Criminal Love

30 It's where my demons hide


Lauren estacionou seu carro na vaga reservada para ela, próxima à entrada da sede. Hoje seria um dia triunfante para o fim de toda essa história. No fim desse dia, ela poderia finalmente colocar sua cabeça no travesseiro sem ter que se preocupar com a sua segurança ou com a de qualquer um que estivesse ao seu redor.
Ela adentrou o primeiro andar e seus olhos correram diretamente para a sala de Bram. A porta estava fechada, e por ordens dela, ninguém entraria naquela sala até que ela resolvesse o que fazer com o que estivesse lá dentro.
Ela sabia que todos os olhares daquele lugar estavam direcionados a ela, enquanto ela seguia para as escadas. Ela sabia que eles também sentiam a perda de Bram, que no momento, era para estar tomando uma xícara de café, perto da recepção, conversando com todos e fazendo todos rirem. Ele tinha uma facilidade em ser sociável que a impressionava, uma pena que ela não tinha essa facilidade. Às vezes ela pensava que as pessoas tinham medo dela, que elas confundiam o fato de ela ser uma chefe forte e com presença, com uma arrogante sem educação.
Lauren se surpreendeu quando um dos policiais que trabalhavam diretamente com Bram chamou seu nome. Eles nunca falavam com ela.
– Sra. Lauren.
Ela se virou.
– Pois não? – ela procurou pelo dono da voz que a tinha chamado. Ele deu um passo à frente.
– Eu só queria dizer que nós sentimos muito pela sua perda. Todos nós. Bram Davis era um grande homem. – o homem disse, e um silêncio pesado pairou pela sala. Lauren respirou fundo. E limpando a garganta, falou em um tom de voz considerável:
– A perda não foi apenas minha. Foi de todos nós. Nós perdemos um profissional impecável, perdemos um colega, e um amigo para todas as horas. Nós somos uma equipe. Cada um de vocês presentes tem uma importância sem tamanho para o funcionamento dessa organização. Juntos, nós formamos o FBI. E quando um membro falta, todos nós sentimos. Não importa se minha relação com Bram fosse um pouco mais íntima, o carinho que ele tinha por vocês era imensurável. Então, vocês também sofreram uma perda. E eu sei que no fundo, vocês também sentem falta dele tanto quanto eu. Ele era um colega, era um amigo, era um companheiro. Eu também sinto muito pela perda de vocês. Ele era sim, um grande homem. E nós vamos juntos, continuarmos nossa luta pelo seu legado, pelo nosso legado. – Lauren olhou para cada um dos rostos que a encarava. – Tenham um bom dia. – e assim, ela seguiu para sua sala.
– Bom dia, Betty. – ela anunciou assim que pisou no terceiro andar. Betty se levantou, e correu até ela.
– Graças a Deus, Lauren! – ela abraçou Lauren, que ficou paralisada por alguns minutos, sem reação. – Eu achei que nunca mais a veria. – Betty a soltou, olhando para a chefe com olhos desesperados.
– Que ideia é essa? Eu estou bem! Ninguém te disse que eu estou bem? – Lauren perguntou.
– Disseram, mas eu não consegui sossegar até que te visse com meus próprios olhos. – Betty respondeu. Lauren sorriu.
– Eu estou bem. Venha, vamos conversar na minha sala. – Lauren pegou a mulher pela mão, dando um aceno de cabeça para os outros presentes ali.
Elas entraram e Lauren fechou a porta atrás de si.
– Lauren, na manhã seguinte ao sequestro isso aqui virou um furacão. Todos falando várias coisas que aconteceram lá e eu não sabia como você e o Stephen estavam, eu fiquei tão preocupada e...ai meu Deus. – ela colocou a mão na testa. – Eu falando sem parar...e você...me desculpa. Como você está lidando...com tudo?
– Você está querendo dizer em relação a Bram? – Lauren colocou sua bolsa sobre a mesa. – Eu não sei o que eu vou fazer ainda. Quero dizer, eu já providenciei tudo do velório...os pais dele chegarão de New York hoje, e nós decidiremos amanhã o que fazer com as coisas e com o apartamento dele. E sobre a sala dele...os pais dele deixaram por minha conta.
– Por quê você não deixou as coisas do velório comigo, Lauren? Eu poderia fazer isso sem problemas. – Betty perguntou.
– Eu tinha que fazer isso sozinha, eu devia isso a ele.
– Eu entendo. – Betty assentiu. Ele olhou para a chefe com pesar. – Lauren...eu tenho más notícias.
– O que foi? – Lauren franziu o cenho.
– A imprensa...os jornalistas simplesmente não pararam de ligar. Eles querem entrevistar você de qualquer jeito.
– Merda! – Lauren esbravejou. – Eu achei que essa iria passar em branco. – ela colocou as duas mãos na cintura e encarou Betty. – Faça o seguinte: diga a eles que eu farei uma entrevista coletiva amanhã, às 8h. Aqui no auditório da headquarter. E euu não direi nada a ninguém fora dessa entrevista, entendido?
– Sim. E quanto ao Spielberg?
– Quanto ao Spielberg, diga aos policiais que podem trazê-lo. Quando eles chegarem, faça o favor de me chamar.

Meia hora depois, Lauren estava encarando a porta que levava à sala de interrogatórios.
– Lucas está aqui. – Kate parou ao lado de Lauren, olhando para ela.
– Eu disse a você que ele viria. – Lauren sorriu de soslaio para a amiga.
– E o que você vai fazer? – Kate perguntou.
– Eu vou acertar as coisas com o Spielberg. Fique com Lucas, tudo bem?
– E quanto a Eve Jackman?
– Audrey pode fazer isso.
Kate apenas assentiu e se retirou.
Lauren continuou a encarar a porta. Decidiu que era hora de encarar tudo isso.
Adentrou o cômodo e lá dentro, sentado numa cadeira de costas para ela, aguardava um velho de cabelos ralos e brancos. Ele não se deu ao trabalho de olhar para trás. A mulher andou até ele e deu a volta na mesa, ficando de frente para ele. Os olhos do mais velho se levantaram e a encararam. Ela encarou-os de volta.
O olhar de Lauren era frio, ela colocava nele todo o desprezo que sentia por Van Spielberg. Van não fazia diferente.
– Já faz algum tempo que eu espero encontrar você. E devido às circunstâncias, eu estou bem mais à vontade.
Joseph soltou um riso sarcástico.
– Você acha que ganhou, não acha? Mas meu filho ainda tem todos os recursos necessários para destruir todos vocês.
Lauren umedeceu os lábios, olhou para baixo por um momento, e depois voltou e olhar para Van, com os olhos ainda repletos de desprezo.
– Seu filho está morto. – ela disse. Van empalideceu. – Ele morreu ao seu lado, no acidente de carro. Meus policiais só tiraram você com vida.
– Mentirosa! – Van rosnou, batendo com uma mão na mesa entre eles.
– Que motivos eu tenho para mentir para você, Spielberg? – Lauren perguntou, cruzando os braços. Van apenas ficou olhando para ela, o desprezo em seu olhar se transformando em ódio. – Sabe, — Lauren começou a falar, andando pela sala – você matou meus pais, e o destino estava andando ao seu lado quando descobriu que eu me tornei parte do FBI, parte da mesma organização que matou sua esposa. E você queria vingança, então juntou o útil ao agradável. – ela se virou para ele – Durante toda essa investigação, eu pensei que era tudo sobre mim, que eu realmente era o problema, porque você tinha Lucas. Mas agora...agora eu finalmente consegui entender que quando você me ameaçou, Van Spielberg, você ameaçou cada pessoa que trabalha nesse estabelecimento. E eles ficaram ao meu lado. Tudo isso, porque eles confiam em mim. Eu não tenho o medo deles, eu tenho a confiança deles. E se você acha que liderar é fazer as pessoas temerem você, acho que então nós descobrimos o porquê de você ter perdido cada pessoa que amava na vida. Quem você tem ao seu lado agora, Spielberg? – ela se aproximou da mesa, pegando uma cadeira e se sentando de frente para ele – Isso não tem nada a ver com ganhar ou perder. Isso tem a ver com justiça. Eu a fiz acontecer. – Lauren sussurrou suas últimas palavras.
– Você acha que é boa o suficiente, não acha? – Van começou a falar, com a voz baixa e ameaçadora. – Mas se Lucas não tivesse me traído e aquele policial não fosse filho do cara certo, você nunca teria chegado até mim.
Lauren se encostou na cadeira, levantando um sorriso de canto de boca.
– Você pode estar certo, — ela se levantou e olhou para Van – mas olha como as coisas acontecem... — ela apoiou as duas mãos na mesa se inclinou para ficar cara a cara com Van Spielberg – O destino não trabalha apenas para você. – Ela bateu a mão de leve na mesa e sorriu para Van Spielberg. – E mais uma coisa. Tudo que você construiu, aquilo que você chama de império, está nas mãos do governo. Eles dividirão as posses da empresa entre seus sócios, mas antes, nós vamos investigar cada um deles, e se houver alguma coisa ilícita, sua empresa ficará sob o comando do governo. – Ela analisou seu rosto. Ele estava tomado pela fúria. – Você será transferido para uma cela particular assim que chegar ao presídio. Terminamos por aqui. – e com isso, ela se retirou da sala. Quando ela fechou a porta atrás de si, ela se encostou à mesma e puxou o ar, que veio e falhado, fazendo-a soltar um gemido de desespero. Ela levou as mãos ao cabelo e tentou fazer sua respiração voltar o normal.