Cross Destination

46 Capítulo Quarenta e Seis


Notas iniciais
Demorei, eu sei. De novo. Mas eu não estou conseguindo postar mais cedo, sempre tem algo para eu fazer. E quando eu tive um tempinho, não estava conseguindo copiar o capítulo para poder colar aqui. Mas o importante é que finalmente consegui. Boa Leitura!!

Oliver precisava fazer uma viagem até Central City, não seria mais de dois dias. Queria muito não ter que viajar, logo agora que descobriu sobre as atrocidades que sua mãe aprontou, mas era impossível ficar. Ele não queria deixar a esposa sozinha, ainda mais por causa dos trigêmeos. Tommy, Ray e Barry iriam com ele. Laurel e Sara ficaria com os pais, e Caitlin ficaria em seu apartamento com Felicity. Quem poderia ficar com elas? Ele tentava pensar enquanto fazia as malas, mas não conseguia. Walter estava viajando, Roy estava em missão, e os seguranças não se sentiriam confortáveis em dormir com Felicity, e nem ele mesmo gostaria disso. Ele tinha tido uma ideia, mas não sabia como a esposa e Caitlin reagiriam. Era complicado, e seria um pouco estranho, mas o que ele poderia fazer? Não tinha outra opção. Mesmo sem falar com Felicity, ele ligou para a pessoa que poderia ficar com sua mulher e sua amiga. Não demorou muito, em explicar a situação, fez um resumo, afinal não tinha tempo, e precisava que chegasse ao apartamento antes que ele saísse, para não deixar sua família sozinha. Ela aceitou, é claro. Já esperava por isso. Agora era ela falar com sua esposa. Ele ouviu passos, e soube que era ela.

— Tudo pronto? – Ele lhe sorriu.

— Sim. Minha mala está pronta. Estou esperando por Barry.

— Tommy e Ray vão esperar por vocês no hangar? – Ele assentiu. – Queria que não precisasse ir.

— Eu também, amor.

— As crianças não estão muito felizes com isso, mas compreendem que é algo importante.

— Muito importante. Eu falei com eles. – Ela assentiu. – Pelo menos eles terão Kitty por perto, para se distraírem.

— Vou sentir saudades. – Ela o abraçou, e ele beijou sua testa, correspondendo o abraço.

— Eu também vou. Ainda bem que serão apenas dois dias. Bate e volta. – Ela sorriu. – E eu vou pensar em vocês o tempo todo.

— Não se esqueça de se concentrar no seu trabalho. – Brincou.

— Ore por mim então. – Ela riu. – Eu tenho algo para falar com você...

— Sobre?

— Sobre quem ficará com você, Cait e as crianças. Vocês precisam de ajuda. E eu me sinto mais confortável com alguém aqui com vocês. – Ela concordou.

— Eu também. Em quem você pensou?

— Eu..., já até falei com ela. Não podia deixar vocês sozinhos... – Felicity inclinou a cabeça. – Por favor, aceite isso bem.

— Diga de uma vez, Oliver.

— É a Helena.

— Oh. – Entendeu o modo como o marido estava temeroso. – Entendo. Tudo bem, eu não me importo.

— Mesmo?

— Sim. Mesmo. Eu disse para você que nós conversamos, Oliver. E estamos bem. – Ele suspirou, aliviado.

— Ótimo. Eu estava com medo de que não aceitasse. – Ela sorriu. – Heyley também ficará aqui, mas só amanhã. Hoje ela tem outro compromisso.

— Tudo bem. Você fica tão fofo quando está todo preocupado, e cuidadoso. – Ele revirou os olhos, e ela riu. – Nós ficaremos bem. E não haverá mortes. – Brincou e dessa vez foi ele quem riu.

— Graças a Deus. Eu não quero ir visitar minha esposa na cadeia. – A beijou nos lábios.

— Papai. O elevador. – Eles ouvem Bryan gritar.

— Okay. Deve ser ela. – Oliver diz, pegando em sua mão. – Por favor, obedeça às ordens dos seguranças, okay? E não saia sem eles.

— Eu ainda não posso andar por aí, então não se preocupe.

— Caso algo aconteça, me liga.

— Pode deixar, meu amor. – Eles chegaram ao hall do elevador e encontraram Brooke sorrindo para a mulher de longos cabelos negros.

— Sabia que minha mãe tinha os cabelos com a mesma cor que o seu?

— Eu soube, pequena. – Sorriu.

— Mas eu prefiro minha mãe loira, porque aí, ela parece mais comigo e meus irmãos. – O casal sorriu ao ouvir.

— Helena. – Os olhos encontraram Oliver e Felicity de mãos dadas, mas ela desvia os olhos para o rosto deles.

— Oi. Vim como me pediu.

— Obrigado. – Ela balançou a cabeça. – Caitlin deve estar chegando. – Ela assentiu. – Eu vou estar com os dois celulares. Mike, Tyler, Gregory, Collin, Andrew, Nate, Ethan, Michael, Vicky, Violet, Mina e Harley estarão de prontidão no condomínio. – Felicity viu Helena ficar diferente ao ouvir o nome de Michael.

— Eu sei, já me encontrei com eles. – As mulheres se olharam.

— Obrigada por aceitar ficar aqui.

— Não foi nada.

— Bom, então eu vou me despedir dos trigêmeos enquanto Barry não chega. – Ele olhou para as mulheres uma última vez antes de subir as escadas.

— Brooke, onde está seu irmão?

— No videogame. – Responde.

— Esse garoto viciado. – Helena não conseguiu reprimir um sorriso. – Diga a ele que em meia hora, eu quero aquilo desligado.

— Sim, senhora. – Helena acabou rindo, enquanto via a menina correr para longe dela e a mãe.

— Bom..., você pode ficar à vontade.

— Obrigada. – Estava estranho. Elas tinham percebido. Felicity revira os olhos.

— Tem como isso ficar mais estranho? – Elas sorriram uma para a outra.

— Talvez. Provavelmente seria pior se não estivéssemos sozinhas.

— Eu tenho que concordar.

— Gregory disse que vem nos ver em algumas horas, para ver se estamos vivas. – Revirou os olhos, e Felicity riu e Helena a acompanhou.

— É. Eu não estou surpresa por esse comentário dele.

**--** **--**

Oliver entrou no quarto dos filhos. Ficaria dois dias sem vê-los, e para ele isso seria uma tortura. Sentiria saudades de ouvi-los de manhã, de acordar para ajudar a esposa a dar de mamar, sentiria falta de pegá-los no colo e olhar para os lindos olhos verdes, tão iguais aos de sua esposa. Estava sendo um pouco dramático? Talvez. Mas ele já estava acostumado com aquela rotina, e ficar dois dias sem ela, não seria fácil para ele. Estava perto do berço. Seu amigo ainda não havia chego, então se demorar um pouco com seus bebês não seria um problema. Sorriu, pensando no quão espertos eles eram, e só tinham três meses. Já davam gritinhos finos que todo o prédio poderia ouvir, de tão alto que eram. Felicity dizia que eles haviam pego isso da tia Thea, e ele tinha que concordar. Sua irmãzinha era uma pestinha quando bebê, e era tão esperta e brincalhona quanto os trigêmeos.

Tocou Kyle, que dormia de bruços, e chupava a chupeta da cor de sua mantinha. Ele dormia tão tranquilo, que se perguntava por quanto tempo aquilo duraria. Chorava mais alto que qualquer um dos irmãos, quando não era pego na hora que quer, não gosta de ficar passando de colo em colo, isso o deixa irritado, e quando acorda, ninguém mais dorme. Ele só não era pior que sua boxeadora. Katie. Ela era a mais terrível. Acordava primeiro que os irmãos, sempre, e se não pegassem ela, quando ela começa a fazer aqueles sons incompreensíveis com a boca, ela começa a dar gritinhos — isso quando não chora -, e começa a balançar as perninhas, empurrando a mantinha de seu corpo de forma irritada. Killie era diferente. Muito diferente. Era calma como uma princesa, realmente. Sua Lady. Seu choro era baixinho, ela não se mexia muito no berço, mas uma de suas mãozinhas ia até o rosto ou a boca, quando demoravam a pegá-la, e o choro passa a ser sofrido. Normalmente é quando ela sente cólica. Oliver dá graças a Deus por ela não sentir aquela dor inferno a uns bons dias já.

Tocou cada um dos filhos, de forma carinhosa e cuidadosa, na intenção de não acordar os filhos. Felicity estava cansada, e merecia algumas horas a mais de descanso. Quando chegou em Killie, que havia deixado por último de propósito, ela abriu os lindos olhinhos que ela herdou da mãe, como se soubesse que era seu pai ali. Ela pegou o dedo indicador da mão direita de Oliver, com força, e ele sorriu. A bebê não tinha os mesmos planos que seu pai, pois havia despertado completamente. Ele a conhecia bem, para saber que ela não voltaria a dormir enquanto não lhe dessem a mamadeira. Não conseguindo resistir, ele se inclinou para pegar sua princesa nos braços, acalentando-a. Ela deu um sorriso como o da mãe, soltando a chupeta, que Oliver conseguiu pegar antes que caísse no chão.

— Parece que você adivinhou, minha princesinha. – Sussurra só para ela. – Você acordou, parecendo sentir-me aqui com você. – Lhe deu um beijo na testa. – O papai vai viajar, mas volta logo, okay? Vou sentir muita a sua falta, e a de seus irmãos. – Ela fez um som incompreensível, levantando um dos bracinhos, levando a mão até a boca de seu pai. Ele deixou um beijo ali. – Vai sentir minha falta também? – Novamente o som incompreensível. – É, eu sei que sim. – De onde estava, ele ouviu a voz de Barry. – Bom, está na hora do papai ir. – E como se ela entendesse, os olhos perfeitos dela se encheram de água, e Oliver realmente, ficou sem entender. – Não chora, amor. – Foi inevitável não se desesperar, e sair do quarto rapidamente para que a menina não acordasse os irmãos, mesmo que seu choro fosse baixo. – Não chora, princesinha, não chora.

Ele a balançava, tentando acalmá-la, mas era impossível. Nada que ele falasse, parecia fazê-la parar de chorar. Ele se perguntava se era mesmo porque ele estava indo viajar. Se perguntava se ela sentia que ele estava indo, e que ela demoraria a voltar a vê-lo. Mais especificamente, 48h. Oliver realmente ficou com o coração na mão. Ele tinha que ir, não podia se atrasar, mas como deixar sua princesa, daquele jeito? Como deixá-la tão sofrida, e ir para aquela maldita viajem? Quando chegou a sala, Felicity se aproximou, preocupada, e o marido a explicou o que tinha acontecido. Ele então viu Caitlin sorrir, e ouviu sua esposa pedir por ela, mas foi pior do que poderia imaginar, quando a entregou. Killie chorou mais ainda, e surpreendentemente mais alto do que normalmente fazia. Ela não estava gostando de ser tirada do pai, e eles conseguiram entender isso no instante que Caitlin pediu para Felicity entregá-la de volta para Oliver. Ela se acalmou, apesar do choro baixinho. Ela afundou o rosto em seu peito, e segurou a camisa dele com força.

— Ela sabe que vai viajar, Oliver. – Caitlin explica, tocando a cabecinha da afilhada, mesmo que segurasse seu filho em um dos braços. – E não quer isso. Ela se acostumou com você, você é o pai dela, e ela não quer ficar longe de você.

— Ela é só um bebê.

— Mas eles são sensíveis. – Quem respondeu foi Barry, que se aproximou do amigo. – Eles sentem como nós nunca poderíamos sentir. É mais forte, mais intenso, Oliver. Como quando eles estavam na barriga de Felicity, e você falava com eles. Quando eles nasceram, reconheceram sua voz.

— E agora? – Os outros sorriram, até mesmo Felicity.

— Agora você entrega ela para mim, e você vai para a sua viagem. – Ele não estava certo de que essa era a opção. – Ela ficará bem. Eu posso demorar, mas vou acalmá-la.

— Não sei não... – Ele havia percebido que ela estava mais calma, não chorava, mas o rostinho continuava afundado em seu peito.

— Oliver, nós vamos nos atrasar, cara. Tommy e Ray já estão no hangar. – O amigo deu um suspiro. – Eu sei que é complicado, também tenho um filho... – Olhou para o garotinho dorminhoco nos braços de sua esposa. – Mas não tem outro jeito, precisamos ir.

— Ela ficará bem. – Felicity diz. – Me dê ela. – Oliver o fez, e foi difícil, porque sua princesa não queria soltar a mãozinha que segurava sua camisa fortemente. – Vamos, meu amor, o papai tem que ir.

Não foi uma boa ideia dizer isso, porque ela ficou agitada, e começou a chorar fortemente, nos braços da mãe, que havia finalmente conseguido fazê-la soltar a camisa do pai, com a ajuda de Caitlin. Helena, que estava por perto observando tudo, achou tão linda aquela cena, que nem mesmo percebeu que estava olhando fixamente para o casal e a bebê entre eles. Parecia que Kallie tinha uma conexão forte, linda e inquebrável com Oliver, e era tão fofo de se ver. Ela estava agitada no colo da mãe, e seus bracinhos se mexiam de forma irritada, em direção ao pai. Ela queria que ele a pegasse. Se perguntava como que Felicity conseguia se manter forte e não chorar com a filha. Ela já tinha desabado, porque odiava ver crianças, ainda mais bebês, chorando sofrido daquela forma.

Caitlin percebeu o olhar fixo da outra, e também percebeu que ela olhava era para a bebê nos braços de sua amiga, e não para Oliver. Concordava com Sara de que ela merecia uma segunda chance, afinal, todos merecem isso, quando estão querendo realmente mudar. Desviou os olhos novamente, se perguntando o que ela pensava sobre ver a família do homem que ama, tão de perto. Tão ligados, apaixonados, completos. Não deve ser fácil. Olhou de volta para a mulher morena, e ela continuava olhando para a bebê desesperada que sentia os dedos do pai tocar em seu rosto, enquanto se despedia. A nova Merlyn viu, que mesmo com o coração na mão, Oliver se despedia da filha, dizendo que voltava logo. Ele deu um beijo na testa da pequena, beijou os lábios da esposa, dizendo para ela se cuidar, e ela lhe pediu o mesmo, se aproximou para fazer o mesmo com ela, e ela lhe sorriu, beijando sua face, fez o mesmo o bebê em seus braços, e então, por último, ele se despediu de Helena, pedindo mais uma vez, para ela ficar de olho em sua família. Helena piscou algumas vezes, e assentiu, pedindo para ele não se preocupar, voltando os olhos para a bebê chorosa no colo de Felicity. Barry deu um beijo nos lábios da esposa, e quando passou por Felicity beijou seu rosto, e fez o mesmo com a afilhada, antes de seguir para o elevador junto de Oliver.

— Talvez ela se acalme se você der de mamar. – Caitlin diz, vendo a amiga balançar afilha, tentando algo inútil, fazê-la se acalmar.

— Quer que eu o pegue? – Helena se pronuncia. – Assim você ajuda Felicity. Eu não sou boa com bebês chorando.

— Bom..., não vai se incomodar? – Ela negou.

— Estou aqui para ajudar. – Estendeu os braços, e Cait depositou seu filho nos braços dela.

— Eu vou fazer a mamadeira, tente dar seu peito.

— Quando ela fica irritada dessa forma, ela não pega, não adianta.

— Senta no sofá, e me espere lá. – Pede, caminhando até a cozinha.

— Se acalma, meu amorzinho, por favor.

— Eu nunca tinha visto um bebê ficar tão agitado dessa forma, por causa... – Ela não soube nem mesmo terminar. Felicity a olhou. – É a primeira vez.

— Você não fica muito perto de bebês, né?

— Não mesmo. É a primeira vez que eu tenho contato direto... – Os olhos dela, que não saíam de Kallie, se desviram para o bebê em seus braços. – Qual o nome dele mesmo?

— Connor. – Felicity mordiscou os lábios, querendo fazer uma pergunta, mas achava que poderia ser muito evasiva.

— Eu espero que a minha presença aqui não seja um problema para as suas outras amigas, ou sua cunhada. – A loira franziu o cenho, e elas se olharam. – Eu sei que elas não gostam de mim..., não sei como sua amiga me deixou pegar o filho dela.

— Ela sabe que quer ajudar, e que você não é uma má pessoa. – Deu de ombros. – E sobre minhas outras amigas, elas não têm nada contra você. Pelo menos não mais.

— Laurel me odiava e com razão. É por isso que eu não sei se ela gostaria de me ver aqui...

— Nunca pensei que a veria tão deslocada, e com medo de algo.

— Eu não tenho medo. – Retrucou prontamente. – Só não quero causar problemas para você. Ou Oliver. – Se voltou para Connor.

— Não se preocupe com isso.

— Eu fiz 120ml. – Caitlin aparece na sala, interrompendo a conversa das outras duas. – Espero que dê certo.

— Eu também. – Colocou o bico da mamadeira na boquinha da filha, que começou a chupar desesperadamente, mesmo que ainda caísse lágrimas dos olhinhos claros. – Deu certo. Mas eu pergunto, por quanto tempo? – As outras se olharam.

— Então, eu posso estar errada, mas ela não estava com uma chupeta, antes de Oliver ir? – Helena muda de assunto, fazendo as outras duas olhar para Killie.

— Oliver levou com ele. – Felicity afirma, ao perceber que Helena estava certa. – Cait, pode pegar outra para mim no quarto dela, está na primeira gaveta da cômoda, e aproveita e vê como estão os outros dois? Eu me esqueci de pegar a babá eletrônica.

— É a cor-de-rosa, certo? – Pergunta enquanto se levanta do sofá, recebendo a afirmação da amiga.

— Ela se acalmou, finalmente. – Helena a olhou, depois para o bebê. – Eu sei que já a agradeci, mas obrigada mesmo por aceitar ficar aqui, eu não sei se conseguiria cuidar dos trigêmeos sozinha, e Cait tem o Connor..., e também, eu tenho pavor quando Oliver viaja.

— Ele não conseguiria entrar aqui. – Eles se olham. – Os seguranças estão atentos, e ele não seria capaz de passar por eles.

— Mesmo assim... – Olhou para a filha.

Helena se perguntou como a outra aguentava aquela vida. Como ela suportava viver com medo, o tempo todo. Ela já teria surtado, se estivesse lugar da loira. O silêncio reinou por pouco tempo, pois o som do elevador, chamou a atenção de ambas. Helena sabia que não tinha com o que se preocupar, e por isso não se levantou.

— Posso perguntar uma coisa? – Felicity desviou os olhos do elevador. – Como consegue ser mãe, mesmo nessa situação? Desculpa, mas eu não pensaria em ter filhos, se estivesse passando pelo que você passa.

— Eu não queria. Eu realmente não queria ser mãe, e havia dito isso ao Oliver, mas aí... – Olhou para Connor. – Eu vi o jeito que ele olhava para os sobrinhos. Eu estava privando-o de ter essa experiência, porque ele não viu os gêmeos crescerem. Me sentia culpada por isso, e foi então que tive a ideia de parar com os medicamentos.

— Foi corajosa. – Olhou para Kallie. – Mas..., pensando por esse lado, eu acho que faria o mesmo. E também me sentiria culpada. – Balançou a cabeça e olhou para a loira. – Não estou dizendo que você é, afinal, eu sei que...

— Tudo bem. – A interrompeu, sorrindo.

— Meu Deus, o mundo está mesmo acabando. – Elas olharam para onde a voz veio. – Ou, eu devo estar em outro plano. Não é possível. – Elas sorriram e reviraram os olhos. – Vocês duas estão vivas. E não estão discutindo. – Se aproximou. – Vocês não foram trocadas por um ET, né?

— Rá. Rá. Rá. Que engraçado, Gregory. – Helena voltou a revirar os olhos. Ele riu.

— Eu vim ver se estão mesmo vivas.

— Estamos, como pode ver. – Felicity responde sorrindo. – Você só veio por isso mesmo?

— Por que mais eu viria?

— Eu não sei. Sou muito desconfiada.

— Ah, eu sei disso. – Ela fez um biquinho, e olhou para a filha. – Como vai, senhora Merlyn?

— Arg. Senhora não, pelo amor de Deus, Gregory.

— Desculpe.

— Eu estou bem. E você?

— Estou bem também. – Olhou para a criança no colo de Felicity. – Ela está mais parecida com você, do que antes.

— Oliver também acha.

— Ela anda bastante dorminhoca, não sei de quem ela puxou essa característica. – Caitlin comenta, colocando a babá eletrônica em cima da mesa de centro.

— E os outros dois? – O segurança pergunta, curioso.

— Devem acordar daqui uma hora. Quer pegar ela? – Se levantou, na intenção de não o deixar negar. – Eu aproveito para fazer o...

— Almoço não. – Caitlin a interrompeu. – Pelo amor de Deus, Lis.

— Eu só vou esquentar, Cait, que exagero. – Revirou os olhos, depois de passar a filha para os braços de seu segurança preferido.

— Oliver pediu para não deixar você fazer nada na cozinha. – A loira olha para Helena. – Disse que você é..., hum..., como posso dizer? Péssima.

— Ele disse isso? – Colocou as mãos na cintura, fazendo Gregory rir. – Ah, ele vai me ouvir quando chegar.

— Ele deixou comida pronta? – Cait pergunta.

— Para hoje sim. Pouco antes de arrumar as coisas. É só esquentar.

— Então você fica aqui, e eu esquento. – Se virou para a morena. – Pode ficar com ele por mais alguns minutos?

— Se quiser eu esquento, não me importo.

— Não, eu faço isso.

— Então eu fico sim com ele. – Olhou para o bebê. – E você, vai ficar aqui, até Heyley chegar?

— Ela só vem amanhã, Lena, não ficou sabendo?

— Amanhã? Oliver não disse nada disso pra mim.

— Ficaremos bem. – Felicity afirma. – Por que não se sentar?

— Não, eu já vou descer. – Os três olham para a babá eletrônica, ouvindo um choro.

— É a Katie, e eu tenho certeza de que... – Ela se interrompe ao ouvir outro choro em conjunto. – Ela vai acordar o Kyle.

— Como você sabe identificar os choros?

— São meus filhos, Greg. – Diz rindo, ao ver a expressão de surpresa no rosto do segurança. – Pode ficar só mais um pouco, por favor?

— Claro. – Se sentou no braço do sofá.

— Obrigada. Eu vou buscar os outros dois e já volto.

— Vai conseguir sozinha? – Helena pergunta. – Connor está dormindo tranquilo, eu posso colocá-lo no bebê conforto, Greg fica de olho até eu ir te ajudar.

— Podem ir tranquilas. – Diz, sem deixar de olhar para a bebê dorminhoca em seu colo.

— Obrigada. – Felicity volta a agradecer, dessa vez para Helena, que a seguia para o segundo andar.

**--**

Felicity observava Helena e Heyley com seus filhos, enquanto ajudava Kitty com o dever de casa. Diferente de seus filhos, a garotinha estava tendo dificuldade em matemática, e por isso resolveu ajudá-la, enquanto a mãe da menina colocava o filho para dormir. O garotinho estava agitado naquele dia, e não havia ninguém que o fizesse se acalmar, nem mesmo sua mãe. Na opinião da loira, ele sentia falta do pai, assim como os trigêmeos estavam sentindo. Ela mesma sentia falta. Ficar sem Oliver, para ela era uma tortura. Voltou sua atenção para seus bebês, que eram cuidados com tanta atenção pelas mulheres. Era muito agradecida por Helena, e claro, Heyley. As duas estavam sendo a salvação de Felicity, naqueles dois dias em que estava sem o marido. Novamente, mais uma vez, ela se lembrava dele. Odiava quando ele viajava, odiava ter que dormir sozinha – mesmo que os filhos estivessem dormindo com ela, desde a viagem –, odiava ter os pesadelos, e não ter Oliver para ampará-la, abraçá-la, e dizer que ficaria tudo bem.

Naquele dia acordou com um pesadelo horrível. Ninguém percebeu sua agitação, ela sabia disfarçar bem – menos na presença do marido –, mas sentia seu corpo estremecer só de se lembrar. Preocupada, ela ligou para Kara, querendo saber como ela, o marido e os filhos estavam. O pesadelo, que a fez ficar acordada por horas, era sobre a amiga de National City. Seu coração disparou quando a viu ser arremessada por um carro. O sangue que escorria pela testa, braços e pernas, o som do carro derrapando ao ser jogado contra o corpo pequeno da mulher, o som de seu grito, quando viu tudo isso, ainda estava em sua mente, e passava como em um filme. Ficou tão desesperada, que acabou gritando, e ela não soube como – mas agradecia –, seus filhos continuaram dormindo. Ela ainda estava assustada, e preocupada, mesmo que já tivesse falado com a amiga. Pensou em ligar para Oliver, para poder ouvir sua voz, e tentar fazer com que aquela imagem saísse de sua cabeça, mas acabou deixando de lado. Ele estava trabalhando, e não queria atrapalhar.

Kitty agradeceu a tia, que lhe sorriu – verdadeiramente, dessa vez –, e seguiu para a sala de TV, onde os gêmeos estavam jogando videogame, junto de Thea, que havia aparecido mais uma vez, como ela prometeu que faria, e Roy, que havia prometido ao cunhado que cuidaria da irmã em sua ausência. Desde que teve os trigêmeos, a cunhada aparecia todos os dias, e de vez enquando dormia ali, na intenção de acompanhar todos os passos dos sobrinhos, cada um deles. Da mesma forma, era Roy. Ele também estava sempre ali, principalmente depois do que houve com a irmã. Felicity se levantou, na intenção de seguir para a sala, mas então sua atenção se voltou para o som do elevador. Ela piscou algumas vezes, pensando em quem seria. Gregory, talvez? Ou Mike? Eles subiam vez ou outra para vê-la, e à Cait, mas isso já havia acontecido a quase vinte minutos. Sorriu ao reconhecer o homem que apareceu em sua visão quando as portas se abriram. Fazia um tempo que não o via, ele tinha viajado, na intenção de se acalmar, e pensar em tudo que houve.

— Walter. – Se aproximou, sendo abraçada carinhosamente. – Não sabia que havia chego a cidade.

— Faz pouco tempo. – Lhe sorriu. – Como você está?

— Eu estou ótima. Tenho tido muita ajuda. – Olhou para trás, fazendo o “sogro” fazer o mesmo. – Oliver está viajando, então eu tenho tido muitas babás. – Eles voltaram a se olhar. – Não conte isso para elas. – Eles riram.

— Eu fiquei sabendo que ele ficará fora por alguns dias.

— Infelizmente. – Suspirou alto. – Odeio quando isso acontece.

— Eu posso imaginar o quanto. – Acariciou a mão direita dela com o polegar. – Mas e os trigêmeos? Como estão?

— Bom, eles estão muito bem, graças a Deus. Só que com essa viagem do Oliver, eles têm sentido a falta dele. Kallie principalmente.

— Entendo.

— Venha. Eles estão dormindo agora, mas não fará mal você pegar eles um pouquinho.

— Não vão acordar? – Ela riu.

— Não. Quando dormem, parece que nada os acorda. – Walter sorriu. – Sério. Katie e Kyle nem tanto, mas Kallie, eu digo que meu leite tem sonífero, porque ela dorme muito. – O homem ria enquanto ela contava. – Ela quase não acorda, chorando para mamar, sabe. Oliver normalmente a traz para mim, e eu a coloco no meu peito, ainda adormecida.

— Então eu tenho que concordar com você. Seu leite tem sonífero. – Eles riram.

— Papai. – Ele observou Thea se aproximar, e o abraçar. Walter a correspondeu, lhe dando um beijo na testa. – Voltou agora?

— Faz poucas horas, querida.

— Estava com saudades. – Revelou.

— Eu também estava, mas depois de tudo que descobri, eu precisei de um tempo.

— Nós entendemos, pai. – Felicity balançou a cabeça, concordando. De repente, as crianças aparecem no campo de visão dos adultos, junto de Cait.

— Vovô Walter. – Não era a primeira vez que eles o chamavam assim, fazia pouco tempo, mas já vinha acontecendo desde pouco antes dos trigêmeos nascerem.

— Eu fico algumas semanas fora, e vocês já parecem quase adultos. – Eles riram. – E a cada dia mais parecidos com o pai de vocês.

— O que eu acho bem injusto. – Os outros riram.

— O que estão achando em ter irmãos?

— Eu acho muito legal.

— Eu acharia mais legal, se eles fizessem mais do que só dormir. – Os outros riram com a resposta de Bryan.

— Isso vai passar logo, é uma fase.

— Espero. – Cruzou os braços, e cada um dos presentes o achou muito parecido com Oliver.

— Como você está Caitlin?

— Estou bem, e o senhor?

— Melhor agora. – Sorriu para as crianças, que sorriram de volta. – E seus filhos?

— Kitty está na cozinha, provavelmente deixando Heyley maluca... – Os outros riram. – E Connor dormindo.

— Ele deve estar enorme.

— Está sim. – Sorriu. – Bom, deixa eu ver o que minha filha está fazendo, porque eu estou começando a ficar preocupada com Heyley. – Eles voltam a rir.

— Tia, a gente quer biscoito de chocolate. A tia Heyley está fazendo.

— Ah, então é por isso que Kitty está na cozinha. – Anda até o cômodo onde a filha estava.

— Eu também vou, e só saio da cozinha, depois que comer o biscoito.

— Bryan. – A mãe o repreendeu.

— Mamãe, eu estou com fome, estou em fase de crescimento. – Walter e Thea riram.

— Eu também estou. – Completa.

— Todos estamos. – A irmã concorda. – E a tia Heyley faz biscoitos deliciosos.

— Mais uma que sabe cozinha melhor que eu. – Murmurou.

— Todo mundo sabe cozinha melhor que você. – Felicity se virou, encontrando o irmão.

— Obrigada, irmão. – Os outros riram. – Você é muito amigo. – Debochou, fazendo os outros rirem mais ainda.

— Me desculpe. – Beijou seus cabelos, abraçando-a, vendo-a fazer um biquinho. – Na próxima eu te defendo, até de si mesma. – Enquanto conversavam, nem perceberam que os gêmeos já haviam corrido para a cozinha. – Como você está, Walter?

— Estou bem, obrigado por perguntar. – O Harper assentiu. – E os bebês?

— Estão com a Bertinelli, e não é que ela é boa com eles? Katie começou a choramingar, e ela a fez dormir novamente, em segundos. – Felicity o olhou.

— Helena e Heyley tem me ajudado muito, principalmente de madrugada.

— O que muito me espanta... – Thea olhou para onde a segurança morena estava. – É ela estar aqui, cuidando de você e dos trigêmeos.

— Ela me ajudou, quando eu tive os bebês, Thea, você sabe. Ela não é uma má pessoa. – Os outros tiveram que concordar. – E até onde eu sei... – Olhou para ver se ela estava perto, e voltou-se para os outros. – Ela está apaixonada pelo Michael.

— O que? – Thea arregalou os olhos. – Está falando sério?

— Uhum. – Balançou a cabeça. – Seríssimo. E..., pelo que eu fiquei sabendo, eles estão se dando uma chance.

— Inacreditável, ela finalmente largou o pé do meu irmão.

— Thea. – O pai a repreendeu, mas ela apenas deu de ombros. – Eu acho isso muito bom. Ela merece ser feliz. As pessoas erram, mas também tem a chance de se arrepender...

— Nem todas as pessoas. – Apesar da Merlyn–Queen murmurar, os outros puderam ouvir. Eles sabiam de quem ela falava.

— Então, Walter, quer pegar seus netos? – Felicity muda de assunto, animada, fazendo os outros sorrirem, ao vê-la tão mais leve que mais cedo – Roy e Thea haviam percebido a agonia da loira –, e por isso, não puderam deixar de ficar animados também.

— Com certeza! Eu vim aqui com essa intenção.

Notas finais
Gostaram? Foi cute demais o momento Oliver e Kallie, né? Eu amo escrever os momentos do Ollie com os filhos. E espero que também amem. Por favor, não deixem de comentar, por favor Kissus