Cross Destination
50 Capítulo Cinquenta
Notas iniciais

Já havia se passado uma semana desde o casamento duplo. Como Felicity e Oliver não estavam seguros em deixar os bebês, haviam decidido não sair em lua-de-mel, e Sara e Ray decidiram o mesmo. Mas isso não queria dizer, que eles tenham tido pelo menos um dia inteiro para aproveitarem. Os trigêmeos haviam ficado com Roy e Thea, e Killian e os gêmeos ficaram com Laurel e Tommy, que haviam se prontificado para tal, os gêmeos Palmer haviam ficado com o avô, que para a surpresa do casal, havia se prontificado a cuidá-los para que pudessem aproveitarem pelo menos um dia sem as crianças. Assim como Felicity, Sara ficou abismada quando o homem apareceu no casamento. Ele havia recebido o convite, mas Ray não acreditava que o pai fosse aparecer. E ele apareceu, e sem a esposa a tiracolo, o que fez o noivo agradecer mentalmente. Mesmo que Ray havia dito que o outro estava mudando, e que ainda tentava pensar em uma forma de tirar Lira da vida do filho e do neto, ninguém parecia acreditar que ele estava mudando de verdade, até mesmo Ray pensava assim. Mas parecia ser sério. O homem não só tratava Sara bem, como alguns dias antes do casamento, havia lhe pedido perdão por todas as grosserias, e por ter tentado colocar o neto contra ela.
James estava tentando, e por mais que Sara ainda ficasse desconfiada, ela pedia para que fosse apenas cisma de sua parte, porque ela não queria ver nem seu marido, nem seu filho sofrendo. Eles não mereciam. Killian apesar de ser bastante inteligente, era uma criança e muito sensível, caso o avô o decepcionasse, ele ficaria muito triste, e com certeza isso o machucaria profundamente. E ela não era a única a se preocupar com o garotinho. Ray, Felicity, Oliver, Barry, Caitlin, Tommy e Laurel também sentiam a mesma preocupação. Eles sabiam o quanto o menino amava o avô, tanto quanto amava os pais. Esperavam que o homem estivesse sendo verdadeiro em todas aquelas coisas que estava fazendo.
Naquele dia, estavam todos reunidos no apartamento de Sara e Ray. Eles haviam combinado de almoçar juntos, mas quando chegaram, não puderam deixar de ver a mulher que se encontrava a frente de Sara e Ray, de braços cruzados. A governanta havia aberto a porta, e avisado que o casal Palmer tinha visita. Felicity reconheceu a mãe biológica de Killian assim que pousou seus olhos nela. Ela parecia irritada com algo, assim como seus amigos. Olhou ao redor, procurando por Killian, mas não o encontrou. Ela não era a única a estar preocupada com a situação, os outros também estavam. Queriam muito poder ajudar, mas não achavam que deveriam se meter naquele assunto, ou poderiam piorar a situação. Oliver percebeu a esposa se mexer, colocando o bebê conforto que estava em sua mão, no chão, para então se afastar dos demais. Todos se perguntavam onde ela estava indo, até vê-la subir as escadas. Por algum motivo a loira sentia que o garotinho de cabelos escuros e olhos claros estava no andar de cima. Oliver poderia segui-la, mas achou melhor não o fazer. Ela sabia o que estava fazendo, talvez, melhor do que qualquer um ali.
Felicity andou em direção ao quarto do garotinho, assim que chegou ao corredor. Não foi difícil encontrá–lo, afinal tinha uma plaquinha com o desenho da tarântula que ele tanto amava, e em baixo o nome “Killian” escrito em letras delicadas. Tentou abrir, mas não conseguiu. Estava trancada. Bateu na porta, e esperou por um momento, mas ele não a abriu. Se perguntava se ele estava com medo de ser a mulher que estava lá embaixo. Será que aquele era mais um dia que ele deveria passar com a mãe biológica? Ela se perguntava. Se não estava enganada, Sara havia dito que Lira só poderia vê-lo no final de semana, e ainda era terça. Franziu o cenho, preocupada com o menino dentro do quarto, e deixou de pensar muito para voltar a bater na porta.
— Killian, é a Felicity. – Se pronunciou. – Pode abrir para mim? – Ouviu um som parecendo de um soluço, e seu peito apertou. – Killian? – Tentou mais uma vez, e de repente ouviu o trinco, e a porta se abriu no instante seguinte.
— Tia. – Os olhos do menino estavam vermelhos, e Felicity se aproximou, abraçando-o, e fechando a porta. – Eu não quero ir, tia.
— Por que ela está querendo te levar hoje, sendo que só pode no final de semana?
— O papai ficou comigo no final de semana do casamento, e ela podia escolher outro dia para passar comigo. – Explicou, deixando um soluço escapar. – Mas eu não quero ir. Ela não pode me obrigar, tia. Eu quero ficar com meus pais, eu quero ficar brincando aqui... – Diz de forma desesperada, olhando-a nos olhos.
— Querido, eu tenho certeza de que se seus pais pudessem, eles não a deixariam levá-lo, mas tem uma assistente social aí. E a..., aquela mulher tem o direito de te levar se quiser. – Ele chorou, apertando suas mãos em punhos, balançando a cabeça.
— Mas, o vovô disse que se eu não quisesse, eu não precisava ir. Ele disse, ele prometeu pra mim. – Diz com a voz chorosa. Felicity franziu o cenho. Se isso era verdade, então tinha alguma coisa a mais que ela não estava sabendo.
— Então fique calmo. – Pegou na mão dele e o levou para a cama. – Tenho certeza de que seu avô falou com seus pais sobre isso, e eles vão resolver. – Se sentou e o fez deitar-se, com a cabeça em suas pernas. – Não fique desesperado atoa, está bem? – Sentiu a mão dele apertar sua perna, mas não se importou, apenas se acomodou melhor na cama, apoiando as costas na parede, enquanto passava as mãos entre os fios escuros. – Vai dar tudo certo.
— O vovô vai vir. – Felicity o olhou. – Ele disse que viria.
— Você ligou para ele?
— Estava com medo. – A loira beijou sua testa, compreendendo. – E se o papai e a mamãe não conseguirem fazer aquela mulher ir embora? Por isso eu chamei o vovô. – Ele a olhou de repente. – Acha que meus pais vão ficar chateados comigo?
— Tenho certeza de que não. – O beijou novamente, no mesmo lugar. – Agora deixe de se preocupar, seus pais e seu avô podem cuidar disso.
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Oliver olhou no relógio de pulso. Sua esposa estava lá em cima a mais de minutos, e ainda não havia descido. Ele tinha certeza de que ela havia encontrado Killian, e que por não querer deixá-lo sozinho, ficou com ele. Laurel havia enviado as crianças para o jardim. Elas não precisavam presenciar a outra mulher gritar com os tios deles. Ficariam preocupados, mais do que já estavam. Eles perguntaram por Killian, mas ninguém soube dar uma resposta concreta, mas haviam conseguido convencê-lo de irem brincar sem o amigo, até que tudo se resolvesse, e eles descobrissem o que está acontecendo – apesar de já terem uma ideia. Se aquela mulher estava ali, com uma assistente social – que eles não haviam reconhecido, vale ressaltar –, era porque queria levar a criança, os pais dele gostando ou não.
Laurel se segurava para não dar na cara da mulher, assim como Caitlin e Thea. Ela some por anos, e agora volta, querendo transformar a vida de seus amigos e sobrinho em um inferno. Se perguntavam, como uma mulher podia ser tão maldita a tal ponto. Mas eles sabiam que ela não era a única mulher maldita que conheciam, também tinha Moira Steel. Puderam perceber que Sara estava cansada daquela discussão sem fim. Ela havia suspirado várias vezes e passado as mãos nos cabelos, a mesma quantidade de vezes, tentando se acalmar, e não levar aquele assunto para outro patamar, senão os gritos. Odiava que alguém lhe levantava a voz, e aquela mulher estava lhe deixando com muita pouca paciência. Mais um pouco e lhe daria uma surra.
Parecia que aquilo não iria acabar nunca. A assistente social havia ameaçado chamar a polícia, caso não chamassem o menino, Lira gritava, dizendo que não podiam proibi-la de vê-lo, e que tinha direitos como mãe – algo que ninguém ali concordava. Ray, mesmo um homem tão calmo, estava com a paciência no limite, e já deixava sua irritação ser demonstrada por palavras hostis. Alguém poderia culpá-lo por isso? Mesmo que falassem alto um com o outro, todos puderam ouvir a campainha tocar, mas nem Sara e nem Ray saíram do lugar. Barry, que estava o mais perto da porta possível, caminhou em direção a ela, na intenção de fazer o que ninguém se dispôs a fazer. Se surpreendeu ao reconhecer o homem a sua frente.
— Onde está meu neto? – Deu passagem, fechando a porta em seguida.
— Não sei mesmo. Desde que chegamos não o vimos. – Respondeu seguindo-o até a sala.
— Senhor Palmer. – Oliver o cumprimentou.
— Queen, Merlyn. – Cumprimentou os homens que estavam lado a lado. – Com licença, tenho algo a resolver.
Caminhou até onde estava seu filho e a nora, e então, ambos puderam perceber sua presença. Se surpreenderam ao vê-lo. Sua feição não era a das melhores, e eles se perguntavam se era por ver Lira presente. Mais que isso, se perguntavam o que ele estava fazendo ali. Não haviam comunicado nada sobre aquela mulher, e sempre que ele ia visitar o neto, avisava antes, para o caso de não estarem em casa, ou terem programado outra coisa.
— Pai? – A mulher se virou, encontrando o ex-sogro. – O que o senhor faz aqui?
— Eu vim resolver a situação. Pelo menos parte dela. – Cada um dos presentes, incluindo os amigos do casal, franziram o cenho. – Como vai, Sara?
— Estaria melhor se não tivesse esse encosto na minha casa, James. – Laurel e Thea seguraram uma risada.
— Eu vim buscar meu filho.
— Desde quando ele é seu filho? Desde quando se importa tanto com ele? – Sara revirou os olhos. – Você o abandonou, e não tem direito de vir aqui e obrigá-lo a sair com você.
— Quem você pensa...
— Ela está certa. – A outra olhou raivosamente para James Palmer.
— Desde quando está do lado dessa... – A olhou de cima a baixo. – Vadia.
— A única vadia que eu conheço é você. – Todos se surpreenderam, mas não por ele ter xingado a outra, mas por ter defendido Sara. – Mas não vamos falar dos seus podres, não é? – Sara cruzou os braços, deixando um sorriso escapar, adorando a forma como o sogro falava com a mulher a sua frente. – Você não vai gostar muito de ler isso, mas... – Deu de ombros e entregou, sem deixar a expressão séria sair de seu rosto.
— Que raio é isso?
— Você não sabe ler?
— Isso não pode ser verdade. Eu tenho direitos.
— Sim, você o tem, é verdade. Você os tem. Mas mesmo você sendo a mãe dele, se meu neto não quiser ir com você..., não pode obrigá-lo. – Ray e Sara olham para o mais velho, surpresos por ele ter os papeis que comprovavam o que haviam dito a Lira a pouco.
— Como se pudéssemos chamá-la assim, não é? – Sara não conseguia segurar a língua. Estava irritada. – Porque uma verdadeira mãe, não abandona o filho, não o deixa pensar que não o ama, e definitivamente, não volta atrás dele, na intenção de querer a herança que é dele por direito. – Todos a olhavam, e surpreendentemente, quando desviou os olhos, Ray pôde ver um resquício de orgulho no olhar no pai, em direção a sua esposa. – Você foi só a mulher que o trouxe ao mundo, mais nada. Porque nem mesmo o amamentou.
— Olha aqui, você não tem o direito de dizer essas coisas para mim. Não me conhece de verdade. – Sara revirou os olhos. – Você pode tentar ser a mãe dele, mas eu é que sou. Ele tem meu sangue.
— Para o meu desgosto. – O Palmer mais velho diz. – E eu tenho que agradecer todos os dias por estar errado, e reconhecer que ela foi mais mãe que você. – Todos novamente estavam surpresos, inclusive o casal. – Meu maior erro, o pior deles, foi ter trago você de volta à cidade. – A outra sentia seu corpo tremer de raiva. Ouvir todas aquelas coisas, na frente de todas aquelas pessoas, e pior, na frente da esposa de seu ex-marido, foi o que mais a deixou possessa. – Você quer dinheiro? Ótimo. – Se colocou na frente do filho e da nora, para poder olhar nos olhos da outra. – Você um dia me fez a proposta de eu lhe dar cem mil dólares todo mês, e que só então deixaria meu filho. – Ray, que não sabia sobre aquilo, arregalou os olhos. Todos os presentes perceberam que ele estava surpreso pela revelação do pai. – Que seja. Eu dobro essa proposta, e você some da vida do meu neto. – E essa última, foi mais uma surpresa para os presentes.
— Eu jamais imaginei que um dia me faria essa proposta.
— Tudo para que meu neto fique livre de você. – A outra gargalhou.
— Eu sumo. De uma vez por todas. Mas é melhor não me passar a perna, ou eu volto, e termino de fazer a vida de todos vocês em um verdadeiro inferno.
— Eu não vou deixar de te pagar, porque eu me preocupo mais com os sentimentos do meu neto, do que com a porcaria do dinheiro que você tanto ama. – Riu. – E eu ganho isso em um dia, então pegue a merda desse cheque... – Ele assinou o cheque, que havia tirado do bolso de trás. – E vá para o quinto dos infernos, se quiser.
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Sara e Ray haviam subido para ver Killian. Estavam preocupados, e queriam tranquilizá-lo, e dizer que Lira foi embora, e dessa vez, é de uma vez por todas. Graças ao avô do menino. Ray jamais imaginou que o pai faria aquela proposta, era muito dinheiro. Era verdade que seu pai era muito, muito rico. E realmente ganhava aquela quantia em um dia, mas mesmo assim, não esperava ouvir fazê-lo tal proposta. Assim que abriram a porta, se surpreenderam ao ver que o filho dormia tranquilamente com a cabeça apoiada nas pernas da tia Felicity, e mais surpresos ainda, por vê-la ali com o menino. Não tinham percebido que ela havia subido as escadas. Ray se encostou na parede, suspirando, aliviado por ver Killian tranquilo, e Sara se aproximou, sentando-se na cama, passando uma das mãos nos cabelos do menino.
Não precisavam ouvir de Felicity que quando subiu, a porta estava trancada, e quando o menino a abriu, encontrou olhos vermelhos, por conta do choro sofrido. Ele estava com medo, e nenhum dos pais se surpreenderam ao ouvir tal afirmação. A loira contou que Killian ligou para avô, com medo de que os pais não conseguissem fazer a mãe biológica ir embora, e dessa vez, tanto Sara quanto Ray, se surpreenderam. Em nenhum momento, havia passado pela mente deles, que James havia aparecido por conta de um telefonema desesperado do neto. E o coração de Sara se apertou. Não pôde estar com ele, acalmá-lo, tranquilizá-lo. Mas era agradecida por sua amiga loira ter feito tal coisa. Ela e Ray estavam mais que agradecidos.
Sara ajudou Felicity tirar o pequeno de seu colo, e o arrumou na cama, empurrando o edredom para longe do filho, ao perceber que ele estava suando. Ele se mexeu na cama, e ao contrário do que a Queen imaginou, ele não acordou. Ray contou tudo que havia acontecido no andar debaixo, em especial a parte em que seu pai chegou, surpreendendo Felicity. Aquela era uma certeza de que o velho queria mesmo mudar. Sara beijou os cabelos escuros, e se levantou, andando para fora do quarto, encostando a porta.
— Nem sei como agradecer, Felicity. – Ray foi o primeiro a se pronunciar, quando saíram do quarto. – Sara quis subir, mas aquela... –Reprimiu o “vadia”. – Mulher não deixou.
— Não precisam me agradecer. Fiquei preocupada, e como vi que estavam ocupados, achei melhor ver como ele estava.
— Ela chegou aqui querendo levá-lo a força. – Sara diz, apertando a mão do marido. – Pegou no braço dele, e tudo, mas a assistente social interviu, e a acalmou...
— Mas não durou muito. – Ray completou. – Killian praticamente gritou que não iria, e subiu as escadas correndo. Ficamos preocupados, mas...
— O importante é que está tudo bem agora. Seu pai conseguiu tirar a megera do caminho de vocês. E principalmente de Killian. – Eles concordaram.
— Como ele está? – Ray olhou para o pai, que estava parado, preocupado, no último degrau das escadas.
— Ele está dormindo. Felicity conseguiu fazê-lo se acalmar.
— Obrigado. – A loira sorriu.
— Não precisa agradecer. Fiquei preocupada quando não o vi pela casa, então subi as escadas para saber como ele estava. – Volta a explicar.
— Ele estava desesperado quando me ligou. Apenas peguei os documentos, e corri para cá.
— Como os conseguiu? – Sara pergunta, curiosa.
— Um amigo é pai de um Juiz. Pedi um favor, e ele agilizou os documentos para mim. Chegou ontem em minhas mãos. Ia vir aqui mais tarde para entregar.
— O senhor sabe que agora ela vai te extorquir por tempo indeterminado, não sabe?
— A culpa é toda minha. – Deu de ombros, não se importando. – Eu a trouxe de volta, então eu devo arcar com as consequências. Vou lidar com ela, vocês não precisarão vê-la nunca mais.
— Obrigado, pai. – O homem balançou a cabeça.
— Não tem que me agradecer. Tudo que você disse para mim, cada uma das palavras, eu sei que mereci. – Sara e Felicity se olharam por um breve momento.
— Soraya não vai gostar nada de o senhor ter feito aquela proposta. – Murmurou, não gostando de se lembrar daquela mulher.
— Eu me entendo com ela.
Ele não se preocupava nenhum pouco, e isso realmente surpreendeu Ray. Seu pai sempre foi muito submisso em relação a esposa. Fazia tudo que ela desejava, do jeito que ela queria. Todas as suas vontades eram feitas, e ele sempre acreditava na mulher em vez de no próprio filho. Quantas vezes levou bronca, por algo que não fez, por culpa daquela mulher? Quantas vezes, foi repreendido, por ter sido groso com a outra, quando ela tinha sido primeiro? Quantas vezes havia se passado por mentiroso, porque Soraya manipulava seu pai? E Ray se perguntava se mais uma vez, a esposa de seu pai conseguiria fazer sua cabeça, e manipulá-lo da forma como quisesse, provavelmente colocando-o contra o próprio filho, mais uma vez. Ou contra Sara, já que a mulher não gostava nenhum pouco da antiga Lance.
— Eu já vou indo. Diga ao Killian que ligo para ele mais tarde.
— Eu o acompanho. – O homem acenou para Sara e Felicity, e saiu, sendo seguido pelo filho.
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Com o dia maçante que a família Palmer havia passado, os amigos decidiram não ficar por muito tempo. Eles precisavam descansar, e imaginavam que se ficassem até quase o anoitecer, eles se cansariam ainda mais. As crianças não gostaram muito de ter que irem embora mais cedo, mas não seus pais não mudaram de ideia mesmo que eles implorassem, todos juntos, para ficarem mais um pouco. Almoçaram, e quase logo em seguida, seguiram para suas próprias casas. Killian acabou não brincando com os amigos, já que dormiu até quase a hora do almoço, mas seus pais prometerem se encontrar no dia seguinte, para que pudessem se divertir no jardim da casa dos Merlyn.
Sara não poderia dizer que não estava esgotada. Aquela discussão toda, havia lhe desgastado, e o mesmo se passava com Ray. Não admitiram isso aos amigos, porque mesmo cansados, gostavam da companhia deles. Quando eles se foram, não precisaram de muito para que os gêmeos dormissem tranquilos, e eles eram agradecidos pelos bebês estarem tão dorminhocos naquele dia. Killian não estava com sono, mas depois de tomar um banho, e esperar seus pais fazerem o mesmo, se deitou entre eles – o que era bem raro de se acontecer –, e em poucos minutos, acabou por adormecer, sabendo que não precisaria mais se preocupar com a mãe biológica, porque não só seu avô – que havia ligado pouco depois dos tios irem embora –, mas seus pais, prometeram que ela não voltaria.
Felicity e Oliver deixaram seus bebês no berço, e seguiram para a cozinha. Eles estavam dormindo, desde o almoço, e eles esperavam que seus filhos dormissem por mais de três horas naquele dia. Diferente do que imaginavam, os gêmeos estavam completamente despertos, e por culpa do sorvete – que Sara havia lhes dado –, estavam muito elétricos. Oliver estava exausto, mas não pensou nem por um momento, em recusar o pedido do filho em jogar videogame. Felicity e Brooke, estavam sentadas no sofá, enquanto que Oliver e Bryan estavam sentados no tapete felpudo, concentrados na TV. Por mais que o mais velho tentasse, não conseguia ganhar do filho, e ele soube, no final do segundo round, que perderia mais uma vez. Realmente ele tinha que admitir, e dar razão a esposa, A criança ao seu lado estava viciado naquele jogo. Haviam jogado quatro vezes, com personagens diferentes, e seu filho sabia os especiais de cada um deles.
Enquanto eles se divertiam, eles não percebiam o celular vibrar. Nem Felicity, e muito menos Oliver. Assim como o irmão ganhou do pai, Brooke venceu sua mãe. E nem havia sido muito difícil. Ela se vangloriava, fazendo a loira reconhecer seu marido naquele modo de agir. Os olhos da esposa sobre si, lhe deu a certeza do que ela estava pensava naquele momento, e por isso não pôde deixar de rir. Ele mesmo achou a filha muito parecida consigo naquele momento. Bryan não estava diferente da irmã, mas isso já não era uma surpresa para os pais. O último round acabou, e os mais velhos disseram que era hora de desligar. Foi impossível não ouvir a reclamação, já que veio segundos depois, de ambas as crianças. E novamente estavam caindo em suas artimanhas, porque eles sempre usavam a desculpa de não terem um jardim para brincar.
— Nós vamos ter que nos mudar, ou eles vão dar essa desculpa a vida toda. – O marido riu.
— Mamãe, não é desculpa.
— É. Quando estamos na casa dos nossos tios, nem mesmo ligamos o videogame.
— Só quando chove. – Brooke completa.
— Isso é verdade. – Felicity fuzilou o marido, que voltou a rir.
— Por que não pegam um de seus jogos?
— E que graça tem jogar só eu e a Beev? – Cruzou os braços, ficando ainda mais parecido com o pai.
— O videogame é tão mais divertido.
— Mas faz mal. Já estamos jogando a quase duas horas.
— Ah, mamãe, amanhã vamos passar o dia na casa da tia Laurel. Nem vamos tocar no videogame. – A irmã concordou.
— Prometem?
— Prometemos. – Respondem juntos. Ela suspira.
— Okay, então... – Os sorrisos aparecem novamente nos rostos dos filhos. – Mas só por mais algumas horas.
— O que querem de lanche? Eu vou preparar.
As crianças não puderam responder porque logo em seguida ouviram o som do elevador. Não haviam sido avisados que alguém estava subindo, nem mesmo pelos seguranças, e Oliver se preocupou. Olhou em volta procurando seu celular, mas não o encontrou, e por mais que quisesse procurá-lo naquele momento, não poderia. Precisava proteger sua família, e para isso precisava estar preparado. Se colocou de pé, no instante seguinte, e ordenou que os três fossem para a cozinha, enquanto abria um fundo falso que havia no piso de madeira, perto da escada – para a surpresa de Felicity e das crianças – e retirava uma arma. As crianças tremiam, e Felicity os abraçou, tremendo tanto quanto. Sua respiração estava anormal, e mesmo que ela tentasse se controlar, não conseguia. Cada um deles soltou s=um suspiro de alívio ao perceber que era Renee, Dimitri, Mike e Gregory.
— Quase me mataram de nervoso.
— Tentamos falar com vocês e não conseguimos.
— Meu celular sumiu. – Andou até o sofá, retirando todas as almofadas, e brinquedos dos trigêmeos, encontrando finalmente o aparelho. – Estava no silencioso. – Bufou, passando a aumentar o som. – Estamos bem, não se preocupem.
— Não viemos aqui para isso. – Gregory diz.
— Vocês não deveriam estar em National City? – Oliver enfim se dá conta de que o segurança moreno, e o outro, o maior deles, não deveria estar em sua frente.
— Sim, mas eu voltei por que... – Renee olhou para os outros dois, se interrompendo.
— O que aconteceu? – Felicity deu dois passos para frente, preocupada.
— Olha, precisam se acalmar, e não surtar. – Oliver segurou a mão da esposa, ao perceber que ela havia começado a tremer.
— Mike. – Oliver chamou sua atenção. – Aconteceu alguma coisa em National?
— Kara Denvers está hospitalizada.
— O que? – A voz de Felicity quase não saiu. Seus olhos lacrimejaram.
— Ela foi atropelada, brutalmente. – Gregory diz, com calma, mesmo sabendo que nada que fizesse faria Felicity não se sentir triste. – Ela está em coma.
— E isso foi a última coisa que a loira ouviu, antes de sentir sua visão embaçar, e os braços do marido em volta de si, amparando-a, quando desmaiou.
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Quando acordou, alguns minutos depois, ouviu tudo novamente, de seu marido dessa vez, que estava muito preocupado. Não só com a esposa, mas também com o casal de National City. Mon-el deveria estar desesperado, e ele ainda tinha que cuidar dos filhos. Oliver esperava tudo, menos que a esposa desmaiasse, ao ouvir tal coisa. Mas a compreendia. Quando ela mais precisou, o casal esteve ali para ela, a ajudou, mesmo não sabendo de toda a história, foram verdadeiros amigos, e continuaram assim, mesmo depois de descobrir todo o passado de Felicity. Sua esposa, mesmo desesperada, implorou para que contasse toda a história para ela. Gregory, que estava preocupado com as crianças, que haviam se preocupado com a mãe, os levou para o segundo andar, na intenção de tranquilizá-los. Depois disso, Renee começou a contar, com a ajuda de Mike, que já estava sabendo de tudo.
A equipe os vigiava de longe. Naquele dia, eles não sairiam por conta do frio, e da chuva intensa. Eles faziam troca de vigília, para que pudessem descansar. Era quase seis da tarde, quando um dos seguranças percebeu que um dos carros não estava no estacionamento, e perguntou ao que estava de vigília – no caso Renee –, se ele não tinha visto alguém sair. Não demorou muito para que Dimitri, que estava no comando de tudo, descobrisse quem havia saído, e para onde ela tinha ido. Pegou o carro, e junto de outros cinco, seguiram até o mercado mais próximo. Dimitri e Andrew foram os primeiros a encontrar a mulher loira, que sorria para uma outra mulher, se despedindo dela, antes de andar até a faixa de pedestre, para poder chegar do outro lado da lua, onde seu carro estava estacionado. Eles viram tudo acontecer não puderam fazer nada. De uma hora para a outra, Kara Denvers já não mais atravessava a rua. O carro, que apareceu do nada, em alta velocidade, se chocou com o corpo pequeno, jogando-a dois metros à frente. Mesmo sabendo que deveriam ficar escondidos, não puderam fazê-lo quando viram o que tinha acontecido. A primeira coisa que fizeram – Dimitri, Andrew, e o novato, Rise –, foi correr até onde a loira estava. Os outros, que ainda estavam no carro, seguiram o que havia feito aquele estrago.
— Não conseguiram descobrir quem estava no carro. – Felicity soluçava. – O perderam, eu sinto muito.
— Dimitri, quem estava na vigília?
— Era eu. – Renee responde. – Eu realmente sinto muito.
— Você por acaso tem noção da merda que fez?
— Sim, Sr. Queen. E eu prometo que isso não vai mais acontecer. Ela saiu sem que eu visse, e eu ainda me pergunto como foi que isso aconteceu. – Balançou a cabeça.
— Kara. – Felicity sussurrou.
— Ela estava muito machucada. Bateu a cabeça com muita força.
— Mas ela está viva. Não está, Greg? – Pergunta, de modo desesperado, como se precisasse da resposta positiva para poder voltar a respirar.
— Está sim. – Mike quem responde. – Falei com Rise hoje, e ele disse que refizeram seus exames. Ela está bem, e vai acordar..., só não sabem quando.
— A culpa é minha. – Chorou. – Ele mandou que a machucassem para me atingir. – Oliver a abraçou, sentindo as lágrimas dela molhando sua camisa. – Kara não merecia isso, ou Mon–el. – Soluçou. – Mabel e os gêmeos... – Olhou desesperada.
— Estão bem. Estão sendo cuidados de perto pelos gêmeos Kase e Rise.
— Eu disse que eu poderia ficar, mas Dimitri achou que eu deveria voltar com ele. – Bufou. – Deixar três crianças com dois novatos?
— Eles são bons. – Oliver retrucou. – Confio neles.
— E não foi na vez deles de vigiar, que a mulher saiu de casa. – Dimitri retruca, irritado.
— Não recomecem a discutir. – Mike interrompe Renee, que ia retrucar o outro.
— Eu quero ir vê-la. – Oliver a olha.
— Felicity...
— Eu quero, Oliver. Ela é minha amiga, o marido dela está passando por uma situação desesperadora agora..., e a culpa é minha. – Ele balançou a cabeça, mas ela não o deixou retrucar. – Eu preciso estar lá, com eles, por alguns dias. Preciso dar o apoio, porque é tudo que eu posso fazer, além de pedir desculpas.
— Podemos fazer ela chegar lá em segurança. – Mike diz.
— Eu posso acompanhá-la. – Dimitri olhou para Renee.
— Os bebês não aguentariam uma viagem tão longa, e eu não gosto muito de avião, você sabe disso. – Ouviu um suspiro longo do marido. – Se tem uma forma de eu ir de carro, então eu prefiro que seja assim.
— Tudo bem. Organize tudo, Mike, para que a Felicity viaje amanhã.
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Felicity desceu as escadas, já pronta. Ela encontrou Roy, os seguranças e Oliver na sala, mas passou direto, caminhando até a cozinha. Ela tinha algumas coisas para falar a governanta. Como ela ficaria fora por alguns dias, e Alissa ficaria com os gêmeos e os trigêmeos – ela os amamentaria em sua ausência – até Oliver chegar do trabalho, ela precisava deixar a governanta a par das coisas; apesar de que o marido só iria à empresa no dia seguinte, o resto dos dias ele trabalharia em casa. A loira se sentiu aliviada por isso, mesmo que confiasse e muito em Alissa, estava preocupada se ela daria conta de cuidar dos bebês sozinha. Ela disse tudo que a governanta precisava saber, e fez alguns pedidos, como por exemplo, não deixar seus filhos comerem besteira antes da refeição. Mas isso não era o mais importante. Estava preocupada, e queria ir para National City o mais rápido possível.
No mesmo dia em que souberam do atentado contra Kara, Oliver ligou para Ray, e todos os amigos, avisando sobre o acontecido. Abismados, eles não se preocuparam com o horário, pegaram o carro, e seguiram para o condomínio onde os Queen moravam. Estavam preocupados, principalmente com Felicity. Eles sabiam que ela estaria se culpando. E ela realmente estavam. Laurel, Caitlin, Sara e Thea abraçaram a loira, quando Roy se afastou. Ele tinha sido o primeiro a chegar ali, junto da namorada. Ficou desesperado quando soube sobre o que houve, porque sabia que sua irmã poderia fazer uma loucura.
Surtou quando soube que ela estava planejando viajar. E ela não mudaria de ideia, ele tinha certeza disso. Tentou de tudo, mesmo sabendo que seria inútil. Ele prometeu que ficaria de olho nas crianças, mesmo que quisesse ir com ela. Sua vontade era de pegar Renee e socá-lo até que ele ficasse irreconhecível, por tal burrice. Como ele foi perder a amiga de sua irmã, sabendo que ela poderia estar em perigo? Deveria estar alerta, o tempo todo, e por culpa dele, sua irmã deixaria o marido, e os filhos, para visitar a amiga que estava em coma. Ficava imaginando o desespero do marido da mulher. Gostava de Mon-el, era um bom sujeito, e ninguém merecia passar pelo que ele está passando naquele momento. Entendia o porquê de sua irmã querer ir até National City, mas isso não fazia com que ele se sentisse melhor.
Assim como ele, Gregory também não estava gostando nada daquela ideia. Aquela viagem não era segura, principalmente depois do que houve com a loira de National City. Tentou fazer com que Oliver mudasse de ideia, mas compreendia que nem ele conseguia fazer a esposa ficar em casa, sentindo-se tão culpada do jeito que estava. Collin estava ao seu lado. Sabia o quão esquentado seu irmão é, e por isso estava ali, para o caso de precisar segurá-lo e impedi-lo de fazer uma besteira. Apesar de que ele mesmo achava que Renee merecia um castigo, e não ser o escolhido para levar Felicity Smoak–Queen até a cidade onde a amiga mora. E ele e o irmão não eram os únicos, dos seguranças, que pensavam daquele modo.
Felicity sabia que seus seguranças não estavam gostando nada da sua ideia de viajar para ver Kara, e entendia o porquê de eles serem contra, mas precisava fazê-lo. Precisava vê-la, e se desculpar. Por culpa dela, Cooper havia mandado seus homens para machucá-la, e agora ela estava em coma, e sabe-se quantos dias ela ficará assim? Esperava que não muito. Os filhos e o marido precisavam dela. E Felicity também. Precisava que ela acordasse para poder voltar a dormir bem. Depois de falar com Alissa, ela voltou para a sala e percebeu a animosidade no ar.
— O que está acontecendo?
— Eu não acho que deva ir sozinha com ele. – O irmão a responde.
— Já disse que Renee é competente. – Mike diz, com um suspiro.
— Competente? – Debochou. – E por que raios Kara Denvers está em coma?
— Eu não tive culpa. Ela saiu e eu não percebi.
— Você estava lá para protegê-los. Foi um irresponsável. – O Harper retrucou.
— Eu também acho que deveria mandar mais alguém com ele.
— Obrigado, Gregory. – O outro assente. – Se Renee não conseguiu cuidar da outra mulher, acha que ele, sozinho, vai conseguir cuidar da minha irmã?
— Já mandei outros para National City. – Mike diz. – Ninguém sabe que Felicity vai para lá. Só nós. – Olhou para os amigos. – Não tem com o que se preocupar.
— Vamos, lá, Roy. Eu não mandaria minha esposa com Renee, se não confiasse nele.
— Eu espero que saiba o que está fazendo. – Os olhos deles se fixaram por um momento, e Felicity temeu que eles acabassem voltando ao que era antes, quando se conheceram.
— Pronto? Terminaram a discussão? – Olham para ela. – Podemos ir? Eu estou com pressa. Eu quero vê-la, estou preocupada.
— Podemos ir agora, se quiser.
— Assim que chegar lá, me liga, está bem? – Se aproximou da esposa. – Não se esqueça.
— Não se preocupe. – O beijou rapidamente, abraçando-o pelo pescoço. – Eu vou ficar bem.
— Vou sentir sua falta.
— Eu volto em alguns dias. – Sorriu.
— Preferia que fosse de avião.
— Não. Eu vou de carro. Não gosto de avião e você sabe disso.
— Já se despediu dos gêmeos e dos trigêmeos? – Ela assentiu, olhando para o irmão e se afastando do marido, o bastante para ele posicionar o braço em volta de sua cintura.
— Enquanto estou fora, tentem não se matar. – Eles riram.
— Pode deixar. – Ele beijou a testa da irmã.
— Vamos, Renee? – Ele assentiu. Felicity beijou a bochecha do irmão, e os lábios do marido, e se despediu, saindo com o segurança.
— Estou sentindo que vai acontecer alguma coisa. – Gregory sussurra para o irmão.
— Pensei que fosse só eu.
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— Você falou com Mon-el? – Pergunta já dentro do carro, com o segurança dirigindo. Eles haviam saído de Star City á quase seis horas, e eles tinham feito aquele caminho todo em silêncio.
— Sim. Kara se encontra do mesmo jeito.
— Droga. Se eu não tivesse tido contato com ela, nada disso estaria acontecendo. – Sussurra.
— Quer que eu ligue o ar?
— Não, eu gosto de sentir o vento. – Ela apertou um botão que tinha perto dela e um vidro apareceu. – Uou. Não sabia que esse carro tinha isso.
— Tem algumas coisas para a senhora comer também. – Ela tinha visto, mas não estava com fome.
— Renee, qual nossa primeira parada?
— Em algumas horas, por que?
— Eu vou precisar de um doce. Meu estômago não está muito bom não. – Ele não respondeu. – Viagem de carro me faz ter más lembranças.
— Então deveria ter aceitado a ideia do avião.
— Não. Definitivamente não consigo. Pelo menos não ainda. – O vidro subiu. – Por que subiu o vidro?
— Talvez a senhora queira descansar. – Responde, concentrado na estrada. Felicity o achava sério demais. Não era a primeira vez que estava com o homem, mas das outras vezes ela estava com Collin, Mike, Gregory, Tyler e Dylan. Suspirou.
— Acho que vou fazer isso mesmo.
Fechou os olhos, apoiando a cabeça no encosto do banco. Seus pensamentos se voltaram aos bebês que ficaram em casa. Seus filhos. Eles só tinham seis meses. Tão pequenos. Eles precisavam dela, mas ela não poderia viajar com eles. Talvez ela pegasse um avião na volta, mesmo sentindo um medo gigantesco. Infelizmente seu marido não pôde deixar a empresa, já que Walter está viajando, senão ele teria ido com ela, junto das crianças. Saudades. Ela com certeza sentiria saudades. Nunca havia ficado tantos dias longe dos filhos. Balançou a cabeça ao se lembrar de quando foi levada por Cooper. Não era hora de pensar nele. Respirou fundo e então sentiu um ar estranho. Um cheiro estranho. Abriu os olhos e viu uma fumaça estranha no carro. Começou a tossir várias vezes. Tentava chamar Rene, mas não conseguia. Seus olhos começaram a se fechar sozinhos enquanto tossia, e foi nesse momento que soube o que estava acontecendo. A última coisa que vê, é o vidro descendo e o sorriso maldoso de seu segurança ao se virar para olhá-la.
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