Cross Destination
53 Capítulo Cinquenta e Três
Notas iniciais

Felicity estava deitada, encolhida, entre o edredom. O seu rosto e sua garganta não mais doíam, mas a vontade de vomitar só crescia em seu interior. Ela tinha nojo. Estava fugindo dele a uma semana – havia riscado em um bloquinho de notas –, fugindo depois do que ele fez, e por incrível que pareça, ele não tinha aparecido naqueles dias, e se perguntava porquê. Se perguntava o que ele estava tramando. Tinha medo só de pensar. Temia que ele fizesse algo com sua família, mesmo sabendo – não com certeza, e esse era o problema – que com ela ali, ele se esqueceria de Oliver, os gêmeos e os trigêmeos. Podia confiar na palavra de alguém que é desequilibrado? Ela sabia a resposta. Sua mente a levou novamente para as lembranças. Lembranças com o homem que ama, com seus filhos. Sentia necessidade deles. Ela não sabia quanto tempo estava longe deles. Os trigêmeos, quantos meses eles devem estar? Será que eles já haviam se esquecido da voz dela? Do seu cheiro? De como cantava e os embalava, na hora de dormir? Um soluço escapou de seus lábios.
Ela gostaria de saber quanto tempo exato estava naquele lugar. A mais ou menos um mês, ela encontrou um bloco de notas em cima da escrivaninha, e desde então tem riscado em palitinhos, para conseguir saber o tempo que estava ali. E saber que ela estava a mais de um mês, longe dele, do homem no qual sentia tanta falta, a fazia sentir uma dor tão forte no peito, que às vezes era impossível de respirar. Se lembrava dos toques dele, da voz rouca e apaixonada, que ele sempre usava, do carinho, do cuidado. Sentia tanta falta. Ela respira fundo, tentando não chorar, mas era impossível. Tudo virou de cabeça para baixo. Desde que foi sequestrada, seu mundo desmoronou. Tinha medo de nunca mais ver as pessoas que amava. Tinha medo de que vivesse naquele inferno pelo resto de sua vida. E isso a deixava amedrontada, porque ela não sabia se conseguiria viver daquela forma. Viver ao lado daquele homem, asqueroso, tocando-a, pior, querendo ter um filho. Ela se arrepio só de imaginar.
Já tinha semanas que ele vinha com aquela conversa de ela lhe dar um filho. Como se ele fosse capaz de ser pai um dia. Nunca. Não com ela. Ela não teria uma criança fruto daquele ato violento, e pior, com aquele sangue maldito. Ela não conseguia parar de pensar naquilo, naquele momento. A ideia fez com que ela se lembrasse de seus pesadelos. Sua barriga crescendo, ela sorrindo, tocando, olhando para o quarto infantil, e de repente, o cenário lindo, se transforma, e quem entra no quarto, é Cooper. E então ela acorda. Era sempre o mesmo pesadelo, todo maldito dia, desde que ele lhe "pediu" um. Ela sabia que não era um pedido, era uma ordem. Mas ela não teria. Não mesmo. Mesmo que ele a tocasse, ela continuaria a tomar os remédios que haviam sido entregues por uma das cozinheiras, no intuito de ajudá-la. Era agradecida a mulher. Ela estava sendo ameaçada, por Cooper, e por isso não podia ajudá-la de outra forma.
Aquele maldito pesadelo vinha acontecendo com mais frequência. A gravidez, o quarto infantil, o hospital, a garotinha em seus braços, Cooper entrando no quarto, ao invés de Oliver. Era sempre o mesmo pesadelo, a mesma criança em seus braços, o mesmo quartinho infantil. Ela já não conseguia dormir bem, e agora, Cooper sabia que ela estava tendo pesadelos. Tentou obrigá-la a dizer, mas ela não disse uma palavra, o que o deixou extremamente irritado, mas não a torturou para saber o que escondia. Já era desesperador ter aqueles pesadelos horripilantes, falar sobre eles, ainda mais com o culpado deles, era algo que ela se recusava a fazer.
Felicity respirou fundo, se virando na cama, puxando mais o edredom para cima de si. A mão direita sobre a testa, e os olhos fechados. Ela queria sonhar. Sonhar com o homem que ama. Ela queria ter as lembranças boas, porque são elas que a fazia suportar tudo aquilo. A sensação de sentir o marido tocando-a de forma carinhosa. Sua voz dizendo o quanto a ama. Era tão bom, mesmo que fosse apenas sua mente, ela gostava de ver, de ouvir, de sentir. E era por essas lembranças maravilhosas, pelos lindos filhos que a esperavam em casa, e pelo homem maravilhoso, e que sentia um enorme amor, que ela não desistia de sua vida, e não desistia de fugir daquele lugar.
Estava tão concentrada nos estudos que não percebeu que estavam olhando-a de longe. O sorriso ladino, os braços cruzados, o corpo encostado em uma das várias prateleiras de livros, os olhos claros fixados na única garota que lhe chamava atenção desde que descobriu os sentimentos por ela. Felicity estava com o uniforme de torcida, mordia a tampa da caneta vermelha, e mesmo estando normal, como a via todos os dias, ele a achava extremamente linda. Era isso que ele sempre dizia a namorada quando seus olhos se encontravam. E foi o que aconteceu no momento em que percebeu a presença do garoto popular que fazia seu coração quase pular pela boca. Ele percebeu o nervosismo dela, ela sabia disso, afinal, mordia os lábios, enquanto o via se aproximar.
Eu realmente ganhei na loteria.
Como assim?
Tenho a namorada mais perfeita dessa escola. – Ela corou, mas deixou que ele lhe desse um selinho. — Estava te procurando.
Eu estou estudando.
Felicity, as aulas voltaram a menos de um mês. — Ele revirou os olhos ao vê-la dar de ombros.
Você não deveria estar com o time? — Ele percebeu a mudança de assunto, e por isso deu um sorriso provocativo.
E você não deveria estar com a equipe de torcida?
Laurel me liberou. — Voltou os olhos para o livro que estava em cima da mesa, mas foi impossível se concentrar quando o viu se sentar em cima da mesma.
O que acha de irmos ao cinema hoje?
Tem jogo.
Você por acaso está fugindo de mim, namorada? — Foi a vez dela em revirar os olhos.
Não. Só estou tentando dizer que quando o jogo acabar, o cinema vai ter fechado.
Podemos assistir um filme lá em casa. — Ela fez uma careta e ele pode compreender o porquê. — Okay. Então, na sua casa.
Está aprontando alguma coisa? — Ele sorriu ladino, fazendo o coração de Felicity bater de forma desenfreada.
Está desconfiando do seu namorado? — Ele riu ao ver a careta no rosto dela mais uma vez. — Não vamos fazer nada que não queira, eu prometo. — Ela soltou o ar, relaxando os ombros, e apoiando os antebraços na mesa.
Tudo bem. Um filme. — Ele sorriu de forma mais aberta.
Não vai se arrepender.
E realmente não havia se arrependido. E como poderia? Oliver era um cavalheiro. Ele nunca havia feito nada contra a vontade da namorada, era respeitador para com ela e isso sempre a encantava. Naquele dia, mesmo nervosa, ela havia aceito ficar sozinha com ele, e tinha sido divertido. Ele a fazia feliz de uma forma que ela nunca pensou que seria um dia. Ele a fazia sentir sensações que ela nunca pensou que sentiria, porque nunca havia se apaixonado antes. A cada ação de Oliver, ela se apaixonava mais e mais. E isso as vezes a assustava, principalmente quando ela sentia os ciúmes. Idiotas, mas ela não conseguia deixar de sentir, porque de acordo com Sara, era normal, contanto que nunca desconfiasse do namorado. E isso nunca ocorreu, e por isso, quando ouviu toda a cena que Irina armou, ela sentiu tanto impacto.
Oito garotas de cada lado, faziam um “túnel” para que os jogadores da escola pudessem passar. Era entre elas, que eles fariam a “entrada triunfal”. As arquibancadas estavam cheias, todos esperavam pelo time que sairia vencedor naquele dia — por mais que não soubessem disso. Felicity, assim como todas as outras garotas, seguravam os pompons nas cores do uniforme. Ela estava nervosa, afinal, era um jogo importante para seu namorado. Por mais que ela odiasse ser o centro das atenções, naquele momento ela não estava se importando com aquilo. A voz do locutor foi ouvida, os espectadores se levantaram, ansiosos, e então, os jogadores entraram, sendo que Oliver tinha sido o primeiro por ser o capitão. Quando seus olhos encontraram o da namorada, lhe piscou, fazendo-a sorrir.
O diretor começou com um pequeno discurso, e em seguida, todos começaram a cantar o hino da Holliday School. Com a mão direita ao peito, a voz de cada uma das pessoas que estavam naquela quadra, soou. Quando a canção acabou e o diretor autorizou que os jogadores fossem para suas posições, Felicity percebeu uma das líderes de torcida se aproximar do namorado, com um sorriso malicioso nos lábios. Sara e Laurel, que estavam ao seu lado perceberam o mesmo, mas mesmo assim, os olhos claros de Felicity continuaram nos outros dois. Ela percebeu a mão da garota tocar um dos braços de Oliver, o corpo se aproximar mais do que o necessário e para seu gosto, viu o cenho franzido do namorado, indicando que ele não estava gostando de tal ação da garota. Ela lhe deu um beijo, longo demais para seu gosto, na bochecha de Oliver e só então se afastou.
Você não tem vergonha na cara de dar em cima do namorado alheio? — Ouviu a voz de Sara.
Eu não o vi reclamando, querida.
Então não o conhece de verdade. — Laurel retrucou.
Quem disse? —Felicity não gostou do tom que a outra usou. Ela sabia o que a outra queria dizer com aquela frase, afinal, Oliver já havia ficado com ela, ele mesmo havia contado.
Você é ridícula. — Quando percebeu, sua voz já tinha saído de sua boca.
Ora, você fala. — Provocou.
E eu bato também. — Deu dois passos em direção da garota, e a viu engolir em seco. — Eu não me importo com vadias como você, mas tente me provocar mais uma vez, usando Oliver, e eu juro que nenhum cabelereiro vai saber lidar com o resto de cabelo que sobrará em sua cabeça. — Ouviu uma risada de Sara e pode ver um sorrisinho animado de Laurel.
Você não teria coragem.
Pague para ver. — Quando se virou, ouviu a voz da garota.
Você acha que isso vai durar? Ele vai te deixar a partir do momento em que conseguir o que quer. — Provocou, e então Felicity se virou.
Do mesmo jeito que foi com você? — Ouviu a vaia das outras líderes de torcida. — Eu não sou uma qualquer, que se entrega na primeira oportunidade, só por prazer. — Revirou os olhos. —E eu já disse isso ao Oliver, e ele ainda está comigo. Então quem está ganhando? Você, que teve só um dia de prazer com ele, ou eu, que já estou com ele a seis meses ouvindo-o dizer que me ama todos os dias?
Leva. — Uma das garotas diz, e Felicity pode reconhecer como Camille, a novata daquele ano.
O jogo vai começar. — Outra garota diz, quando ouviu o apito vindo do Juiz.
Isso ainda não acabou.
Acabou sim. A não ser que você queira uma briga comigo e Laurel. — A outra tremeu ao ouvir a voz raivosa da Lance. — Você não quer entrar no meio de Oliver e Felicity, Hilary, a não ser que queira ser tachada como vadia por toda a escola.
Aquela tinha sido a primeira vez que Felicity havia discutido com alguém por conta de Oliver. Ela nunca havia sentido uma raiva tão grande por alguém, uma vontade tão grande de socar uma pessoa. Aquela garota estava lhe provocando por dias, se aproximando de Oliver para provocá-la, e naquele jogo, tinha sido o fim para Felicity. Ela não conseguiu se conter, e agradeceu a ajuda das amigas, por mais que pudesse vencer aquela briga, por mais que odiasse chamar atenção, o que acabou acontecendo, por todas as líderes de torcida estarem em volta delas. Ela nunca pensou que sentiria tantos ciúmes de Oliver, não ao ponto de sentir sua mão coçar por querer bater na garota. Realmente, ela fez uma força sobre-humana para não cometer tal loucura, principalmente estando onde estava, sobre os olhares de tantas pessoas, inclusive de seu sogro e sua odiosa sogra.
Oliver? –Ela quase não acreditou quando viu o lindo namorado chegar à escola pilotando uma moto. Primeiro, ele não tinha carteira, segundo, o quão perigoso era aquilo? Estava preocupada. — Mas o que raios?
O que achou? — Pergunta, quando já estava sem o capacete, e fora de cima da moto.
O que eu achei? Deveria perguntar isso para seus pais.
Não me importo com o que acham. — Deu de ombros. — Mas eu acho que fiquei ainda mais gato do que já era. — Ela revirou os olhos, e ele sorriu ao vê-la fazer algo que ele já sabia que ela faria.
Egocêntrico.
Está dizendo que eu não estou gato nessa jaqueta de couro em cima de uma Kawasaki 250? — Passou os braços em volta da cintura fina da namorada.
Okay, eu tenho que concordar que é um charme. — Confessou, mesmo envergonhada. — Seus pais já viram?
Sim.
Tenho certeza de que não gostaram. — Ele deu de ombros. — Está fazendo isso para irritar a sua mãe?
Estou usando um recurso para ela te deixar em paz.
Como se isso fosse acontecer. — Desviou os olhos. — Ela nunca vai gostar de mim.
Eu quem tenho que gostar, não ela. — A fez o olhar. — Logo terminaremos o ensino médio, e então iremos morar juntos. — Ele viu a surpresa no olhar dela. — Não quer?
Não é isso, é que..., estou surpresa.
Eu quero acordar ao seu lado todos os dias, namorada. Eu não me importo se somos muito novos, não me importo com o fato de que minha mãe não aprova nosso relacionamento..., eu quero você pelo resto da minha vida.
Se eu não o conhecesse, pensaria que estaria me pedindo em casamento. – Brincou.
E se for?
Está brincando, né? — O sorriso já não estava em seus lábios.
Eu quero me casar com você, mas não agora, fica tranquila. — Ele a sentiu relaxar. — Mas acredite, FelicitySmoak, daqui alguns anos, eu estarei pedindo sua mão, porque não me vejo casado com mais ninguém. — E ela não pode deixar de se emocionar. — Você é minha razão de viver, você me transformou em um homem de verdade, Felicity, nada no mundo me fará escolher outra pessoa para ser minha esposa.
Você gosta de me deixar envergonhada, não é? — Ele sorriu.
Tem sorte de eu não dizer isso em frente a toda nossa sala.
Pelo amor de Deus, seria capaz de eu desmaiar. — Ele riu. Ela apertou os braços em volta dele. — Mas em resposta do que me disse..., também não me vejo com mais ninguém.
Claro que não, você não teria partido melhor que eu. — Ela revirou os olhos e ele voltou a rir. — Eu te amo, sabia?
Eu te amo também. Mesmo sendo tão metido. — Ele sorriu ladino. — Te amo tanto que as vezes é assustador.
No começo me sentia assim.
E o que mudou?
O seu amor por mim. O carinho, a preocupação, o apoio..., sentir-me completo, me tirou o medo. — Ela se surpreendeu com sua resposta. — Então, eu vou continuar dizendo o quanto te amo, e mostrando em todas as ocasiões da nossa vida, o meu amor por você. Da mesma forma que faz por mim, todos os dias.
Você é tão fofo. — Ele revirou os olhos.
Um dia eu me acostumo com isso. — E a risada dela foi calada por um beijo, que ela prontamente correspondeu, de forma calma, mas não menos apaixonada.
Não estava compreendendo o porquê daqueles flashbacks. Ia para o passado, voltava para o presente, e ela não conseguia entender porque aquilo estava acontecendo, mas também não reclamava. Ela gostava de sonhar, se lembrar. Era como se sentisse que ele estava com ela, desse modo, deixava de sentir que estava sozinha, que não conseguiriam encontrá-la. As lembranças lhe davam motivação, lhe fazia ainda crer que o marido a encontraria. Ela não deixaria de acreditar, não deixaria de confiar em Oliver, nunca. Mesmo que se passasse anos, o que ela esperava que não acontecesse, ela continuaria acreditando que ele a encontraria. A saudade pelos bebês foi tão grande, que ela não conseguiu deixar que as lágrimas caíssem. Seu coração bateu mais forte, com a lembrança dos trigêmeos. Ela queria tanto vê-los, tocá-los. Ela não sabia se eles ainda se lembravam dela e isso a sufocava, não sabia com quantos meses já estavam, não sabia se já falavam, não sabia se já engatinhavam. Era a vez dela de perder tudo isso? E por pensar assim, ela chorou, com o travesseiro abafando. Se lembrou dos gêmeos, e mais uma vez se perguntou como eles estariam com o pai, mais importante, como estariam se sentindo. Pedia todos os dias que eles não estivessem tendo os pesadelos novamente, por mais que sentisse que era impossível. Esperava que eles estivessem apoiando um ao outro e mais que isso, estivesse apoiando o pai.
Mamãe. —Felicity olhou para o filho. A irmãzinha estava dormindo na cama ao lado. — Lembra de quando eu me irritei por ficarmos? Por ver o papai com você?
Claro. Como poderia me esquecer? Você gritou com seu pai. — Ele desviou os olhos.
Eu me arrependo disso. — A loira deu um sorriso. — A senhora estava certa. Mas eu não queria me mostrar sendo um garoto ruim...
Eu sei disso.
Só não conseguia confiar nele. — Completou. — E por isso tratava ele daquele jeito. Mesmo assim, ele não me odiava.
Bryan, ele nunca poderia odiá-lo, ele compreendia você, apesar de se sentir triste. — O menino balançou a cabeça. — Mas por que estamos falando sobre isso?
Tive um sonho, e nele o papai não estava. —Felicity franziu o cenho. — Eu estava me vendo, do outro lado, junto da Brooke e da senhora. Eu senti falta da presença do papai, no sonho e isso me fez pensar sobre tudo que aconteceu. Se não tivesse vindo pra Star e não tivesse voltado com o papai, não teríamos conhecido ele, não teríamos criado um laço e não teríamos os trigêmeos. — Deu de ombros, mas a mãe percebeu que isso o incomodava. — O sonho me incomodou, tanto que eu acordei assustado. Mas eu sabia que era só um sonho. E que o papai estava no quarto ao lado, então me acalmei na mesma hora.
Isso era tudo que eu mais desejava. — Ele a encarou, confuso. — Essa ligação de vocês dois. O carinho que sentem um pelo outro, a confiança, demorou a acontecer, mas quando aconteceu foi instantâneo. A primeira vez que o chamou de pai, para ele, mesmo com as circunstâncias, foi muito especial.
Eu só percebi, quando já tinha dito. — Ela sorriu. — Mas foi bom.
Me prometa uma coisa?
O que quiser.
Não vai deixar que nada destrua esse laço de vocês. Que seja o que aconteça, você vai estar ao lado do seu pai, apoiando.
Por que está falando assim, mamãe?
Porque eu sei que ele vai precisar. — O coração dela apertou. — E eu quero que ele tenha os dois filhos dele ao seu lado. Não importa o que aconteça, você não vai, jamais, culpar seu pai. Você vai respirar fundo, pensar com calma, e de forma alguma dizer palavras que podem machucá-lo. Promete?
Eu prometo. — Ela beijou os cabelos loiros.
Eu te amo.
Também te amo, mamãe.
Felicity esperava que o filho tenha se lembrado da promessa que havia feito a ela. Ela sentia algo ruim, por mais que desejasse estar errada, por mais que rezasse para que o que seu coração estava dizendo, não aconteceria. Seu corpo inteiro estava sentindo algo ruim, e por isso demorou ainda mais para contar sobre a gravidez. Esperava que Oliver e Roy não estivessem brigando por conta do “sequestro” e que eles estivessem apoiando um ao outro naquele momento difícil. Ela estava sofrendo muito, mas tinha certeza de que o marido, o irmão, os filhos, os amigos e os sobrinhos, estavam sofrendo também.
Oliver. – Ela colocou uma das mãos no peito. Ele sorriu ao vê-la com a boca entreaberta, a mão direita no peito e a feição assustada no rosto. — Qual é o seu problema em avisar que chegou? – Ele riu.
Gosto de pegá-la desprevenida. — A olhou de cima a baixo. — E essas roupas?
Vai reclamar delas novamente? — Revirou os olhos.
Não mesmo, elas te deixam gostosa. — E ela não se surpreendeu com a resposta. — Contanto que não saia com esse tipo de roupa para fora de casa..., eu super apoio.
Pervertido. — Ele riu, vendo-a fechar o livro, colocando-a na mesa de cabeceira ao lado. — Você não tinha uma reunião?
Tinha, mas cancelei. — A loira franziu o cenho. — Eu não estava com cabeça. — Diz depois de um suspiro, sentando-se ao lado dela na cama.
O que houve dessa vez?
Como sabe que houve alguma coisa?
Eu te conheço, Oliver. — Voltou a revirar os olhos. — Deixa-me adivinhar: você se encontrou com Moira Queen.
Exato. — Eles suspiraram juntos, Oliver por estar cansado de ter a mesma conversa com Moira e Felicity por sentir-se mal por ver o marido passar por tanto estresse. — Ela não se cansa. Ela aproveitou que Walter estava trabalhando para ir até minha sala. — Balançou a cabeça. — Disse que faria o que eu quisesse, caso eu me divorciasse de você. Que aceitaria os gêmeos, que me aceitaria na agência..., como se eu precisasse da aprovação dela. — Bufou.
Ela não vai desistir, sabemos disso, mas você ficar estressado sempre que tiver a mesma discussão com ela, vai te adoecer.
E o que eu faço?
Bom, você veio para casa..., isso foi a melhor coisa que poderia fazer.
Mesmo? —Felicity mordeu o lábio, se aproximando do marido. — O que me sugere para me distrair? — Pergunta, devagar, enquanto subia a mão esquerda por dentro da blusa rosa-pink de alça que pegava na metade da barriga lisa.
O que você quiser. — Sussurrou, com a boca perto da dele.
O que eu quero, é você completamente nua e entregue para mim.
E você quer que eu tire, ou você quer fazer esse trabalho? — Diz, antes de morder o lábio, de forma provocante.
O trabalho vai ser todo meu. — Retirou a blusa dela rapidamente, jogando no chão. — Essa vai ser a melhor distração... — Puxou o mini short de malha na mesma cor da blusa. — Que eu poderia ter. — Beijou o pescoço, fazendo-a se arrepiar. — Tão cheirosa, tão linda... — Olhou nos olhos dela. — Eu te amo. — Ele não a deixa dizer o mesmo, pois a puxa para seu colo ao mesmo tempo em que toma os lábios dela de forma urgente.
Ela lembrava-se como se fosse ontem, de como o provocou. Queria de algum jeito fazê-lo se esquecer dos problemas, distraí-lo, e havia conseguido. Naquele dia ele havia pego ela de surpresa. Não o esperava em casa, àquela hora, pensava que ele chegaria mais tarde, principalmente, porque a secretária javia avisado sobre uma reunião. Passou o dia entediada, por isso escolheu um livro para ver se conseguia se distrair. Mas o dia só melhorou quando ele chegou, cansado, exausto e um pouco irritado. Ele tinha tido mais um encontro com Moira Queen. Balançou a cabeça se impedindo em pensar naquela mulher. Tudo que queria eram boas lembranças, as melhores, para que pudesse por um momento, sentir seu amor perto dela, mesmo que não fosse verdadeiro.
Se lembrava de seu coração bater desenfreado na primeira vez que viu Oliver, quando voltou para Star. Mesmo que se negasse, ela ainda o amava com todas as forças. Mesmo que soubesse que ele não teve nada com Laurel, ela ainda não conseguia confiar nele, e ao mesmo tempo, sentia vontade de beijá-lo, o tempo todo. Ela não imaginou que o ver, a faria sentir todas as coisas novamente, não imaginou que sua mão suaria, e seu corpo tremesse, e ela sentisse suas pernas bambearem, mesmo estando deitada, e essa era a sua sorte, ou desabaria no chão. Havia ficado com tanto medo de ele tirar os gêmeos dela, e no entanto, ele nunca falou sobre isso, em nenhum momento a ameaçou de alguma forma. Foi carinho, como sempre.
Oliver era um príncipe, e por pensar que ele havia a traído, ela começou a imaginar que era tudo mentira, que era tudo falsidade da parte dele, que não existia príncipes no mundo. Havia imaginado o pior dele, e depois que o reencontrou, ela percebeu o quão errada estava. O julgou, e não ouviu sua versão. Se tivesse ficado e ouvido o que ele tinha a dizer, ela nunca teria conhecido Cooper, e consequentemente não teria passado por aquele inferno, pelo menos não da parte daquele homem, já que Moira nunca a aceitaria. Mas não adiantava pensar no passado. Nada que fizesse o concertaria, e não tinha jeito de voltar no tempo. Se ela pudesse, já teria feito. Mesmo que pudesse acarretar em alguma consequência. Tudo seria melhor sem que tivesse de viver aquele inferno. Ela se assustou, e seus pensamentos foram para longe, quando a porta se abriu em um rompante.
Preciso falar com você. – Felicity praticamente pulou da cama.
Eu não quero falar com você.
Eu não perguntei. Está fugindo de mim, mesmo depois de eu te pedir perdão. – Ela se virou de costas. – Você tem problemas comigo, com a pessoa que te ama. Mas com aquele lá..., o homem que te traiu e te deixou sozinha com aquelas pestes... – Ela abriu a boca, mas ele a interrompeu. – Mas foi fácil, ficar com ele. Perdoar ele.
Você sabe muito bem que ele não me traiu. – Disse, olhando nos olhos dele, mesmo sabendo que nada adiantaria.
Eu te dei todo meu carinho durante a gravidez...
De novo isso? – Passou as mãos nos cabelos.
Eu fui muito melhor que ele. Te dei tudo. Cuidei de você.
Eu nunca pedi por isso. – Retrucou, irritada, cansada. – Eu agradeço, mas eu nunca, nunca te vi de outra forma, que não como um amigo...
Eu nunca quis só sua amizade. – Grita revoltado, e ela estremece. – Okay. Okay. – Respira fundo. – Não vou gritar, meu amor. – Se aproxima dela. – Só queria entender. Quero entender o porquê de você não me dar uma chance. – Ela se afastou.
Não, Cooper.
Vem aqui, meu amor. – Ele a trouxe para perto de seu corpo
Me deixa em paz. – Tentava empurrá-lo, mas ele era mais forte.
Me dê uma chance. Você pode me amar. Você só tem que me deixar... – Beijou seu pescoço, mesmo que ela pedisse para ele deixá-la. – Sabe o quanto eu te amo? Eu te amo, Felicity. – A deitou na cama, e se deitou por cima. E Felicity começou a se desesperar. – Querida, sente meu amor por você.
Ela pedia, desesperadamente para ele soltá-la, enquanto o empurrava com toda sua força, mas era inútil. Ele segurou os braços dela por cima da cabeça, com suas mãos, beijando seu pescoço. Ele dizia a cada beijo, que ela o amaria, se ela deixasse, e ela começava a sentir as lágrimas descerem por seu rosto, sabendo onde aquilo levaria, depois de uma semana sem tê-lo por perto. Tentava forçá-lo a soltar suas mãos, mas não adiantava. Ele juntou as mãos dela, e com uma de suas mãos, segurou os pulsos, enquanto sua mão livre a tocava. Passava pelas pernas torneadas, com força, dizendo que a ama. Sua mão chegou até os botões do short azul que ela vestia, e Felicity começa a se debater mais e mais, mesmo assim, ele consegue abrir os botões.
Por favor, Cooper. – Ela implora, mas ele não a houve. – Não, não.
Sentiu ele se afastar, mas não conseguiu se levantar, a força das mãos dele não deixaram. Ele retirava o short, e a calcinha que ela usava. Ele pedia para ela não chorar, dizia que ela iria gostar, que ele sentia sua falta, e que ela sentiria seu amor por ela. Mesmo que ela se debatesse, ele não lhe esbofeteou nenhuma vez, ele estava calmo demais, o que era espantoso. Isso fazia Felicity se desesperar mais ainda. Quando ele se afastou para tirar as próprias roupas, ela se levantou e correu para a porta, mas ela estava trancada. Forçou a fechadura, e então o olhou ao perceber que não daria certo, vendo-o com a chave.
Ela tremeu, chorando, e ele se aproximou, pegando nos cabelos loiros, com certa força, e ela grunhiu, mas ele não se importou, apenas beijou o pescoço exposto, tentando retirar a blusa que ela vestia. Ela tentava fazê-lo parar, pedia, implorava, se debatia, mas nada o fazia parar de beijar seu pescoço, e passar as mãos por seu corpo, deixando marcas, por conta da força que o fazia. Ele continuava a repetir que a amava, que a faria feliz, e que eles teriam um filho. De novo aquela história, mas Felicity não respondeu, só queria que ele a deixasse em paz. Disse que ele estava machucando-a, mesmo sabendo que não adiantaria.
Querida, sente o quanto eu te quero. – Diz, andando com ela até a cama, se deitando por cima. – Faz muito tempo que não ficamos juntos, meu amor.
Por favor, Cooper, por favor..., eu te imploro, me solta. – Sua voz saiu um pouco exaltada, sentindo as lágrimas descerem mais e mais por seu rosto. – Eu não quero, eu não quero. – Repete várias vezes, enquanto ele a forçava abrir as pernas para se colocar entre elas, enquanto continuava apalpando-a e beijando seu pescoço e colo.
Você foi com ele. Todos os dias em que ficou sobre o mesmo teto que ele... – Mordiscou o seio dela. – Não o negou nenhuma vez. Isso é tão injusto, amor. – Beijou o canto de sua boca, se voltando para o pescoço dela. – Você é uma tentação, querida. Tão cheirosa, tão gostosa, tão... – Ele se interrompeu, para segurar as mãos que o tentavam empurrá-lo. – Eu quero você, Felicity. E vou ter. – Ela chorou, soluçando algumas vezes. – E você vai gostar.
Eu não quero, Cooper. – Gritou, se agitado debaixo do corpo dele, sentindo o membro dele em contato com seu sexo. – Por favor, não faça isso. Por favor. – Sua voz quase não saiu.
Você é minha! – Sua voz se alterou. – E você vai ser minha para sempre, você me amando ou não.
Nunca vou te amar. Nunca! – Gritou. – Eu tenho nojo de você. Eu nunca vou ser sua completamente, eu sempre vou sentir asco de você, toda vez que me tocar... – Ele apertou as mãos na cintura dela, com força, mas o que a interrompeu, foi o modo bruto que ele entrou dentro dela, sem permissão, sem aviso prévio, fazendo-a gritar de dor.
Sinta o que eu posso fazer. – Geme em seu ouvido. – Eu posso, e sempre vou poder ter você só pra mim. – Diz em meio aos movimentos bruscos, que a machucavam. – E uma hora você vai se acostumar. Eu sei que vai, em algum momento, gostar tanto quanto eu. – Ela gritava, chorava, e implorava para ele parar, que estava machucando-a. – Te amo. – Olhou nos olhos dela. – Agora me beije. – Ela virou o rosto, chorando, mas ele pegou no rosto dela com uma das mãos, obrigando-a a beijá-lo, e mesmo que ela se recusasse, ele continuava com a insistência, continuava dizendo que ela era dele, e que sempre teria o corpo dela, quando quisesse, na hora que quisesse, e Felicity continuava a chorar.
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Felicity não conseguia parar de chorar. Desde o momento em que ele a tomou para si, de forma bruta, desde o momento em que ele começou a tocá-la. Quando ele saiu avisando que tinha algo para resolver, algo que ela não se importava nenhum pouco naquele momento, ela gritou de raiva, chorando de forma agoniante, com o travesseiro abaixo de seu rosto. Ela não conseguia mais suportar aquela situação. Sentia dor em cada parte de seu corpo, sentia vontade de chorar o dia todo, sentia vontade de desistir de tudo, mesmo sabendo que tinha filhos e um marido esperando-a em casa. Ela já não suportava ter as mãos daquele homem sobre seu corpo. Não suportava mais ter sua cavidade ser invadida, brutalmente. Tudo doía, seus músculos estavam tensos e a choro não parecia que iria parar tão cedo.
Ela implorava, em meio ao choro, que Oliver viesse buscá-la. Durante o ato de violência, Felicity não soube dizer quantas vezes chamou pelo marido, deixando Cooper ainda mais possesso, machucando-a ainda mais do que já estava machucando-a. Ela sabia que era mais fraca que ele, que nunca conseguiria fugir dos braços dele, mas gostaria de ter como se defender na próxima vez que ele aparecesse naquele quarto. Ela não conseguia deixar de amaldiçoá-lo, não conseguia deixar de xingá-lo a todo momento em pensamentos, enquanto chorava. Os soluços podiam ser ouvidos até no corredor, o choro alto já não era mais abafado pelo travesseiro. Felicity se levantou de vagar, chorando, agora mais calmo, caminhando até o banheiro, no qual trancou assim que passou por ele. Ela queria um tempo sozinha, principalmente sentindo sua cavidade arder. Ela tentou relaxar debaixo do chuveiro, mas não conseguiu, tentou fechar os olhos e fingir que não estava vivendo aquele inferno, e também não conseguiu. Saiu do banho, com medo de sair do quarto, já que havia se esquecido de pegar suas vestes. Pedindo mentalmente que ele não tivesse voltado, ela abriu a porta, de vagar, e se aliviou ao perceber que estava sozinha. Andou até o closet, pegando uma calcinha e um sutiã na mesma cor, além de uma blusa de mangas e uma calça moletom, mesmo que sentisse calor. Ela não queria mostrar seu corpo, já bastava ele tocá-la contra sua vontade. Os pelos dela se arrepiaram por inteiro, no momento em que ouviu a porta se abrir, e por isso não conseguiu sair do closet. Ficou estagnada, com uma das mãos em frente ao peito, enquanto que a outra se fechava em punho. O medo a atormentava, a respiração começava a ficar ofegante, e de repente, ficou mais nervosa do que já estava quando o viu aparecer em seu campo de visão.
Peguei seu jantar. — Avisou com um sorriso. – Venha comer. – Ela queria dizer não, queria mandá-lo se ferrar, mas estava cansada demais e assustada demais para isso naquele momento, e por isso apenas caminhou até onde estava a refeição. – Você tem que se alimentar bem. – Beijou seu rosto, depois de ela se sentar. – Está mais calma?
Não seja cínico. — Ele franziu o cenho, mas ela não pode ver, por ele estar em suas costas.
Não seja malcriada. — Se colocou a frente dela. — Coma, sei que está com fome.
Eu não tenho fome. — E era verdade. Seu estômago revirava enquanto via aquele peixe a sua frente, o cheiro só fazia tudo piorar.
Eu tenho, e muita. — Ela engoliu em seco, entendendo o segundo sentido da frase. — Mas deixamos a sobremesa para mais tarde. — Ela ficou nervosa novamente, a respiração ficando mais anormal do que quando o ouviu entrar. — Está bem? — A preocupação dele a irritava. Era tudo culpa dele, afinal de contas. — Felicity?
Não. E a culpa é sua. — Quando viu, já estava esbravejando. — Eu não me sinto bem, eu não quero comer nada disso, eu não quero você me olhando dessa forma. Eu só quero paz, será que é pedir muito? — Acabou gritando. — Não suporto mais você me machucando dessa forma.
Minha intenção não é essa. Se você não quer ver o amor que sinto por você por bem...
Isso não é amor. — O interrompeu. — Isso é doença. Eu não te amo, e você não pode me obrigar a amar você.
Com o tempo você vai aprender a me amar. — Deu de ombros, comendo do peixe, não se importando com o desabafo de Felicity.
Isso nunca vai acontecer. Você precisa se tratar.
Você precisa aprender a dar valor nas pessoas que te amam. — Retrucou, bufado em seguida. — Você só sabe reclamar. Eu te dou tudo.
Me obrigar a me deitar com você, não é amor. Me obrigar a beijar você, me ameaçar, me marcar com suas mãos..., não é amor. — Se levantou, se afastando daquela mesa. — Tudo que eu quero é ficar longe de você.
Vai ter que se contentar com minha presença.
Eu não ficarei aqui para sempre, Cooper. — O olhou nos olhos, se sentando na cama. — Oliver vai vir um buscar.
Não fale desse homem. — Rosnou, perdendo a paciência.
Você não gosta que eu fale dele, porque sabe que ele me ama mais do qualquer um poderia me amar. — Ela se assustou quando a mesa foi jogada com brusquidão para o chão, junto de toda a comida em cima dela.
Minha paciência tem limite.
Ela anda bem curta ultimamente. — Ele trincou os dentes. — Pelo amor de Deus, Cooper, me deixe ir embora. — Seus olhos lacrimejaram. — Será que nem em nome de Deus, você vai me ouvir? — Ela já não sabia mais o que usar para fazê-lo compreender, para fazê-lo aceitar.
Você é minha! — Praticamente gritou. — E vai ser minha até quando eu quiser. — Ele começou a se aproximar, e o nervosismo dela voltou. — Vai ter que se acostumar, Felicity...
Isso nunca vai acontecer. Eu nunca vou desistir de ir para casa.
E eu nunca vou desistir de ter você. Gostando ou não, querendo ou não... — Pegou em seu rosto, sem machucar, aproximando sua boca da dela. — Vamos ficar juntos pelo resto de nossas vidas. E em algum determinado tempo, você vai se acostumar, e você vai me amar. — Ela balançou a cabeça. — Mas enquanto isso não acontece..., vou ter você para mim contra a sua vontade. Na verdade, é até mais gostoso assim. — Ela estremeceu. — E eu sei que gosta desse tipo de brutalidade, apesar de seus gritos. — Beijou os lábios dela rapidamente. — Vou deixá-la sozinha por hoje. — Piscou, sorrindo, antes de se afastar. — Até amanhã, meu amor.
Felicity soltou o ar, no instante em que ele saiu. Seu corpo ainda tremia, mas ela já se sentia aliviada por pelo menos o resto daquela noite, ela teria paz, ela não teria as mãos daquele homem passeando por seu corpo. Se jogou na cama de costas, sentindo os músculos relaxarem, os olhos pesarem e o sono chegar com força total. Estava exausta por conta da força que fez para impedir o ato horrendo de Cooper. Percebendo que dormiria, ela pediu que sonhasse com Oliver.
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Faziam sessenta dias que Felicity estava com Cooper, e nada era encontrado para trazê-la de volta. Eles procuraram por todos aqueles dias, e nada tinha sido descoberto. Oliver, Roy, e todos seus amigos estavam desesperados. Eles pensavam nos dias, contavam cada um deles, e sentiam seus corpos tremerem em agonia, aflição, angustia. Eles sabiam o que ela estava passando. Cada um deles sabiam, e por isso a preocupação desesperadora. Noah ainda não tinha voltado e os pensamentos de que ele pudesse estar junto de Cooper voltava a mente de cada um dos agentes, inclusive de Oliver. Ele não queria, mas não conseguia parar de pensar na possibilidade de nunca mais ver sua esposa. Não conseguiam nada. Sessenta dias procurando, e sempre voltando para casa com nenhuma informação. nenhuma. Ele já não estava suportando. Porque? Por que aquilo estava acontecendo? Por que sua mulher estava passando por todo aquele sofrimento novamente? Por que? Ele não conseguia entender. Sentia-se um inútil. Sentia-se culpado, mesmo que todos dissessem o contrário, até mesmo seus filhos.
As crianças mesmo ainda esperançosos, estavam abatidas, e Oliver não sabia como ajudá-los. Thea ficava presente, tentando ajudar, os amigos estavam ali, todos os dias, apoiando-o naquele momento difícil, seus sobrinhos tentavam distrair os gêmeos, mesmo que também estivessem preocupados com a tia. Nada fazia com que aquele vazio deixasse seu ser. Ele dormia com os filhos, todos os dias, na intenção de tranquilizá-los pelo menos a noite, já que desde que Felicity foi levada, eles haviam voltado a ter pesadelos. Os malditos pesadelos que os atormentavam quando os conheceu. As notícias sobre Kara era que ela estava melhorando. O inchaço da cabeça diminuiu, então, de acordo com os médicos ela deve acordar logo, e Oliver esperava que ela acordasse, porque o que Mon-el deveria estar passando, não estava sendo fácil, ainda mais tendo crianças tão pequenas.
Oliver observava os trigêmeos dormirem. Alissa estava dormindo ali com o marido desde que Felicity viajou, para poder alimentar os trigêmeos. E ele era tão grato. Aos dois, afinal, o marido de Alissa aceitou de bom grado ficar ali, ajudando-o, até mesmo com os gêmeos quando ele, o pai, estava com os agentes. E se não fosse por eles, o que seria de seus filhos? Eles só tinham seis meses, ainda precisavam do leite materno. Infelizmente eles não eram amamentados pela mãe deles. Beijou a cabecinha cabeluda e cheirosa de cada um dos seus bebês, pegou o objeto eletrônico, para saber quando eles acordarem, e saiu do quarto. Os gêmeos estavam dormindo, finalmente. Não tinha sido fácil fazê-los dormir, ainda mais com aqueles pesadelos infernais que estavam tendo desde que a mãe desapareceu. Novamente, aquele tormento. Para Oliver, aquilo era um inferno. Chegou na sala e encontrou Roy com os seguranças de sua mulher.
Me desculpem a demora. – Cruzou os braços.
Como os bebês estão? – Oliver olhou para Helena.
Estão bem. Sentem falta dela. – Suspirou. – Mas o leite de Alissa tem ajudado muito.
Graças a Deus. – Dizem todos.
E os gêmeos? – Tyler pergunta.
Dormindo. Por isso essa é a melhor hora para conversarmos. – Eles assentem.
Oliver, nós não encontramos nada do Cooper na Rússia. – Harley é a primeira a se pronunciar. A equipe de mulheres, além de Michael, havia ido até o país onde Cooper havia ficado por vários meses, antes de aparecer em Star City. – Procuramos, fizemos perguntas, tudo na surdina, como fizemos em L.A..., e nada.
Parece que ele tomou chá de sumiço. – Heyley diz. – O maldito evaporou.
Digo o mesmo de Renee. – Diz Luke. – Procuramos por ele, tentamos encontrá-lo pelo localizador, e nada.
Ele deve estar com medo.
Claro, irmãozinho. Porque ele sabe que se eu por minhas mãos nele..., não vai sobrar osso naquele corpo. – Gregory diz em rosnado.
Muito desgraçado.
Tinha que ser comparsa do demônio do Cooper. – Philip diz depois de Alan.
Temos que continuar buscando por eles.
Nós não vamos desistir, Oliver. — Mina diz.
O problema, é que agora que Cooper tem o que ele sempre quis... – Violet engole em seco. – Tememos não conseguirmos encontrá-lo.
Em Las Vegas ele não está. – Helena diz. – Eu e Michael temos contatos por lá, e disseram que Cooper não apareceu por lá.
Ele não aparece em Las Vegas a dois anos. – Michael completa.
Onde mais o infeliz estaria? – As portas do elevador se abrem, e todos caminham até lá. – Falando no diabo. – Liam rosna.
Onde estava Noah? – Oliver pergunta, ameaçadoramente.
Estávamos loucos, procurando por Felicity..., você sumiu, seu desgraçado.
Calma, Gregory. – O irmão pede.
Onde estava, Noah? Não conseguimos nem mesmo te rastrear. – Helena se pronuncia depois de Collin. – Felicity desapareceu a dois meses, e você disse que iria encontrá-la.
E pelo que vejo..., não fez nada que preste. – Dimitri rosna.
Deixe-o falar. – Logan se pronuncia.
Eu posso ajudar. – Todos os seguranças, inclusive as mulheres, Oliver e Roy, arquearam as sobrancelhas. – Sei que provavelmente não confiam em mim...
Não mesmo.
E eu entendo, Gregory. Mas eu posso ajudar, e por isso eu peço..., confiem mim. – Eles olharam para Oliver e Roy.
É melhor você ter uma ideia muito boa para me ajudar a trazer minha mulher de volta.
Ela é. – Engoliu em seco. – E provavelmente..., seja mais perigosa para mim do que para qualquer um aqui. – Diz deixando todos curiosos. – Eu estarei em perigo, mas não me importo.
Qual é a sua ideia, Noah?
Simples, Mike. Vou levá-los até Cooper.
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