Cristais de Sangue

4 Ultimo Suspiro


Notas iniciais
Obrigado as quatro pessoas maravilhosas, que estão acompanhando minha fic. Bjs.

Cristais de Sangue

Capítulo 4: Ultimo suspiro.

Os malditos raios solares insistiam em focar exatamente nos meus olhos, o que mim fez acorda, sentei na cama ofegante, minha garganta doía quando o ar saia por ela. Voltei pra cama sem muita opção, e mim cobri com um edredom rosa, que não era meu, assim como cama e todo o quarto azul claro ao meu redor.

Azul. A cor deu um estralo no meu cérebro mim fazendo pula da cama preparada para uma possível ameaça. Um garoto pálido de cabelos negros entrou no quarto, mas antes que ele fechasse a porta eu já o tinha agarrado pelo pescoço e pressionado seu corpo contra a parede. O corpo dele era leve pra mim, não era uma pena, mas também não precisei fazer muito esforço pra tirar os pés dele do chão.

–Que lugar é esse? –perguntei, pressionando ainda mais minha mão envolta do seu pescoço.

–Uma. Casa. –ele respondeu com dificuldade.

–De quem? – a frase saiu menos gutural do que eu previa, desviei meu olhar para ombro quando lembrei dele ensanguentado, agora estava enfaixado.

–Jack e Linor. Eles são os donos. –o rosto pálido tinha migrado para vermelho. –Eu sou Otávio. –ele se apresentou, forçando um sorriso.

Afrouxei o aperto e cai de joelhos no chão, graças ao meu ombro dolorido.

–É um prazer te conhecer também. –ele falou, colocando meu braço envolta do seu pescoço e mim arrastando de volta pra cama.

–O que aconteceu? –perguntei enquanto ele mim cobria.

–Você levou um tiro. – ele falou levantando o olhar, mim fazendo notar pela primeira vez seus olhos, eram azuis, mas não como o azul forte de Jack, os de Otávio eram eletrizantes, como se estivessem ligados em uma tomada ou um céu noturno durante uma tempestade, sendo cortado por raios.

–E... –tentei mim concentra, desviando dos seus olhos – Por que eu não estou em um hospital? –arquei uma sobrancelha.

–A bala que te atingiu é de uma madeira especifica, nós a chamamos de mística, é o único tipo de madeira que pode mata gente como nós, e a cada minuto as farpas dela estão passeando pelo seu corpo a procura do coração. –ele explicou.

–A parte que eu corro risco de morte foi fácil entender, mas ainda assim por que não mim levaram para um hospital? –eu estava histérica, e gritava o que era uma péssima ideia considerando o estado da minha garganta.

–Nenhum médico iria conseguir tirar todas as farpas, por melhor que fosse. –seu tom de voz era calmo demais, o que mim irritou. –Além do mais, Jack foi atrás de uma bruxa.

–Pensei que você fosse o bruxo aqui? –acusei, lembrando tarde de mais do aviso de Jack, sobre ele não gosta da palavra. Mas Otávio não pareceu irritado, pelo contrario, ele riu.

–Digamos que eu não sou muito bom em proporcionar bem-esta pra as pessoas. –ele tentou explicar.

–Não entendi nada. –confessei, talvez meu raciocínio estive sendo afetado por causa da bala.

–É melhor deixarmos assim. –ele cochichou, se levantando. –Vou te deixar descansar.

–Espera! –o fiz para antes que chegasse a porta. –Se a bala foi pra mim matar provavelmente foi um Filho de Vanrelse, não é? –dei uma pausa para verificar se o que eu falava fazia algum sentido. Otávio assentiu. –Então o que aconteceu com ele e como eu vim para aqui? – ele suspirou, antes de responder.

–Jack o matou, e quando digo matou estou mim referindo ao fato dele ter esmagado o crânio do garoto. –isso explicava o som que eu tinha ouvido antes de apagar. –Depois ele te trouxe pra cá. –Otávio saiu do quarto antes que eu percebesse, mesmo se eu quisesse não teria condições de digerir tudo agora, então fiz a melhor coisa que eu pude, mim encolhi na cama e voltei a dormi.

Mim acordei com o som de murmúrios, sentei na cama e olhei envolta do quarto para achar meu despertador indesejado, meus olhos param em Linor debruçada em uma pilha de roupas no chão, ele olhava cada peça por três segundos, algumas ela fazia careta e lançava de volta para o guarda roupa branco atrás dela, e outras ela colocava em seu colo.

–Droga! Eu acordei você. –ela constatou decepcionada, enquanto eu via uma calça jeans voar por cima de sua cabeça em direção ao guarda roupa.

–Tudo bem. –a tranquilizei, não era como se eu tivesse como pedi privacidade.

–Eu estava procurando alguma coisa pra você vesti. –ela justificou, chutando a pilha de roupas que não havia sido expecionado para o canto do quarto.

–Esse é seu quarto? –olhei envolta procurando algo para elogiar, mas era azul, isso encobria qualquer coisa bonita que meus olhos tinham visto, no entanto era interessante como minha repulsa por essa cor não se aplicava aos tons dos olhos de Jack e Otávio.

–Não, é o quarto de hospedes, eu uso o guarda roupa daqui para guarda algumas que não cabem no meu. Eu já pedi mais de mil vezes um closet a minha mãe, mas ela sempre vira o rosto e mim deixa falando sozinha. – Linor pegou as roupas em seu colo e se sentou na beirada da cama.

–Sua mãe sabe sobre você e Jack?

–Não! –ela abanou as mãos para dar ênfase. -Se ela soubesse teria um ataque e nos internaria em algum centro de pesquisa, isso se ela não nos entregasse aos os Filhos de Vanrelse. –ela revirou os olhos. –Enfim ela ganhou uma promoção fora da cidade e isso facilita as coisas pro nosso lado. –ela sorriu, mas não era de alegria.

–E os pais de Otávio?

–Morreram quando ele tinha treze. Otávio passou um tempo com a vó materna depois voltou pra Cristal , Aura o ajudou a controlar a coisa da magia, e por acaso é a mesma bruxa que Jack vai te levar. –ela franziu a testa. -Você esta bem?

–Lateja às vezes mais é suportável. –e incomodo, eu queria arrancar logo aquela bala dali. –Jack vai demora pra volta?

–Ele já deve esta a caminho para te levar. –ela respondeu, dobrando as peças de roupa em seu colo.

–Por que Aura não vem com ele? –o que seria a melhor opção considerando meu iminente estado de morte. Mas eu não negaria esta exagerando um pouco, eu costumava fica excessivamente dramática quando estava doente, minha mãe até mim chamava de... Não consegui lembra.

–Aura é uma bruxa reclusa, ela mora em um pântano e esse tipo de bruxa odeia a civilização. Otávio diz que tem a ver com a queima das bruxas aqui em Cristal, aparentemente não foi só em Salem que teve caça as bruxas, a mãe dela foi morta. –Linor explicou, cerrando os dentes.

Minha aceitação a morte dos meus pais foi rápida de mais, eu não podia ser hipócrita e dizer que eu não queria que isso acontecesse, mas às vezes eu nem conseguia lembrar direito dos seus rostos, só nesses momentos eu tinha impressão de que os estava deixando pra traz e provando o quão terrível eu era como filha.

–Você quer tomar banho? –Linor quebrou o silêncio.

–Sim. –agradeci por ela ter mim afastado dos meus pensamentos.

Saindo do quarto um pequeno corredor verde escuro ganhava forma, com poucas portas em suas laterais. O banheiro ficava no fim do corredor á esquerda.

Abri a porta, pendurei a toalha em um prendedor ao lado do Box, tirei minha jaqueta e a blusa manchadas de sangue e ás joguei no lixo. Pus as roupas limpas que Linor havia mim dado em cima da bancada da pia e comecei a tirar a atadura, o ferimento ainda estava aberto e inchado, mas o sangue já havia estancado. Tirei o resto das roupas e entrei embaixo do chuveiro. A água fria refrescou meu corpo, mas fez arde minha ferida.

Mim sequei, vesti a calça jeans e a blusa vermelha de flanela posta na bancada e sai do banheiro sendo atingida por uma vertigem terrível. Sentei no chão com esperança de melhora mais não dei muita sorte, em seguida minha garganta começou a queimar de sede mim fazendo questionar se o tempo que eu estive inconsciente seria o bastante pra queimação incontrolável em minha garganta, mas meu raciocínio falhou, até receber um ultimo comando “sangue”. Fui até o quarto onde estava minutos atrás, — agora vazio -, pulei a janela do quarto e enterrei meu pé em um caco de vidro enquanto ia em direção a rua, mas diferente do meu ombro o ferimento se fechou por completo quando eu tirei o caco ensanguentado. Continuei caminhando até encontra um portão de meio metro de frente pra casa, tentei abri-lo mais o trinco queimou a ponta dos meus dedos como se tivesse pegado em uma panela quente o que mim fez solta.

–Ai! –reclamei abanando a mão.

–Aonde você pensa que vai? –mim virei pra ver Linor em pé com os braços cruzados na varanda.

–Comer. –minha voz saiu impaciente e meu corpo começava a aparentar tremores.

–Marina, no seu estado não seria uma boa ideia. –ela alertou.

Mim virei disposta a pular o portão, mas antes que eu pudesse pegar impulso, uma barreira de fogo surgiu em minha frente, impedindo que pulasse a não ser que eu quisesse ser queimada até a morte. Virei para Linor em busca de explicação, mas ela estava com os olhos fixos na barreira de fogo quase como se tivesse o incitando.

–É você que esta fazendo isso? – perguntei mesmo sabendo a resposta, chequei mais uma vez a barreira que já havia dobrado de tamanho, Linor era uma fênix provavelmente tinha influência sobre o fogo.

–Você mim obrigou! – ela retrucou, logo em seguida senti duas mãos pressionadas nas laterais da minha cabeça, tudo escureceu e eu apaguei. De novo.

Continua...

Notas finais
No vemos Quinta.