Os três agentes saíram e encaram a confusão na frente da mansão. Nesse tempo, o sol já havia nascido e a primeira coisa que Lauren viu foi Stephen sentado na traseira da ambulância. Ela escapou das mãos dos policiais e correu até ele. Quando ele a viu correndo até ele, se levantou e abriu os braços.
Lauren o abraçou tão forte que os dois quase caíram para trás.
– Ai, meu Deus. Eu estava com tanto medo que alguma coisa acontecesse com você, Stephen. – Lauren passou as mãos pelo rosto do menino.
– Eu estou bem, eu estou... – ele olhou para a irmã. – O que é isso, Lauren? O que aconteceu com você? – ele olhava todo o sangue no corpo dela.
– Eu estou bem. Esse sangue não é meu. – ela encarou Steph com olhos pesados.
– De quem é esse sangue?
– É de Bram. – ela suspirou.
– Lauren, não. – Stephen deu um passo para trás. – Não me diga que... – ele olhou para a irmã, desacreditado. Lauren apenas assentiu. Stephen voltou a abraçá-la.
– Vai ficar tudo bem. Acabou, Lauren, acabou.

Lauren não teve coragem de voltar à headquarter. Um dia havia se passado desde o acontecido. Já havia sido comunicada sobre quem estava preso, e quem estava morto. Não queria pensar em nada do que tinha acontecido, sua vontade era dormir por muitos anos e, quando acordasse, ninguém se lembraria mais de nada.
Estava sentada no sofá de sua casa, com Stephen, Audrey e Kate.
– Era para ele estar aqui do meu lado, — Lauren começou – me dizendo que tudo isso finalmente acabou, e agora nós poderíamos seguir com as nossas vidas. – ela respirou fundo, sua garganta fechando, e apenas uma lágrima escorrendo de seu rosto.
– Não faça isso, Lauren. – Audrey disse, mas não adiantava mais.
– Nós tínhamos planos, sabe? Para quando tudo isso acabasse. Nós o visitaríamos os pais dele em New York, e depois seguiríamos para o Brasil. – sua voz estava embargada e novas lágrimas começaram a cair. Ela apenas encarava o chão. – Mas agora, foi simplesmente tudo destruído. E não há nada que eu possa fazer quanto a isso. – ela olhou para Stephen – Por toda a minha vida, eu encarei e lidei com a morte. Nossos pais, todas as coisas que eu via nas missões, e agora Bram. O que mais eu vou ter que suportar? – ela fechou os olhos e deixou que todas as lágrimas rolassem, enquanto Stephen se sentava ao lado dela e a abraçava. – Ele me disse que estaria ao meu lado. – ela disse contra os ombros de Stephen, enquanto suas lágrimas molhavam a blusa do irmão – Ele me disse que não deixaria que nenhum deles chegasse perto de mim, e que eles não me machucariam. Mas eu estou machucada, eu estou dilacerada, porque ele cumpriu o que prometeu. E agora ele não está mais aqui para eu poder agradecê-lo.
– Ele nunca vai deixar de te proteger, Lauren. Não importa onde ele esteja agora. – Stephen disse, puxando a irmã ainda mais contra ele. Audrey apareceu com um copo de água, esticando-o para a amiga, que o pegou.
– Você terá que ser forte, ainda tem muita coisa para você lidar, muitas coisas para resolver. – Audrey disse.
– Eu sei. – respondeu, secando as lágrimas com o dorso da mão. – Eu irei amanhã para a headquarter para resolver tudo isso. Vou colocar um fim definitivo nessa história toda. O mais difícil já passou.
– E quanto a Lucas? – Kate olhou para Lauren. – como você vai achá-lo?
– Eu ainda estou digerindo essa história. – Lauren respondeu. – Custei a acreditar que ele tinha culpa em tudo isso...e agora estou custando a acreditar que ele não tem culpa de nada. – ela respirou fundo. – Ele vai me contatar de alguma maneira, eu sei que vai.
– Você confia nele? – Stephen perguntou.
– Ele me deu todos os motivos para confiar. – Lauren respondeu.
– Lauren, e se confiar nele foi um erro? – Audrey perguntou – E se ele, quando viu que nós tínhamos chegado até vocês, fingiu que estava do seu lado apenas para conseguir fugir?
– Vocês não entendem. – Lauren balançou a cabeça. – Ele teve mil e uma oportunidades para me matar, e não o fez. Vocês encontraram Eve Jackman inconsciente, não encontraram? Ele fez isso. Quando Eve descobriu que ele não tinha intenção nenhuma de me levar em cativeiro com eles, ela se descontrolou e tentou nos matar, mas ele nos salvou. Quando nós encontramos o corpo de Bram, eu estava totalmente indefesa, ele poderia ter feito o que bem entendesse. – ela passou as mãos pelos cabelos – Eu disse para ele ir embora várias vezes, que eu esperaria alguém aparecer, junto a Bram, mas ele disse que não me deixaria sozinha. Ele só foi embora quando eu estava a salvo ao lado de vocês. Quando vocês nos acharam. – ela encarou cada presente – Depois que Lucas me soltou, eu não era mais uma refém. Nós estávamos trabalhando juntos. Eu acho que, na verdade, não era nem para eu ter descoberto que ele não estava do lado dos Spielbergs, pois quando eu recobrei minha consciência, ele fez um teatro muito bem ensaiado, para eu acreditar que eu estava na merda. E então Eve adentrou o cômodo e provavelmente estragou todo o plano dele. – ela balançou a cabeça – Eu tive todos os motivos para confiar nele, e vocês podem tem certeza que amanhã ele estará presente na sala de depoimentos do FBI.
Todos ficaram em silêncio.
– Alguma vez eu já dei algum motivo para vocês desconfiarem do meu poder de julgamento? – Lauren arqueou as sobrancelhas.
– Você está certa. – Audrey disse. – Vamos esperar até amanhã. – ele sorriu, Lauren sorriu de volta.

Eram exatamente 18h30, e Lauren estava na cozinha com Stephen.
– Stephen, tem algo que eu preciso te contar. – Lauren começou, apertando a xícara de café em suas mãos.
– O que foi? – Stephen encarou a irmã.
– Eu descobri isso há alguns dias atrás, mas preferi não te contar nada, até que tudo fosse resolvido. Eu... – ela respirou fundo – Eu descobri quem matou nossos pais.
Stephen arregalou os olhos.
– O quê? Mas...como? Não vá me dizer que... – ele parou, chocado.
– Van Spielberg. – Lauren colocou em palavras o que se passava na mente do irmão.
E então ela contou toda a história para o irmão, que ouvia tudo com uma expressão de incredulidade.
– Isso é...sádico. – ele disse com a voz falhada. – Esse cara é um psicopata.
– Me desculpe por jogar tudo isso em cima de você, mas eu achei que você tinha o direito de saber. – Lauren disse.
– Não...está tudo bem. Obrigada por me contar. – Stephen sorriu.
Então a campainha tocou.
– Você está esperando alguém? – Lauren perguntou, franzindo o cenho.
– Não. – Stephen respondeu.
A mulher se levantou, foi até a porta e olhou pelo olho-mágico. Quando abriu a porta, um homem em um uniforme cinza segurava um buquê de flores.
Rosas brancas.
A respiração de Lauren falhou.
– Entrega para Lauren Backinsale. – o homem falou.
– Aqui mesmo. – ela sorriu fraco e pegou o buquê. – Obrigada.
– Quem era? – Stephen emergiu da cozinha, e quando viu o que estava nas mãos da irmã, paralisou.
Lauren olhava do buquê para o irmão, sem saber o que falar. Analisou as flores e achou um cartão. Stephen se aproximou.
A mulher abriu o cartão, e seu conteúdo mostrava apenas um número de telefone.
E então ela sorriu.
Sabia que ele não a desapontaria.