Criminal Love
12 It seems like danger
Há alguns quilômetros dali, em Yale, Stephen depositava leves beijos no pescoço de Rebecca, que encarava fixamente o teto.
– O que foi? – ele perguntou baixinho. Ela balançou a cabeça negativamente, como se dissesse: não foi nada. – Rebecca. – ele apoiou o corpo no cotovelo, olhando-a de cima. – Você está muito quieta, o que houve? — Ela se virou e enterrou a cabeça no travesseiro, olhando para ele com apenas um olho.
– Eu queria te mostrar uma coisa, mas eu estou com medo de você me odiar. – ela disse, a voz abafada pelo travesseiro.
– Eu nunca te odiaria. Por motivo nenhum, você sabe disso – ele sussurrou passando o polegar por sua bochecha. Ainda com a expressão apreensiva, ela se levantou, se enrolando em seu roupão e foi até sua mala, tirando um tubinho dali. Ela voltou para cama, se sentando bem no meio. Ele se ajeitou, se sentando de frente para ela.
– O que é isso? – ele perguntou encarando o tubinho.
– Eu quero que você experimente. Depois, se não aprovar, pode me mandar embora aos pontapés. – ela sorriu delicadamente. Um sorriso que fazia o coração de Stephen palpitar. Ele sorriu e assentiu.
– Feche os olhos e abra a boca. – ele a obedeceu. A sentiu depositando alguma coisa arredondada em sua boca. Um comprimido? – Pronto, pode engolir. – ele levou o comprimido à garganta e depois o engoliu, e então abriu os olhos, encarando Rebecca, que o encarava de volta com aqueles olhos azuis penetrantes.
Minutos depois, Stephen já nem sabia onde estava.
Enquanto ouvia toda a situação, Hugh Harrington já tentava procurar respostas a tudo aquilo.
– A senhorita está me dizendo que desconfia que Joseph esteja tentando te atacar? Que motivos ele teria para isso? – Hugh perguntou, e sentiu seu cérebro trabalhando arduamente em busca de respostas.
– Eu desconfio que ele esteja em comunhão com uma pessoa do meu passado. Uma pessoa muito importante. A questão é que eu chamei o senhor aqui para nos explicar detalhe por detalhe do caso Van Spielberg.

(Hugh Harrington)
– Foi um caso complicado, a causa de minha aposentadoria. – Hugh começou – Van Spielberg subiu muito rápido na vida. Começou herdando um pequeno negócio de seu pai, e no auge da vida, já tinha uma rede de filiais pelo mundo todo. Se tornou uma figura pública e começou a chamar a atenção de todos. Revistas empresariais brigavam entre si para conseguirem uma entrevista com ele, Van Spielberg era um gênio dos negócios modernos. Só que essa atenção toda tinha lá suas desvantagens. A polícia de Washington D.C começou a receber denúncias anônimas de que Spielberg não vivia apenas dos lucros de todo seu patrimônio. Ele também estava envolvido em uma grande rede de tráfico de drogas. O problema foi passado para nós, especializados em casos de grandes proporções, e então nós começamos a trabalhar, e os dados que chegavam às minhas mãos eram cada vez mais assustadores. Prestações de serviços remunerados sem nenhum registro ou nota fiscal, vendas de produtos que nunca chegaram ao comércio, negociações sem fundos, parceria com empresas que jamais existiram. Mais de cinco contas diferentes em bancos invisíveis em diversas ilhas espalhadas pelo mundo. Van Spielberg não era apenas um gênio dos negócios, mas também um gênio da fraude. – ele encarou os rostos que o olhavam com toda atenção – Eu passei mais de dois meses estudando minuciosamente cada jogada de Van. E mesmo assim nunca foi o suficiente. Ele pensava muito bem em cada passo que dava, em cada pessoa que se aliava. Eu nunca consegui provas o suficiente para desbancá-lo por fraude e desvio de dinheiro. Mas ainda não era o fim, nós ainda tínhamos toda a história do tráfico de drogas, e ali eu vi minha última esperança. Comecei a cavar fundo essa história, e me enfiar nos becos mais escuros de Washington, topando com pessoas de todo o tipo mais sujo que você possa imaginar. Algum tempo depois, consegui reunir uma quantidade considerável de informações para tentar provar que Van Spielberg também era um gênio do tráfico. E então investi. Em menos de 24hrs a notícia já tinha se espalhado pelo mundo inteiro. E a caça pela cabeça de Van começou. Mas o cara tinha um poder ilimitado nas mãos, e antes que nós pudéssemos o capturar, ele sumiu.
Simplesmente desapareceu do mapa. Todas as suas contas invisíveis foram limpas. Era como se ele não existisse mais. O máximo que conseguimos chegar perto dele, foi quando um de nossos agentes encontrou sua mulher em um casebre no meio do nada, e sob ordens minhas, a matou sem pensar duas vezes. Dois dias depois encontramos seu filho, em New Jersey, em uma propriedade deles. Ele estava lá também, e então apresentei tudo o que eu tinha, Van chegou a ser indiciado, mas o cara tinha tudo pronto para se safar. Nós não podíamos provar que Joseph tinha qualquer ligação com as falcatruas do pai, pois nem trabalhar na empresa ele trabalhava. As buscas não pararam por meses a fio, mas novamente de nada adiantou. Van era completamente inocente. – ele fez uma pausa, deixando que seus ouvintes absorvessem toda a história antes de continuar – Depois que Joseph tomou a presidência dos negócios, nunca mais encontramos nenhum vestígio de fraude ou desvio, parecia que o menino chefiava a empresa de acordo com a lei. Ele dizia que não fazia a mínima ideia de nada sobre as acusações do pai, que ele sempre tinha sido um ótimo empresário, e havia ensinado Joseph a chefiar com classe. Nós buscamos por qualquer menção de cartas ou telefonemas que Van poderia ter dado para poder sair dessa limpo, e não encontramos nada. Ele tinha deixado tudo nas mãos do menino. E então só havia uma solução: o caso ser arquivado. E um diretor mal sucedido no maior caso de sua vida se aposentar.
Um silêncio constrangedor pesou pela sala.
– Uau. – foi o que Audrey disse.
– Será que Joseph está atrás de vingança? – Kate perguntou de repente. Todos a olharam.
– Vingança? – Bram perguntou – Por quê?
– Pelo fato do FBI ter tentando acabar com o pai. – ela respondeu.
– Mas, pense Kate, seu pai colocou um grande império nas suas mãos do nada, para poder se safar de uma grande investigação. Você ainda faria qualquer coisa por ele depois? – Lauren disse.
– Há quanto tempo o caso foi arquivado, Sr. Harrington? – Kate se virou para o mais velho.
– Há dez anos. – Hugh respondeu.
– Em dez anos muita coisa pode acontecer. Quem não garante que Van tenha voltado a ativa? – ela encarou a todos na sala, que se entreolharam. Lauren afundou em sua cadeira, visivelmente frustrada.
Quando sua consciência começou a voltar a trabalhar normalmente, Stephen se encontrou encostado na parede de seu pequeno dormitório, encarando Rebecca.
– O que foi isso que você me deu? – ele perguntou, em meio a um sorriso.
– Você gostou? – ela sorriu e seus olhos brilharam.
– Isso é alucinógeno? – ele perguntou, franzindo o cenho.
– Não vamos dar nomes, vamos pensar que foi apenas a balinha da alegria.
– Mas alucinógenos são drogas. – ele resmungou, cambaleando até a cama e se encostando na cabeceira.
– Já disse para não darmos nomes, Steph. – ela acariciou seu rosto. Ele simplesmente amava a forma que seu apelido ficava quando falado por ela. Tudo nela era encantador, o jeito que ela falava, seu sotaque engraçado, a graciosidade nos movimentos...ele estava perdidamente apaixonado. – Essas coisas são apenas para nos divertirmos mais. Para tornarmos as coisas aqui um pouco mais interessantes. – ela sorriu torto. – Mas se você não quiser mais...eu vou entender. – ela abaixou a cabeça. Stephen percebeu o brilho de seus olhos sumirem por um instante.
– Não, está tudo bem. – ele se inclinou, virando o rosto dela para si – Eu gostei, foi divertido. – ela sorriu levemente e o beijou.
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