– Eu preciso ligar para Stephen, eu preciso... – ela sussurrava enquanto tentava recuperar o fôlego.
– Lauren, olhe para mim. – ele virou a mulher para que ela ficasse de frente para ele, mas seu olhar estava cravado no chão. – Lauren, — ele disse mais alto – olhe para mim! – aos poucos ela levantou o olhar para ele. – Respira, se acalma. Escute, Stephen está bem, ok? Nós vamos ligar para ele, ele vai voltar para casa, mas para isso você precisa se acalmar. – as lágrimas ainda escorriam descontroladas pelo rosto dela, mas sua respiração já voltava ao normal.
– Eles entraram em minha casa, Bram. Eles entraram.
– Não entraram. Você trancou todas as portas, não havia como. – ele disse – Eles conseguiram chegar à garagem dos fundos pelo corredor que dá a volta na casa. Eles não entraram aqui, entendeu? – ela assentiu quase que automaticamente. Ele a abraçou mais uma vez, enquanto ela afundava a cabeça em seu peito, tentando se recompor.

Stephen estava entrando na sorveteria com Rebecca quando seu celular vibrou. Revirou os olhos ao ver que era Lauren. Por um momento pensou em recusar a ligação, mas achou melhor atender.
– Lauren, nós estamos na sorv...
– Aqui é Bram, Stephen.
– Bram?
– Eu preciso que você volte para casa, agora. Entendeu? – se durante todo esse tempo uma coisa que Stephen aprendeu foi que quando Bram fala em um tom desses, é porque realmente é urgente. Ele guardou todas as perguntas para si.
– Já estou voltando. – ele desligou o celular e olhou para Rebecca – Aconteceu alguma coisa, nós precisamos voltar. Rebecca apenas assentiu enquanto pensava o que será que Van já havia feito.

Quando eles chegaram, Bram explicou tudo o que havia acontecido.
– Porque vocês não me disseram o que estava acontecendo? – Stephen perguntou, se levantando e olhando de Bram para Lauren.
– Eu não queria te preocupar! – a mulher respondeu – Você estava tão feliz com a faculdade!
– Lauren, isso não tem a mínima importância diante do que realmente está acontecendo! – ele suspirou, passando a mão pelos cabelos – Vocês deveriam ter me contado! Logo quando eu entrei em... – ele parou para olhar Lauren no fundo dos olhos – Audrey. O sequestro de Audrey. Não foi apenas um maluco atrás de atenção, não é?
Lauren balançou negativamente a cabeça.
– Eu não acredito! Vocês aqui correndo perigo, e eu lá achando que tudo estava bem!
– Stephen, isso não vai adiantar agora. – Bram começou – As coisas são bem mais complicadas que isso, e você não pode se envolver. Tudo o que você tem a fazer é ficar por perto. No fim da semana você já voltará para a faculdade e...
– Eu não vou voltar. – ele o interrompeu.
– O quê? – Lauren levantou as sobrancelhas.
– Eu não vou voltar! Eu não vou deixar você aqui, Lauren.
– Stephen, como Bram disse, você não pode se envolver. Eu preciso deixar você o mais seguro possível.
– Me mandando para longe é me deixar seguro? – a essa altura o mais novo já estava alterado.
– Eu não quero que você me veja nesse estado! – Lauren gritou – Você é a única pessoa que eu tenho e eu não posso pensar em envolver você nisso! Eu não posso pensar em perder você, Stephen! Eu nunca me perdoaria por isso! – seus olhos já estavam cheios de lágrimas enquanto ela tentava focar no irmão. Stephen suspirou e andou até a irmã, a envolvendo em um abraço.
– Nada disso é culpa sua, Lori. Nós vamos conseguir passar por isso. Juntos. Entendeu? – ele sussurrava para ela, enquanto a irmã se desfalecia em lágrimas em seus braços.
No andar de cima, Rebecca observava tudo, com um sorriso de canto, pensando na grande novidade que teria para contar para Van.

Depois que os ânimos se acalmaram, e Bram conversava com Lauren dentro do quarto, Stephen tentava explicar a situação para a namorada.
– Minha irmã é a pessoa mais forte que eu conheço. Mas quando se trata das pessoas que ela ama, parece que a responsabilidade do mundo cai em seus ombros.
– Eu estou me sentindo uma intrusa aqui. – ela disse com uma voz manhosa.
– Não, não diga isso.
– É sério Steph. Eu sei que vocês precisam conversar...acho que eu vou fazer uma visita pra um amiga aqui de Washington.
– Amiga?
– Sim, ela me mataria se eu passasse por aqui e não fosse vê-la. – a menina sorriu, deixando um beijo nos lábios do garoto.
– Qual o nome dela? – ele perguntou.
– Eve. – ela respondeu – Eve Jackman.

Quando Joseph Spielberg abriu a porta de seu apartamento, a figura que viu ali o fez arquear as sobrancelhas de surpresa.
– Eve? – ele perguntou, sorrindo.
– Xii... – ela colocou um dedo sobre os lábios dele – Meu nome é Rebecca.
– Eu quase senti saudades. – ele disse, sorrindo maliciosamente. Ela sorriu de volta e passou por ele, entrando no apartamento.
– Qual foi a desculpa que você deu? – ele perguntou.
– Que iria visitar uma amiga chamada Eve Jackman. – ela entrou na sala e avistou o velho sentado em uma poltrona, assistindo a TV. – Van! – ela exclamou e correu até ele, dando um abraço apertado.
– Eve, minha querida! Como você está?
– Eu estou bem. – ela olhou em volta – Onde está Lucas?
O mais velho riu.
– Ele não quis ficar conosco. Preferiu seu próprio apartamento. – ela assentiu e se voltou para Van e Joseph – Ela viu o vaso. E perdeu o juízo. Ela estava descontrolada. Vocês cutucaram a ferida dela citando o nome de Stephen... – então Eve contou todo o episódio que tinha ocorrido horas antes da casa dos Backinsale.
– Isso é maravilhoso! – Joseph disse – E quanto ao menino? – ele perguntou à Eve.
– Ele gostou do comprimido que eu dei. Pressione a mulher mais uma vez, e eu poderei dizer a ele que é uma forma de fugir de tudo isso. Eu preciso que todo o nervosismo de Lauren passe para ele. Eu preciso que eles briguem por isso. – ela encarou os dois – Estão me acompanhando?
– Ah Eve, eu definitivamente senti saudades. – Joseph disse, sorrindo para a mulher.

Ela apertou a campainha incessantemente. Precisava vê-lo novamente. Estava ávida por ele.
– Mas que porr...Eve? – ele arregalou os olhos.
– Lucas. – ela sorriu.
– Quanto tempo. – ele falou, analisando a mulher de cima a baixo. Sem mais rodeios, Eve adentrou o apartamento, fechando a porta atrás de si e voando nos lábios de Lucas. Ele correspondeu o beijo e se sentou no sofá mais próximo, com ela sentada em seu colo. Ficaram ali por mais um eternidade, e ela estava prestes a partir pro próximo passo, quando ele a afastou um pouco, a olhando nos olhos, quase sem fôlego.
– Eu senti falta disso. – ela sussurrou. Ele continuou a encarando. Lá no fundo, ele também sentia. Eve era uma ótima distração.
– O que houve? – ele finalmente perguntou.
– Você conseguiu destruir o emocional dela. – a mulher disse, ainda no colo dele – O bilhete...foi genial.
– Obrigado. – ele disse.
– Van e Joseph provavelmente já estão trabalhando no que vão fazer em seguida.
– Estão? – ele arqueou uma sobrancelha.
– Eu disse que precisava de só um empurrão para poder convencê-lo totalmente a...você sabe. Não precisa ser uma coisa grande, sabe? Só para assustá-la um pouco, ela perder o controle, eles brigarem...essas coisas. – ele assentiu, passando as mãos pelas pernas dela.
– Você também fez um ótimo trabalho. – ele disse – Com o menino.
Ela sorriu.
– Eu faço o que eu posso.
– Você deve tanto assim a Van? – Lucas começou perguntando, sabendo que estava entrando em território perigoso.
– Van salvou minha vida, Lucas. Eu devo tudo o que eu tenho a ele.
– E o que você tem, Eve? – ele se inclinou para frente, roçando seus lábios com os dela, tentando amenizar a seriedade do assunto. Ela o encarou por alguns segundos.
– Eu tenho você. – ela sorriu. Ele esboçou um sorriso de canto e voltou a se encostar no sofá – Se não fosse por Van, eu provavelmente estaria largada pelas ruas, uma delinquente. Van me deu um lar. E se não fosse por ele, eu não teria conhecido você. – ela suspirou – Sabe, Lucas, quando isso tudo terminar, eu ainda tenho esperanças de que nós possamos fugir.
– Como assim, fugir?
– Só nós dois, tentar uma outra vida. Eu sei que você quer isso tanto quanto eu. – ela passou a mão pelo rosto dele – Eu sei que eu devo muito a Van, mas eu não quero passar toda minha vida dormindo com caras para ele conseguir o que quer, entende? – por alguns segundos, Lucas pode ver nos olhos de Eve um lampejo de esperança. Esperança de verdade. De que quando tudo aquilo acabasse, eles poderiam sair dali ilesos e refazer a vida em outro lugar.
Mas o problema é que esses nunca foram os planos de Lucas. E ele tinha muitos planos para o futuro. E nenhum deles envolvia Eve.
– Mas primeiro tudo isso precisa acabar. E nós precisamos vencer. – ele disse, colando seus lábios no da mulher e começando um beijo que os dois sabiam onde iria terminar