– Vamos? – Lauren perguntou enquanto pegava as chaves do carro. Bram assentiu e saiu logo atrás dela. Eles entraram no carro e Bram deu a partida. Durante a viagem, Lauren não desgrudava os olhos do espelho retrovisor.
– Tem como você parar? Está me deixando nervoso. – Bram disse, rindo de leve.
– Desculpe. – ela deixou os ombros caírem e passou a mão pelo rosto.
– Você está indo buscar Stephen no aeroporto, não quer que ele te veja desse jeito, quer? – ele perguntou, olhando de relance para ela.
– Não. – ela respondeu baixinho – É só que...é mais forte que eu.
– Tente se concentrar um pouco, você tem tudo sob controle.
– Tenho. Eu tenho tudo sobre controle. – ela respondeu mais para si mesmo do que para o namorado.

Vendo o irmão andar em sua direção a fez esquecer um pouco tudo o que vinha passando. Ainda mais quando viu o sorriso que ele deu quando a viu. Ele chegou perto dela e o envolveu em um abraço caloroso, protetor.
– Ah, como eu senti sua falta. – ela sussurrou.
– Eu também senti muito sua falta, Lori. – ele respondeu, deixando um beijo em sua testa.
Apenas um mês havia se passado desde que ele havia ido para a faculdade, mas já parecia que ele era outra pessoa. Tinha ganhado mais músculos, Lauren percebeu. Sua expressão tinha perdido toda a inocência que ela se lembrava. Ele já era um homem feito. Enquanto ele dava um abraço em Bram, Lauren cumprimentava a menina ruiva bonita que o acompanhava. Rebecca, pelo que ela se lembrava.
– Estou muito feliz em te conhecer, sra. Backinsale. – ela sorriu alegremente. Como uma adolescente que acaba de conhecer o vocalista da banda preferida.
– Me chame de Lauren, por favor. Rebecca, certo?
A menina assentiu.
– Prazer em conhecer você também. – Lauren sorriu.
Já dentro do carro, Lauren conseguiu observar pelo retrovisor que os dois estavam de mãos dadas no banco de trás do carro.
– Então, Rebecca. – Lauren começou – Você também faz faculdade?
– Não, senho...Lauren. Eu comecei a fazer, mas tive que parar por algum tempo. – a menina respondeu, suas palavras perdendo o entusiasmo no fim da frase.
Lauren hesitou um pouco antes de continuar.
– Seria muita indelicadeza perguntar o porquê?
– Lauren! – Stephen a repreendeu.
– De forma alguma. – ela respondeu, sorrindo para Stephen – Não tem problema. Eu precisei parar, pois tive que começar a trabalhar para poder me sustentar. Meus pais morreram em um acidente de carro já faz dois anos.
– Sinto muito. – Lauren respondeu.
– Tudo bem. – a menina balançou a cabeça de leve.
– Você trabalha desde os dezesseis anos? – Lauren perguntou. Stephen arregalou os olhos e passou a mão pelo rosto, envergonhado pela indelicadeza da irmã. Mas ele entendia, ela tendia a ter esse tipo de comportamento com todas as meninas que Stephen se envolvia, ela acabava levando um pouco do seu trabalho para essas conversas pessoais.
– Desde os dezoito.
Lauren hesitou. A menina tinha 20 anos.
– Acabou o interrogatório, Lauren? – Stephen arqueou uma sobrancelha, claramente bravo. Lauren revirou os olhos para ele.
Ao chegarem em casa, Stephen e Rebecca subiram para guardarem as coisas no quarto do menino. Lauren se dirigiu à cozinha e bebeu um copo d’água. Sentiu os braços de Bram a abraçarem por trás e ele deixar um beijo em seu ombro.
– Viu? Ele está bem. Melhor do que nunca. – ele disse e ela sorriu, assentindo – Aproveite essa semana que ele vai passar aqui. Não vai ser todo o mês que ele poderá fazer isso. – ela se virou e ficou de frente para ele, se encostando no balcão.
– Você está certo. Eu vou aproveitar. – ela observou Bram por um momento. Seus cabelos castanhos sempre bagunçados e a barba sempre por fazer davam um tom de autoridade a seu rosto que ela adorava. Ela se inclinou e o beijou, ele respondeu o beijo e ali ficaram por mais um tempo até que Stephen apareceu.
– Desculpem atrapalhar o casal. Só vim avisar que vou levar a Rebecca para dar uma volta pela cidade. Algum problema se eu pegar seu carro, Lori?
– Problema nenhum, Steph. – ela sorriu para os dois – Se divirtam! – quando eles saíram, ela encostou levemente sua testa na de Bram. – Preciso pegar o colchão de ar na garagem dos fundos para poder colocar no quarto de Steph.
– Mas que irmã liberal. – Bram disse, rindo – Vai deixá-los dormirem no mesmo quarto? – ele comentou, apertando-a mais contra si. Ela sorriu e o beijou de leve, levando seu lábio inferior quando desgrudou os lábios.
– Preciso me convencer que de Stephen não é mais uma criança. – ela tirou as mãos dele de sua cintura antes que eles começassem algo que não parariam. Andou até a porta dos fundos e abriu, quando ia sair, olhou para baixo, imediatamente dando um passo para trás e cobrindo a boca com as mãos.
– Lauren? O que houve? – Bram perguntou, indo até ela. Quando viu o que se encontrava no chão, foi tomado por um nervosismo. Ela se agachou, pegando o grande vaso desenhado e o colocando no balcão de centro da cozinha. As imensas rosas brancas a encaravam como uma presa. Bram se colocou ao seu lado de um jeito protetor, como se as rosas fossem feri-la de alguma forma. – Tem um cartão. – ele disse, esticando a mão para pegá-lo, mas Lauren o deteve, pegando o cartão ela mesma.
Sem remetente. Apenas um destinatário. Lauren Backinsale.
Ela abriu o cartão, e os seguintes dizeres apareceram em uma caligrafia perfeita: “Como uma diretora investigativa, acho que a senhorita teria que tomar mais cuidado com a segurança de sua casa, não?” E um P.S, que dizia: “Fiquei sabendo que o irmãozinho está de volta, hein? Quem sabe nós não nos encontremos pela cidade.”
Lauren colocou o cartão de volta na mesa e encarou fixamente o vaso em sua frente. Em um ato de fúria, pegou o objeto e o jogou contra a parede mais próxima. O som do vidro quebrando se misturou com seu grito. Cacos voaram junto com rosas por toda a cozinha. Ela enfiou a mão nos cabelos e cambaleou para trás, um nó subindo pela garganta. Bram a abraçou e sussurrava em seu ouvido para ela se acalmar, mas o barulho de sua mente era muito maior.