Crimson Blood
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo Três.
Fazia muito tempo que não fazia isso. Andar pela cidade em pleno dia para os humanos. Fazia frio e ventava, mas percebi que não me incomodava tanto com o frio assim.
Vestia uma camiseta fina com uma blusa de lã roxa com gola. Com uma calça jeans skin escura e uma bota marrom com pouco de salto.
Eu não comprei essa roupa. Ganhei todo o conjunto pela Vicky.
Não que eu não gostasse de moda, eu até gosto. Mas não tenho paciência o suficiente pra entrar numa loja de roupas e achar o que irá ao meu gosto. Já a Vicky é totalmente ao contrário, ela faz questão de ir numa loja de marca e passar o tempo. Se eu deixasse, ela passaria dias numa loja experimentando todas as roupas que ver pela frente. É engraçado ver suas reações, ao mesmo tempo, achava exagerado. Como uma pessoa por ser tão impulsiva em vestir roupas novas?
Se não fosse pra Vicky, com certeza, meu guarda-roupa seria brega. Ainda bem que ela sabe do meu estilo, um estilo neutro e extravagante. Em 95% das roupas que ela me dava quando descobriu meu estilo, ela acertava meu gosto em cheio e eu amava seus presentes.
O vento bateu mais forte, fazendo-me mexer o corpo. Passei em várias lojas, confeitarias. Deu saudades da época que amava doces e aquilo era um dos meus maiores prazeres. Isso terminou quando entrei na adolescência, quando tive sintomas de meio-vampiro, substituindo todos esses prazeres por um só: sangue.
Só de pensar nisso, minha garganta ardeu. Tentei me acomodar, parecendo mais normal possível.
Então, decidi entrar numa cafeteria. Mesmo que beber um cappuccino não seja tão prazeroso como os dias que eu era totalmente humana, beber uns copos de vez em quando só pra matar saudades não fazia mal. Quando entrei no estabelecimento, peguei uma mesa mais discreta possível (onde há menos pessoas aglomeradas) e esperei algum garçon para me atender.
Assim, veio uma garota com avental marrom segurando um bloco de nota – Algum pedido?
Respirei fundo e senti o seu cheiro. Era tentador. Além do próprio cheiro humano, seus cabelos cheiravam morangos doces e tinha um perfume, também doce.
— Er... – olhei no cardápio, disfarçando a minha tensão de ai-que-cheiro-bom-que-vontade-de-comer-ela – Vou pedir um cappuccino.
— Só isso? Com chantilly?
— Sim, por favor.
Mesmo ela se afastando, o seu cheiro mantinha perto. Droga. Ainda bem que consigo segurar e controlar meu lado animal.
Coloquei a mão na minha cintura, brincando com meus dedos. Enquanto esperava o meu pedido, encarava o local em si. Humanos conversando, dando risadas, tomando suas bebidas e comendo vários salgados como pão de queijo e empadinha de frango.
Só de ver tudo isso, meu coração se apertava. Será mesmo que servi pra ser vampira? Ser humano deve ser muito mais fácil, a sede deles é só ir tomar água, sem fazer mal a ninguém.
Enquanto nós temos que controlar nosso lado animal pra não matar um humano sequer.
Depois de alguns momentos perdida em meus pensamentos, a garçonete trouxe meu cappuccino. Peguei a xícara quente e eu cheiro doce começou a predominar ali, claro, nada comparado ao cheiro da humana.
Antes que eu voltasse a me questionar sobre minha vida, bebi um gole da bebida quente. Estava doce no ponto, o chantilly dava um gosto a mais, deixando delicioso.
Pousei a xícara na mesa enquanto aproveitava a deliciar a bebida ainda em minha boca. Quando terminei, voltei a bebericar. Uma onde de náuseas invadiu meu corpo, vendo a bebida entrar mas na minha boca e engasguei logo depois.
Rapidamente deixei a xícara na mesa e tampei minha boca. As náuseas vinham mais fortes, a vontade de vomitar aumentava. Encarei rapidamente em volta pra verificar se ninguém percebeu. Assim que confirmei, corri para um banheiro mais próximo.
Graças, o banheiro estava aberto. Entrei rapidamente e esperei a vontade de vomitar vir a tona enquanto estava perto do vaso. Nada. Droga.
Respirei fundo e as náuseas foram passando. Quando passaram por completo, lavei meu rosto para acalmar e me encarei no espelho. Era só que me faltava! Nunca mais poderei tomar cappuccino em minha vida? Que merda!
Antes que batesse na pia e quebrasse, afinal eu como vampira, uma pia era fácil demais pra quebrar como se fosse um copo, saí do banheiro, indo em direção a mesa onde estava sentada. Peguei a ficha e fui pagar, deixando o cappuccino semi-completo em cima da mesa. Tive uma pontada de dó, eu deveria estar apreciando aquela bebida doce.
Quando cheguei no caixa, paguei a minha bebida e saí do estabelecimento mais rápido possível. Ainda sentia meu estômago revirar pelas náuseas e pra colaborar, o cheiro humano fazia minha garganta arder.
— Hey, mocinha – uma voz estranha me fez parar de andar – Onde pensa que vai?
Virei meu corpo pra ver de quem se tratava. Era uma garota, aparentava ter a minha idade, vestia uma blusa preta com algum símbolo nas mangas.
Tremi só de reconhecer o símbolo.
— O que quer? Eu não fiz nada – falei firmemente, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— O fato de você andar de dia já é suspeito – ela respondeu com uma certa grosseiria – Admita que é você.
Minha espinha se arrepiou. O que diabos ela está falando?
— Eu? Já falei que não fiz nada! Não vou ficar aqui perder meu tempo com uma caçadora que mal pode ver um vampiro e já fica acusa sem sequer ter alguma prova – virei meu corpo e comecei a andar. Eu senti ela tremer de raiva.
Xinguei a mim mesma. Eu nem deveria ter vindo a cidade. Tinha esquecido completamente que havia caçadores rodando por ai. Ainda mais agora, em jornais anunciam que há várias pessoas desaparecidas sem algum motivo. Como fui tão descuidada.
Apenas andei no caminho de volta até o internato, esperando que quando chegar lá, tivesse algum sono para cochilar até o horário de aula.
Logo depois, meu celular tocou. Rapidamente peguei-o e atendi.
— Alô?
— LISA? É VOCÊ MESMA?
— Vicky... sou eu mesma, porque?
— SUA LOUCA! ONDE VOCÊ ESTÁ? – ela gritou no telefone, fazendo eu afastar o aparelho do ouvido.
— Só fui dar uma volta, o que aconteceu?
— O QUE ACONTECEU? TEVE ALUNOS DESAPARECIDOS AQUI E VOCÊ SEQUER ESTAVA NO MEU QUARTO!
— Alunos desaparecidos? Vampiros completos?
— Não sei Lisa. Por favor, volte logo – ela choramingou.
— Ok cagona, estou chegando aí.
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