Criminal Love
22 Broken Destiny
Joseph Spielberg dormia tranquilamente quando ouviu batidas na porta de entrada de sua casa, no primeiro andar.
Desceu rapidamente as escadas, e quando abriu a porta, levou um pequeno susto. Não é como se ele não esperasse, mas sabia que não poderia falhar.
– Senhor Spielberg, eu sou o agente Marcus Hallet, da Force Bureau of Investigation. Gostaria de fazer algumas perguntas para o senhor, se não se incomodar.
– Sobre o quê, exatamente? – Joseph perguntou, coçando os olhos.
– Recebemos uma denúncia sobre um sequestro, e o senhor foi visto nos arredores. Será que poderia nos ajudar?
– É claro, — Joseph sorriu – entre.
O agente entrou na casa e se acomodou no sofá.
– Então, em que posso ajudar?
– Senhor Spielberg, por um acaso conhece esse homem? – Hallet abriu uma pasta onde continha uma foto de Audrey Mankiewicz.
– O cara do FBI, certo? Provavelmente você também o conhece. – Joseph disse. Na verdade, estava adorando aquilo. Era uma oportunidade e tanto de provar que ele estava por cima.
– Então afirma que o conhece?
– É claro! Todos o conhecem. – ele sorriu.
– Senhor Spielberg, o senhor já conversou, ou teve algum contato, com Audrey Mankiewicz pessoalmente? – o agente Hallet nunca teve paciência para debochadores.
– Oh, me desculpe, pessoalmente não. – Joseph respondeu. – Não compartilhamos o mesmo ciclo social.
– E quanto a essa moça, o senhor a conhece? – Hallet tirou a foto de Audrey e a foto de Eve Jackman ficou à vista.
Joseph não queria, mas percebeu que sua expressão vacilou. Eve. Droga! Era óbvio que eles já tinham descoberto a história de Eve, e seria questão de tempo até chegarem a Van. Se é que já não chegaram.
– Não. Não a conheço. – Joseph respondeu, sério.
– Tem certeza? – dessa vez foi a vez de Marcus sorrir – É realmente difícil esquecer um rosto bonito como esse.
– Tenho certeza, sim. Não a conheço. – ele respondeu. Marcus percebeu a alteração na sua voz. – Mais alguma coisa em que posso ajudar?
– Como está seu pai? – Hallet perguntou. Joseph arregalou os olhos.
– Meu pai? – ele perguntou.
– Sim. – Hallet respondeu, com naturalidade.
– Está dormindo. Como eu também estava. Afinal, são 7h15 da manhã, não é mesmo? – Joseph disse, sarcástico.
– Eu sei muito bem que horas são, senhor Spielberg. – Hallet respondeu, também sarcástico. – Muito bem, terminamos por aqui – ele se levantou. – Quando seu pai se levantar, por favor, diga a ele que Alexander Halletrinck mandou lembranças. – E com isso, Marcus se dirigiu a porta e saiu da casa de Joseph Spielberg, o deixando boquiaberto entre um sofá e outro.
O sangue que corria pelas veias de Marcus Hallet ardia. Ele precisava falar com Lauren. Ele sabia que ela o mataria, mas era o certo a se fazer. Ele já havia escondido coisas de mais.
Chegando a headquarter, ele foi direto à sala de reuniões, bateu uma vez e abriu a porta.
– Desculpe interromper, mas eu posso tomar alguns minutos do seu tempo, agente Backinsale?
Lauren franziu o cenho.
– É claro. – ela olhou para o grupo que estava com ela na sala. – Vocês estão dispensados por alguns minutos. – Bram levantou as duas sobrancelhas. O que será que Marcus quer com Lauren?
Ela se retirou e seguiu o agente Hallet até uma outra sala de interrogatórios.
– Senhorita Backinsale, tem uma coisa que eu preciso te contar. – Lauren via que Marcus estava nervoso. Ele não conseguia parar em um lugar e ficava andando de um lado para outro, estava suando.
– Ok, Marcus, se acalme. Me chame de Lauren. Vamos conversar, o que foi que aconteceu?
– Lauren...quando Hugh entrou nessa investigação, e te contou toda a história sobre Van Spielberg, ele disse alguma coisa sobre o advogado que cuidava de Van na época?
Lauren arqueou uma sobrancelha.
– Não, não disse. Mas nós sabemos que seu nome era Alexander Halletrinck. Mas o que isso tem a ver com a situação? Ele nunca nos ajudaria.
Marcus respirou fundo.
– É aí que você se engana. Alexander Halletrinck é meu pai.
Lauren congelou. Ela não acreditava no que estava ouvindo. Halletrinck. Hallet.
– Seu pai? – ela soltou, em um sussurro.
– Eu nunca fui muito próximo a ele, mas quando você descobriu que ele tinha matado seus pais e o pai de Lucas Helsing, eu vi que essa investigação não estava nem perto do fim. Então eu recorri a ele, e disse que precisava da ajuda dele, e que Van Spielberg era um assassino de inocentes. Eu contei toda a história a ele. E ele está disposto a nos ajudar.
Lauren não sabia se matava, ou se abraçava Marcus. Ele simplesmente colocou toda a operação em perigo. Ele poderia colocar tudo a perder. Infringiu várias normas que poderiam o levar preso. Mas, felizmente, ele acertou em cheio.
– Eu não disse nada antes, porque eu não sabia se ele estava disposto a ajudar, e porque...porque ele é meu pai. Me desculpe, Lauren. – ele abaixou a cabeça.
– Quem mais está ciente disso? – ela perguntou.
– Hugh Harrington. E agora Joseph Spielberg.
Lauren já estava naquele cargo há tempo suficiente para saber como as coisas funcionavam. Até os caras do bem, às vezes, precisavam se desviar do caminho.
– Marcus Hallet, você está ciente do que fez? Que colocou toda nossa investigação em risco? Que poderia ter colocado tudo a perder? – Lauren perguntou, com um tom de voz neutro.
– Estou. – Marcus respondeu, desolado.
– Está ciente também, que infringiu normas e regras que nem mesmo eu posso infringir?
– Estou.
– Está ciente que será retirado da investigação, e será indicado por obstrução?
– Sim, senhora. Estou ciente de tudo. – ele observou Lauren se aproximar e parar a poucos centímetros dele.
– Então provavelmente também está ciente que o que você fez nos ajudou e nos fez dar um grande salto nesse caso. E que eu usarei de todo meu poder para que nada aconteça com você, e muito menos com seu pai. E eu também não sou nenhuma louca que deixaria você sair da investigação, se empenhando do jeito que está. Eu te retirarei do caso, mas você continuará nos ajudando pelos fundos. Eu sei de qual lado você está Marcus, e eu estou junto com você.
Sem acreditar nas palavras de Lauren, Marcus sentiu um alívio paralisante tomar conta de seu corpo, ele havia seguido seus instintos, e tudo tinha dado certo. Sabia que não poderia fazer isso novamente, mas agradecia Lauren por ter entendido.
– Agente Marcus Hallet, o senhor está oficialmente fora da investigação. – Lauren pronunciou as palavras e se retirou da sala, dando um pequeno sorriso para ele.
Sorrindo, Hallet respondeu:
– Obrigado.
– E agora? O que nós vamos fazer? – Lucas Helsing perguntou, enquanto olhava de Joseph para Van.
– Nós não podemos ficar de braços cruzados, esperando eles virem até nós, eles têm uma carta na manga. – Joseph declarou.
– Eu deveria ter matado Alexander quando eu ainda podia! Eu nunca imaginaria que ele seria uma ameaça...ele recebeu dinheiro o suficiente para ir para outro planeta! – Van esbravejou.
– Mas o senhor ainda pode fazer isso... – Joseph falou, mais baixo.
– Agora não mais! Eles saberão que fui eu. Você acha que já não tem ninguém vigiando nossos passos? Pelo amor de Deus Joseph! – Van respondeu, nervoso.
– Mas eu acho que Joseph está certo. – Lucas começou – Na parte em que devemos fazer alguma coisa. Agora que eles têm como agir, não vai demorar muito para a perseguição começar.
– E o que você sugere, Lucas? – Van olhou para ele.
– Antes de dar qualquer opinião, acho que já está mais do que na hora de eu saber o que você pretende fazer com Lauren, quando finalmente pegá-la. – ele encarou o mais velho, que o encarou de volta – Então, Van, o que vai ser?
– É você que dá as ordens agora... – Van começou, mas Lucas o interrompeu.
– Eu não estou dando ordem alguma. Eu quero apenas saber qual é a sua intenção com Lauren Backinsale. Já passei muito tempo apenas dando ideias e não recebendo nada em troca. O que você vai fazer com ela, Van? – o mais velho encarou Lucas.
– O que todos eles fizeram com a minha vida e a vida de minha esposa. Destruí-la, Lucas. Eu vou destruí-la.
– Se esse é seu objetivo, Van, então acredito que seja melhor irmos direto ao ponto. Sequestre-a. Ela sabe que você não age como qualquer criminoso, então ela não se preocupa como deveria com a própria segurança. Mas não faça como fizemos com o analista...faça pra valer. Aja como qualquer um agiria. Ela nunca esperaria isso vindo de pessoas como vocês.
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