Notas iniciais
Obrigado pelos comentários e as visualizações. Boa Leitura.

Cristais de Sangue

Capítulo 6: Ela morre!

EVERY TIME YOU GO...

Essa era a terceira vez que o refrão da música do meu alarme bombardeava minha cabeça, meus olhos não estavam mais irritados quando se abriam, no entanto meus tímpanos sangrariam se o alarme insistisse em me acorda. Me rendi pulando para fora da cama e enterrando o celular barulhento embaixo do travesseiro.

Rodopiei até o banheiro com os músculos ainda se acostumando aos movimentos. Os raios de sol atravessavam a janela de vidro do meu quarto em frete a minha cama, iluminando mais que o necessário.

Chequei meu reflexo ao me colocar na frente do espelho do banheiro, cabelos desgrenhados semelhantes ao um ninho de pássaros, rosto com vincos de travesseiro e olheiras arroxeadas abaixo dos olhos. Jack disse que isso seria um dos alertas do meu corpo para sede e incluindo esse nenhum dos alertas me deixavam bonita.

Tirei minhas roupas e entrei no Box, a água fria em contato com minha pele morna dava a sensação de gélida. Minha cabeça lateja de dor enquanto isso, talvez por ter passado parte da noite tentando codificar as palavras de Aura ou seria outra droga de sinal para sede. Fechei o registro e enrolei a toalha no corpo. Fui até a cozinha e peguei uma bolsa de sangue na geladeira, agora abastecida. Jack havia trazido às bolsas antes que Aura permitisse que eu fosse embora. Derramei o liquido groso avermelhado no copo e joguei garganta adentro, instantaneamente minha dor de cabeça desapareceu, talvez tenha demorado um pouco mais eu não sou de ficar contando.

Meu celular começou a tocar tendo o som abafado pelo travesseiro, atravessei o apartamento testando a minha velocidade -medíocre se comparada a Jack –e peguei meu celular.

–Alô? – não chequei o visor, mas não era como se fosse necessário sedo que só duas pessoas tinham o meu número.

–Fico feliz em saber que você esta viva! –Jayles gritou comigo sem fazer esforço algum para ser educada.

–E por que você teria duvidas sobre isso? – talvez ele fosse sensitiva, considerando que estava me ferrando ontem com uma bala do mal no meu ombro, ou era consequência das suas vinte e cinco chamadas não atendidas.

–Eu vou fingir que não ouvi isso, te encontro em quinze minutos no CHARLIE’S do lado esquerdo do seu prédio. Não se atrase. –a linha ficou muda antes que eu respondesse.

Acabei de tomar meu copo de sangue e fui me arrumar para enfrentar comida humana.

Entrei no meu closet e meus olhos foram atraídos quase magneticamente para um short se cetim marrom dobrado embaixo de uma pilha de outros shorts, peguei uma regata branca sem estampa em uma das gavetas inferiores do lado esquerdo, alguns colares de prata e pérolas em cima da penteadeira ate agora pouco utilizada e um squiny but preto com spaiks dourados em cima dos solados, não que eu precisasse de centímetros extras, mas era a única coisa casual o bastante para se usar em sábado.

Vesti as roupas e sentei diante da penteadeira começando a contorcer algumas mechas fazendo com que elas se cruzassem e resultasse uma trança, apliquei maquiagem e sai.

Desci as escadas correndo, fui à esquerda do meu prédio e a vi sentada do lado de fora de um prédio quadrado, a mesa onde estava tinha a estrutura de metal e tampo de vidro, as cadeiras eram feitas de metal retorcido e acolchoadas com almofadas brancas estampadas com flores de lírios lilás. O prédio onde a mesa foi posta a frente era pintado de branco e listras horizontais em rosa bebê, a porta principal tomava quase toda a fachada, e era de vidro. Na marquise foram presas letras de aço onde lia-se “CHARLIE’S”.

–Esse lugar não é concorrente de onde você trabalha? –perguntei sentando em uma cadeira a sua frente.

–Não. Eles ficam abertos até às 18h, dai em diante nós assumimos. –ela levantou o braço para chamar a garçonete, que caminhou até a gente, com um bloquinho e uma caneta pousados na mão.

–Duas panquecas de doce de leite e um maquiado, por favor. –pedi depois de uma rápida olhada no cardápio.

–Uma caixa média de dunots de coco e um expresso. –assim que anotou o pedido de Jayles ela sumiu, metaforicamente falando.

–Então por que você não retornou os meus telefonemas? –ela se inclinou para traz e estreitou os olhos.

–Eu tenho prova de latim na segunda, e quando comecei a estudar desliguei o celular eu voltei a liga-lo hoje de manha. Desculpa. – endireitei minha coluna na cadeira enquanto as mentira brotavam da minha boca, me senti orgulhosa por isso momentaneamente, até me dar conta de que isso não era motivo de orgulho.

–Teve karaokê ontem na cafeteria nós poderíamos ter passado a noite toda cantando. – ela contou entusiasmada, certamente não desistiria da ideia.

–Com certeza seria mais divertido do que lê textos em latim. –“ou brincar de acende e apaga com uma bala de mística em seu ombro”. Adicionei mentalmente.

A garçonete trouxe nossos pedidos minutos depois. Jayles estava devorando seu terceiro dunot quando eu vi Jack atravessar a rua e caminha em nossa direção. Os cabelos bagunçados estavam dourados ao serem atingidos pelos raios do sol, e a cortina de cílios impedia parcialmente que qualquer um visse seu olhos, menos eu ou qualquer outro vampiro nas proximidades. Ele sorriu quando percebeu que eu o estava encarando.

–O que você esta fazendo aqui? –perguntei enquanto ele se sentava na cadeira ao lado da minha e sorria pra Jayles, que limpava a boca feito tonta.

–O dia me pareceu espetacular para uma volta. – ele piscou pra mim. Quando estava prestes a acusa-lo de perseguição de novo, Jayles limpou a garganta.

–Jayles esse é Jack o meu parceiro de biologia. –os apresentei.

Ele se virou para mim, e sussurrou “A humana?”. Me limitei a revira os olhos, ele sabia que ela era humana, nós podíamos sentir o cheiro dela a quilômetros.

O celular de Jayles começou a tocar, ela estremeceu de susto em seguida o pegou na bolsa e arregalou os olhos ao checar o visor.

–Tenho que ir. –ela falou, jogando o celular de volta a bolsa e caixa de dunots. –Eu prometi a ajudar minha mãe à pinta o quarto, de uma hora pra outra ela começou a ter medo de dormi envolto de paredes brancas e eu não estou gostando da ideia de dividir minha cama com ela. –ela respondeu em riqueza de detalhes a minha expressão de curiosidade. Jay olhou mais uma vez na mesa pra checar de que não estava esquecendo-se de nada e se levantou fuçando de novo na bolsa.

–Eu pago. – informei antes que ela começasse a procura a carteira,

– Valeu e mantenha o celular ligado. –ela apontou o dedo pra mim, depois estendeu a mão para Jack. –Foi um prazer te conhecer. –ela sorri mais uma vez e começou a correr em direção à praça sumindo entre as árvores.

–Achei ela uma graça. –Jack cochichou pra mim.

–Voltando aos velhos hábitos? –perguntei.

–Não faço ideia do que você esta falando. –ele pegou minha ultima panqueca do meu prato.

–Voltando a me persegui eu quis dizer. –acusei, conseguindo deixa-lo vermelho.

–A) Eu estava te observando casualmente naquela época, pensei que já tínhamos superado isso. B)Você esta ficado metida, se pensa que eu te seguir ate aqui.

–Observando casualmente. — o corrigi

–Que seja. E c) eu ia ao seu apartamento para ver como você estava, e te vi aqui antes de entra. Satisfeita? –ele arqueou as sobrancelhas.

–Eu... Estou bem, obrigado por se importa. –agradeci.

–Belo short por sinal. – ele inclinou a cabeça para debaixo da mesa. –Nunca te vi com as pernas de fora em circunstâncias agradáveis. – ele sorriu cinicamente pra mim, e a vontade de espanca-lo surgiu, acredite.

Meu celular vibrou antes que eu o respondesse, o pequei na bolsa.

“ESTAMOS COM A SUA AMIGA, SE A QUISER DE VOLTA ESTEJA ÀS 20H NA SUA ESCOLA SOZINHA, CASO CONTRARIO ELA MORRE.

ASS: FLHOS DE VANREUSE.”

Anexada ao texto tinha uma foto de Jayles desacordada com algemas azul marinho, presas aos pulsos.

Passei o celular pra Jack, uma bolha tinha se formado em minha garganta impedindo que qualquer palavra escapasse, todo tipo de emoção passou por mim, mas o que prevaleceu foi um profundo estado de choque. Ela foi a minha primeira amiga que conheci depois da transformação e me mudar pra Cristal, era injusto deixa-la no escuro sobre o que eu era, mas ela sairia correndo se soubesse e nossa amizade nunca lhe ofereceu rico, pelo menos ate agora. Eu a tinha colocado nessa era minha obrigação tira-la.

–Você não esta cogitando a possibilidade de ir não é? -Jack quebrou o silêncio.

–Eu tenho opção? – lentei a mão chamando a garçonete.

–Você vai estar em um covil cheio de Filhos de Vanreuse, você tem consciência disso? –ele perguntou exasperado.

–Estava bem especifico na mensagem se eu não for ele vão mata-la! –minha voz estava um pouco exaltada dessa vez.

–Não tem nenhuma garantia de que ela saia de lá viva depois que você entrar. – ele ponderou usando uma calma claramente falsa na voz.

–Vou ter que ariscar. – falei, simplesmente.

–Eu vou com você. – ele falou soltando um longo suspiro de exaustão, posando os antebraços na mesa e relaxando os ombros.

–Não precisa colocar sua vida em rico por mim, de novo. –eu queria entender essa compulsão que ele tinha de querer sempre salvar minha vida, não que eu não apreciasse só queria entender.

–Além de suicida, é burra? –ele mim fitou com raiva. –Sem a gente você já esta terminantemente morta. –Ele concluiu.

–A gente? – ele queria envolver mais gente nisso?

–Linor sempre quis tocar fogo na escola assim que descobriu que podia fazer isso, Otávio é louco pra um protótipo de Filho de Vanreuse e eu levo a serio o meu emprego de babá. Enfim, você esta realizando sonhos. – ele respondeu em tom seco, puxando o celular do bolso da calça Levi’s e teclando furiosamente na tela.

Nós fomos para casa dele em seu carro, um Ranger Rover preto com rodas personalizadas, eu não conseguia achar a personalização e também não iria pergunta em seu atual estado de nervos.

Durante o caminhO tentei memorizar o caminho, mas minha atenção era atraída por qualquer coisa, como uma abelha polinizando um girassol, os pingos de água brilhando feito cristais ao serem arremessados no ar pelo irrigador, ate uma formiga carregado uma folha maior que seu corpo e tentando não ser esmagada, atraia magneticamente meus olhos.

No final das contas, desistir de olha para fora da janela e permanecemos em silêncio todo o percurso. Otávio e Linor já estavam a nossa espera na sala de estar quando chegamos, apesar de ter passado praticamente um dia inteiro naquela casa os únicos cômodos que eu conhecia eram o quarto de hospedes, o banheiro e o corredor se o colocarmos na categoria cômodos. Entrando pela porta principal dava a impressão de que eu nunca havia estado ali.

A sala era cor de pêssego, com sofás floridos e uma mesinha de centro de madeira, ao leste ficava uma estante de vidro com diversos livros de lombadas coloridas, e ao lado da estante havia uma poltrona branca reclinável.

++++++

–A gente vai invadir? – os olhos de Linor brilharam com a hipótese depois que Jack acabou de explicar o que havia acontecido. Eu esperava que eles me chamassem de problema e me expulsassem, mas aconteceu o contrario eles queriam ir mesmo que não dessem a mínima pra Jayles.

–Sim Linor, nós vamos invadir. –Jack afirmou com uma careta de desgosto.

–Bom, eu trouxe presentes já que você disse que se tratava dos Filhos de Vanreuse. –Otávio pegou uma mochila preta com bolso único e retirou de lá três pistolas.

–Você sabe atirar? –Jack me perguntou.

–Não! –o que ele achava que eu fazia antes de virar vampira, roubava bancos?

–Quando nós entrarmos, se você vir um F. de Vanreuse sozinho atire se acerta é lucro. –Linor falou estendendo uma das pistolas pra mim.

Era um pouco pesada e mantive meu dedo longe do gatinho por enquanto, mesmo com a trava de segurança.

–Perfeito. –falei, mesmo não sendo a palavra ideal no momento.

Continua...

Notas finais
O próximo capítulo será postado no próximo domingo, e por favor comentem. Um grande beijo.