Cross Destination
45 Capítulo Quarenta e Cinco
Notas iniciais
Oliver não conseguia pensar direito durante o longo caminho até a mansão. Ele estava tão irritado, tão possesso, que não havia percebido o quão estranhamente longo estava aquele caminho. Raiva não o definia completamente, sentia um ódio grande demais, Todas as coisas que gostaria de falar para ela, estava entalado em sua garganta, e se não se acalmasse, acabaria sendo bruto de uma forma que ele nunca foi, e apesar de a mãe merecer, ele sabia que não seria o certo a se fazer. O Queen não queria acreditar. Mesmo depois de tudo que ela fez, ele não queria acreditar que sua mãe era a culpada de ele nunca ter sabido dos gêmeos. Ele nunca poderia imaginar que ela era a culpada. Que ela tinha escondido uma carta endereçada a ele. Quando sua irmã chegou no apartamento dizendo que achou algo importante, ele jamais imaginou que tinha sido a carta. A carta que Felicity tinha dito que havia lhe enviado; ele nem mesmo estava lembrado dela. Sua irmãzinha achou nas coisas da mulher que deveria ser a mãe deles. Não queria acreditar, mas ele confiava em sua irmã, e confiava em sua esposa. Ela tinha suspeitas e não contou por não ter provas. Moira, a mulher que lhe deu a vida, escondeu a carta que por mais de seis anos, e nunca revelou tal coisa a ninguém. Como ela pôde? Que tipo de mãe faria isso com o próprio filho? Ele balançou a cabeça, pensando já deveria ter imaginado. Quem mais faria tal coisa? Já era de se esperar. Sua esposa tinha mandado a carta contando sobre seus filhos, e tinha sido entregue nas mãos de alguém. De alguma forma, sua mãe conseguiu pegar, e esconder por todos aqueles anos.
Oliver estaciona o carro de qualquer jeito, e seus seguranças fazem o mesmo, atrás do carro dele. Eles descem, mas não entram com o amigo. Sabiam que ele estava revoltado, possesso com o que tinha acabado de descobrir. Oliver percebeu que a porta estava aberta e entrou sem avisar a ninguém, direto para as vozes que ouvia; a sala de jantar.
Como alguém poderia destruir a vida do próprio filho? Como pode vê-lo sofrer, e não fazer nada? Ela sabia onde Felicity estava em todos aqueles anos, sabia que ela estava grávida dos gêmeos, e nunca contou. Ela sempre soube. Ele não conseguia compreender como uma mãe poderia fazer tal coisa. Ela não destruiu só a sua vida, ela destruiu a de sua esposa, e de seus filhos. Eles passaram por um inferno, por culpa de Cooper, mas sua mãe tinha uma parcela de culpa também. Se ele soubesse onde estava Felicity, ela nunca teria sido perseguida pelo maldito, porque ele teria ido até ela, explicado tudo, e a levado de volta para a casa deles. Teria ouvido os coraçõezinhos dos gêmeos juntos, teria visto o nascimento deles, teria visto os primeiros passos e as primeiras palavras. Tudo aquilo era culpa de sua própria mãe.
Oliver parou na porta da sala de jantar, mas nem seu pai e nem Moira o viu. Eles estavam conversando, rindo, se divertindo E ele se perguntava quem era aquela mulher a sua frente. Walter ficaria decepcionado. Ele sofreria, e isso era terrível, porque não era o que Oliver desejava. Mas também não poderia deixar de colocar tudo a pratos limpos. Ele merecia saber, e Oliver também merecia saber tudo da boca dela. Quanto mais ele pensava em tudo aquilo, mais ódio ele sentia. Ele já sentiu muitas coisas pela mãe, mas ódio, nunca foi um deles. Era a primeira vez que sentia aquele ódio tão grande e tão forte, pela mulher que lhe deu a vida.
— Querido. – Ele viu o sorriso dela, mas só sentiu mais raiva do que já sentia. Quantas vezes ela não lhe deu aquele mesmo sorriso, enquanto escondia várias mentiras por trás dele. – Você veio jantar conosco? Vou pedir para colocar outro prato.
— Sente-se, filho. – Walter diz com um sorriso, apontando para a cadeira ao seu lado.
— Eu não vim jantar. Eu vim resolver um assunto muito importante com a minha querida mamãe. – Diz, completamente sarcástico, fazendo os presentes à sua frente, ficarem curiosos
— O que, exatamente, filho?
— Pai, você sabia que a sua querida esposa sabia por todos esses anos, que Felicity estava grávida? – Walter franziu o cenho.
— Do que Oliver está falando, Moira? – Ela estava completamente nervosa.
— Eu não...
— Sabia também, que Felicity me mandou uma carta avisando de tudo, e minha mãe a interceptou?
— Você escondeu uma carta de Felicity para seu filho? – Moira não pôde responder, pois Oliver a interrompeu.
— Ah, ela fez isso. Ela interceptou, leu, e escondeu de mim. Ela fingiu nunca saber onde estava minha esposa. Ela viu eu procurar por Felicity, anos após anos, tentando me desculpar..., tentando me explicar..., ela viu como eu estava infeliz, como eu me sentia em relação a tudo o que houve, e mesmo assim... – Rosnou a última frase. – Mesmo assim não disse nada. Nenhuma palavra.
— Você não pode me acusar, Oliver...
— Eu posso sim! – Gritou, interrompendo-a. – E eu vou. Você fez todas essas maldições. Transformou a vida da minha mulher em um inferno, me fez viver em um inferno. Eu. Seu próprio filho. – Volta a alterar a voz. – A mulher que me colocou no mundo, que deveria me amar..., que deveria querer minha felicidade, que deveria pensar no que eu quero, e não no que ela deseja..., me apunhalou pelas costas. Não contou que eu seria pai. – Passou as mãos nos cabelos. – Só porque Felicity não tinha o Status que você desejava. Que não era alguém de nome importante, de sangue azul. Não é mesmo? – Walter ouvia tudo, sem saber como se pronunciar diante daquilo. Ele estava não só surpreso, mas indignado. Ele a perdoou por tantas coisas, mas aquilo ele não poderia. Era seu filho. Não tinha seu sangue, mas ele era seu filho. – Isso tudo é mais importante que seus filhos? – Pergunta indignado. – A porra de um Status é mais importante que a felicidade de seus filhos? – Volta a gritar, mas assim mesmo, Moira mantinha sua postura séria, como se nada a abalasse.
— Olhe os modos, Oliver. – Diz calmamente. – Não se grita com sua mãe, pensei que tinha lhe ensinado isso.
— Que se dane os modos. – Grita raivosamente. – Sua palhaçada me fez perder muitas coisas. Me fez ficar longe da mulher que eu amo por mais de seis anos, me fez perder seis anos da vida dos meus filhos.
— Eu lhe fiz um favor. – Oliver a olha incrédulo, e Walter demonstra a mesma feição. – Ela não serve para você. Nunca serviu e nunca servirá. Você acha que ela é perfeita pra você, mas não é. Você poderia ter coisa melhor.
— Coisa melhor? – Grita mais uma vez, jogando as mãos para o alto, indignado. – Ela é a pessoa mais importante da minha vida.
— Mais importante que sua família? Mais importante que seus pais e sua irmã?
— Sim! – Responde sério. – Ela é. Eu amo a Thea, o Walter, mas eu amo mais ainda Felicity e meus filhos. E por sua culpa eu perdi tanto...
— Você se apaixonou por uma meretriz. – Diz, calmamente, como se o filho não estivesse lhe gritando a poucos segundos. — Você está completamente cego. Ela deve ter usado seus poderes de sedução para conseguir te laçar desse modo.
— Tome bastante cuidado com o que diz sobre ela. – Grita mais uma vez, incontrolável, com ódio, batendo as mãos na mesa, com força. – Lave a sua boca imunda quando for falar sobre a minha mulher.
— Oliver, se calme, filho. – Walter pede, preocupado.
— Não me peça o impossível. – Mesmo que seu pai não tivesse culpa, ele não pôde controlar sua voz. – Ela tirou tudo de mim, por anos eu fiquei transtornado. Eu sofri o diabo, por não saber o paradeiro da mulher da minha vida e ela não fez nada, mesmo tendo armas na mão para me ajudar. Tudo por pura futilidade. – Diz, revoltado.
— Eu só queria o seu bem, e você me desprezando. – Se fez de ofendida.
— Meu bem? – Volta a gritar. A cada frase que sua mãe pronunciava, mas ele ficava transtornado. Mais seu corpo tremia de ódio. — Meu bem? Você tem coragem de dizer que fazia tudo isso para o meu bem? Você é totalmente desequilibrada.
— Oliver. – O repreende, mas ele não se importa.
— Como você teve coragem de fazer tudo isso, Moira? Com seu próprio filho.
— Quem disse que ela se importa com isso, pai? Ela se importa apenas com o próprio umbigo. – Rosnou.
— Quando você vai enxergar a verdade, Oliver? Você não vê o que eu vejo. – Oliver bufou, bagunçando os cabelos. – Quando vai entender que pessoas como nós, com nossa classe social, não pode se misturar com esse tipo de pessoas?
— Pessoas de que tipo, mamãe? Honestas? Puras? Sinceras? Que amam e se importam mais com os outros do que consigo mesmo? É esse tipo de pessoas que eu não devo me envolver? – Foi sarcástico, fazendo a mãe revirar os olhos, não se importando com o tom do filho. E o Queen ficava mais irritado por ela não se arrepender. – E as pessoas ao nosso redor? São todos boas, honestas, são pessoas confiáveis? Ou são todas corruptas, maldosas, traiçoeira, chantagistas, que só pensam em si mesmos e em status? Pessoas que esconde o cadáver debaixo do tapete. — Deu uma rosada anasalada, balançando a cabeça. — Pessoas que trai o marido, que transforma a vida dos filhos em uma mentira e em um verdadeiro inferno, sem se importar em como eles se sentem? – Ele sentiu o olhar raivoso para cima de si, mas ele não se importa. Ela tinha dito várias merdas, era a sua vez. – Pois é por esse motivo que nunca gostei do tipo de pessoa que você se envolve. Que eu me colocava para fora de casa todas as vezes que eles estavam aqui, falando sobre futilidades, e mantendo suas poses de soberanos. Esse tipo de pessoas eu tenho repulsa. Nojo. Pessoas como você, que não valem a pena. – Ela estava estática. – Fique longe de mim. Longe da minha família. Esqueça que tem filho, porque eu já esqueci que tenho mãe. – Ele se vira, mas a voz de Moira faz com que ele pare de andar.
— Olha só o que essa mulherzinha fez com você! – Ele trincou os dentes, mas não se virou para olhá-la. – Ela está te colocando contra a sua própria família. Sua própria mãe. E eu já esperava isso dela. Era isso que ela queria esse tempo todo, fazer sua cabeça contra mim, te manipular. Helena Bertinelli seria uma esposa ideal, e se você tivesse escutado meus conselhos... – Balançou a cabeça. – Mas não. Você tinha que reencontrar aquele ser desprezível, tinha que se casar com ela e destruir a sua vida. Quando você vai começar a entender que os interesses de sua família têm sempre que vir em primeiro lugar? Ao invés dos de uma vagabunda. Uma mere...
— Cala a boca, Moira! – Walter gritou, interrompendo-a, não aguentando mais ouvir todas as coisas que sua esposa dizia. Estava indignado, revoltado, incrédulo. Aquela não era a mulher que pensou que era. Não era a mulher que amava. – Você é a última pessoa que pode pensar e muito menos falar sobre Felicity. Ela é a pessoa mais honesta que já conheci em toda minha vida. E você..., pelo jeito não é, não foi e nem nunca vai ser esse tipo de pessoa.
— Walter.
— Eu me cansei. Eu tentei, Moira, juro que tentei. Eu pensei que tinha algo bom em você. Que você estava tentando mudar, tentando se redimir. Mas não. Eu fui um idiota. Um tolo. Eu não acreditei quando Oliver e Thea me disseram que eu estava cego de amor. Que eu não estava enxergando a verdadeira Moira. – Balançou a cabeça, demonstrando sua decepção. – Eu estou vendo quem é ela agora.
— Walter, eu...
— Não quero ouvir mais nenhuma palavra. – Interrompe, autoritário. – Tudo o que eu ouvi agora, foi o bastante. Esse jantar termina aqui. – Olhou nos olhos de Oliver. – Eu sinto muito, filho. Eu deveria ter escutado você. – Colocou a mão direita no ombro esquerdo de Oliver. – Mas eu agradeço por não ter escondido isso de mim.
— O senhor merecia saber.
— Eu vou me retirar.
— Walter. – Ela o chama.
— Se não ficou claro depois de tudo que eu disse... – Olhou nos olhos dela. – Eu quero o divórcio. – Ela o olha espantada.
— E eu vou para a minha casa. – Oliver volta a se pronunciar. – Lembre-se. Fique longe de mim e de minha família. Para mim, a partir de hoje minha mãe está morta.
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— Eu disse que ela era uma vaca. – Sara diz para a amiga.
— E eu disse que tinha sido ela. – Laurel chama a atenção dos outros.
— Eu também sabia. Só queria ter provas para não colocar Oliver contra a mãe, sem ter certeza absoluta. – Olhou para a cunhada. – Eu sinto muito, Thea.
— Eu meio que já sabia. Quando Roy me disse que você tinha mandado uma carta e que ela tinha sido entregue..., na mesma hora eu pensei em Moira. – Suspirou. – Era bem a cara dela. Por isso eu comecei a procurar pela casa, quando ela não estava em casa. E hoje, eu tive a sorte de encontrar o fundo falso no cofre que fica dentro do closet dela.
— Definitivamente, sua mãe é pior que a minha. – Ray comenta.
— Minha sogra finalmente nos deixou em paz, mas eu sei o que está passando. – Kara diz, passando uma das mãos no ombro da amiga.
— A minha, pelo jeito, ainda vai fazer da minha vida um inferno. – Felicity diz.
— Ela pode tentar, mas não vai conseguir por muito tempo. – Barry diz. – Alguma hora ela vai perceber o que está perdendo.
— Ela só se importa com o próprio umbigo. – E ninguém retrucou Laurel.
— Eu fico mal pelo Oliver. Ele não merecia passar por isso..., ou você. – Pegou na mão da cunhada. – Deve estar sendo difícil para você, Thea, e eu sinto muito por isso.
— Minha mãe foi o pior com você..., como é que pode não ter ódio dela? – Pergunta, olhando nos olhos da cunhada.
— Sujar meu coração com isso para quê? – Deu de ombros. – Isso não faria mal a ela, faria a mim mesma. Eu não sinto simpatia por ela, mas também não desejo seu mal. Mas também sei que ela vai pagar por tudo que fez.
— Aqui se faz, aqui se paga. – Sara citou.
— E infelizmente..., ela vai colher tudo que plantou.
— Vida desgraçada. – Laurel diz. – Foi isso que ela plantou.
— E eu pensando que Iris era o problema. – Bufou. – Meu problema, não é um terço do seu.
— Por falar na fura olho... – Os outros olharam para Thea. – Ela apareceu depois do que houve?
— Não. Mas também não acho que ela vá ficar sem fazer nada.
— Sinceramente, espero não ter mais problemas com ela. – Comenta depois da esposa.
— O mundo está cheiro de cobras traiçoeiras, e lixos tóxicos. – Roy comenta. – Deus pode voltar, porque o mundo está mesmo acabando. – Todos concordavam com ele.
— E o seu pai? Como estão as coisas com ele? – Felicity pergunta, olhando para Ray.
— Ele está tentando tirar Lira do meu caminho.
— A mulher ainda está na cidade?
— Caitlin, ela vê Killian todo final de semana, achando que vai conseguir alguma coisa com ele. Tenta colocá-lo contra mim, sempre que pode. – Sara responde, explicando a situação.
— O que não dá em nada. – O noivo completa.
— Lira? Quem é essa?
— A mãe biológica do meu filho, Mon–el.
— Ela voltou para nos infernizar.
— Está brincando? – Kara demonstrava indignação. – E o que ela quer com isso?
— Dinheiro. Além de fazer com que Ray perca a guarda de Killian. – Felicity é quem responde.
— Tudo está no nome do meu filho, quem tem a guarda dele tem essas posses em mãos.
— Que vadia. – Kara não consegue segurar.
— Isso aí e muito mais. – Sara concorda.
— É..., eu tenho que concordar com Roy. O mundo está mesmo acabando.
E eles não poderiam estar mais certos. Com tantas vidas sendo ceifadas a troco de nada, pessoas transformando a vida de outras em um inferno, outras pensando só em benefício próprio. Eles se perguntavam como que o mundo ainda estava intacto com pessoas dessa índole. Mesmo que eles conversassem, Felicity estava preocupada. O marido não tinha sequer ligado, e já fazia quase uma hora que ele havia saído. Havia ligado para Mike, e ele avisou que o chefe apesar de transtornado, estava bem. Não gostava quando ele dirigia daquela forma, totalmente possesso. De repente todos olham para o elevador ao ouvir o som vindo dele. Oliver aparece segundos depois, e Felicity se aproxima, aliviada.
— Até que enfim. Eu estava preocupada. – Ele beijou sua testa.
— Como foi lá, Ollie?
— Disse tudo que eu queria ter dito a tantos anos. E agora..., oficialmente... – Suspirou. – Eu não tenho mais mãe. – Os amigos se olharam.
— Ainda bem que eu não moro mais naquela mansão.
— Nosso pai está saindo de casa. – Felicity olha para o marido, penalizada. – Ele pediu o divórcio.
— Ah, Oliver. – Olhou para a esposa, que demonstrava o quanto estava penalizada pela situação de seu pai.
— Coitado. Ele amava mesmo a víbora. – Sara comenta.
— Eu não gosto de vê-lo sofrer também, mas..., não podia esconder dele.
— Se não tivesse contado, eu mesmo o faria. – Os irmãos se olham. – Para onde ele vai?
— Acho que para um hotel. Não conversamos. Ele estava decepcionado, triste..., foi fazer as malas, então eu deixei para falar com ele outra hora.
— Sinto muito por ele. – Felicity diz.
— Walter é uma boa pessoa. – Caitlin diz. – Não merecia isso.
— Não mesmo. Mas na minha opinião..., ele vai ficar melhor sem ela.
— Concordo, Barry. – Oliver abraçou a cintura da esposa. – Vai ser o melhor para ele.
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Felicity estava com os seguranças em volta dela. Ela era agradecida a cada um deles, em especial Gregory. Eles estavam ali para conversar com Oliver e Roy sobre a nova equipe que iria com Kara e Mon–el. Renee, Noah, e outros seis iriam protegê-los em National City, e dessa vez, o casal estava sabendo sobre aquilo. Eles precisavam tomar cuidado depois do que houve com a loira. Não reclamaram, ou se opuseram aquela ideia, na verdade até se sentiam aliviados, porque os dois se preocupavam com a segurança dos filhos e sobrinha. Sara percebeu que Helena estava longe de Oliver, e passou a observa-la. Não sentia mais aquele desconforto ao se ver na presença da morena, e se sentia penalizada pelos sentimentos dela. Ninguém merecia passar por tal coisa. Sara se aproximou mais um pouco de onde ela estava, sem sair de perto de seus amigos, que conversavam com os integrantes da equipe, e viu Michael se aproximar de Helena.
— Você ainda não desistiu do Oliver? – Sara ouviu Michael perguntar para Helena.
— Eu disse que estava tentando, não disse que era fácil. – Retrucou. – É..., complicado quando eu tenho que vê-lo todos os dias.
— Então peça para sair dessa missão.
— Eu não posso.
— Por que não?
— Porque eu fiz uma promessa. – O olhou nos olhos.
— Oliver compreenderia.
— Não foi para ele. – O outro franziu o cenho. – Eu prometi a mim mesma que não deixaria Cooper desgraçar mais ainda a vida..., dela. – Apontou para Felicity com a cabeça. – E daquelas crianças.
— Impressionante.
— Ela não tem culpa de Oliver não me amar. – Suspirou. – Nem ela, nem ele e muito menos os filhos deles. – Suspirou. – Dói muito, é verdade, não posso negar. Me machuca vê-los juntos, mas também não desejo o mal para eles. – Michael não desvia os olhos dela nem por um momento.
— Às vezes as coisas não saem como gostaríamos..., mas isso não quer dizer que seja o fim. – Ela o olhou. – Sempre acreditei que aquilo que virá pela frente é muito melhor do que aquilo que perdemos.
— É. Pode ser. – Abaixou o olhar. – Ficar remoendo o passado, e ficar pensando no que poderia ser..., não vai me ajudar mesmo.
— Não, não vai. Só vai te machucar mais. – Ela assentiu. – Você disse que está se esforçando para esquecê-lo..., então seja forte, logo vai conseguir.
— Eu serei. Vou conseguir esquecer Oliver. – Sara sorriu, pensando que talvez Michael pudesse ajuda-la nisso. – Vou me concentrar em mim, e em tudo que eu tenho para viver.
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— Ouvi uma conversa interessante a pouco. – Sara sussurrou a Felicity quando estavam sozinhas, junto das outras amigas.
— Que conversa?
— Você está escutando a conversa alheia? – Todas riram ao ouvir Laurel.
— Fica quietinha, irmãzinha. – Pediu. – Então, Helena e Michael estavam conversando, e eu acho que ele pode ajudar Helena a esquecer Oliver de uma vez por todas.
— Por que acha isso?
— Pergunta melhor: Ela quer isso?
— Vou responder a vocês duas. Cait, eu tenho certeza disso, porque o Michael a ama. Sempre amou. Laurel, ela quer esquecer o Oliver. E ela disse que vai se esforçar para que isso aconteça.
— Ela disse isso? Com todas as letras?
— Sim, Laurel.
— Oliver disse que Michael já se declarou. – A loira conta.
— Sim, mas Helena já amava o Oliver, e por isso não lhe deu chance alguma.
— O bom é que ela vai largar de ser uma...
— Laurel. – Felicity a interrompe. – Não xingue ela.
— Okay, você está certa. Até porque ela demonstrou não ser uma vadia, quando salvou você e os trigêmeos. – As outras concordaram.
— Se ela quer mudar, se quer mesmo deixar de amar Oliver..., ela merece uma chance. – Cait diz.
— Eu concordo. – Felicity diz. – Não estou dizendo que serei melhor amiga dela, mas se ela está disposta a mudar, então eu dou total apoio.
— Eu ficarei com meus dois olhos bem abertos.
— Irmãzinha, você é tão desconfiada. – A outra deu de ombros.
— Sou assim, e acho que nunca vou mudar.
— Eu tenho certeza. – As outras riram.
**--**
Felicity acordou assim que ouviu o choro de uma das filhas, mas não adiantou apressar o passo para que os outros dois não acordassem, porque assim que ela chegou ao quarto infantil, os irmãos começaram a chorar também. Ela quase chorou junto, pois estava extremamente cansada. Era complicado para ela, cuidar de três bebês, mas não reclamava, ela tinha o marido. Kallie, apesar de chorosa, mais resmungava que qualquer outra coisa, e por esse motivo, Felicity decidiu pegar o mais desesperado de todos, Kyle. Ele não chorava, ele gritava. Oliver entrou no quarto ao mesmo tempo em que a esposa se sentava com o bebê no colo. Ele pegou Katie, e depois de vê-la colocar o filho de forma confortável no seu peito, ele entregou a garotinha, que esperneava de fome.
Estava cansado? Com certeza. Mesmo assim, nunca deixava de ajudar a esposa com os bebês. Ela estava sentada na poltrona confortável, enquanto que ele sentava-se de frente para ela, acalmando Kallie, que voltava a dormir. Ele sorriu. Ela era a mais quietinha de todos. Como sempre dizia, sua Lady. Embora precisasse comer, era raro quando ela acordava para tal coisa, sua esposa sempre a colocava para mamar, ainda dormindo, ao contrário dos outros dois. Kallie se mexeu em seu colo, e começou a resmungar quando a chupeta caiu, mas ela nem mesmo abriu os olhos, apenas esperou pelo pai colocar a chupeta de volta em sua boca. Desviou os olhos para sua esposa, por um breve momento, e pôde vê-la picar algumas vezes, tentando não dormir. Seus filhos tinham os olhos abertos, e uma das mãozinhas em cima do seio.
Quase duas horas depois, ele se levantou para deixar Kallie no berço, e então pegar os bebês que dormiam no colo da mãe. Felicity se arrumou na poltrona, respirando fundo e erguendo os braços para pegar Kallie. Oliver sabia que só o leite em que Katie e Kyle mamaram não daria, e por esse motivo deixou a esposa sozinha, e foi até a cozinha fazer a mamadeira.
Felicity sorriu ao ver que a filha dormia enquanto mamava. Era sempre o mesmo, ela nunca estava acordada quando ia dar de mamar, e se perguntava de quem ela havia pegado todo aquele sono excessivo. A médica havia lhe dito que era normal, que alguns bebês dormiam muito, realmente, mas que ela devia assim mesmo, dar o leite nas horas certas, de três em três horas, mesmo que ela esteja dormindo. E era isso que ela fazia. Os desesperados sempre mamavam primeiro, já que sua Lady parecia não procurar pelo leite. Quando ela a ouvia chorar, podia saber que era por qualquer outro motivo, menos o de fome. Já havia se acostumado. Dos três bebês, ela tinha sido a única a ter cólicas, e graças ao chá que a mãe de Sara e Laurel havia lhe ensinado a fazer, ela não sentia aquela dor insuportável a semanas.
Quando ouviu os passos pesados, soube que era o marido se aproximando com as mamadeiras já prontas. Ele daria para Kyle e Katie, enquanto Kallie ainda mama em seu peito. Ela mamava de forma tão graciosa, que ela ficava encantada. Uma hora ou outra ela parava, por conta do sono, mas logo voltava. Era como se algo lhe dissesse que era hora de parar para respirar, e ela ria ao pensar nisso. Quando percebeu que sua bebezinha havia parado de sugar seu seio, ela se levantou devagar, e a colocou de forma cuidadosa, no berço.
— Olhou a temperatura, né? – Perguntou, pegando a mamadeira verde água.
— Claro. – A viu pegar Kyle e se sentar onde estava antes, colocando o bico da mamadeira na boca do pequeno, que mesmo dormindo, sugou com gosto. Ele riu. – Eles são mesmo seus filhos, não são?
— O que quer dizer? – Arqueou uma das sobrancelhas.
— A fome deles é parecida com a sua e a de Brooke. – Ela revirou os olhos.
— Bryan me disse algo parecido ontem. – O marido riu. – Me pergunto de quem Kallie pegou essa preguiça de abrir os olhos. – Ele volta a rir, mas dessa vez, ela o acompanha.
— Realmente não sei.
— Você deve estar pagando língua por conta de alguém.
— O que? Por que eu? – Ela riu, e então, de repente, Katie resmunga alto quando o pai tira a mamadeira de sua boca. – Okay, pequena esfomeada, me desculpa. – A esposa volta a rir.
Ela mamou quase duas horas em mim..., e agora está mamando 120ml.
— 130, meu amor. – Ela arregalou os olhos.
— Senhor Jesus, hein. – Dessa vez foi ele quem riu. – Kyle também? – Ele assentiu. – Haja aptamil.
— Eu acho que se desse mais, ela tomava, Felicity. – Balançou a mamadeira, enquanto via a filha resmungar por alguns segundos até voltar a dormir.
— Você pode ir se deitar se quiser. – Em seguida, o choro baixo de Kallie se fez presente, interrompendo a resposta de Oliver.
— Eu a pego. – Se levantou, colocando Katie no berço e pegando a outra filha em seguida.
— Mas você está tão cansado.
— Você também está. – Responde, vendo-a se levantar para colocar Kyle no próprio berço. – Eu fico com ela, e você vai descansar.
— Tem certeza?
— Tenho, baby. –Sorriu. – Kallie deve estar com um pouco de cólica, eu fico com ela até ela melhorar. – Explica, balançando-a.
— Qualquer coisa me chama. – Ele assentiu antes de beijá-la na bochecha, e sentar-se onde ela estava sentada, colocando os pés para cima, ao mesmo tempo em que colocava Kallie deitada de bruços em seu peito.
— Te amo.
— Também te amo.
Oliver se volta para a filha quando a esposa saiu do quarto. Apesar de não chorar, ela resmungava e se mexia em seu colo, de forma desconfortável. Ela estava sentindo dor, e ele sentia uma impotência sem tamanho quando a via daquele jeito. Puxou uma coberta infantil que estava do seu lado direito e colocou por cima de sua garotinha, abraçando seu corpinho, tentando deixá-la quentinha, e confortável. Só queria que ela dormisse tranquila novamente, sem aquela dor insuportável atrapalhando-a.
Havia se passado dez dias desde a última cólica, mas essa não estava um terço do que estava no começo. Ela sentia tanta dor que chorava alto e doído. Seu choro ficava estridente em algum momento. Era de apertar o coração, até mesmo os gêmeos ficavam agoniados quando a viam sentir dor e chorar daquela forma. Eles tentavam ajudar, mas era difícil, pois ela não ficava quieta, por conta da dor, e não deixava ninguém além dos pais, pegá-la. Na maioria das vezes, ela se acalmava com Oliver, que tirava a própria camisa, e a colocava de bruços sobre seu peito, com a manta por cima da pequena. Tommy e Barry haviam dado a dica para o amigo.
Kallie resmungou novamente, chorosa, e Oliver a apertou mais um pouco em seus braços, enquanto balançava-a e cantarolava uma canção de ninar, fazendo-a se acalmar aos poucos. Em algum momento, ele não soube quanto tempo depois, sua pequena voltou a se mexer em seu colo, mas dessa vez, ele soube que ela queria se virar. Tirando o cobertor infantil de cima dela, ele mesmo a virou de barriga para cima, voltando a colocar aquele mesmo cobertor em cima dela, pedindo mentalmente, que ela não voltasse a sentir dores. Como se tivessem lhe ouvido, a pequena ficou quieta, ele não soube por quanto tempo, pois acabou adormecendo.
Quando Felicity acordou, passava das 9h. Ela tomou um banho rápido, pois seus filhos logo acordariam para mamar. Caminhou até o quarto dos gêmeos, mas como já imaginava, nenhum dos dois se encontravam ali. Ela podia deduzir que estavam jogando videogame na sala, e por esse motivo, ela caminhou diretamente ao quarto dos trigêmeos. Assim que abriu a porta, ela viu a cena mais fofa do mundo. Seu marido com a filha ainda sobre seu peito, enquanto ele dormia, ela chupava o bico com gosto, completamente acordada, para a sua surpresa. Se aproximou com cautela, não querendo acordar Oliver, e se inclinou para frente, ao chegar até onde estavam.
— Oi, meu amor. – Sussurrou, pegando na mãozinha. – Você está acordada, baby, não acredito.
A garotinha sorriu, balançando a mãozinha que estava com uma coelhinha pequena de pelúcia. Felicity riu baixo quando a pequena soltou a chupeta e colocou a orelha da coelhinha na boca, mas mesmo sendo muito fofo, ela a retirou e voltou a colocar a chupeta. Olhou para o marido por um breve momento, antes de pegar o celular que estava no bolso de trás do short jeans e tirou duas fotos, mandando-as para o grupo que Thea havia feito para os amigos. Ela sabia, em alguns minutos, todos estariam comentando, e por isso ela sorriu, já imaginando cada um dos comentários.
— Eu acho que alguém aqui precisa trocar a fralda, né? – Comenta ao sentir o cheiro forte. – Vem com a mamãe. – A pegou no colo, e então seu marido abre os olhos imediatamente. – Desculpa, não queria te assustar.
— Tudo bem. – Murmurou.
— Eu vou trocá-la. – Um choro alto e estridente os interrompeu.
— Baby, eu faço isso, enquanto você dá de mamar para a nossa boxeadora. – Ela riu enquanto entregava a filha para ele. – Ela está desesperada.
E Felicity pôde perceber que seu marido estava certo, quando se virou, e viu a filha empurrar a mantinha para longe dela, com os pezinhos, que continuaram chutando, dessa vez, o ar. Ela riu baixo, para que o filho não acordasse, o que ela tinha certeza, não demoraria a aconteceu. A filha se acalmou no instante em que sentiu o cheirinho da mãe, mas começou a resmungar e esfregar o rosto no seio direito de forma desesperada. Enquanto pedia para a filha se acalmar, ela se sentava na poltrona em que o marido estava sentado antes, e abaixava a alça da camisola, fazendo com que a filha sugasse o seio com vontade. Ela fechou os olhos, sentindo um pequeno e breve incômodo.
Oliver trocava a filha no trocador, mas deixou de fazer o que fazia, por um breve momento, para poder olhar para a outra filha, que estava com a mãe, pegar com desespero, o seio direito de sua esposa. Ele balançou a cabeça, e olhou para o seu único garotinho, que por enquanto, dormia tranquilo, chupando a chupeta com gosto.
— Daqui a pouco temos mais um desesperado acordado. – E a esposa não pôde deixar de gargalhar.
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