Crisanen e o Manuscrito Perdido
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Na Cidade...

???: ─ Boa noite, bela dama! Podemos ajudá-la? Dois sujeitos surgem do nada em frente da vampira ao percebê-la vagando pela cidade.
Crisanen: ─ ..... Viktor! É você?
Viktor: ─ Sim, eu me chamo Viktor. Já nos conhecemos? O moreno de cabelos longos com uma espada na mão parecia não esperar que alguém o reconhecesse ali pelas ruas. Ao perceber os olhos amarelados dela, sorriu e aproximou-se mais. ─ Ah, você é uma de nós!
Crisanen: ─ Eu lembro de você em um baile de máscaras. Viktor Dragomir, o vampiro libertino que usa a fortuna que herdou para viver em devassidão e seduzir moças e rapazes. Você não mudou mesmo.
Viktor: ─ Isso mesmo. Qual o sentido de viver eternamente, se você não estiver se divertindo?!
Crisanen: ─ E quem é o seu amante? Perguntou se referindo ao outro.
Viktor: ─ Este é Alexe Trelles, meu companheiro favorito das noites. Chamou o amigo e se juntaram os três na praça da cidade. Crisanen estendeu a mão para Alexe cumprimentando, que a tomou e beijou.
Crisanen: Crisanen Lifedrinker, prazer. Sorriu encarando-o maliciosa e dissimulada. ─ E você, é igual a ele?
Alexe: ─ Eu acho que sou pior... Hahahaha! Olhando-a com alegria perversa.
Viktor: ─ Eu admito, sou uma criatura da cidade: as luzes, a agitação noturna, a abundância de boa bebida... Sorriu sarcástico.
Crisanen: ─ É, eu estou vendo. Vocês estão fazendo a festa. Passou os dedos no peito de Viktor que estava sujo de sangue e provou. ─ Eu estou procurando uma casa que é propriedade real.
Alexe: ─ A cidade é dividida em distritos. Provavelmente você irá encontrá-la no distrito nobre.
Crisanen: ─ Então é pra lá que eu vou. Good evening, my friends. Mwah! Se despediu e deixou os dois para trás na praça.
Já era mais de uma da madrugada. Crisanen seguia por ruas e becos em direção ao distrito nobre. Ao passar por uma taverna, ela viu um único cliente numa das mesas lá dentro que chamou sua atenção. Ficou observando-o pela janela do lado de fora. Ele estava adormecido na cadeira pelo excesso de vinho, até que o taverneiro veio acordá-lo para encerrar a noite. Ele se vestia bem, era jovem e bonito. Crisanen viu ele saindo do bar, vindo em sua direção e falando com ela por cortesia. ─ Boa noite, senhorita. Gostaria de terminar essa garrafa comigo? Ela olhou nos olhos dele e falou sem constrangimento ─ Eu quero outro tipo de vinho. O vinho das artérias. O rapaz meio bêbado riu brevemente, e sumiu dali.
Meia hora depois, a vampira havia esquecido de sua missão e agora estava no cemitério da cidade. Os mausoléus ali eram suntuosos, com vários jazigos e monumentos funerários imponentes por toda parte. Crisanen estava sentada num dos túmulos, de pernas cruzadas, aguardando sua vítima. Eis que não demora a aparecer o mesmo rapaz que havia a cortejado na rua, segurando a garrafa de vinho. Parecia distante e hipnotizado, não sabia o que estava fazendo ali. Crisanen caminhou até ficar bem próxima com ele. Tomou calmamente a garrafa da mão do rapaz sem quebrar o contato visual, e deixou ela cair no chão. ─ Você deve estar se sentindo muito feliz por eu tê-lo escolhido-o, não é? Falava sussurrando, pretensiosa e sedenta. ─ Tudo bem, docinho... Eu não consigo parar de me olhar em seus olhos. Essa neblina mortiça pairando em volta.. Minhas roupas preciosas e meu cabelo, eu fico tão bem assim! Eu quero que você olhe bem nessas minhas sobrancelhas... Perfeitas não são? Meus lábios, vermelhos, minhas lindas, bochechas. E meus irresistíveis... olhe pra eles, hun..? irresistíveis, olhos amarelos... com esses longos, loucos, cílios. Uhum.. Eu quero que você olhe bem, okay? Apenas olhe, bem nos meus olhos. Deu um sorrisinho libertino. ─ Não pare... Eu quero que você pense, no quanto você ME ADORA, e faria qualquer coisa por mim. Hun..? Faria tudo o que eu mandar ♪
De todos os mortos-vivos que stalkeavam o mundo, nenhum era mais temível que os vampiros, principalmente pela facilidade com que podiam se passar por pessoas normais sem chamar a atenção. Mas Crisanen fazia questão de se revelar como vampira logo de cara pra suas vítimas, imoral e ousadamente, pois confiava em sua perfeita habilidade de não deixar nenhunzinho escapar; suas características faciais já eram um pouco afiadas e ferais, mas o olhar de um vampiro era uma de suas armas mais poderosas e perigosas; qualquer pessoa mortal que permitia que um vampiro o fitasse nos olhos caía sobre uma espécie de feitiço ou encanto, e ela adorava isso pois quando percebiam como ela era normalmente já era tarde demais, suas vítimas inocentes já não tinham como reagir.
E ela se divertia com eles; aos poucos ia envolvendo-os, os preparando para a maldade que cometeria... E os matava, sugando todo seu sangue, sem piedade nem compaixão.
Crisanen: ─ Te quero cada vez mais, estou louca por ti! Abraçados, o rapaz sorria com os lábios encharcados de sangue. É que ela havia mordido-o enquanto se beijavam sem que ele percebesse. Os dentes da vampira não tinham esmalte, o que os deixavam sempre afiados. Além disso sua saliva era um poderoso anti-coagulante, que impedia que o sangue estancasse. E o pobre libertino em seu torpor de bêbado nada percebia. Ela dava risinhos, e pedia-lhe mais beijos, que saboreava gemendo, de olhos fechados. ─ Uhnm!! Seu sangue é tão gostoso... Uma pena que não tenha o suficiente para nós dois...
Eram duas da manhã quando o rapaz se separou dela, voltando a si e assustado fugiu cambaleando entre os túmulos. Crisanen sorriu vendo-o desaparecer no cemitério, mas ainda sentia muita sede e foi atrás dele.
Crisanen: ─ Vamos brincar de esconde-esconde, meu amor. Que tal? Um minuto pra correr, e muitos lugares pra se esconder. Você se esconde e eu procuro. Eu adoro essa brincadeira! O jogo começa quando eu conto. Eu me inclino contra a parede. Você escapa de mim por um momento. Daí eu começo... Investigando... Observando o ambiente. — Você está aqui, docinho? Você se encolhe assustado. Preste atenção, amorzinho, que o tempo está se arrastando: Às onze horas no escuro, com muita sede eu procuro; À meia-noite os lobos, se juntam a mim no jogo; Às duas horas tão árdua, fique imóvel como estátua; Pronto ou não achei você, agora é hora de te morder!
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