Cristais de Sangue
5 Bruxa
Notas iniciais
Cristais de Sangue
Capítulo 5: Bruxa
Eu acordei deitada e encolhida em algum lugar, não tinha aberto meus olhos propriamente dizendo, mas estava consciente de tudo a minha volta. Eu também sabia que estava em um carro, o que não foi difícil de adivinhar considerando que eu podia ouvir o barulho dos pneus entrando em atrito com o asfalto e o pouco espaço para eu estica minhas pernas. Minha cabeça estava apoiada no colo de alguém que encaracolava mecha por mecha do meu cabelo.
–O que você usou pra apaga ela? –a voz era de Jack, sem duvida. O que era bom, porque se nós estávamos em um carro queria dizer que íamos encontra Aura. Talvez eu entendesse a avençam de Otávio pela palavra “bruxo”, em determinados momentos parecia com um palavrão.
–A mesma coisa que eu fiz quando você tentou mim matar. – Otávio se defendeu, sua voz era gentil e roca. Sexy na minha opinião.
–Pensei que vocês já tivessem superado isso. – essa era feminina, um pouco irritada e também a mais próxima de mim, provavelmente da mesma pessoa que mexia no meu cabelo. Linor.
Tudo ficou quieto por alguns minutos até Linor se pronunciar de novo.
–Falta muito? –ela perguntou impaciente.
–Não muito, quando chegarmos eu aviso. –Jack respondeu. Logo depois o corpo de Linor enrijeceu, e o lugar onde minha cabeça estava começou a esquentar, no entanto não durou muito.
–Como ela esta? –Otávio perguntou soando interessado, o que significava que não era de mim que ele estava falando.
–Aura esta bem, sem cabelos brancos e os mesmos olhos bizarros de antes. –Jack respondeu, tremendo de proposito o corpo. –E ela também perguntou por você. – ele acrescentou.
–Então. Qual dos dois vai convidar a Marina para sair primeiro? – Linor perguntou, batendo as mãos pra ganhar a atenção deles, eu estremeci de susto. Linor começou a rir baixinho em seguida.
–Só para deixar claro, eu a conheci primeiro. –Jack falou.
–Ela é toda sua. –Otávio respondeu, mesmo que Jack não tenha feito propriamente uma pergunta.
–Isso é serio? “Ela é toda sua” – Linor tentou imitar a voz de Otávio, mas o resultado não foi o que eu chamaria de bom. –Eu esperava mais. – ela bufou.
–Que seria...? – Otávio a instigou a falar.
–Vocês dois brigando até a morte por ela. Não até a morte é um pouco de mais, mas seria interessante considerando as nossas atuais atividades de lazer sem esquecer-se do fato que Otávio não tem namorada e Jack... É um safado. –ela concluiu.
–Justo. –Otávio falou. A parte que era justa ainda estava em branco para mim, e eu não ia pergunta, obviamente, porque estava desacordada.
–Chegamos. –Jack anunciou parando o carro.
Linor não se importou em derruba minha cabeça no banco quando desceu, talvez ela soubesse que eu estava acordada e queria que eu mim entregasse. Em seguida dois braços mim pegaram, eles eram quentes, macios, capazes de viciar mais rápido que qualquer droga. Abri um pouco meus olhos enquanto ele mim carregava e o vi pela primeira vez no dia, cabelos bagunçados, olhos estreitos, e seus dentes mordendo o lábio inferior. Ele parecia exausto e tentador ao mesmo tempo.
Uma rajada de vento passou por nós, mim causando arrepios, Jack passou os dedos pelo meu braço, deixando um rastro de calor onde havia tocado. Foi ai que a opção ficar quieta e de olhos fechados foi pelos ares. Meus olhos se abriram quase por vontade própria e um suspiro escapou acidentalmente da minha boca.
–Onde estamos? –perguntei, como se eu não soubesse.
–Em um pântano. – Jack respondeu, abrindo um sorriso torto.
–Eu posso andar. –afirmei, por mais que fosse bom ser carregada eu mim sentia uma invalida. Ele mim colocou no chão relutante, mas manteve um dos braços envolta da minha cintura, provavelmente ele duvidava do meu equilíbrio.
Linor se aproximou junto com Otávio, nós agora andávamos quase lado a lado.
–Desculpe por minha cena mais cedo. – mim dirigi a Linor, lançando meu melhor olhar de arrependimento, se é que eu tinha um. Otávio tentou desfasar os sorrisos colocando a mão sobre a boca, mas não teve sucesso e quando ele percebeu isso teve a decência de cora.
–Relaxa, eu deveria ter te oferecido algo para comer. – ela deu de ombros.
Quanto mais adentrávamos o pântano mais se ouvia o som de grilos e sapos como se estivessem competindo de que grita mais auto. Paramos em frente a uma árvore próxima a um brejo, com um tronco gigantesco, de uma hora pra outra eu tive vontade de abraça a árvore, mas meu desejo repentino desapareceu assim como surgiu. Suas raízes eram expostas saindo do solo lamacento. Jack se inclinou para frente e tocou com a ponta dos dedos o troco, que começou a girar em sentido anti-horário deixando cair algumas folhas e abri uma fenda, com uma porta de madeira rustica no meio.
Depois de passarmos pela porta fomos para em uma sala de estar, com cadeiras de madeira clara com adornos de ferro descendo em cascata por suas pernas, um tapete verde felpudo no meio da sala, dois sofás laranja que pareciam ter sido forrados com sacos estavam cobertos por mantas marrons, e havia almofadas de crochê vermelho postas sobre eles. Alguns quadros de flores ressecadas estavam pendurados nas paredes de madeira e do meu lado direito havia uma estante com livros de capas de couro arrumados por cartela de cor, do bege ao preto mais intenso. Na frente da estante tinha uma mesa com vários papeis sobre ela e uma torre de livros grossos empilhados um em cima do outro. A iluminação alaranjada acentuava ainda mais as cores selvagens da sala.
Uma mulher loira de cabelos longos atravessou uma cortina de cristais, ela era poucos centímetros mais alta que eu, usava um vestido branco rendado que encobria seus pés e marcava sua cintura, não seria o tipo de roupa que eu usaria para ficar em casa, mas talvez ela tenha se arrumado pra nos recepcionar. E como Jack havia dito seus olhos eram hipnóticos e aterrorizantes ao mesmo tempo, eram negros e impedia que eu visse sua íris. Ela era um pouco mais velha que eu, mas estava longe da senhora de idade que eu havia imaginado.
–Marina essa é Aura. –Otávio apresentou com certa devoção na voz, ela sorriu para ele e o manteve quando se virou pra mim.
–É um prazer conhece-la. –Aura andou até mim e apertou minha mão.
–O prazer é... –minha voz sumiu antes que eu terminasse a frase, agora a dor que latejante do meu ombro tinha piorado e se estendido para meu peito passando pela clavícula a centímetros do meu coração. Pressionei a mão sobre o peito, tentando cravar minhas unhas e tirar a dor, mas Jack segurou meus braços antes que minhas unhas atravessassem a carne. Meus gritos saiam em formas de gemidos, o que era frustrante. Jack e Otávio passaram meus braços envolta de seus pescoços e mim guiaram para onde Aura estava indo. Passamos pela cortina de onde ela tinha surgido e entram
na terceira porta do corredor, seria impossível uma casa dessas caber em um tronco de árvore, mas nem eu podia ser considerada normal então seria muito pedi por isso.
Eles mim puseram em uma cama de ferro tão fino que eu tive medo que ela desabasse com o meu peso, o forro de cama era vermelho e de seda o que dava a impressão de estar deitada em de pétalas de rosas, e era indiscutivelmente a melhor cama que eu já tinha deitado em minha vida.
Aura sentou em uma cadeira ao lado da cabeceira da cama.
–A segure. – ela pediu, em seguida Otávio fechou as mãos envolta dos meus braços os obrigando a se juntarem ao meu corpo.
–Olhe para mim. – virei meu olhar para seus olhos sombriamente lindos, mas não foram o bastante para mim manter distraída enquanto a lamina atravessava meu ombro. Aura estava com um punhao cravado no meu ombro o movendo de um lado para o outro, até trazer a superfície um objeto cilíndrico e minúsculo azul-marinho. Já com o punhao bem longe de mim ela pegou um frasco de vidro fosco e derramou duas gotas do liquido negro em minha ferida.
Otávio virou meu rosto com sua mão esquerda, quando meus olhos estavam presos aos dele, ele voltou a agarrar meu braço.
–Essa é a pior parte. –ele alertou franzindo a testa como se estivesse se pondo no meu lugar. Ao termina a frase, era como se ácido tivesse invadido meu corpo rascando minhas veias e mim fazendo delirar de dor. Dessa vez meu grito realmente foi um grito.
+++++++
Eu havia apagado de tanta dor e estava voltando a recobrar os sentidos, depois de ter virado vampira meus números de desmaios aumentaram gradativamente, deveria ser engraçado se não fosse trágico.
–Então... Cansou de brincar com a morte? –Jack estava na soleira da porta branca com tinta descascando de braços cruzados.
–Você sempre acha um jeito de estragar. – acusei, ele se aproximou sorrindo e sentou na beirada da cama.
–Aura disse que você não é tão fraca como antes a presença de mística no seu organismo, talvez você desenvolva tolerância. –sorri sem vontade.
–Sobre nossa discussão no estacionamento... –comecei a falar.
–Eu não teria coragem. –ele falou antes que eu terminasse de falar.
–O quê?
–De matar você, nem que para isso eu tivesse que mim torna sua babá. Ah é! Eu já estou sendo nos últimos dias. –ele brincou, ainda evitando mim olhar.
–Por quê? – isso era curioso.
–Pelos seus belos olhos, pelo que mais seria? –ele revirou os olhos. Desisti. Eu não ia consegui outra resposta dele.
–Você mim salvou hoje, impediu que o Filho de Vanrelse arrancasse minha cabeça no estacionamento e mim tirou do beco aquele dia. Não importa o que você ia fazer, e sim o que fez. –ele sorriu para mim ainda sem mim encara.
–Então estamos bem? –ele virou para mim arqueando as sobrancelhas desconfiadas.
–Eu diria que sim. – respondi.
–Ela deve descansar. –Aura alertou entrando no quarto e começando a mexer em uma cômoda, no outro lado do quarto. Jack revirou os olhos mais uma vez e se levantou.
–Melhoras. –ele sussurrou depois de um bom tempo em silêncio ele deixou o quarto.
–Ele gosta de você. –Aura falou ainda mexendo na cômoda.
–Obrigada por mim ajuda. –agradeci, evitando o assunto “Jack gosta de mim”.
–Não foi nada, também não será a ultima vez. –ela fechou uma das gavetas com um frasco verde escuro nas mãos e caminhou até a porta parando antes de desaparecer no corredor. –Quando os problemas finalmente te encontrarem, mim procure Marina. Não se esqueça. –antes que eu tivesse tempo de formula uma pergunta ela já tinha deixado o quarto. Parecia abito as pessoas mim deixarem boiando.
Continua...
Fale com o autor