Criminal Love
31 Depoiments
Alguns policiais apareceram e ela fez sinal que eles poderiam levar o réu. Ela foi andando pelo corredor até chegar à sala onde Kate estava interrogando Lucas. Ela abriu a porta e entrou no pequeno cômodo que antecedia a sala em si, onde ficavam os aparelhos que possibilitavam os outros agentes de ouvirem o que estava sendo dito dentro da sala, no interrogatório. Ela fechou a porta e foi até os aparelhos, apertando um botão, que fez a voz de Kate reverberar todo o cubículo.
– ...por que não simplesmente entregar Van Spielberg? – Kate perguntou, olhando diretamente para Lucas.
Ele balançou a cabeça.
– Porque não daria certo. Van é esperto demais e...eu não teria sossego depois disso. Eu tinha que provar que o filho dele e toda aquela gangue também estavam envolvidos.
Kate o observou. Pelo visto o interrogatório estava chegando ao fim.
– Então você realmente estava todo esse tempo do nosso lado. – Kate encostou-se no apoio da cadeira.
– Não. – Lucas respondeu – Eu estava do meu lado. Eu sempre agi por mim mesmo.
Kate colocou as duas mãos na mesa e se levantou.
– Bom, acabamos por aqui. Aguarde só uns minutos que eu vou pedir para um policial te acompanhar até a saída. – Kate disse e Lucas assentiu. Ela abriu a porta e deu de cara com Lauren olhando fixamente para Lucas pelo vidro.
– Lauren? – Kate franziu o cenho.
– O que você conseguiu? – ela perguntou.
– Nada que provavelmente você não saiba.
– Obrigada, Kate. Eu vou esperar Lucas ali fora.
– Esperar? – Kate perguntou.
– Eu vou ser a policial que o acompanhará até a saída. — Lauren sorriu e saiu da sala.
Lucas estava encarando a parede branca quando Kate abriu a porta novamente.
– Você já está liberado. Pode ir.
Lucas assentiu e se levantou, passando por Kate e sorrindo de leve para ela.
ele sai do pequeno como com os aparelhos e quando olhou para o corredor para encontrar o policial que o esperava, arregalou os olhos.
– Lauren? – Lucas deu um passo próximo a ela.
– Bom dia, Lucas. – Lauren disse. Ele andou até ela hesitante. – Vamos? – ela perguntou. Ele assentiu e começou a andar ao lado dela.
– Eu pensei que você faria o meu interrogatório. – ele disse.
– Eu estava fazendo o de Van Spielberg. – ela olhou para ele. Ele sorriu de leve.
– Ainda bem que vocês o pegaram. – ele disse. – E Joseph? – Lauren notou a naturalidade com que Lucas pronunciava o nome dos Spielbergs. Ela não o culpa de ter se acostumado com a presença diária deles em sua vida.
– Ele faleceu na perseguição. – ela respondeu. Lucas parou de andar e a olhou, assustado.
– Joseph está morto? – ele perguntou. Lauren assentiu.
Lucas não sabia o que pensar. Foram anos de convivência. Apesar de Lucas saber que ele sempre foi o inimigo, foi com ele que Lucas passou a maior parte de seu tempo. Quando eles se conheceram, eram apenas adolescentes, e mesmo vivendo sob a vigilância de Van, eles sabiam como se divertir.
– Van já sabe? – ele perguntou.
– Sabe. Eu disse a ele. – ela respondeu. Ele assentiu e continuou andando.
– Eu queria te fazer uma pergunta. – ela começou.
– Sim?
– O que vai ser de você agora, Lucas? – ela o olhou. Eles estavam em um corredor do segundo andar, que estava quase deserto, a não ser por algumas pessoas que transitavam com pilhas de pastas nas mãos.
– O que você quer dizer? – ele perguntou.
– Você passou dez anos vivendo por um objetivo. Você chegou lá. E agora? – Eles se encararam por alguns segundos.
– Eu não sei. – ele respondeu, dando de ombros. – A primeira coisa que eu preciso fazer é arranjar um emprego. Eu não sei. – ele suspirou.
Lauren não disse mais nada. Eles continuaram caminhando até que se encontravam no estacionamento.
Lauren parou e se virou para ele.
– Obrigada. – ela disse.
– Pelo quê? – ele perguntou.
– Por ter me ajudado...me salvado. – ela desviou o olhar por um momento e depois voltou a olhar para ele.
– Você não precisa me agradecer, não precisa...
– Eu preciso sim. – ela o interrompeu. – Você não tinha motivo nenhum para me salvar. Você poderia muito bem ter vingado seu pai e ter me deixado. Você não precisava.
Lucas a encarou. Havia tantas coisas que ele precisava dizer.
– Obrigada por me acompanhar até aqui. Nós nos vemos por aí. – ele sorriu, e assim, saiu andando para fora do estacionamento.
Kate olhou no relógio e viu que já tinha dado seu horário. Juntou sua bolsa e desceu para o térreo. Estava pensando em chamar Audrey para saírem para algum lugar, já que Lauren já tinha ido embora.
Estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu quando bateu de frente com alguém.
– Me desculpe! – os dois falaram em um uníssono. Então Kate viu em quem ela havia batido. – Marcus, eu não te vi. Me desculpe. – ela disse, um pouco sem graça.
– A culpa foi minha. – ele sorriu.
– Marcus, você por um acaso viu Audrey? – ela perguntou.
– Eu o vi indo embora. – Marcus respondeu. Kate demonstrou decepção.
– Tudo bem, obrigada. – ela sorriu para ele, ele sorriu de volta. Ela continuou andando em direção à saída, mas parou. Ela olhou para trás de viu Marcus Hallet olhando de relance para ela. E então ela teve a ideia mais idiota de toda sua vida. – Marcus. – ela o chamou e ele se virou para ela. – Eu estava indo beber alguma coisa, você não quer me acompanhar?
Marcus abriu seu sorriso mais bonito para ela.
– É claro.
– Você já veio aqui? – Kate perguntou enquanto entrava no estabelecimento.
– Sempre venho, na verdade. Gosto muito daqui. – ele a acompanhou até uma mesa de dois lugares, com uma mão em suas costas. Era um lugarzinho pequeno, com um bar bem no meio onde o barman fazia várias manobras com as bebidas. Não parava de tocar músicas e muitas pessoas dançavam na pista.
Eles se acomodaram e então Marcus a olhou.
– Me conte sobre você. – ele disse. Kate arqueou uma sobrancelha.
– Eu sou horrível com essas coisas, não me faça fazer isso. – ela riu. Ele acompanhou.
– Não deve ser tão ruim assim, vai. Eu conheço muito pouco sobre você. – ele a encarou. Ela suspirou.
– Eu não sei o que falar. – ela riu envergonhada. – Mas, tudo bem. Bom, eu moro em um apartamento, sozinha. Digo, sem nenhuma outra pessoa, apenas meu cachorro, um Golden Retriever, chamado Perseu.
– Fã de mitologia grega? – ele perguntou.
– Podemos dizer que sim. – ela respondeu. Ele esperou que ela continuasse, mas ela apenas balançou a cabeça. – Não sei mais o que dizer.
Marcus chamou uma garçonete e pediu duas caipirinhas.
– Tudo bem, nós ainda temos tempo. – ele sorriu.
Algumas horas depois, eles deixavam o estabelecimento muito mais alegres do que entraram.
– Você só pode estar brincando comigo! – Kate disse, um pouco alto demais, enquanto eles iam em direção aos seus respectivos carros. – Como você não assistia a Friends? Foi a melhor série de todos os tempos! Eu tenho 25 anos e até hoje não consegui encontrar série melhor.
– Há dez anos eu apenas me importava com Star Wars. Eu também tenho 25 anos, e até agora não encontrei saga melhor.
– É que você ainda não assistiu Crepúsculo. – ela disse e os dois riram alto.
– Você tem certeza que consegue dirigir? – ele perguntou.
– Tenho que conseguir. – ela respondeu.
– Não quer que eu te acompanhe até em casa? – ele perguntou com a voz um pouco mais baixa. Kate demorou um pouco para responder.
– E o seu carro? – ela perguntou.
– Você vai na frente e eu vou te acompanhando.
Kate hesitou, mas no fim concordou.
Ao chegar ao prédio de Kate, ele a esperou estacionar fora para que eles pudessem se despedir, mas ela não o fez. Ela apenas adentrou o estacionamento do edifício e parou bem embaixo do portão, esperando que ele a seguisse. Marcus sorriu e acelerou o carro até estar totalmente dentro do estacionamento do prédio.
Eles estacionaram lado a lado, nas duas vagas de Kate.
Os dois saíram do carro e foram andando em silêncio até o elevador. A viagem do estacionamento até o quarto andar pareceu que durou uma eternidade.
Kate abriu a porta de seu apartamento e deu espaço para Marcus entrar.
– Não ligue se estiver alguma coisa bagunçada. – ela disse, e eles ouviram o latido de Perseu cada vez mais alto. O cachorro apareceu e foi diretamente cheirar e pular em Marcus.
– Perseu, não...Perseu! – Kate se aproximou e colocou o cachorro longe do homem. Ele riu.
– Está tudo bem.
– Eu poderia até te oferecer alguma coisa para beber se nós não tivéssemos acabado de voltar de um bar. – eles riram.
– Onde fica o banheiro? – ele perguntou. Ela indicou e ele desapareceu no corredor. Kate respirou fundo e colocou a mão na testa. O que foi que eu fiz? Ela pensou consigo mesma.
Minutos depois, Marcus voltou, encontrando Kate exatamente onde havia a deixado.
– Está tudo bem? – ele perguntou.
– Está, está sim. – ela sorriu, passando a mão pelos cabelos.
Um silêncio constrangedor dominou o apartamento.
Marcus se aproximou de Kate até que ele sentisse sua respiração bater contra o rosto dela. Ele levantou a mão até tocar seu rosto.
– Marcus... – ela sussurrou contra o rosto dele.
– Não fala. – ele sussurrou de volta e pressionou seus lábios contra os dela. Kate envolveu seu pescoço com os braços ele desceu suas mãos até a cintura da mulher, a empurrando até a parede mais próxima e aprofundando o beijo. O beijo era urgente e rápido, fazendo com que os dois ficassem ofegantes.
Kate envolveu a cintura de Marcus com as duas pernas, e o homem a pressionou mais contra a parede, tão forte, que Kate pensou que eles sairiam do outro lado.
Marcus desceu os beijos para o pescoço da mulher, a fazendo emaranhar os dedos em seus cabelos e soltar um gemido baixo.
Ele segurou as duas pernas da mulher e a desencostou da parede, olhou para ela e perguntou:
– Onde é o quarto?
– Segunda porta à direita. – ela respondeu e voou nos lábios do homem. Ele, com Kate ainda com as pernas em volta da cintura dele, a conduziu até lá.
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