Criminal Love
11 A Little Help
Spielberg’s House – 3p.m
Van Spielberg sentava-se calmamente na poltrona de seu escritório, fumando seu charuto cubano enquanto o filho lhe passava os detalhes do passo seguinte.
– O menino – o mais velho começou – não o machuquem, não ainda. Vamos ver o quanto ele é resistente a um saquinho de pó branco oferecido por uma ruiva britânica.
– O senhor tem certeza que não estamos precipitados demais? — o mais novo perguntou – O senhor não acha que devemos esperar Eve ganhar melhor a confiança dele?
O mais velho gargalhou.
– Meu caro, estamos falando de Eve Jackman. Se nós déssemos a ela três dias, ela faria esse menino se apaixonar por ela nesse período.
– Vendo por esse lado....o senhor está certo. E com quem eles irão se encontrar para passar a mercadoria?
– Com um dos homens que sequestraram o outro rapaz. Não quero gente de fora envolvida nisso. Quanto menos pessoas, melhor.
Headquarter of FBI, Washington D.C – 3:30 p.m
– Nós recolhemos novamente o depoimento de Audrey. Ele ficou bravo, pois achou que você estava duvidando dele. – Bram esticou a pasta para Lauren.
– Obrigada Bram, você têm sido de muita ajuda. – ela sorriu.
– Só estou fazendo meu trabalho, Lauren. – ele devolveu o sorriso.
– Não, você está fazendo bem mais que isso, Bram. Pode acreditar. – e com essas palavras, Bram se retirou da sala, deixando Lauren com a pasta amarela em sua frente.
Ela abriu a pasta e começou a ler todo o conteúdo. Audrey descrevia como havia sido atacado, e como só acordara no barraco em que tinha sido achado. Descreveu precisamente a conversa que teve com seu sequestrador, onde ele dizia que não iria machucá-lo se ele cooperasse.
Exatamente como no primeiro depoimento. Audrey insistia que Joseph Spielberg era seu sequestrador. E que havia mais um rapaz desconhecido com ele.
Audrey só poderia estar ficando louco.
A mulher pegou o telefone de sua mesa e apertou o botão do ramal quatro. Betty, a secretária, atendeu quase imediatamente.
– Sim?
– Betty, diga a Kate, Bram e Audrey para comparecerem imediatamente na sala de reuniões. É urgente.
– Sim, senhora.
– E mais uma coisa, eu quero que você procure o telefone de uma pessoa para mim. Hugh Harrington. Ao encontrá-lo, você dirá em meu nome que eu o espero na sede do FBI. Diga que é um assunto de extrema importância, e do interesse dele. Disponibilize um de nossos carros para buscá-lo onde ele estiver.
– Sim, senhora. – Betty começou a ficar um pouco assustada com o tom autoritário da superior.
– Betty?
– Sim?
– Se for preciso você ligar para o inferno atrás de Hugh, você ligará. Entendido?
– Entendido.
Cinco minutos depois, encontravam-se todos os agentes sentados nas cadeiras dispostas na sala de reunião.
A alguns quilômetros dali, Lucas Helsing observava Washington D.C pela janela de seu pequeno apartamento. Ouviu seu celular vibrar e no visor mais uma vez estava escrito Joseph Spielberg.
– Joseph. – ele atendeu, com a voz cansada.
– Lucas, mudança de planos de última hora. – Lucas congelou.
– Mudança de planos?
– Nós vamos deixá-la um pouco mais...alerta. – Lucas até podia ver o sorriso se formando no rosto do amigo.
– O que quer dizer com isso?
– Nós vamos deixar uma pequena surpresa em sua casa.
Lucas arregalou os olhos.
– Vocês vão invadir a casa dela? – ele perguntou, ríspido.
– É claro que não, seu idiota. Na porta da frente, ou na dos fundos quem sabe.
– O que vai ser a surpresa?
– Você vai saber. E nós queríamos deixar um bilhete, também. Só que dessa vez com alguma coisa um pouco mais...ameaçadora, entende?
– Não. – Lucas respondeu, sentindo a inquietação tomar conta de seu corpo.
Joseph riu.
– É claro que entende, Lucas. Você é ótimo com bilhetes. Venha para cá e eu vou te contar detalhadamente em tudo que estou pensando.
Lauren olhava diretamente para Audrey.
– Audrey, você tem certeza do que está falando? Essa é uma acusação muito grave. Muito.
– E você acha que eu não sei, Lauren? Por favor, eu sei muito bem o que eu vi.
– Talvez você não tenha se confundido por ter acabado de voltar da inconsciência? – Kate perguntou, seus grandes olhos castanhos analisando o amigo.

(Kate Baxter)
– Kate, eu tenho muitos anos de profissão, eu sou muito bem treinado, e nunca diria alguma coisa que eu não tivesse certeza. Era ele.
– Mas ele é uma figura pública, dono de uma das maiores empresas desse país. Ele não aparecia de cara limpa em um sequestro, Audrey. É completamente improvável e impossível. Ele nem sequer mora em Washington D.C.
– Lauren, — Audrey se arrumou na cadeira, olhando diretamente nos olhos da parceira – olhe bem para mim. Você me conhece a tempo suficiente para saber que eu nunca colocaria em risco nenhuma investigação. Eu sou um profissional. Eu olhei diretamente para os olhos do meu sequestrador. Eu ouvi sua voz. Eu afirmo com toda certeza do mundo de que o homem que estava em minha frente era Joseph Spielberg.
Lauren respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, sinal claro de nervosismo.
– Não há mais dúvidas de que Audrey sabe do que está falando. – Bram começou – Mas agora me responda, o que Joseph Spielberg quer com você, Lauren?
– É uma ótima pergunta. – ela respondeu.
– Esperem. Porque com Lauren? Se Audrey que foi sequestrado? – Kate perguntou.
– Porque o bilhete que revelava o sequestro de Audrey chegou em uma encomenda para mim. E dentro da encomenda havia uma coisa um pouco...pessoal. Não há mais ninguém a quem ele possa atingir.
– Lauren, você já teve algum tipo de relação com Joseph Spielberg? – Kate perguntou, arqueando uma sobrancelha.
– Não, Kate. Nunca falei com ele.
– Então como o que veio na encomenda poderia ser pessoal? Só poderia ser pessoal se ele te conhecesse. – Kate sabia que Lauren escondia algo, e nunca pressionaria a amiga dessa forma em outras circunstâncias.
– Porque se Spielberg estiver realmente envolvido nesse caso, eu desconfio que não esteja agindo sozinho.
– Lauren Backinsale, — Audrey disse, estreitando os olhos para a amiga – Nós por um acaso perdemos alguma parte dessa investigação?
– Pois é, Lauren. Você está sendo muito vaga sobre as informações. Isso é uma investigação, e nós somos um grupo. Precisamos saber o que está acontecendo. Onde está seu profissionalismo, Lauren Backinsale? – Kate provocou. Se odiava por estar fazendo isso, mas sabia que esse seria o único jeito de arrancar a verdade da amiga.
Lauren olhou de relance para Bram, que lhe jogava um olhar encorajador.
– Tudo bem. Eu vou contar a vocês. – e então ela começou a contar toda a história que havia por trás da rosa branca.
Como se cronometrado, quando ela terminou, ouviram o barulho de alguém batendo a porta.
– A nossa possível salvação chegou.
Lucas Helsing apertava impacientemente a campainha do apartamento do amigo. Segundos depois a porta se abriu, revelando a figura de Joseph com uma cara de não muito amigos.
– Eu ouvi você na primeira. – ele resmungou. Lucas o ignorou, passando por ele e entrando no apartamento. Joseph o conduziu até a sala onde Van se sentava calmamente em sua poltrona.
– O que vocês estão planejando dessa vez? – Lucas perguntou, sem demora.
– O que já planejamos, você quer dizer. – Van respondeu, em sua voz rouca.
– O que é? – Lucas insistiu. Van apontou para a pequena mesa que se encontrava atrás de Lucas. Quando ele se virou, viu uma grande estrutura de vidro, toda coberta por desenhos de flores, subindo e descendo. – Um vaso? – como se respondesse à pergunta de Lucas, a campainha tocou. Joseph sorriu para Lucas e foi até a porta pegar a entrega. Quando apareceu novamente, trazia consigo um grande pacote, indo até onde se encontrava o vaso e despejando tudo ali. Assim que Lucas pode visualizar a imagem toda, percebeu qual era a intenção dos Spielbergs.
O diretor aposentado entrou na pequena sala de reuniões, que já havia frequentado muito tempo atrás.
– Esse é Hugh Harrington. – Lauren apresentou o senhor aos seus colegas.
Como se fosse preciso apresentações. Pensou Audrey.
– Boa tarde. – o mais velho disse com um meneio de cabeça e se sentou ao lado de Lauren.
– Como vocês devem saber, o Sr. Hugh foi o diretor investigativo do FBI há algum tempo atrás, e...
– Hugh. – o mais velho a interrompeu – Apenas Hugh.
– Sim, claro. – ela sorriu – Hugh foi uma das mentes mais brilhantes desse lugar nos últimos dez anos.
– Lauren...porque o Sr...porque Hugh está aqui? – Kate perguntou, alternando o olhar entre Lauren e o velho.
– Hugh era o diretor quando o caso Van Spielberg explodiu. – ao ouvir esse nome, Hugh se remexeu desconfortavelmente na cadeira. – E vejo que esse nome ainda assombra o senhor. – Lauren comentou.
– Van foi o meu maior fracasso. – Hugh disse – Me fez duvidar de toda a minha capacidade como chefe dessa corporação. – ele fez uma pausa e encarou Lauren – Você não está tentando trazer o caso à tona, está senhorita Backinsale?
– Lauren, por favor. – ela respondeu. – E não, não estou. O caso, é que alguns acontecimentos estão me fazendo desconfiar que os Spielbergs não estão tão enterrados como deveriam estar.
– É claro que não. — o mais velho respondeu – Joseph Spielberg ainda chefia uma das maiores empresas desse país.
– Não estou dizendo nesse sentido, Hugh. Joseph Spielberg está mexendo com o FBI. Diretamente conosco. – um silêncio pairou pela sala, e então Hugh disse:
– Me atualize, senhorita Backinsale, me atualize.
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