, ele não saberia sobre aquilo; já passava da 1h da manhã quando percebeu isso. Ele sabia que ela não queria incomodá-lo ou preocupá-lo, mas não gostava de saber que ela lhe escondia coisas. Suspirou. Os bebês mexiam demais. Agora mesmo ele sentia cada um deles se mexer, até mesmo sua pequena Lady; mesmo não sabendo se é menino ou menina, ele a chamava dessa forma, por seu jeito calmo. A esposa já estava irritada, além de exausta, e não poderia culpá-la. Não conseguia pregar o olho, e isso a cansava extremamente. Pensando em uma forma de ajudá-la, ele colocou os lábios perto da barriga elevada, enquanto continuava com as carícias.
— Ei, filhotes, ouçam o papai, tá? – Felicity o olhou, com os olhos lacrimejados de cansaço. – — Eu sei que gostam de mexer muito, em especial minha pequena boxeadora, mas que tal dormir um pouquinho para deixar a mamãe descansar? – Felicity pisca algumas vezes ao perceber que eles haviam parado de se mexer. – Ela quer muito dormir, e precisa estar bem descansada para poder cuidar de vocês...então deem uma folguinha. – Ele olhou para a esposa. – Vocês não gostam de ver a mamãe triste, não é? – A calma bebê que eles haviam decidido dar o nome de Killie, deu um chute. – Vou entender isso como um "sim". – Diz sorrindo. A esposa também sorriu. – Vou confiar que deixarão a mamãe dormir seu sono da "beleza". – Brincou e Felicity riu. – Obrigado, baby's. Amo vocês. – Oliver termina o papo com os filhos e olha para a esposa.
— Acho tão fofo quando fala com eles. — Felicity comenta, piscando longamente, o cansaço a dominava por completo.
— Não vou reclamar do fofo dessa vez. – Ela sorriu. – Está melhor?
— Uhum. Eles... pararam. – Ele havia percebido
— Eles querem que durma.
— Ainda estou agoniada.
— Por que?
— Eu não sei dizer o porquê. – Os olhos dela voltam a lacrimejar.
— Baby, feche os olhos. – Beijou a bochecha da esposa. – Tente não pensar em nada, tente relaxar. – Voltou a acariciar a barriga dela. – Eu estou aqui, com você zelando pelo seu sonho. Cuidando de vocês quatro. Relaxe, baby. Você só precisa relaxar, e ouvir a minha voz. Apenas a minha voz, e o meu toque. Sou eu ao seu lado, e serei eu pra sempre. – Ele percebeu que ela dormia pelo respirar dela. – Boa noite, meu amor. – Beijou sua bochecha. – — Boa noite, meus filhos. – Beijou a barriga e se deitou, sem deixar de abraçá-la.
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Felicity ouvia as vozes do marido e dos filhos. Sorriu ao ouvir as crianças gargalharem, e em seguida Oliver fazer um “shiii” e dizer “a mãe de vocês ainda está dormindo”. Respirou fundo. Seu corpo doía um pouco, mas não tanto quanto sentia ele doer naquela madrugada. Não sabia quanto tempo depois de ouvir a voz do marido, ela dormiu, mas soube que tinha feito efeito, como todas as outras vezes. Felicity se sentou e devagar caminhou até o banheiro, onde tomou um banho longo e quente. Escolheu uma blusa larga de mangas, na cor rosa, uma jardineira jeans escura, e calçou uma sandália de dedo, na mesma cor da blusa, e caminhou para fora do quarto. Ela descia as escadas quando terminava de amarrar os longos cabelos em um rabo de cavalo.
— Papai, põe mais queijo. – Ela escuta a voz do filho reclamando.
— Não. Não põe não. Muito queijo é ruim. – Sorri quando escuta a filha retrucar.
— Bry, a mamãe não está muito bem com o queijo essa semana, então vamos colocar pouco nessa. Você come da outra. – E o menino concordou.
— A mamãe está dormindo até agora.
— Ela está cansada.
— A mamãe teve pesadelo? – Felicity parou no mesmo instante e olhou para a feição do marido, que desviou os olhos da lasanha para o filho.
— Não. Ela só não conseguia dormir. Seus irmãos estavam mexendo muito.
— Tanto assim? – O pai assentiu. – Até mesmo a Kallie?
— Ela também, por incrível que pareça.
— Ela está aprendendo com a boxeadora. – E até mesmo Felicity sorriu, ao ouvir a filha.
— Já pensou, papai, se ela vira boxeadora de verdade?
— Ah, credo.– Oliver diz, franzindo o cenho. A imagem de uma garotinha, batendo em todos o assustou.
— Ela vai bater até em você. – O menino diz, rindo.
— Não vai não. O papai e a mamãe não deixariam, e eu sou a mais velha. – Brooke diz.
— Eu sou o mais velho. – A irmã revirou os olhos e Felicity riu, o que fez chamar a atenção dos três para ela.
— Mamãe. – Os gêmeos correm para abraçá-la.
— Você está com fome, mãe? A gente está fazendo lasanha de carne, do jeito que a senhora gosta.
— E com pouco queijo. – Brooke completa.
— Estou com muita fome. – Respondeu, beijando os cabelos dos dois.
— Dormiu melhor? – Oliver pergunta analisando o corpo da esposa e sorrindo ao voltar a olhar seu rosto.
— Dormi. – Sorriu, e beijou a bochecha do marido. – Obrigada. – Ele sorriu e a beijou rapidamente, nos lábios.
— Sempre que precisar, baby. – Oliver pisca fazendo Felicity olhar para o chão constrangida.
— O papai disse que foram os irmãozinhos. – Bryan comenta
— Eu ouvi a conversa de vocês. E que história é essa da boxeadora bater na sua irmã? – Felicity pergunta.
— Mamãe, já pensou se não forem meninas?
— A Kallie gosta que a chame assim. – A irmã retrucou.
— E a boxeadora também. – Oliver completar, chamando a atenção dos filhos.
— Você mudou de assunto. – O filho riu. – Que história é essa da boxeadora bater na sua irmã? – Volta a perguntar.
— Ah, mamãe, pelo jeito ela vai ser mais forte que a Brooke. – Respondeu, dando de ombros.
— Não vai ensinar seus irmãos a fazer coisa errada. – O menino riu. – Você anda muito implicante.
— Não ando nada. – Cruza os braços. – Só que é legal deixar a Beev irritada. – Oliver riu.
— Eu adorava fazer o mesmo com a Thea. – Felicity revirou os olhos.
— Tal pai, tal filho. – Felicity diz fazendo os outros sorrirem.
— Mamãe, espero que o Kyle/Kane não seja implicante como o Bry, ou minhas irmãzinhas estarão ferradas. – E os pais riram.
— Vocês insistem em chamá-los dessa forma, que estou começando a me acostumar. – Oliver sentia-se da mesma forma.
— Vou ensinar isso para ele, só porque você reclamou de mim. – Bryan provoca, fingindo estar ofendido.
— Irritante. – O menino deu de ombros.
— Vocês dois estão aprendendo isso com quem? – Felicity pergunta quando vê a implicância entre os filhos. Eles estavam demais.
— Ele começa sempre, mamãe. Lyon quem sempre me defende. – Brooke respondeu.
— Só ele para aguentar suas frescuras. – Bryan diz revirando os olhos. Ele estava “perdendo” o amigo para a irmã.
— Ah, não. – OLiver diz bufando. Felicity riu ao ouvir o marido. – Não é possível, que sempre tem que colocar o mini Merlyn no meio.
— Como assim, papai? – Brooke pergunta confusa com a resposta do pai.
— O papai acha que você está grudada demais no Lyon. – Bryan diz de braços cruzados. – E ele não gosta disso, porque acha que você tá namorando.
— Garoto, onde ouviu isso? – Oliver o olhava incrédulo.
— Ouvi o papai conversando com o tio Tommy, o tio Barry e o tio Ray. – Deu de ombros. – E na verdade, papai, é mesmo estranho.
— E você não? Por que só eu? – Brooke questiona irritada. Felicity deu um beijo na bochecha da filha.
— Porque você é a princesinha do seu pai. – Felicity responde sorrindo. – E ele tem ciúmes de você. – Oliver revirou os olhos. – E mesmo que não fale, tem do Bry também.
— De mim?
— Sim. Você vive falando da Kitty. – Felicity foi a única a perceber o filho corar, e ela achou fofo. – Eu acho muito fofo você defendendo-a, e cuidando dela, como você cuida da sua irmãzinha.
— Mas é estranho, porque com ela você não implica. – Brooke lembra. Oliver riu, assim como a esposa.
— Ele implica porque isso é coisa de irmão mais velho, filha. Todo irmão mais velho faz isso com o irmão mais novo. – Oliver explica para a filha.
— Mas a gente tem meia hora de diferença, papai. Que injusto. – Os pais riram.
— Sou o mais velho de qualquer jeito. Nasci primeiro. – Ela fez um biquinho.
— Ele implica com você, mas te ama, querida. – Felicity diz fazendo carinho nos ombros da filha.
— É, é... – Oliver segurou uma risada. – Mesmo sendo fresca. – Bryan quase foi ao chão quando a irmã o abraçou com um sorriso enorme nos lábios. – Por que você sempre faz isso? – Ele não a empurra, mas tinha um biquinho fofo nos lábios.
— Eu gosto de abraços, amo você, e por isso faço isso. – Os pais sorriram.
**--**
Felicity passava a mão na barriga. Em frente ao espelho do closet, apenas de lingerie preta ela alisava a barriga enorme. Já estava muito redonda, ela às vezes achava estranho, mas em alguns momentos, como aquele, ela amava. Ela sentia os três chutarem, em especial sua bebê Katie/Kristie. Essa chutava mais que os irmãos. Como Oliver dizia, ela seria lutadora de boxe. Atrás dela, vinha o chute forte de Kyle/Kane. Ele também chutava forte, assim como a irmã. Mas Kallie, ela era a mais calma. Muito calma, quase não se mexia. Era uma verdadeira princesa. Eles não faziam ideia do porquê chamá-los daquela forma, sendo que não tinham certeza de que eram mesmo duas meninas e um menino, mas era como se sentissem. Os bebês mexiam muito quando eles os chamavam daquela forma, e por isso, desde então, não pararam mais de fazê-lo. Quando ela sentia seus filhos mexer, o medo aterrorizante que sentia, de que algo poderia acontecer a eles, passava imediatamente. Sempre que ouvia o marido falar nossos filhos, ela sentia seu peito encher de felicidade. Ela sentia uma emoção tão grande. Ela sentiu o mesmo quando o ouviu dizer na época em que o reencontrou.
Ela sentiu o chute forte do seu único garotinho e em seguida o da sua boxeadora, e por isso sorriu, continuando com aquele carinho na própria barriga. Ela sabia que eles sentiam, e por isso eles chutavam. Mas chutavam mais ainda quando ouviam ela, Oliver ou os gêmeos falarem com eles. Em especial seu marido e seus filhos. Toda vez que ela saia de casa, com Oliver ou sem Oliver, não importa por quantos minutos, era aterrorizante. Ela pensava em tudo de ruim, e ela sabia que não deveria, afinal, seus filhos também sentiam. Ela nunca falou sobre aquilo para o marido, não queria deixá-lo agoniado, mas ela sentia medo. Sentia que algo poderia acontecer. Tentava o máximo não sentir aquelas coisas, mas era quase impossível. Respirar fundo várias vezes ajudava por alguns minutos.
Felicity sorriu ao sentir Kallie chutar. Ela tinha sentido seu pensamento, tinha certeza, e por isso decidiu que não pensaria sobre aquilo. Tinha certeza que Kallie seria a mais sensível dos irmãos. Ela chutava toda vez que ela sentia que a mãe estava triste, feliz ou temerosa. Era sempre nesses momentos, o que fazia os pais dela ficarem emocionados. Katie/Kristie e Kyle/Kane chutavam a todo momento, em especial quando ouviam os pais e os irmãos falarem com eles; apesar de Felicity nunca dar nomes aos outros dois bebês, era assim que ela citava quando pensava neles. Chamaria como? Bebê um e bebê dois? Riu de seu pensamento. Suas preciosidades. Era assim que se referia a eles, mesmo que apenas para si mesma. Nunca tinha falado daquela forma perto dos outros. Era algo apenas dela. Durante aqueles anos todos que ela fugia de Cooper, ela jamais imaginou que estaria naquela situação novamente. Tinha prometido a si mesma que não teria mais filhos, e olha como a vida era. Ali estava ela, grávida pela segunda vez, do mesmo homem, dessa vez de trigêmeos. Sua vida mudou completamente, de uma forma que ela não imaginou que poderia acontecer. Ela estava tão feliz por ter acontecido daquela forma, por ter reencontrado o marido, por ter tido a chance de se casar com ele, por ter engravidado novamente.
— Oi, meus filhos. – Ela começa, olhando para a barriga pelo espelho. – Eu sei que vocês têm sentido o que eu venho sentido. Mas não se preocupem, eu sei que vamos ficar bem. Vocês têm o melhor papai do mundo. Tenho certeza de que vocês sabem disso. – Sorriu ao sentir os três mexer. – Estão com saudades da voz do papai, não estão? Ele deve chegar logo. E sei que com a voz deles, vocês, assim como eu, se sentirão melhor. – Respirou fundo. – O papai de vocês estará sempre protegendo agente, e não deixará que nada aconteça com vocês. – Eles não pararam de mexer desde que ela começou a falar. – E eu também, vou proteger vocês de qualquer jeito, de qualquer forma. Porque vocês são minhas preciosidades. Meus bebês lindos, que eu nunca pensei que poderia ter. Eu e o papai seremos suas armaduras, ninguém vai se atrever a encostar em vocês. Nunca. – Ela caminhou para fora do quarto. – Ah... – Diz, no meio do quarto. – E por favor, não digam nada sobre eu ter tomado um pote de sorvete sozinha, okay? E muito menos sobre termos do almoçar no “Starbucks Coffee”. Vocês sabem como ele é, eu vou ouvir aquele sermão de uma hora, e não queremos isso, certo? Estarei em apuros se o papai souber. – Conta, sorrindo.
— Se eu souber sobre o que? – Ela olhou para onde veio a voz, e encontrou o marido encostado no batente da porta.
— Oliver. Não sabia que já tinha chego.
— Faz pouco tempo. Os gêmeos foram tomar banho. – Caminhou até ela. – Me responda. – Ela balançou a cabeça. – Não escondam nada do papai, filhos. – Pede, colocando as mãos na barriga da esposa, e sentiu eles mexerem. – Uhm..., então a mamãe está escondendo algo do papai?
— Não mesmo. — Felicity diz apertando os lábios.
— Eles estão chutando muito, então eu vou entender o que disse para mim, como uma mentira.
— Oh, você está chamando a mãe dos seus filhos de mentirosa? – Fingiu estar indignada. – Ouviram, bebês?
— Não aprendam a mentir, meus filhos. — Oliver diz arqueando a sobrancelha em desafio para a esposa.
— Oliver. – Ele riu ao ouvir a repreensão.
— Você está ensinando nossos filhos a mentir e esconder coisas de nós. – Ela suspirou.
— Okay. Chantagista. – Ele riu.
— A mamãe não gosta de ouvir verdade, aprendam. – Ela o olhou incrédula, e ele segura uma risada, voltando a falar com os filhos. – Aprendam também a sempre dizer a verdade, mesmo quando fizerem algo errado. – Olhou para a esposa.
— Não fiz nada de errado. — Felicity se defende.
—Não? Tem certeza? – Ela mordeu o lábio. – O que almoçou?
— Ahmm... eu… – Gaguejou olhando para a porta
— Não minta. Nossos filhos estão ouvindo. – Ela suspirou alto.
— Três coxinhas do Starbucks Coffee. – Finalmente diz fechando os olhos.
— Não acredito, Felicity! – Ela se encolheu ao ouvir a voz rouca, e irritada do marido. – Eu deixei almoço pronto.
— Mas eu fiquei com vontade. – Diz soltando os ombros, sua cabeça se encosta no peito do marido.
— Você não pode comer só o que tem vontade, Felicity. Isso te faz mal, e aos nossos filhos. – Repreende. — Será que eu vou ter que te levar comigo para a empresa, para fazer comê-la de forma certa? – Os olhos dela lacrimejaram, e ele suspirou ao perceber que exagerou. – Me desculpa por falar desse jeito, baby. – Passou a mão no rosto dela. – Eu sei que exagerei, mas você me deixa nervoso quando come mal.
— Me desculpa. – Felicity pede.
— Só… não faça mais isso. – Ela balançou a cabeça. – Eu quero que fique bem. Você e nossos filhos. Não quero que nada de mal aconteça com vocês, baby.
— Eu sei. Eu que errei em fazer isso. – Ela passou a mão no lado esquerdo do rosto, limpando a lágrima que descia. Maldito sejam os hormônios.
— Tente comer melhor. Não fique comendo coisas que pode fazer mal à sua gravidez.
— Tudo bem. – Ele beijou a bochecha dela.
— Eu sei que às vezes você tem esses desejos doidos, e eu entendo eles, mas se esforce para comer coisas saudáveis, para compensar as coisas nada saudáveis que comeu.
— Você está certo. Eu tenho que pensar no bem dos bebês.
— E no seu bem. Mamãe saudável, filhos saudáveis. – Ela sorriu fraco, e ele a beijou de leve nos lábios. – Eu trouxe aquele macarrão que você adora.
— La Crown? – Os olhos dela brilharam, dessa vez de ansiedade.
— La Crown. – Oliver diz revirando os olhos e sorrindo com a animação da esposa.
— Obrigada. – Ela o beijou e Oliver pediu passagem para a língua dela.
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Oliver beijava o pescoço da esposa, lentamente, de forma provocante, tentando fazer com que ela deixasse aquele hidratante de lado. Mesmo sendo tentador, ela não parou de passá-lo no corpo. Sentada na cama, com o marido por trás, ela sentiu uma das mãos dele subir em sua coxa, fazendo-a se arrepiar. Ele sabia que com a gravidez, ela estava cuidando ainda mais do próprio corpo, mas ele queria muito atenção. Os filhos assistiam TV no quarto ao lado, e mesmo com a porta aberta, Oliver passou a mão no seio da esposa por cima do sutiã. Felicity arfou e mordeu o lábio, tentando se concentrar no que estava fazendo. As mãos dele brincavam com seu seio e a coxa direita, de forma provocante. Como era difícil se concentrar, com ele fazendo aquilo.
— Oliver. Pare. – Pede, com a voz baixa.
— Por que? – Pergunta mordiscando o lóbulo de sua orelha.
— Porque eu preciso terminar com isso. – Responde suspirando.
— Você pode terminar depois. – Ela arfou ao sentir os dedos dele descerem até seu sexo.
— Oh, Deus.
— Não. Não é Deus não. – Mordiscou o pescoço. – É o seu marido mesmo.
— Nossos filhos estão no quarto ao lado. – Felicity lembra.
— Eles não vão vir aqui tão cedo. – Ela gemeu e ele sorriu. – Tão linda. – Sussurra no ouvido dela, enquanto brincava com o sexo dela, com um dos dedos.
— Oliver. – Geme, e ele sente seu membro pulsar.
— Vira pra mim. – Ele pede, e ela o faz bem devagar. – Tão perfeita.
— Mesmo estando gorda?
— Meu amor, você está carregando os meus bens mais preciosos... – Passou as mãos no rosto dela de forma carinhosa. – Você está linda assim. Perfeita. Maravilhosa. – A cada adjetivo, um beijo. – Minha. – O beijo dessa vez foi urgente. Ele tinha a mão esquerda nos cabelos loiros, e ela tinha ambas as mãos nos dele, enquanto sugava a língua dele com tanta vontade quanto ele fazia consigo.
— Papai. Mamãe. – Felicity se afastou rapidamente.
— Tá de brincadeira. – Oliver rosna. Que péssimo timing seus filhos tem.
— Oliver. – Ele suspirou.
— Esperem um pouco. – Gritou. Felicity andou o mais rápido que conseguiu, até o banheiro e vestiu a roupa que tinha separada lá dentro. – Podem entrar. – Diz ao ver a esposa com a camisola azul marinho. Eles viram as crianças entrando no quarto.
— Estamos com fome. – Dizem juntos.
— Como é? Vocês estão o que? – Eles riem da forma como o pai diz. – Vocês são um poço sem fundo. – Eles voltam a rir, e Felicity sorriu. – Acabaram de jantar.
— Papai, já faz duas horas. – Oliver franziu o cenho.
— Isso não é uma justificativa. – Felicity riu. – Não é possível que estejam com fome depois de comerem a batata gratinada...
— Que você tinha feito para mim. – Felicity completou rindo.
— O peixe de caldo, e o sorvete. – Termina de falar. – Como é que pode?
— Ah, pai, estamos em fase de crescimento. – Brooke diz. Os pais riram.
— Eu e a Beev queremos batata sauté, com carne de molho. – Bryan informa olhando para a irmã que assentiu sorrindo.
— Eu vou fazer e depois disso, vocês vão tomar suco com soninho, e vão dormir. – Felicity riu. – Porque definitivamente, vocês não vão comer mais nada hoje.
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