Criminal Love
10 It's Getting Better
Lucas observava a cidade de Washington da janela que pegava boa parte da parede da sala de seu apartamento. A fumaça do cigarro invadia seus pulmões, e naquele momento, era a única coisa que conseguia afastar tudo aquilo que rondava sua mente.
– Você está bem? – a voz de seu amigo o tirou de seus devaneios.
– Sim, porque não estaria? – ele virou apenas a cabeça, olhando para o amigo por cima do ombro.
– Não sei, você está quieto desde que deixamos o amigo dela lá. – Joseph observou.
– É que...é que nós planejamos isso por tanto tempo, e parece que as responsabilidades estão todas vindo de uma vez. Nós sempre ficamos na teoria, eu e você, pelo menos. Mas agora nós estamos agindo, Joseph. Estamos lidando com gente grande. Ela é uma figura pública, assim como o amigo e o namorado. E a notícia já está rolando nos jornais. Você também é uma figura pública, querendo ou não. Nós não podemos dar um passo em falso. Nada pode dar errado. Tudo tem que ser perfeito. E querendo ou não, eu estou envolvido nisso até o pescoço. – Joseph suspirou, se afundando no sofá.
– Ossos do ofício, Lucas. As coisas só estão começando. Mas fica sossegado, vai dar tudo certo. Nós temos tudo milimetricamente planejado, nada vai sair errado. – Joseph se levantou e deu dois tapinhas nas costas do amigo. – Vamos, ainda temos que ligar pra Eve. – Lucas assentiu, saindo logo após o amigo e trancando a porta do apartamento.
Ao chegarem na casa dos Spielberg, Joseph já foi tratando de ligar o computador e fazer a chamada para Eve. Lucas se sentou ao seu lado e alguns toques depois ela atendeu.
– Mas que surpresa agradável. – ela sorriu, observando os dois rapazes do outro lado da tela. Ela poderia ser o que fosse, mas nenhum deles poderia negar que Eve era linda. Sua descendência britânica fazia tudo ali ficar mais...sexy. Seu sotaque, seus traços, seu jeito, tudo.
– Como estão as coisas por aí, Eve? – Joseph começou falando.
– Tudo sob controle. O menino já está bem...próximo a mim. – ela sorriu, maliciosamente.
– Próximo? – Lucas levantou uma sobrancelha – Próximo quanto? – Eve, que mordiscava um lápis, deu risada.
– Próximo...bem próximo. – ela sorriu e virou o notebook para o lado, revelando a cama desarrumada. – Ele acabou de ir embora. – os rapazes do outro lado da linha gargalharam. – Mas não se preocupe, ninguém supera você, Lucas. – ela piscou para o rapaz, que revirou os olhos.
– Por favor, guarde os detalhes sórdidos para você, Eve. – Joseph comentou, ainda rindo. – Bom, e então? Já conseguiu alguma coisa?
– Já, — ela apoiou no encosto da cadeira – já consegui sim. Olha gente, bem que vocês poderiam ter me mandado pra conquistar o namorado da cunhadinha! Que homem é aquele!
– Eve, – Lucas a repreendeu – vamos ao que nos interessa.
– Tá, desculpa, não precisa ficar com ciúme. Daqui duas semanas mais ou menos ele vai voltar pra Washington. E ela não quer que ele saiba a verdade sobre o sequestro do melhor amigo. Ela confirmou as especulações da mídia. O policial passou a noite com ela, também. O negócio está sério entre eles. Acho que ela gostou de mim. Quando ele voltar, quem sabe eu não posso ir junto? – ela sorriu – Afinal, eu nunca fui a Washington, e ainda mais que estarei na companhia do irmão da diretora investigativa do FBI, a famosa Lauren Backinsale! – Eve riu, debochada. – E ah, vou querer saber onde você está morando, Lucas. Quem sabe eu não faça uma visita.
– Tudo bem, Eve. Nós veremos o que vamos fazer até lá. – Lucas começou – Mais alguma coisa?
– Sim, tem sim. A partir de agora, meus amores, por favor me chamem de Rebecca. – ela riu alto e se inclinou, deixando um beijo na câmera e finalizando a ligação.
Lauren passeava pela casa, de um lado para outro, claramente preocupada.
– Lauren, você está me deixando nervoso. – Bram disse, enquanto observava a mulher.
– Desculpe, Bram. Mas é meu irmão! Eu estou muito preocupada! – Bram se levantou, segurou a mulher pelos ombros, fazendo-a prestar atenção nele.
– Lauren, me escute. Você é a diretora investigativa do FBI, tem um namorado que é agente, um melhor amigo analista, muito esperto por sinal, e uma melhor amiga que pode te tirar de qualquer confusão. Stephen não poderia estar mais seguro.
– Eu sei que não! – ela respondeu – Mas Bram, pense comigo, se realmente há alguém atrás de mim, quais são os motivos que o impede de ir atrás de Stephen? Todos nós sabemos que ele não conseguirá chegar diretamente a mim tão fácil assim, mas...ele pode muito bem começar pelas beiradas. Eu não tenho pais, eu não tenho família, eu só tenho a ele, só a Stephen. O único de todo o meu círculo social que não pode se defender sozinho.
– Ele? Como você tem tanta certeza que é um homem? – Bram soltou os ombros da mulher devagar.
– Eu não tenho certeza de nada. – ela abaixou o olhar – Eu estou muito confusa, Bram.
– Porque você está tão afetada? – ele segurou o rosto de Lauren com as duas mãos, a obrigando a olhar para ele – Lauren, existe alguma coisa acontecendo que eu deva saber? – a mulher respirou fundo, olhando para o namorado com pesar.
– As flores. – ela deixou escapar.
– As rosas brancas? – ele perguntou, e ela assentiu – O que têm elas?
– Elas têm um significado para mim, Bram. Um grande significado.
– Você...você entende o significado daquelas rosas? – ele perguntou, assustado.
– Entendo. – ela respondeu, sem conseguir se concentrar no olhar curioso de Bram.
– E porque você não me disse isso antes?
– Porque essas flores fazem parte de um passado que eu lutei durante dez anos para esquecer, Bram. Envolve coisas que eu nunca superei. Que eu nunca entendi. – Bram se aproximou da mulher, deixando um beijo casto em seus lábios.
– Você sabe que pode confiar em mim. – ele disse baixo.
– Venha, eu preciso te mostrar uma coisa. – Lauren pegou o homem pela mão e o levou para o andar de cima da casa, em um cômodo que Bram conhecia muito bem.
Caminhando até seu guarda roupa, Lauren tirou de lá de dentro uma pequena caixa embrulhada e plástico bolha e a desembrulhou, jogando o plástico de lado e olhou para Bram.
O homem encarou a caixa e franziu o cenho, como se a reconhecesse.
– Mas essa caixa é idêntica a...
– Espere. – Lauren o interrompeu, se sentando na beira da cama. Ele se sentou ao lado dela. Ela inspirou fundo antes de abrir a caixa. Bram olhou atônito para o conteúdo.
– Essas coisas são...
– Pétalas de rosas brancas. – ela completou – De dez anos atrás.
– Dez anos? – ele olhou para ela – Lauren, eu não estou entendendo absolutamente nada.
– Bram...eu acho que um fantasma do meu passado está de volta. E com intenções não muito boas.
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