– Quando é que eu vou poder sair daqui? – a jovem estava sentada em uma poltrona, impaciente.
– Não sei, Eve. Ninguém sabe! – Lucas disse também impaciente.
– Eu fiz minha parte! Isso não é justo! – ela resmungou.
Lucas chegou mais perto dela e cochichou:
– E desde quando as coisas são justas quando se trata de Van Spielberg?
– O que vocês dois estão cochichando? – Joseph adentrou a sala, observando os dois.
– Eu quero saber quando é que eu vou poder retomar minha vida! – Eve gritou.
– Até quando eu bem entender. – Joseph lançou um olhar sugestivo para Eve. A moça riu alto.
– Faça-me mil favores! Desde quando você resolve alguma coisa por aqui, Joseph?
– Como é? – Joseph deu alguns passos em direção à Eve.
– Exatamente o que você ouviu. – ela sorriu.
Em um movimento rápido, o Spielberg mais novo agarrou os cabelos da moça e os puxou para baixo, cravando seus olhos nos dela.
– Você não sabe do que eu sou capaz, Jackman — ele rosnou para ela –, e seria uma grande vantagem para você, nunca saber. Eu tenho autonomia suficiente para te apagar quando eu bem entender, e eu te substituiria em um piscar de olhos. Vadias que fariam qualquer coisa por dinheiro nunca estão em falta. – ele sussurrou a última frase.
– Joseph, solte-a. Você já deu seu recado. – Lucas tocou o braço do amigo, tirando-o dos cabelos de Eve.
– Vai defendê-la, então? – Joseph olhou para Lucas.
– Você está nervoso, todos nós estamos. Quase que tudo dá errado. Nós não podemos falhar desse jeito novamente. Se o carro não aparecesse a essa hora Eve poderia estar presa! Ou pior, morta!
– E você acha que eu não sei disso, Lucas? Aquela mulher é muito mais esperta do que nós imaginamos. – Joseph respondeu.
– Eu avisei a todos vocês, e vocês a subestimaram. – Lucas olhou de Joseph para Eve.
– Mas nós sabemos qual é a fraqueza dela! Ela faria qualquer coisa pelo irmão. – Eve disse.
– E você realmente acha que depois do que aconteceu, ela o deixará sair de casa? – Lucas disse.
Eles ficaram em silêncio por um instante.
– Lucas, você é um gênio. – Joseph olhou para o rapaz ao seu lado, e sorriu largamente.
– Perdão?– Lucas semicerrou os olhos.
– É isso! Nós perdemos o menino, mas ainda temos a ela! Ela terá que sair para trabalhar, sair para saber quem está a perseguindo. Então, tocaremos em outra ferida...você, Lucas Helsing.
– Você está ficando louco?! – Lucas se alterou – Eu não posso simplesmente aparecer na frente dela!
–É claro que pode! Ela ficará completamente abalada! É a nossa chance de finalmente pegá-la!
– Joseph, você não acha que está sendo muito precipitado... – Eve começou, mas Joseph a interrompeu.
– Nós já esperamos muito. Eles quase pegaram um de nós, ela já sabe que eu estou envolvido, e com certeza já tem uma ideia que você também está, Lucas. Não vai demorar muito para ela ligar os pontos, se não é que já ligou. Não temos mais tempo. Precisamos agir antes que ela aja antes de nós.
– Você está certo. Mas eu tenho um ideia melhor ainda. — Lucas disse, e um sorriso surgiu no canto de seus lábios.

Headquarter of FBI

– Eve Jackman...esse nome lembra alguma coisa a vocês? – Lauren perguntou, olhando para o grupo a sua volta. Todos balançaram a cabeça negativamente.
– Isso nos diz que ela não é muito experiente, não tem ficha criminal e consta no banco de dados que ela foi para um centro de adoção quando tinha treze anos, no ano se 2006, isto é, sete anos atrás. Esse é a única informação que temos sobre ela, é como se ela tivesse desaparecido do mapa. – observou Kate.
– Alguma informação sobre os pais adotivos? Se ela foi adotada?- Lauren perguntou.
– Esse é o problema. Não existem pais adotivos. O orfanato foi fechado em 2010, depois que todas as crianças que viviam ali foram adotadas. Todas constam no sistema, menos Eve Jackman. Em 2010, Eve ainda era menor de idade, ela teria que ter ido parar em outro orfanato, mas não há nenhuma entrada. Isso nos diz, também, que ela foi adotada entre os anos de 2006 e 2010, mas não sabemos exatamente quando, e nem por quem. – Kate bufou.
– Alguma informação sobre os pais biológicos? – Hugh, que agora era parte da investigação, perguntou.
– Johansson Jackman e Kristine Jackman, mortos em 2006, dentro da própria casa, aparentemente um acerto de contas. A polícia não adentrou a investigação por esse motivo. Não vale a pena se meter em briga de gangues.
– Ela se infiltrou em minha casa e manipulou meu irmão. Me enganou também. Ela não é tão inexperiente assim. – Lauren rebateu.
– Ela foi muito bem instruída, Lauren. Disso não há dúvidas. Nós podemos chegar a alguém maior por intermédio dela. – Bram respondeu.
Antes que alguém pudesse responder, ouviu-se alguém batendo a porta.
– Entre! – Lauren autorizou.
O agente Hallet apareceu, com uma pasta em mãos.
– Aqui está a pesquisa que a senhora pediu.
– Obrigada, Marcus. – Lauren se levantou para pegar a pasta e sorriu. Quando se virou, viu que Bram a encarava com as duas sobrancelhas arqueadas. Ela revirou os olhos para ele.
Se acomodou novamente na cadeira e abriu a pasta. Uma confusão de sentimentos invadiu seu peito quando ela olhou a foto no canto da folha.
Na foto, ele estava exatamente como ela se lembrava.