Criminal Love
27 Let's talk about life
Quando Lauren voltou à consciência, primeiramente não conseguiu focar em um palmo a sua frente. Suas mãos doíam, e seus pés também. Quando tentou mexê-los, viu que não conseguiam. Estava amarrada. Suas mãos juntas atrás da cadeira e seus pés juntos, um no outro, e também nos pés da cadeira. Qualquer movimento que fizesse com as mãos, uma dor alucinante percorria seu braço, que já estava amortecido pela posição.
E então ela abriu os olhos. E o que viu foi totalmente o contrário do que imaginava. Encontrava-se em um cômodo relativamente grande,muito bem arrumado. Havia duas pequenas mesas com cadeiras na parede à sua esquerda, e à direita, duas estantes abarrotadas de livros. Estava no centro do cômodo, de frente para a porta. As paredes eram todas pintadas e um azul bem claro. Era basicamente uma biblioteca.
Teve a sensação que aquele não era o único cômodo do lugar onde estava. Aquela casa não era um barraco, como o de quando Audrey foi sequestrado, era uma casa maior e melhor cuidada. Começou a pensar em todos os bairros nobres dos arredores de Washington D.C, mas as possibilidades eram muitas.
Pela claridade, pôde perceber que havia grandes janelas atrás de si, e do mesmo lugar, ouviu a respiração pesada que a fez paralisar.
Lucas estava encostado em uma das paredes entre duas janelas, observando a mulher que lentamente recobrava a consciência.
Convenceu a Van e Joseph que precisava ter esse primeiro contato com ela, precisava ter o prazer de olhar o desespero dela em seus olhos, e depois, eles estariam livres para fazer o que bem entendessem.
Percebeu que ela estava totalmente acordada, e que também já tinha se dado conta de sua presença. Começou a andar e entrou no campo de visão dela.
Quando seus olhos finalmente se encontraram, foi como se duas forças tivessem se chocado, fazendo com que ali, dentro daquele cômodo, um pequeno mundo de memórias e acontecimentos explodisse em torno deles.
– O que você quer comigo? – a voz de Lauren era seca e ressentida. Seus olhos não se desgrudavam dos de Lucas.
– Lauren Backinsale. – ele pronunciou o nome dela, como se saboreasse cada letra.
– O que você quer comigo? – Lauren repetiu a pergunta.
Lucas riu.
– Sempre tão prepotente. Tão cheia de si. – Lucas deu um passo à frente.
– Onde está meu irmão? – ela não desviava o olhar. Encarava fixamente o rapaz.
– Sinceramente, eu não faço a mínima ideia. – Lucas disse.
– O que você e sua gangue querem comigo, é apenas comigo. Deixe meu irmão fora disso.
– Eu não estou aqui para falar de seu irmão, Lauren. – ele puxou uma das cadeiras e se sentou de frente para Lauren, a poucos centímetros de distância – Eu cheguei a pensar que nunca mais a veria novamente, e olha onde estamos agora.
– Eu sei toda a verdade. – Lauren disse antes que ele pudesse continuar. – Sobre seu pai. Van Spielberg matou seu pai. Por que você ainda está com ele?
– Meu pai era um fracassado. Um drogado. Eu não teria futuro nenhum ficando ao lado dele.
– E esse foi o futuro que você conseguiu ficando ao lado do Spielberg? — Lauren perguntou.
Lucas e encarou. E então respirou fundo.
– Que importância isso tem agora? – ele sorriu – Eu já perdi metade da minha vida mesmo.
– Você pode aproveitar o que lhe resta. – Lauren disse – Vamos, Lucas. Eu posso te tirar dessa.
Lucas se levantou e colocou seu rosto a poucos centímetros do de Lauren. Cada mão sua em um dos braços da cadeira, ficando inclinado sobre Lauren.
– Esse é seu problema, Lauren. – ele sussurrou – Você acha que pode resolver tudo, não acha? – a mulher conseguia sentir seu hálito batendo contra seu rosto. – Mas agora as coisas mudaram. Eu esperei todos esses anos para ver você aqui, amarrada nessa cadeira, indefesa. – ele sorriu e levou os lábios à orelha da mulher – Você não está no comando agora. Quem faz as regras sou eu. E você vai jogar o meu jogo.
– O que eu fiz para você, Lucas? – ela perguntou. Ele voltou a encará-la nos olhos.
Ele puxou o ar para responder, mas foi interrompido pelo barulho da porta abrindo. Eve Jackman apareceu dentro do cômodo.
– Nós precisamos ir. Agora. – ela disse, sem ao menos olhar para Lauren.
– O que aconteceu? – Lucas perguntou.
– Eles estão aqui. Essa cadela deve ter vindo com alguma coisa. Eles conseguiram nos rastrear. – ela apontou com a cabeça para Lauren. Lucas olhou de uma para outra.
– Onde estão Van e Joseph?
– Conseguiram fugir com um dos carros. Os caras que chegaram primeiro foram direto atrás deles. Se nós formos agora, conseguiremos escapar. Vamos, Lucas. – Eve tinha um olhar pesado sobre ele.
– Vá você primeiro, eu vou me virar com ela. – Lucas mandou.
– Eu não vou sair daqui sem você. – Eve disse.
– Eve, que merda! Vá embora! – Lucas gritou. Ouviu-se tiros vindos de um primeiro andar.
– Como você vai sair daqui depois? – Eve gritou de volta. Houve um silêncio no cômodo, e Lucas encarou Eve. E então ela entendeu. – Você não vai. – ela sussurrou. Sua mão voou para o coldre que carregava na perna, tirando um revolver de lá, e apontando diretamente para Lucas. – Seu traidor filho da mãe! – ela gritou.
– Abaixe essa arma, Eve! – Lucas tentou acalmá-la.
– Você nunca esteve do nosso lado. – suas mãos tremiam, e ela se descontrolava mais a cada segundo que passava. – Você mentiu esse tempo todo! Eu vou te matar! Eu vou te matar!
– Eve, não! – Lauren gritou. Eve olhou para ela. – Vocês querem a mim. Ninguém precisar sair ferido. – Lauren disse, não entendo muito bem o que estava acontecendo ali, mas tentando tirar a menina descontrolada de dentro do cômodo, para depois lidar com Lucas.
– Você não ouse falar comigo! – ela olhou de um para o outro – Seria melhor matar você primeiro, sua biscate?
– Nós podemos sair daqui ilesos. – Lucas disse. – Você pode se safar dessa, Eve. Apenas abaixe a arma e venha conosco.
– Você nunca me amou. – ela voltou a apontar a arma para Lucas, seus braços tremendo e seus olhos cheios de lágrimas, sua voz embargada. – Todos os nossos planos...você nunca... – ela parou no meio da frase. – Eu vou matar vocês dois.
– Você não vai matar ninguém. – ele apenas precisava chegar um pouco mais perto, mas resolveu arriscar antes. Se jogou em Eve, e em um reflexo, ela disparou a arma. Lucas caiu sobre ela, enquanto o vidro da janela atrás deles se desfazia em estilhaços. Ele olhou para baixo, e viu uma Eve desacordada. Olhou para o batente da porta, e viu uma mancha de sangue e fios de cabelo. Ele rapidamente se levantou e olhou para o corpo desfalecido no chão.
– Ela vai sobreviver. Eu sei que vai. – ele olhou para Lauren, mais procurando uma confirmação do que necessariamente confirmando.
– Lucas? – Lauren o chamou. – Lucas, o que está acontecendo? – Lucas olhou de Eve para Lauren.
– Eu sei é impossível, mas você vai ter que confiar em mim. – ele se ajoelhou e começou a desatar os nós que amarravam os pés de Lauren, depois, deu a volta na cadeira e libertou suas mãos. Como se por reflexo, Lauren se levantou e virou para atacar Lucas, mas o rapaz foi mais rápido, imobilizando suas mãos atrás de seu corpo. – Eu te disse para confiar em mim. – ele sussurrou. Lauren riu.
– Como você quer que eu confie em você, depois que você começou a fazer da minha vida um inferno? – ela respondeu.
– Porque eu sou sua única saída para colocar Van Spielberg na cadeia.
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