Crisanen e o Manuscrito Perdido
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O Gato!

Gato: ─ !!!!!!!!!! Paralisou-se ao topar inesperadamente com a vampira no cemitério. ─ Só me faltava esses vampiros. Lamentou.
Crisanen: ─ Isso é jeito de falar comigo? Cruzou os braços, aproximando-se e abaixando. Começou a passar a mão na cabeça dele.
Gato: ─ Sinto falta de quando apenas os gatos reinavam na noite. Agora pra onde vou topo com uma sanguessuga. Abaixou as orelhas, não muito animado com o carinho que recebia da vampira.
Crisanen: ─ Gato, pega leve com o palavreado e me ajuda a chegar à antiga residência de um tal Peter Gorap. Preciso estar nessa casa ainda esta noite e encontrar um manuscrito perdido. Pegou o gato nos braços e levantou.
Gato: ─ Uma casa? E o que veio fazer aqui no cemitério?
Crisanen: ─ Bem, é necessário saber uma coisa sobre mim para compreender melhor o meu modo de agir: eu sigo sempre os meus instintos, e nunca a rota que me mandam seguir.
Gato: ─ Sei. Enquanto isso pode me explicar o que uma vampira como você quer com o famoso manuscrito perdido?
Crisanen: ─ Eu não quero nada com esse negócio. Só estou realizando a última vontade de um senhor já muito velho.
Gato: ─ Oh, uma intenção muito comovente... Mas devo lhe avisar que esse manuscrito nunca foi encontrado.
Crisanen: ─ Porque não souberam procurar. O rei confiou o manuscrito ao seu servo leal, dono daquela casa, que por sua vez tratou de guardá-lo em um lugar onde ninguém poderia achá-lo facilmente.
Gato: ─ E como pretende achá-lo então?
Crisanen: ─ De início é necessário observar a casa. Estudar as pistas que ele deixou. E por fim desvendar o quebra-cabeça!
Gato: ─ Tudo bem então. Pode me colocar no chão? Quero lhe mostrar algo.
A vampira colocou o gato no chão. O gato emitiu um miado e começou a correr por entre os túmulos. Crisanen o seguiu curiosa, até que chegaram no túmulo do antigo dono da casa. Na lápide estava escrito:
Dom Peter Gorap
1522 ✞ 1564
"Olhe, e então olhe mais uma vez
Por aquilo que está perdido
Dê voz à lua, ao sol e às estrelas
E os céus ouvirão o seu pedido."
Crisanen: ─ Interessante, isso pode ser útil. Mas... Depois, foi se aproximando do gato como quem não quer nada, agarrou-o e deu um sorrisinho sem graça. ─ Eu também vou precisar de alguém que seja ágil, que possa escalar e subir em objetos, e que se enfie em lugares pequenos demais para mim...
Gato: ─ Vai?... Perguntou receoso, um pouco incomodado com os avanços dela, tentando se soltar.
Crisanen: ─ Sim. E é aí que você entra.
Gato: ─ Tudo bem, fazer o que néh, acho que posso levá-la até a casa. Mas me põe no chão.
Crisanen: ─ Yes! Sabia que podia contar com você gatinho. Começaram a andar os dois, saindo do cemitério. ─ Na verdade, ninguém consegue dizer não ao meu charme irresistível ♪
Gato: ─ Como é????
Crisanen: ─ Vamos lá. Eu sei o quanto você gostaria de ser meu pet... E para sempre!
Gato: ─ Eu já tenho dono. Lamentou: "Céus, como é convencida!"
De volta às ruas da cidade, a vampira e o gato seguiam em direção à casa. Crisanen soube pelo gato que a casa possivelmente não estaria abandonada. Todos os imóveis de propriedade real sempre eram mantidos por um zelador que cuidava do lugar, deixando-o a disposição da nobreza quando estes a visitassem.
Crisanen: ─ Tem ideia do que isso significa? Pararam os dois próximos a uma fonte de água.
Gato: ─ Hun.... Não.
Crisanen: ─ Significa que vamos ter que nos disfarçar de nobres para conseguir entrar na casa!
Gato: ─ Mas estamos no meio da madrugada, todas as lojas de roupas estão fechadas.
Crisanen: ─ Exato. A menos que houvesse uma loja cujo dono também fosse vampiro...
Gato: ─ Ah não! Ouviu aquilo incrédulo.
Alguns minutos depois, no distrito comercial da cidade
Crisanen: ─ Boa noite. Adentraram na loja a vampira e o gato. A única loja aberta naquele lugar.
???: ─ Boa noite. Entre. Bem-vinda a minha humilde alfaiataria. Um homem por volta dos trinta anos, vestido elegantemente veio até o encontro dela. A loja era repleta de manequins, tecidos, objetos de costura, e muitas, muitas peças de roupa por todos os lados. ─ Como se chama minha jovem, e como podem minhas peças servi-la?
Crisanen: ─ Me chamo Crisanen Lifedrinker, prazer.
???: ─ Não sei se te chamo de Crisanen, ou de Erzsébet Báthory. Começou a olhá-la de perto, inspecionando-a. ─ Esse olhar esnobe e ousado, esses dentes afiados e sedentos, essa atitude desdenhosa.
Gato: ─ Tudo bem, isso nós já sabemos. Mas você seria... Quem?
???: ─ Uhnm, vejo que tem um pet. Sou o Sr. Filipovitch, o alfaiate e estilista dos vampiros dessa cidade. Falou, com apurada fineza de gestos.
Crisanen: ─ Pois bem Sr. Filipovitch. Eu preciso de trajes que me façam parecer realmente nobre. Algo solene, luxuoso, sabe?
Sr. Filipovitch: ─ Então veio ao lugar certo. Vai ser um prazer fazer você tirar essas roupas ordinárias de brechó e vesti-la como uma verdadeira duquesa!
E assim começou o disfarce da vampira. O alfaiate trouxe o mais caro vestido que possuía, vermelho, ricamente trabalhado com pedras e joias preciosas, enquanto ia explicando que os trajes da nobreza eram feitos para se mostrar o quanto eram caros, mas se certificou que ficaria com um caimento impecável para Crisanen. Enquanto isso o gato brincava com as bolas de fio de lã que havia por toda a loja. O Sr. Filipovitch também providenciou para ela um par de sapatos escarpim em verniz preto muito fino, uma gargantilha de diamantes, um anel de rubi, e brincos de opala. O gato em cima de uma mesa esperava os dois, começou a se lamber e depois acabou deitando e dormindo. Por fim, aqueles dois coques laterais que davam a vampira uma aparência divertida foram substituídos por um elaborado penteado em forma de coração, com véus curtos cobrindo a parte de trás da cabeça e pescoço.
Sr. Fikipovitch: ─ E pronto! Uma verdadeira nobre, da mais alta classe. Falou enquanto olhava-a orgulhoso do seu trabalho.
Crisanen: ─ Sério? Eu estou mesmo parecendo uma? Gostaria de ter reflexo e me olhar no espelho...
Sr. Filipovitch: ─ Acredite, nem sua própria mãe a reconheceria. E qualquer um vai se curvar ao vê-la passar, milady.
Crisanen: ─ Muito obrigada, Sr. Filipovitch. Hey gato, acorda! Temos que ir, porque agora é hora de entrarmos em ação!
Fale com o autor