Crimson Blood
2 Capítulo 2
Estava tudo claro. Como se uma bola de luz invadisse meu campo de visão e tudo ficou claro. Deve ser o paraíso, falei pra mim mesma. Existe um paraíso para híbridos como eu?
Não importa. Não importaria de me ver morta. Melhor morta que ter um racionio animal e matando pessoas por aí. Lembrei do meu trauma, quando conhecí Vicky, sendo atacada por um vampiro e sendo abusada dentro do colégio onde estudávamos. Quando o seu sangue monstruoso acordou, Vicky rebateu o vampiro com suas forças extremas e arrancou sua cabeça fora.
Eu já estava sob guarda do Doutor naquela época, ele já me contara sobre vampiros. Mas eu nunca tinha visto um vampiro pessoalmente. Vicky depois me encarou, com seus olhos assustadores e prestes a me atacar também. Contudo, por um instante, ela voltou para si e viu o que fez. Logo, ela gritou de desespero, não acreditava que ela mesma fez aquilo, mesmo que o vampiro tenha abusado-a tenha sido pior, Vicky se bateu contra paredes e começou chorar.
Assustada, me aproximei dela e a consolei. Sabia que vampiros são bestas que sugam sangue humano para sobreviver e quando estão à caça, não conseguem racionar direito. Eles fazem tudo por tentação, sem ao menos pensar duas vezes.
Vicky acordando como vampiro não fez aquilo por tentação. Fez aquilo por vingança e repulsa, tentando demonstrar a dor que sentira quando ele a abusava.
Claro, ela ficou tensa quando a consolei. Depois entreguei ao Doutor e ele disse que podíamos ficar juntas, afinal, eu acabei salvando-a.
Eu não quero ficar daquele jeito. Eu não quero matar pessoas por tentação ou vingança, por mais que meu instinto implore. A única coisa que quero na vida é esperar a pesquisa do Doutor pela cura e cair fora. Eu quero seguir minha vida, como uma pessoa normal.
Como meu pai disse, nem tudo que a gente quer, conseguimos.
Sentí meu corpo doer. Era como se algo tivesse dado vários socos nos meus membros e a musculatura ficar toda dolorida. Tentei mexer, e doía mais, então tentei ficar calma e quieta. Mas era impossível, comecei a suar frio, fazendo todo meu corpo tremer.
"Ela está reagindo"
"Ela ficará bem?"
"Sim. Eu a conheço em todas as suas partículas de seu corpo. Ela não me decepcionará"
"Doutor, ela está tremendo!"
"Ela vai se acalmar"
Vozes estavam tão intensas, quase doíam meu ouvido. Respirei fundo e um cheiro horrível de agua sanitária invadiu minhas narinas, quase me dando enjôos. Sentia todo meu corpo nu deitado num fino lençol em algo pouco confortável. Todos meus membros estavam amarrados com algo resistente, impedindo de me mover. Como eu previa, eu não estava morta. E sim, deitada numa maca de laboratório do Doutor.
Aos poucos, abrí os olhos. Uma luz, incadescente, apontada pra mim começou a doer meus olhos, fazendo piscar várias vezes. Tentei dizer algo, porém minha garganta estava totalmente seca para agitar as cordas vocais.
Sede. Precisava de algo para molhar minha garganta, algo refrescante. Droga, Doutor colocou algum aquecedor pra deixar a sala abafada? Ele sabe que tenho alergia aos aquecedores, tive vários ataques de renite que fui parar até no hospital.
- Ela acordou Doutor — uma voz feminina fez eu virar a cabeça. Havia uma mulher morena com touca prendendo os cabelos e máscara na boca.
Doutor veio até a mim. Ao contrário, ele não vestia nenhuma proteção hospitalar. Pegou uma das minhas mãos e apertou.
- Finalmente — ele murmurou — Pensei que não ia acordar mais.
Minha garganta incomodava. Abría a boca pra dizer algo, nenhum som sequer saía. Percebi o quão meus lábios estavam secos e meu corpo ainda tremía.
- Solte-a.
- M-Mas Doutor...
- Eu confiarei nela. Solte-a.
Sentí algo se soltando em meus membros. Minha mão direita, aos poucos, foi até garganta, massageando-a.
Aos poucos, levantei da maca, colocando pés no chão. Minha visão estava desnorteada, meus ouvidos conseguiam captar sons de quilômetros de distância e a única coisa que importava é tirar a sede monstruosa dentro de mim.
- Doutor, acho que ela...
Inalei o sei cheiro. Era um cheiro tão bom e delicioso. Podía ouvir seu sangue correndo em suas veias.
- S-Sa... — peguei seu braço forte e torcí.
A mulher gritou de dor. Ela começou a implorar, mas nada aquilo importava. Apenas um corte em sua artéria, um corte apenas, eu finalmente poderei...
- Lisa.
Paralisei. Doutor veio até a mim e colocou suas mãos no meu ombro.
- Está sedenta não é? Eu sei que você está se racionalizando.
Eu... racionalizando?
- Se você não tivesse racionalizando, a mulher já estaria morta em suas mãos — Doutor pegou minhas mãos — Você é um vampira completa, da raça rara. Mesmo seu corpo pedindo sangue, você consegue segurar a razão.
Engolí seco, minha garganta doeu mais. Tossí seco.
Doutor foi até um armario e retirou as minhas roupas e deu a mim.
- Vista suas roupas.
Peguei-as e comecei as vestir. Enquanto isso, ele foi ajudar a mulher, ainda com seu cheiro me provocando tentações, caía no chão com braço roxo. Trinquei os dentes, eu realmente não deveria ter feito isso.
Quando terminei de vestir as roupas, a mulher com seu braço já enfaixado saiu da sala.
- Doutor, eu p-preciso de... — murmurei, engolindo seco.
- Aqui — ele colocou um copo com liquido de cor escarlate em cima da mesa ao lado — Prove.
Sem hesitar, peguei o copo e levei aos meus lábios. Aquele líquido, doce e morno, aos poucos foi nutrindo minha garganta, deixando-a úmida e refrescante, aliviando tambem as cordas vocais.
Quando terminou o liquido, lambi meus labios com lingua pra fora, ainda sentindo gostinho doce.
- É bom não é? É bom começar a se controlar.
Com a minha garganta hidratada, já estava satisfeita.
Obrigada.
Voltei pro meu quarto logo depois. O Doutor ficou no laboratório, deu algumas instruções, como controlar a sede e a minha ira. Depois da transformações, é normal nós perdermos razão mais facilmente em relação a sede e lutas. Concordei com todas e saí do laboratório. Quando cheguei a porta do laboratório, abri a porta lentamente e ouvi alguns soluços.
- Vicky? — a chamei, ela estava deitada no sofá, enfiada a cabeça no travesseiro.
- L-Lisa? — ela se levantou da cama, com olhos arregalhados – Por que não estava aqui quando cheguei?
Ela tava quase chorando. Quase, pois ela como vampira completa, não tinha lágrimas pra derramar em seus olhos.
- O Doutor me chamou e eu – parei para limpar minha garganta.
- Espere – a Vicky se aproximou de mim e abriu tuas narinas, respirando – V-Você não está...
- Eu sei – eu respondi, sabia o que ela ia dizer: “Você não está cheirando como humana...”
- Não – ela me encarou feio – Você está mais pálida! E os seus olhos? Onde saíram esses roxos?
Arqueei minhas sobrancelhas e me encarei no espelho. Quase morri.
Eu estava mais pálida. Tinha olheiras roxas debaixo dos meus roxos e pude perceber que meus olhos castanhos adquiriram uma cor marrom mais claro.
- Vicky, eu... — as olheiras era do efeito do sonífero que Doutor havia injetado em mim, já a palidez e os olhos eram os resultados da minha transformação – Eu estou completa.
Ela arregalhou os olhos – Como é que é?
- Sim, é isso mesmo que você ouviu. O Doutor apressou meu crescimento e me fez virar vampira completa.
Vicky ficou boquiaberta e depois tampou a boca com suas mãos – P-Porque?
Para não me pegarem. Parece que ele confirmou a cura e a Ordem descobrir, eles podem correr atrás de mim.
Mas o que isso tem a ver com seu crescimento? Não achou isso “apressado” demais? — ela ergueu as mãos, mexendo os dedos como se desse aspas na palavra 'apressado'.
Engolí seco. Será que Doutor tinha outro interesse em me transformar um vampira? Balancei a cabeça, desejando não pensar nisso agora.
O importante é que ele achou a cura e poderá nos salvar, isso – falei, sentando em minha cama – Deveria estar feliz não?
E-Eu não sei – ela sentou em meu lado – Sinceramente, eu não consigo confiar nele Lisa.
Encarei-a, com olhos tristes. Depois que tudo passamos, eu sabia que a única pessoa que ela confiava naquele momento era eu.
Tudo bem – passei a mão em seu ombro – Irá ficar tudo bem ok? Com ou sem cura, estaremos juntas.
Vicky sorriu e me abraçou. Ficamos ali por algum momento e ela voltou ser a Vicky de antes, tagarelando sobre seu namorado e o que aconteceu enquanto eu estava em transformação.
Depois de ver o horário, quase 5 da manhã, resolvi dormir. Mesmo sendo meia vampira, Sol me atrapalhava, não me transformava em pó mas fazia ter belos dores de cabeça e visão embaçada. Obviamente, para o bem estar e da sobrevivência, os vampiros e meio-vampiros optaram a dormir de dia e realizar sua rotina em horário noturno.
Assim que fui dormir, me joguei na cama.
Não lembro estar nesse lugar. Numa floresta, era noite e havia tremores no chão. Ali perto, alguém andava e causava esses tremores, o barulho em seu andar revelava isso. Em minha frente surgiu uma criatura enorme. Era um estilo “Huck” mas não era verde, era cinzento e muito mais violento. Suas roupas rasgadas e sujas revelavam o seu tamanho enorme e tinha presas afiadas em seus dentes.
Mas o que diabos... — mal termnei de falar, a criatura se avançou até a mim.
Pulei pro lado para desviar. Agora, sendo completa, eu fiquei mais ágil e rápida. Pulei novamento em seu pescoço por trás para tentar afetar seu ponto fraco.
Não deu certo. A criatura se balançou, me pegando pelos ombros e jogando pro lado. Caí no chão, sentindo o choque passar pelo meu corpo. Enquanto eu erguía minha cabeça para recuperar, a criatura se avançou até a mim novamente. Só agora percebi que ele era forte demais e de jeito nenhum eu iria vencer.
Por instinto, eu gritei. Gritei tão alto que logo depois senti alguém dando um tapa na cara.
Era a Vicky.
Mas que merda! Acordei com seus malditos gritos! Não sou surda ok? — Vicky bufou de raiva.
D-Desculpe – me levantei da cama, respirando rápido – Só tive um sonho ruim.
Vicky me encarou – É, eu percebi. Ainda é três da tarde. Volte a dormir – ela se enrolou em sua coberta.
Fiquei quieta por alguns momentos e tentei voltar a dormir. Era impossível, havia perdido completamento meu sono.
Vasculhei pela janela. O dia estava nublado. Dar uma passeada pela cidade até que não seria uma má ideia.
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