Criminal Love

28 Time to Do or Die


Marcus Hallet acelerava o máximo que podia. O motorista do carro em sua frente fazia o mesmo. Ele iria alcançá-los, não importa o que custasse.
Quando o carro em que Joseph e Van Spielberg se encontravam estava preparado para fazer a próxima curva, uma segunda viatura apareceu no sentido contrário, fazendo com que Joseph, usando seus reflexos, virasse totalmente o volante. Os dois carros se chocaram, e Marcus no exato momento tirou o seu da pista, onde segundos depois, o carro dos Spielbergs rodopiou descontrolado.

Audrey Mankiewic, Kate Baxter e alguns policiais estavam totalmente perdidos dentro da mansão. Lauren poderia estar em qualquer um dos cômodos daquele lugar. Bram havia sumido da visão deles.
Kate já havia atirado em dois bandidos que surgiram na frente deles, não iria sossegar até que encontrasse a amiga.
Subiram dois lances de escada e se depararam com um corredor, e no fim dele, uma porta aberta, com um corpo jogado no chão atravessado na entrada no cômodo.
Kate correu até lá, e logo reconheceu a garota: Eve Jackman.
Checou sua pulsação, e viu que a garota estava viva. Chamou dois policais dos quatro que os acompanhavam.
– Eu preciso que vocês levem essa moça para a ambulância agora. Seu nome é Eve Jackman e ela é considerada suspeita. – os dois policiais assentiram e Kate e Audrey continuaram o caminho.

Stephen corria sem olhar para trás. Atravessava todos os corredores e descia todas as escadas daquela mansão que mais parecia um prédio. O colete a prova de balas de Bram pesava em seu corpo, dificultando seus movimentos.
Havia decorado todas as ordens que Bram tinha lhe dado. Não pare de correr por nada. Ache a saída dos fundos e se esconda se ouvir algum barulho. Seu coração estava disparado. Bram havia o achado amarrado e com uma fita tampando sua boca, o libertou e deu as coordenadas para Stephen seguir por um caminho que estava livre de bandidos. Ele deu seu colete para Stephen e disse que procuraria por Lauren. E então Stephen começou a correr. E não tinha parado até agora.
Quando finalmente chegou ao primeiro andar, reconheceu a porta que Bram havia lhe falado e correu até ela, a abrindo. Os policiais que estavam de guarda, quando o viram, o levaram diretamente para a ambulância. Stephen tentou reconhecer algum rosto, Lauren, Kate, Audrey, Bram...não havia ninguém. Apenas confusão.

Lauren dava passos cautelosos pelo corredor, sempre observando de canto de olho as atitudes de Lucas, que a seguia. Sua mente era uma explosão de informações. Afinal, Lucas era ou não um bandido?
– Lauren. – ele chamou. Ela se virou. Ele estava parado em frente uma das portas do lado direto do corredor, que estava aberta.
– O que? – ela perguntou. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas a fechou. Ela andou até ele, e quando olhou o que havia dentro do pequeno cômodo, quis gritar. E foi o que ela fez.
– Não! Não! – ela correu se ajoelhou na frente do corpo estendido de Bram. – Não, Bram! Abra os olhos! Fale comigo! – seus olhos já estavam cheio de lágrimas e havia vários nós em sua garganta. – Bram! – ela gritou. Havia sangue por todo ele, que ela logo percebeu que vinha de seu peito. As lágrimas escorriam de seus olhos como duas cachoeiras. Seu peito estava apertado, e seu coração tinha se transformado em uma bolinha de golfe.
Ele abriu os olhos lentamente.
– Lauren? – ele sussurrou. Sua voz era rouca, e ela percebeu que ele fazia um esforço tremendo para respirar, e maior ainda para falar.
– Isso, meu amor. Eu estou aqui, vai ficar tudo bem. – ela o colocou em seu colo, todo seu corpo sujando de sangue. – Vai ficar tudo bem, aguente firme. – ela sussurrava para ele, enquanto suas lágrimas pingavam nas bochechas dele. – Lucas, me ajude! Nós precisamos fazer alguma coisa! – ela olhou para o outro rapaz. Ele ainda estava parado na porta, observando toda a cena com uma expressão de choque.
– Ele está tendo uma hemorragia, Lauren. Se nós o tirarmos daqui ele vai morrer. – ele deu um passo à frente. Ela começou a chorar ainda mais forte quando percebeu que ele estava certo.
– Fique comigo, Bram. Não desista. – ela conseguia ver as forças sumindo dos olhos dele. – Bram, não! – ela falou mais alto. – Onde está seu colete? – ela perguntou.
– Stephen. – foi tudo que ele conseguiu respondeu. – Lauren...me prometa uma coisa.
Lauren fechou os olhos.
– Qualquer coisa. – ela sussurrou.
– Você vai atrás de sua felicidade, e vai encontrá-la. Você merece ser feliz...me prometa que vai. – ele fechou os olhos de relance e os abriu novamente.
– Eu prometo, eu prometo. Eu faço qualquer coisa por você Bram, qualquer coisa, mas fique comigo, por favor! – ela implorou.
Mas ele já tinha ido embora. Seu olhar, sem vida, fixo nela. – Não! – ela gritou o mais alto que conseguiu. – Não faça isso comigo, Bram Davis! Você não tem esse direito! – ela puxava o ar apenas para soltá-lo em forma de soluços. Afundou a cabeça no ombro do namorado e chorou. Chorou forte e alto.
– Lauren, nós temos que ir. – Lucas se sentia um intruso ali. Ela não respondeu. – Vamos, Lauren! Nós precisamos sair daqui.
– Eu não vou sair daqui! – ela olhou para Lucas de canto de olho.
– Você não está armada, Lauren, você vai morrer se ficar aqui!
– Vá enquanto você ainda pode. – ela disse – Se você ficar aqui eles irão te matar antes que eu possa dizer qualquer coisa.
– Eu não me importo, Lauren. Eu não vou sair daqui sem você. – ele a encarou. Ela o encarou de volta, sem saber o que responder. – Ele não iria querer que você se deixasse morrer, — ele olhou de relance para Bram – eu tenho certeza. Vamos, Lauren.
Ela olhou mais uma vez para o corpo em seu colo, antes de se levantar e seguir Lucas.

Marcus Hallet se aproximou aos poucos do carro capotado. Se abaixou e viu que as duas pessoas dentro estavam inconscientes. Demorou um bom tempo até que conseguissem tirar aos dois homens de lá. Colocaram os dois estendidos no asfalto, e constatando os batimentos cardíacos dos dois, Marcus percebeu que para um deles, já era tarde demais.

Kate carregava a arma em punho, subindo cada vez mais lances de escadas. Audrey seguia logo atrás dela. No fim do corredor que estavam, havia abertura para o começo de um novo, à esquerda. Kate fez a curva rapidamente, e por pouco não atirou. Sua arma estava apontada diretamente para a cabeça de Lauren.
– Não atire. – Lauren começou. – Ele... – ela respirou fundo, pensando se isso era o certo a se fazer. – Ele está do nosso lado. – Kate percebeu que, num ato inconsciente, tinha apontado a arma para Lucas, que seguia atrás da moça.
– Você tem certeza, Lauren? – Audrey perguntou.
– Tenho. – Lauren respondeu, mesmo sem saber. – Ele me ajudou. Ele me salvou.
Audrey e Kate a encaram. Ela se virou para Lucas.
– Lauren, eu... – ele começou. Mas ela já tinha entendido.
– Vá, Lucas. Eu darei um jeito de te achar depois. – ele a encarou e assentiu uma vez. – Obrigada. – ela agradeceu. Então, sem dizer uma palavra, ele passou por eles e sumiu entre os corredores.
– Lauren, o que você fez? – Kate perguntou, furiosa.
– É uma longa história, que eu ainda preciso descobrir. – Lauren encarou Kate, e foi aí que Kate realmente a olhou. Seu corpo cheio de sangue, braços, tronco, rosto.
– O que aconteceu com você? – ela perguntou, e abraçou a amiga.
– Bram. – Lauren respondeu contra o ombro de Kate, o nó se formando em sua garganta novamente. – Bram está morto.