Criminal Love
32 Crush
Lauren chegou ao auditório do FBI e viu que já estava lotado de repórteres.
– Eu não tenho paciência nenhuma com essas pessoas. – ela disse para Audrey, que também observava o auditório cheio.
– Vai ser rápido. Pensamento positivo. – ele disse.
Ela olhou no relógio e viu que já estava na hora. Ela entrou e subiu no pequeno palanque, e não precisou dizer nada para que os jornalistas ficassem em silêncio.
– Bom dia. – ela disse no microfone, e então começou o bombardeio de perguntas. Lauren respondia às perguntas com a maior sinceridade que podia, até que um repórter tomou a palavra:
– E como você se sentiu desde quando recebeu a primeira ameaça até quando encontrou o corpo de Bram Davis, com quem todos nós sabemos que você tinha uma relação mais íntima?
Lauren encarou o repórter por alguns segundos. A imagem em que ela estrangulava o homem passou pela sua cabeça.
– Me desculpe, mas como é seu nome? – ela perguntou.
– James Lungton. – ele respondeu.
– Sr. Lungton, se quiser saber sobre meus sentimentos e minha vida pessoal, me coloque na capa da People do próximo mês, e eu respondo sua pergunta. – ela disse.
– Mas você já foi convidada para ser a capa da People duas vezes, e recusou as duas. – o repórter rebateu.
– Exatamente. – ela sorriu sarcástica.
Seguiu-se mais duas horas de coletiva, sem mais nenhuma pergunta pessoal. Lauren esclareceu todas as duvidas sobre o caso para os jornalistas.
Quando o auditório se encontrava vazio, Lauren recolheu suas coisas e foi com Audrey diretamente para o velório de Bram.
Lauren chegou ao cemitério junto com o caixão. Os pais de Bram já estavam presentes.
– Desculpem não ter acompanhado vocês. Eu estava dando uma entrevista coletiva sobre o caso. – A mãe de Bram sorriu fraco para ela.
– Tudo bem, querida. Nós entendemos.
Quinze minutos depois, o cemitério já estava cheio. Lauren reconhecia a maioria dos rostos ali presentes. Os policiais, companheiros de trabalho de Bram, estavam todos ali. E todos vieram lhe dar seus sentimentos. Ela estava grata por vê-los ali.
Um padre foi convidado para celebrar o velório.
Lauren não estava prestando atenção em nada do que o padre falava, seu olhar estava fixado no caixão. Apenas estava ciente da presença de Audrey, com uma mão em seu ombro, Stephen, do outro lado, segurando sua mão, e Kate, ao lado de Stephen.
Ela não estava com vontade de chorar, já havia derramado lágrimas demais. Sentia apenas um grande vazio em seu peito, uma ferida que no momento parecia tão profunda que ela não saberia dizer se algum dia iria cicatrizar.
Ela conseguia ouvir Kate chorando baixinho, assim como os pais dele, um pouco à sua frente.
Depois de algum tempo perdida em seus pensamentos, ela ouviu a mãe de Bram se aproximar dela e perguntar baixinho:
– Você não quer falar nada, minha querida? – Lauren já iria balançar a cabeça negativamente, quando parou e pensou melhor.
– Eu quero. Quero sim. – ela disse e tomou seu lugar ao lado do padre. – Eu nunca fui uma pessoa muito religiosa. – ela começou, um pouco mais alto – Nunca acreditei em reencarnação, em vida após a morte. Mas eu acredito em Deus, e no Destino. Acredito que Eles trabalham lado a lado. Acredito, também, que todas as pessoas têm uma missão, que elas vêm para a Terra com algum objetivo. Não posso dizer qual era o de Bram, mas tenho certeza que ele estava o desempenhando muito bem. – ela respirou fundo – Por onde ele passava, ele deixava sua marca. Era um ser humano excepcional, e sempre trazia alegria para todos que o rodeavam. Eu queria agradecer aos pais dele, que criaram uma pessoa que apenas fazia o bem, que transmitia o bem. Queria agradecer agora, também, a Deus. Ou ao Destino. Ou aos dois juntos. Que o colocaram no meu caminho. Que fizeram com que o tempo dele ao meu lado, fosse o mais feliz da minha vida. Perguntar “por que?” é uma coisa natural daqueles que perdem uma pessoa amada, e agora eu vejo que eu não quero perguntar. Eu quero apenas...lembrar. Obrigada. – ela sorriu para todos e então voltou ao seu lugar.
Terra começou a ser jogada em cima do caixão.
Lauren não desviou o olhar por nem um segundo.
Ela só voltou a respirar normalmente novamente quando o túmulo já estava completamente coberto. Ela se aproximou e depositou uma rosa vermelha em frente à lápide.
– Eu quero ir embora. – ela disse se virando para Audrey, praticamente escondendo o rosto no ombro do amigo. – Agora.
– Lauren...espere até...
– Eu não quero esperar. – ela interrompeu Audrey. – Por favor, Audrey, vamos embora. – ela puxou o ar, que vinha pesado.
– Tudo bem. Vamos. – Audrey abraçou o ombro da amiga e a acompanhou até o carro. – Deixe Stephen dirigir. Você não está bem. – ela assentiu e entrou no banco do passageiro.
– Stephen, você não acha melhor nós irmos para a sua casa com vocês? – Kate perguntou.
– Eu acho melhor não, Kate. Ela precisa ficar sozinha agora. Nós já demos toda a força que pudemos. – ele disse. Kate assentiu e abraçou o menino.
– Fique bem, Steph.
– Obrigado. Você também. – ele sorriu para ela.
Stephen abraçou Audrey.
– Fique bem você também, Audrey. – ele disse para o mais velho.
– Eu vou. Cuide bem dela. – Audrey respondeu.
Lauren estava sentada em frente à TV. Era fim de tarde, o buraco em seu peito ainda se encontrava ali, mas sua força psicológica era maior. Ela sabia que aguentaria, que teria a ajuda de seus irmãos e de seus amigos e que...
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da campainha. Ela franziu o cenho. Não estava esperando por ninguém.
Andou até a porta e olhou pelo olho-mágico.
Arregalou os olhos. O que ele estava fazendo ali?
Ela abriu a porta devagar e o olhou.
– Lucas. – ela disse.
– Oi Lauren. – ele se encontrava com as mãos nos bolsos, uma mania que ele tinha desde que ela o conheceu.
– Entre. – ela deu espaço e ele adentrou a casa.
– Lauren, quem é que está... – Stephen emergiu da cozinha, parando ao olhar para o rapaz parado na sala de sua casa. – Lucas?
– Stephen. – Lucas disse. Ele estava impressionado, como o menino havia crescido. – Você...você está diferente.
– Dez anos. As pessoas mudam. – Stephen deu de ombros e sorriu.
– Mudam. – Lucas assentiu e sorriu.
– Eu vou...bom, deixar vocês dois conversarem. – Stephen disse – É bom te ver, Lucas. – ele sorriu.
– Bom te ver também, Stephen. – Lucas respondeu.
– Ele gostava muito de você. – Lauren comentou.
– Stephen era uma criança bem peculiar. – Lucas disse. Lauren assentiu.
Eles se encararam por alguns instantes.
– Por que você está aqui? – Lauren perguntou, finalmente.
– Eu... – Lucas começou – Eu vim para me desculpar.
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