Criminal Love

20 This could be Heaven, or this could be Hell


Lauren distribuiu uma folha para cada presente.
– Esse é Lucas Helsing. A pessoa do meu passado que eu desconfio que está associada nisso tudo que está acontecendo.
– Certo... – Audrey começou – Nós estamos atrás de um fantasma.
Lauren olhou para a situação atual do investigado.
“Situação (paradeiro) Atual: Falecido”
– Não pode ser. – ela disse, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.
– Novamente nos deparamos com um caso de acerto de contas. – Kate observou. – Seu pai, Kevin Helsing, foi assassinado, e aparentemente, Lucas foi junto.
– Não pode ser. – Lauren repetiu. – Só ele...só ele sabe...isso não está certo.
– Lauren? – Audrey chamou sua atenção.
– Lucas Helsing está vivo. Eu tenho certeza disso.
– Lauren...o atestado de óbito dele está na página seguinte. – Bram disse.
– Isso não pode ser coincidência! Os pais de Eve Jackman foram assassinados por acerto de contas, ela foi para um orfanato, e depois simplesmente sumiu, há sete anos. O pai de Lucas Helsing foi, também, assassinado por acerto de contas e ele foi dado como morto, em 2003, há dez anos. Compatível com o ano em que ele simplesmente desapareceu. Quem estaria me mandando as flores? Lucas Helsing não está morto. Ele simplesmente desapareceu, como Eve. Agora os dois aparecem envolvidos em um mesmo caso. Quem adotou Eve Jackman, já estava cuidando de Lucas. – Lauren se ajeitou na cadeira, os pensamentos fervendo – Hugh, você não disse que o caso de Van Spielberg foi arquivado há dez anos, em 2003?
– Sim. – Hugh afirmou.
– Essa é a nossa ligação! Todas essas pessoas estão envolvidas nesse caso! Van Spielberg, Joseph Spielberg, Lucas Helsing e Eve Jackman. Nós temos nossa gangue.
Todos olharam para Lauren, estupefatos. Um silêncio pesado caiu pela sala.
– Vocês não estão acompanhando meu raciocínio. Mas eu vou provar isso tudo que eu estou dizendo a vocês. Amanhã. Eu vou trazer todos os pontos ligados. E então nós iremos atrás deles. – ela puxou o ar – Kate, eu quero acesso total aos computadores e bancos de dados daqui, investigações, pessoas, tudo! Eu preciso saber exatamente o que ocorreu com as famílias Helsing e Jackman.
– Tudo bem. – Kate disse, hesitante.
– E também vou precisar que alguém que fique por aqui comigo por tempo indeterminado depois do expediente.
– Eu fico. – Audrey se voluntariou. – Quero entender o motivo pelo qual eu fui sequestrado.
– Tem certeza que não quer a equipe inteira trabalhando? – Bram perguntou.
– Não. Vocês estão dispensados. Quero todos descansados. A partir de amanhã, as coisas vão mudar de ritmo. Dispense todos os agentes também, Bram. Deixe apenas os noturnos, por segurança.
– Entendido.
– Hugh, — ela se virou para o mais velho – eu posso contar com você?
– É claro que pode. – ele assentiu.
– Ótimo. Quero todos vocês aqui amanhã bem cedo.

Lucas Helsing estava deitado em sua cama, encarando o teto.
Ele estava esperando que esse dia chegasse. Não sabia ao certo dizer se ele temia esse dia, ou se era tudo ansiedade. Ele teria que ficar cara a cara com ela. Agora ele estava do outro lado do jogo, no time adversário. O confronto era inevitável, e ele não iria dar para trás, ele iria agir. Exatamente do jeito que estava planejado desde o começo.
Quando percebeu que não iria conseguir dormir, se levantou, vestiu seu roupão e foi até a cozinha. Ligou a cafeteira e esperou até que o café ficasse pronto, se serviu com uma xícara e se sentou a mesa.
Lucas estava realmente cansado de se esconder. Ele queria vingança. Ele queria finalmente sentir o gosto da vitória. E precisava espairecer antes da verdadeira luta começar.
Colocou um sobretudo e saiu de seu apartamento. Essas eram as poucas situações em que ele podia sair sem ser para ir a casa dos Spielberg.
Até então, tudo tinha dado certo, as coisas estavam dentro dos conformes. Claro que um deslize aqui e outro ali, mas estava tudo bem.
Mas o que realmente incomodava Lucas era o que ainda estava por vir. A última parte do plano, a cartada final. Ele também queria vingança, e estava prestes a conseguir.
Era fim de março, onde a temperatura, nas madrugadas, variavam entre 3°C e 4°C graus. O zunido do vento gelado fazia todos os pensamentos preocupantes se afastarem da mente de Lucas. Tudo o que ele queria era paz, e sabia que a teria depois que tudo isso terminasse. Ele confiava em si mesmo, mas o problema era que não dependia apenas dele. Passou anos de sua vida ao lado de Van Spielberg, ele tinha começado tudo isso, ele tinha dado o empurrão que Van precisava para desenvolver o plano, e contou com a sorte para que Van seguisse sua linha de raciocínio. Felizmente, a sorte estava ao seu lado.

Já era seu terceiro copo de café, e o quarto de Audrey.
Sua mente estava frenética, tinha um relatório quase completo com todos os tipos de informações que conseguiu. Mas precisava ter um jeito de conectar todos esses pedaços soltos do quebra-cabeça. Ela tinha certeza que todos os nomes que ela tinha citado na reunião estavam envolvidos no que estava acontecendo.
– Que horas são? – Audrey perguntou, enquanto analisava, um por um, a pilha de relatórios antigos que havia sobre gangues que deveriam ter tido uma atenção especial.
– 3h45. – Lauren respondeu.
– Achou alguma coisa?
– Eu tenho uma história, eu só preciso conectá-la. Eu tenho os nomes, eu tenho as histórias. Eu sei que há uma conexão.
– Eu confio em você, Lauren. Eu sei que você está no caminho certo. Mas eu acho que você está focando no assunto errado.
– Como assim? – Lauren virou sua cadeira para analisar Audrey.
– Você quer conectar as histórias de Lucas e Eve. Mas quem sabe não essa conexão não esteja antes dessas histórias acontecerem? Há uma diferença de três anos desde a morte do pai de Lucas e dos pais de Eve. A morte do pai de Lucas...
– A morte do pai de Lucas aconteceu algumas semanas depois da morte dos meus pais. – Lauren o interrompeu. Eles se entreolharam. – Na época, eu me lembro muito bem, a polícia disse que foi um assalto, invadiram minha casa e mataram meus pais. Logo depois Lucas desapareceu.
– É muita coincidência para ser apenas uma coincidência. – Audrey observou. – Me dê seus relatórios. – Lauren esticou o netbook no qual digitava todas as informações que encontrava no computador da sede. – Então nós temos todos os acontecimentos entre 2003 e 2010, com uma nota em 2006. – ele começou a separar seus relatórios de acordo com as datas que apareciam no relatório de Lauren.
– É claro! – Lauren exclamou, de repente. Sua mente finalmente começava a conectar os pontos.
Audrey parou o que estava fazendo e se virou para ela.
– Sim?
– Nós temos três acontecimentos importantes no ano de 2003, o estouro do caso de Van Spielberg, o assassinato dos meus pais, e o assassinato do pai de Lucas, exatamente nessa ordem, correto?
– Exato. – Audrey, já entendendo o raciocínio da amiga, puxou o relatório sobre o caso de Van Spielberg, e o colocou lado a lado com os relatórios das duas únicas gangues que agiram em 2003. Lauren se sentou ao seu lado e começou a analisar as datas dos acontecimentos. – Nós temos duas gangues, e agora?
– Nós não temos duas gangues. — Lauren observou – Van Spilberg foi indiciado por tráfico de drogas, e essa gangue aqui – Lauren colocou o dedo em cima dos papéis – é a que foi caçada no mesmo mês em que Van foi indiciado. Mais informações foram adicionadas dias depois da morte dos meus pais, e também, dias depois da morte do pai de Lucas. – a garganta de Lauren se fechou. Ela encostou-se à cadeira e encarou o nada em sua frente. Ao mesmo tempo em que tudo começava a fazer sentido, mais perguntas surgiam. Sua cabeça estava a ponto de explodir.
– Lauren? – Audrey colocou a mão no braço da amiga.
Ela encarou o amigo que a observava com preocupação. E então falou:
– Van Spielberg matou meus pais.

Notas finais
comentem por favor!!