Criminal Case: District 1

7 The Grim Butcher - Parte II


Notas iniciais
Olha mais um capítulo aiiiiiii Eu sei que eu demorei pra postar, mas é porque essa semana está muito corrida pra mim. Muitos trabalhos etc. Talvez eu não poste essa semana, já que é semana de provas. Então aproveitem!

A morena cruzou os braços sob o peito, encarando a irmã mais nova. Georgia engoliu em seco ao ver a expressão séria e decepcionada de Anne.

–Anne, eu... — começou a menina, mas a mais velha fez um sinal de basta com a mão.

–Quem faz as perguntas aqui sou eu. — a voz de Anne saiu um tanto seca. Ela ficou em pé, em frente a mesa e encarou a irmã. — Primeiramente: como você sabia que a Jennifer tinha sido assassinada?

A menina engoliu em seco e encarou as mãos. Seus lábios tremiam e lágrimas brotaram em seus olhos, mas isso não fez Anne ter menos pena dela. Ok, talvez um pouquinho, mas ela conseguira manter a postura séria de detetive. A boca de Georgia se abriu, mas não saiu som algum.

–Responde! — pressionou a perita aumentando o tom de voz. A mais nova assustou-se com a forma que a irmã gritara. Anne nunca fez isso em toda sua vida.

–Eu não posso falar! Me desculpa! — exclamou Georgia aos prantos. A moça respirou fundo e tentou manter a calma.

–Georgia, eu posso ser sua irmã, mas nesse momento eu sou a Detetive Anneliese Maddox e eu quero que você me responda: como você soube do assassinato da Jennifer antes da polícia!? — Anne deu um tapa na mesa e agora ela estava gritando. A mais nova se assustava a cada segundo com a atitude da mais velha.

–EU VI! EU VI A JENNIFER SENDO MORTA! EU VI ELA SENDO TORTURADA E ABERTA NO MEIO! — gritou a menina, segurando os cabelos e chorando ainda mais. A resposta pegou Anne de surpresa e ela segurou-se na mesa para não tombar. Não conseguia crer que a irmã tinha presenciado um assassinato. Seu rosto não tinha expressão alguma. — Mandaram um bilhete pra ela dizendo que queriam encontrá-la no açougue Colletti. Eu falei pra Jennifer que iria com ela, mas ela não quis. Mesmo sabendo que não era uma boa ideia ir pra perto das docas tarde da noite, eu a segui. Não tinha ninguém na porta do açougue, então a Jenn entrou pela porta dos fundos. Quando eu entrei fiquei escondida atrás da porta, observando. E foi ai que ela levou uma pancada na cabeça e a mataram. — confessar tudo aquilo parecia uma tortura para Georgia, que estava tremendo.

Anne estava sem palavras. Teve que respirar fundo várias vezes para assimilar tudo aquilo.

–Dizendo que quem queria encontrá-la no açougue? — perguntou a perita com a voz trêmula. Ela apertava tanto a mesa que os nós de seus dedos ficaram brancos.

–Não posso dizer. Também não posso dizer quem matou Jennifer. — soluçou a mais nova com os olhos vermelhos de tanto chorar. — Me viu escondida atrás da porta do armazém e me disse que se eu contasse alguma coisa iria me matar. Me perdoa.

Seu rosto ensopado de lágrimas, seu aspecto desesperado, tudo isso era como se fosse uma facada no coração de Anne.

–Georgia, você sabe que eu jamais deixaria alguém encostar em você. E também sabe que esconder informação da polícia pode te prejudicar. — a voz de Anne não era mais ameaçadora, era um pouco mais calma, mas ainda firme.

–Eu tô com medo, Anne. — disse Georgia engolindo em seco.

–Entendo. Eu quero você fique na delegacia até eu terminar por aqui. Pensa no que é melhor pra você e pra quem matou sua amiga. — a moça deu as costas à irmã e retirou-se da sala, deixando uma Georgia arrasada lá dentro.

Anne subiu até sua sala. Ao entrar, ela trancou a porta e respirou ofegante. Interrogar a irmã e tratá-la como se fosse uma criminosa lhe causava um arrependimento enorme, mas não podia fraquejar. Seu coração batia em ritmo acelerado e tudo que ela desejava no momento era ficar sozinha. Escorregou as costas pela porta e sentou-se no chão, engolindo o choro.

A morena ficou alguns minutos com a cabeça entre os joelhos refletindo sobre a conversa com Georgia. Um tempo depois Jones foi chamá-la para ver o resultado do DNA com Grace. Pensou em pedir para ele ir sozinho, mas decidiu ir.

–Você tá bem, Anne? — perguntou Grace quando ela se aproximou com Jones, que estava com o braço sobre seus ombros.

–Estou sim. De quem era o DNA, Grace? — a perita respirou fundo e deu um sorriso forçado.

–Eu comparei o DNA com o da Jennifer e não tenho dúvidas: a calcinha é dela! — anunciou a analista. — Encontrei DNA de um tal de Raphael Soza também.

–Jennifer não usou a calcinha no dia do crime, mas aposta quanto que ele ajudou a tirá-la numa outra ocasião? — ironizou o inspetor.

–Concordo com você. Mas se o Raphael não falar sobre isso, melhor falarmos com o One-Thooth-Sam também. — disse Anne olhando o chão. — Acho que devemos adicioná-lo a nossa lista de suspeitos.

–Você manda. Vamos lá.

Os dois foram até Cooperville onde os dois suspeitos se encontravam. Durante o trajeto, Anne contou ao parceiro a conversa que teve com Georgia e ele imaginou o quão difícil deveria ter sido para ela pegar pesado com a irmã. Mas agora que tinham certeza que ela sabia a identidade do assassino de Jennifer, teriam que pressioná-la um pouco mais. Algumas palavras da menina os pouparia muito tempo.

No acampamento de sem-teto, eles encontraram Raphael perto do carro onde dormia.

–Olá, Raphael. Como vai? — cumprimentou Anne colocando as mãos nos bolsos e lançando um olhar malicioso ao garoto.

–Hm, olá. — respondeu o aprendiz de açougueiro, nervoso, como sempre ficava na frente dos policiais.

–Sabe, temos um mistério e tanto nas mãos. — comentou Jones rindo sarcasticamente. — E nos responda: como a calcinha da Jennifer veio parar no seu acampamento? Ela veio só passar a noite aqui?

–Olha, não precisa ser sarcástico, policial! — exclamou Raphael com um tom de irritação. — Não sei como a calcinha dela veio parar aqui, mas não fui eu que a tirei! Nós éramos amigos, mais nada! — sem mais dar satisfação aos detetives, o garoto saiu dali.

–Não sei você, Anne, mas as minhas amigas nunca esqueceram as calcinhas na minha casa. — falou o rapaz.

–Vão muitas amigas na sua casa, Jones? — questionou a morena, cruzando os braços e levantando uma sobrancelha, enquanto encarava o colega.

–Lógico que não. — afirmou o inspetor olhando a expressão desconfiada da moça. Infelizmente, ele não conseguiu conter um risinho. — Está com ciúmes?

–Ciúmes!? Eu!? Ah, me poupe, David! — indagou Anne, ofendida, indo atrás de Sam. Jones revirou os olhos, ainda rindo e seguiu a moça. Ela ficava ainda mais sexy com ciúmes, mas não era hora de pensar em assuntos íntimos.

A moça saiu resmungando por Cooperville em busca do prefeito e em poucos minutos o encontrou. O inspetor que a seguia, não conseguia parar de rir de sua frustração sem motivo. Anne ficava ainda mais linda quando estava nervosa.

–Boa tarde, Detetive Maddox, bom vê-la de novo! — exclamou Sam com um sorriso. — O que fazem aqui novamente?

–Ah, oi, Sam. Bom te ver também. — cumprimentou ela retribuindo o sorriso. — Viemos interrogar o Raphael. Sabe se ele estava namorando Jennifer?

–Hey, Sam! — exclamou Jones sorrindo ao parar do lado de Anne que revirou os olhos. — Ainda tá bravinha, meu bem?

A morena ignorou e continuou a prestar atenção no idoso.

–Olá, Jones. Não, não acho que Raphael estivesse namorando a Jennifer. — confirmou ele com um ar temeroso. — Vocês não estão desconfiando dele, estão? Raphael é um bom garoto! Tenho certeza que jamais faria isso!

–É o nosso trabalho determinar isso, Sam. — suspirou Jones. — Mas o fato de termos encontrado a calcinha da Jennifer perto do carro dele não o ajuda muito. Na verdade, o torna nosso suspeito número um.

–Deve haver uma explicação pra isso. — disse o idoso coçando a barba. — Mas tenho certeza de que vocês dois vão descobrir a verdade.

–Obrigado pela confiança, Sam. Até mais. — despediu-se Anne indo para a viatura seguida por Jones.

No carro, ela sentou-se no banco do carona, colocou o cinto e cruzou os braços, emburrada. Ao ver a cara dela, o inspetor riu e inclinando-se, a beijou. Anne tentou recusar ao beijo, primeiro por estar fervendo de ciúmes e segundo por ser horário de trabalho, mas não resistiu. Foi um beijo lento e excitante, ao mesmo tempo romântico.

–Agora estou desculpado? — sussurrou o rapaz sorrindo ao terminarem o beijo.

–Talvez. — comentou a morena sorrindo de canto.

Os dois retornaram ao DP, onde Ramirez os esperava.

–Detetive Maddox, Vanessa Carter, a mãe da vítima, está pronta para falar com você. Mas devo avisá-la que ela ainda está em choque. — disse o oficial. — Também encontrei uma mochila na cena do crime e aparentemente ela pertencia à Jennifer. Talvez seja melhor dar uma olhada nela.

–Muito bem. — assentiu Anne colocando as mãos nos bolsos. — Jones, me acompanha? Não sou muito boa com essas coisas. — o inspetor confirmou com a cabeça. — E Ramirez, fica de olho na Georgia pra mim. Certifique-se de que ela não saia da delegacia.

–Claro, Detetive. Com licença. — acatou Ramirez indo procurar Georgia.

Como tinham acabado de chegar da rua, eles optaram por olhar a mochila de Jennifer primeiro. Era incrível a quantidade de tralha que uma garota carregava na bolsa, mas nela conseguiram encontrar seu celular.

–Não dizem que o celular guarda a vida de uma adolescente? Vamos ver como era a vida de Jennifer, então... — disse Jones coçando a nuca.

–Essa frase foi um tanto... bosta. — falou Anne olhando ele de canto. O rapaz fez um beicinho e entregou o celular para Alex analisa-lo.

Chegando na casa de Vanessa Carter, Anne engoliu em seco. Fazia apenas alguns dias que viera buscar Georgia naquele mesmo lugar e agora voltava para ouvir a mãe de uma menina morta. Não era nada satisfatório. Tocando a campainha, a dupla fora recebida pela mãe de Jennifer, uma mulher que já deveria ter seus quarenta e poucos anos, cabelo loiro acinzentado bem curto e olhos azuis. Sua aparência estava mais definhada por causa da morte da filha. Seus olhos estavam inchados e vermelhos de tanto chorar, e ela parecia até um pouco pálida.

Realmente, não devia ser fácil para uma mãe perder um filho. Nisso Anne a entendia, mas com ela ocorrera o contrário.

–Boa tarde, sra. Carter. Sentimos muito pela sua perda. — suspirou o inspetor, abalado pelo estado da mulher.

–Oh, olá, policiais. Entrem. — pediu Vanessa Carter concedendo passagem para os detetives. O interior da casa era pintada de diversas cores em tons pastéis, os móveis meticulosamente limpos. Uma típica casa de família. — N-não acredito que minha bebê está morta. — gaguejou a mulher, com lágrimas brotando em seus olhos. — E-eu avisei a ela para não se aproximar daquele acampamento de mendigos! A culpa é deles! — a indignação agora era crescente em sua voz, assim como a raiva. — Jennifer estava saindo com um rapaz daquele acampamento! Ah, eu sabia! Ela nunca falou, mas eu sempre soube! E agora, ela está morta!

Anne associou as palavras de Vanessa com o que Georgia tinha lhe dito mais cedo e também com a calcinha que encontraram em Cooperville. Naturalmente, tudo apontava para Raphael novamente.

–Vamos lembrar disso, sra. Carter. — disse Anne assentindo com a cabeça. — Mas agora, se não se importa, eu gostaria de dar uma olhada na sua casa.

Sem fazer objeções, a dona da casa os deixou fazer seu trabalho. Como se algo a direciona-se para lá, Anne seguiu para a cozinha com Jones atrás.

–Queria que a sra. Carter não fumasse tanto. — murmurou o inspetor piscando várias vezes. — Meus olhos estão lacrimejando. — do nada, ele entrou em seu típico estado de náusea e a perita segurou seu braço para que o colega não caísse.

–Você tá bem, David? — perguntou a morena começando a se preocupar.

–Estou. Me desculpe, Anne, você pode investigar sem mim? Acho que preciso de ar puro. — reclamou Jones dirigindo-se para fora da casa as pressas.

Na cozinha, a moça começou a remexer em tudo. Abriu armários, gavetas, revirou todo o conteúdo destes, sem se importar com a bagunça que estava fazendo. Em cima do balcão, encontrou uma página rasgada em vários pedaços. Pegou dois que achou que se encaixassem e os juntou, notando que aquilo pertencia a página de um diário. Recolheu os pedaços e despediu-se da mãe de Jennifer, pois já tinha o que precisava.

Do lado de fora, Anne encontrou Jones, com a cor já voltando ao seu rosto.

–Encontrei uma página do diário da Jennifer que ela rasgou no auge da sua angústia. — disse Anne mostrando os pedaços ao parceiro. — Vamos pro DP e ver se eu consigo juntá-los novamente.

Antes de voltarem, passaram na lanchonete e compraram almoço, as mesmas porcarias de sempre. No DP, a dupla passou perto da sala de suspeitos, onde Georgia encontrava-se ainda abatida.

–Georgia. — chamou Anne com um leve sorriso, o que fez a menina olhá-la. — Vem almoçar com a gente.

Como a fome falava mais alto e a perita era sua irmã, Georgia não recusou. Os três foram até o refeitório, onde comeram seus x-burguers e batatas fritas. A mais nova até perguntou se eles queriam engordá-la e Anne riu. A morena tentou colher mais informações da irmã, mas não conseguiu nada de muito útil. Ela estava mesmo com medo de falar, mas a mais velha sentia que não demoraria muito até Georgia entregar o assassino de Jennifer.

Depois disso, a dupla subiu até o laboratório, onde começaram a remontar a página do diário de Jennifer. Anne deixou Jones ajudá-la dessa vez porque ela notou seu talento para montar quebra-cabeça, e de alguma forma, terminaram de fazer isso bem rápido. Eles olharam um para o outro e sorriram. Tinham uma sintonia perfeita.

–Ok, vamos ver o que nossa vítima escreveu. — falou a morena pegando a página e lendo seu conteúdo. — "Eu e Raphael TERMINAMOS! Ainda não acredito numa merda dessa! Ele nunca vai largar a Trish, aquela puta mal comida". — ela e Jones surpreenderam-se com a linguagem usada por Jennifer. — Nem eu falo assim quando estou nervosa. Ok, continuando... "Tudo porque ele tem medo de perder o emprego! Família de VERMES! ODEIO TODOS ELES!"

–Acho que devíamos ter uma conversa com nossos dois namoradinhos, não acha? — comentou Jones, levantando a sobrancelha desconfiado.

No segundo seguinte, Alex surgiu do além.

–OI CASAL! — exclamou o analista, rindo do susto que os dois levaram.

–Tomar no cu, o que você quer Alex? E que história é essa de casal? — irritou-se Anne, respirando fundo por conta do susto.

–Ah, é que eu já tenho os resultados do celular da Jennifer! — riu Alex. — Sei lá, vocês estão tão próximos, o Jones ficou até mais meigo...

–Desembucha logo, bobão! — resmungou o inspetor dando um tapinha na cabeça do amigo.

–Ok, ok. — desistiu Alex erguendo as mãos para cima em sinal de rendição. — Ah, não tem muita coisa nesse celular. A maior parte das mensagens são coisas de Jennifer para os amigos, a mãe... — a perita gostava de Alex, mas no momento tinha vontade de socá-lo por causa da enrolação. — Claro, exceto essa mandada duas horas antes de morrer: "Não tenho mais medo de você! Eu vou contar. Você tem que pagar pelo que fez, coisa nojenta!"

–Nossa, essa menina não tinha escrúpulos mesmo. — impressionou-se Jones franzindo a sobrancelha.

–E adivinhem para quem ela mandou? Raoul Colletti! — Alex cerrou os olhos, achando tudo tão estranho quanto os policiais. Anne olhou rapidamente para os dois, em seguida para o chão.

–Temos que conversar com Raoul também. Obrigado pelas informações, Alex. — agradeceu a moça, saindo do laboratório e descendo pelas escadas apressadamente com seu parceiro.

Sem rodeios, eles foram até a viatura e aceleraram para o açougue Colletti. Lá a primeira pessoa da lista de suspeitos que encontraram foi Trish. Querendo manter a conversa em sigilo, se dirigiram a uma sala nos fundos do açougue, próxima ao armazém. Jones informou a garota sobre o que Jennifer escrevera no diário e a reação da menina surpreendeu aos policiais.

–Uma garota morreu e você só se importa em sair por ai espalhando mentiras? — zombou Trish exalando frieza. — Você é ridículo.

–Duvido que Jennifer mentiria no próprio diá...

–CALE A BOCA! Cale a boca! — esbravejou a garota apontando o dedo na cara de Jones. Anne afastou o braço da menina bruscamente, nervosa. — Raphael não tinha nenhum caso com aquela... com a Jennifer! ELE ME AMA! Ele não ligava para aquela vagabunda esnobe!

–Abaixe seu tom de voz, sua arrogantezinha metida ou eu faço questão de colocar você no seu lugar. — a voz de Trish era ríspida e cortante, mas a de Anne era mais, fazendo a menina recuar um pouco.

–Pra que todo esse rancor da Jennifer, se ela não roubou seu namorado? — indagou o inspetor, lisonjeado pela atitude da parceira em defendê-lo.

–Foi como eu disse. Ela era esnobe e assanhada! — em nenhum momento ela pareceu se compadecer pela morte de Jennifer, nem mesmo quando a interrogaram pela primeira vez. — Foi mal eu não chorar por ela! Agora, se já acabaram, me deem licença que eu vou sair pra fumar. Meu pai odeia que eu fume aqui dentro.

A garota saiu revirando os olhos e jogando o cabelo para trás. Ela falava muito a atitude esnobe da vítima, mas era tão arrogante e nojenta quanto a mesma. A cada minuto que passava, Anne desconfiava mais dela. Se Georgia resolvesse logo abrir a boca, já teriam resolvido o problema e não perderiam tanto tempo. Mandaram chamar em seguida Raphael, mas souberam que ele se encontrava em Cooperville.

Maravilha, teriam que rodar a cidade mais uma vez. Jones e Anne já estavam cansando. Para não terem que voltar ali novamente, chamaram Raoul Colletti para conversar a respeito da mensagem.

–Essa... essa mensagem é absurda! Eu só ri. — disse o açougueiro com um pouco de receio. — Achei que ela tivesse ligado para o número errado.

–Mas então, por que ela teria seu número, sr. Colletti? Entrega expressa de rins? — perguntou Jones seriamente, mas ainda utilizando um pouco o sarcasmo.

–Ei, sem brincadeiras! Vocês dois sabem como são os jovens, sempre inventando histórias! Ela só estava brincando comigo, nada mais! — afirmou o sr. Colletti, dando um riso forçado para tentar descontrair, mas isso não convenceu os policiais.

–Vamos julgar isso depois. Agora precisamos saber o número do seu sapato e o da sua filha. — disse Anne.

–Tudo bem. Nós calçamos 40. A Trish sempre reclama de ter puxado meu pé. — riu ele.

–Ok, obrigado, sr. Colletti.

Na viatura a caminho de Cooperville, os dois discutiram sobre o que ocorrera no açougue.

–Sério, Ann, não sei o que pensar. — confessou Jones, suspirando. — Se a Jennifer foi molestada pelo açougueiro, isso o torna nosso suspeito número um.

–Sim, mas ainda precisamos conversar com o Raphael, que até meia hora atrás estava no topo da nossa lista. — Anne passou a mão pelos cabelos escuros, depois apoiou o braço na janela do carro. — Tirando também que eu não engulo aquela nojenta da Trish. Ela tá se fazendo muito de coitadinha pro meu gosto e eu tenho quase certeza de que tem dedo dela nessa história.

–É, tem isso também. Mas só vamos saber mesmo depois que tirarmos isso a limpo com o namoradinho dela. — falou o inspetor indicando com a cabeça o adolescente que encontrava-se na entrada do acampamento. — Hey, Soza! Entra aqui!

O rapaz engoliu em seco ao ouvir a voz do policial e foi até a viatura hesitante. Entrou no banco de trás um pouco trêmulo e ouviu o mesmo que eles disseram a Trish. Agora que via-se sem saída, ele não podia negar o relacionamento com Jennifer.

–Ok, eu e Jennifer saímos uma vez ou outra... — admitiu Raphael. — Mas ela vivia falando para eu terminar com a Trish, dizia que os Colletti eram víboras... Ela tinha um ódio insano deles! — o rapaz ficou sério ao lembrar-se da amante. — Eu ia mandar ela ir pastar. Queria contar à Trish sobre nós dois e eu não podia perder o emprego. Jennifer não valia tudo isso.

–Nossa, bom saber que você usa as mulheres e joga fora depois. — ironizou Anne.

–Não era bem isso, moça. — defendeu-se o aprendiz, coçando a nuca. — Já acabamos por aqui, certo? Por acaso vocês não teriam um cigarro, teriam? Tô precisando de um, foi um dia horrível.

–Hã, não. Não gostamos de nenhum tipo de droga, seja lícita ou ilícita. — falou a morena levantando a sobrancelha. — Tá liberado.

O garoto saiu do carro e eles ficaram um tempo parados.

–Não há registro nenhum para sabermos se Jennifer foi ou não molestada pelo Raoul, e é claro, ELA não pode falar nada. — refletiu o inspetor passando a mão nos cabelos. — Acho melhor darmos uma olhada aqui em Cooperville, vai que achamos alguma coisa...

–Só porque eu não queria sair do carro. — choramingou a moça fazendo um beicinho.

Eles saíram do carro e foram até o barraco que ficava perto do carro onde Raphael dormia. Ele era feito totalmente de papelão e como o resto do acampamento, era totalmente sujo e cheio de lixo. Nem precisaram procurar muito por evidências, já que em cima do telhado do carro, encontrava-se um pano ensanguentado, que ainda estava fresco.

Apressados, eles voltaram ao DP, onde Anne colheu uma amostra do sangue no paco e entregou para Grace analisar, o que não demorou muito.

–Boa parte do sangue naquele pano era da Jennifer, mas não todo. Seu assassino deve ter se cortado durante o processo. — afirmou Grace com um sorriso de quem nunca falhava. — E comparar o DNA com o nosso banco de dados levaria semanas, mas eu posso afirmar sem sombra de dúvidas que o tipo sanguíneo do seu assassino é O positivo!

–Grace, já te disse que você é fantástica? — elogiou Anne dando um beijo no rosto da amiga. — Eu te amo!

–Também te amo, Anne! — riu a ruiva.

Querendo apenas cinco minutos de folga, os dois foram até sua sala para juntar os fatos que já tinham. Jones tinha pedido a Ramirez para informá-los sobre o tamanho do sapato dos suspeitos. Nisso, eles concluíram que nem Vanessa Carter e nem o One-Tooth-Sam assassinaram Jennifer, já que ambos não calçavam 40. Os três suspeitos que sobraram foram os que trabalhavam no açougue. De repente, a porta se escancarou e Ramirez apareceu, assustado e ofegante.

–Detetive Maddox! A mãe da vítima veio falar com você. Ela está histérica e não para de chorar! Melhor vir depressa! — antes que os dois saíssem da sala, Vanessa Carter entrou aos pratos na sala e atirou-se sobre Anne, que foi pega de surpresa pelo abraço da mulher.

–Sra. Carter, acalme-se. — disse Anne dando tapinhas nas costas da mulher, que não conseguia por um segundo parar de chorar. — Por favor, nos conte o que houve.

–O-o coração da minha filha... — soluçou ela tremendo e aumentando o tom de voz aos poucos. — ELES ME VENDERAM O CORAÇÃO DA MINHA FILHA!!

–O que? Calma, sra. Carter! — falou Jones, confuso. — Quem lhe vendeu o coração da sua filha? Cadê ele?

–H-hoje cedo! Antes de me contarem que minha Jenny tinha morrido, eu sai para comprar carne... — a voz de Vanessa estava embargada por causa do choro. A expressão de horror era notável em seu rosto, os olhos vermelhos e inchados de chorar. — T-tinha um coração lá, e eu não comprei nada disso! — Anne trouxe-lhe um copo d'água, que a mulher bebeu em goles curtos. — Não entenderam? ELES ME DERAM O CORAÇÃO DA MINHA FILHA PARA EU COMER!!

–Calma! A sacola de compras está em sua casa, certo? Eu e Jones vamos até lá ver isso. — tranquilizou-a Anne. — Ramirez, cuide dela, por favor.

Em menos de cinco minutos, eles estavam na casa de Vanessa Carter. Em cima do balcão da cozinha pintada de um amarelo em tom pastel, havia uma sacola de compras. Jones deixou Anne cuidando da investigação do caso, porque da última vez que fora ali quase desmaiou.

A morena engoliu em seco e abriu o sacola, tirando apenas produtos normais de lá, sem olhar seu interior. Aparentemente, tudo estava normal quando ela pegou algo frio e duro. Quando levantou sua mão, Anneliese deu um grito estrangulado e soltou o coração dentro da sacola novamente.

Tremendo, ela encostou na parede e respirou ofegante, quando Jones entrou na cozinha rapidamente.

–O que foi? Encontrou? — perguntou ele segurando o rosto pálido da moça entre suas mãos. Ela confirmou com a cabeça. Sem olhar, Jones pegou a sacola de compras em cima do balcão e os dois voltaram ao DP.

Anne não teve coragem de contar a Grace o que tinha no saco, mas imaginou a reação da amiga ao vê-lo. Depois de recompor-se do trauma, ela tomou a decisão de interrogar Georgia mais uma vez e dessa vez ela teria que contar. Após esse episódio do coração, a perita estava determinada a botar o assassino de uma vez por todas atrás das grades.

Na sala de interrogação, Anne sentou-se numa cadeira de frente para a irmã e pegou suas mãos.

–Georgia, me escute, está bem? Não vou gritar com você. — prometeu a morena, suspirando. — Eu sei o quão difícil seve estar sendo para você vendo sua melhor amiga morrer e entendo o medo que você está sentindo de quem matou-a. Uma pessoa que tira o coração de uma pessoa e o vende para a própria mãe dela não é difícil de temer. — Georgia ficou branca ao ouvir sobre o coração e engoliu em seco. Aquilo não podia estar acontecendo. — Se você gostava mesmo da Jennifer, Geo, por favor, me fala quem matou ela! Eu juro que coloco a pessoa atrás das grades e nunca vou deixar ela te fazer mal! Tenho certeza que o Jones muito menos, porque nesse quase um mês que estamos morando nessa cidade maluca, onde as pessoas são capazes de matar por muito pouco, ele adquiriu um carinho muito grande por nós duas. — o olhar de Anne era dolorido e ela estava quase chorando. Apertava as mãos da irmã e seus lábios tremiam. — Eu te imploro, se você quer mesmo que a Jennifer descanse em paz, me fala quem matou ela!

Georgia ficou alguns minutos pensando e examinando a situação em que se encontrava. Ela respirou fundo e olhou o fundo dos olhos da irmã.

–Trish Colletti. — disse a menina. Os olhos de Anne arregalaram-se, mas não estava totalmente surpresa. Mesmo assim, ela estava quase convicta de que fora Raphael. — Desde que ela soube que a Jennifer e o Raphael tiveram um caso, ela surtou. Até finalmente conseguir matá-la. Por favor, não me peça para dizer mais coisas, eu não quero falar sobre isso. — as lágrimas começaram a escorrer dos olhos da garota que deitou a cabeça sobre o tempo da mesa.

–Não precisa dizer mais nada. — falou Anne beijando a cabeça da irmã. — Você já disse muito. Obrigado, Georgia.

Ela saiu da sala de interrogação e subiu para o laboratório, onde Jones já estava com Grace recebendo informações sobre o coração.

–Era o coração da vítima! Quer dizer que o assassino vendeu o coração da Jennifer pra própria mãe dela!? — Grace estava chocada e furiosa, da mesma forma que todos naquele lugar.

–Sim. — confirmou Jones, suspirando. — Mais alguma coisa? Dá pra tirar impressões digitais... disso?

–Não. Mas eu encontrei algumas fibras amarelas nele. Puro algodão, nada demais. Mas agora sabemos que seu assassino estava usando roupas amarelas. — afirmou a ruiva.

–Ok, agora já temos informações suficientes para sabermos quem é o assassino. — disse o inspetor, virando-se para Anne.

–Não precisamos delas. Já sei quem foi.

Com uma equipe de oficiais, os dois foram até o açougue Colletti. Mesmo sem necessidade, Anne entrou com a pistola em mãos, apontada para Trish, que assustou-se com o tumulto.

–Fim da linha, garota. Você está presa pelo assassinato de Jennifer Carter! — exclamou Anne, furiosa. — E também por ameaçar minha irmã, sua vadia sem coração!

Trish escondeu-se atrás de pai que estava decepcionado e afastou-se. Jones tentou acalmar Anne, mas ela não queria ficar calma. Estava com tanto ódio daquela menina que poderia espancá-la até ela ser mandada pro inferno. Pelo menos, ele conseguiu fazê-la baixar a pistola.

–Papai, você não vai deixar eles me prenderem, vai? — ela puxou a manga da camisa do pai, tremendo, mas ele não deu uma palavra. O medo e a culpa agora era, visíveis na face de Trish. — Papai! Faça alguma coisa!

–E-eles tem provas, filha. — gaguejou o açougueiro, abalado. — Como pôde fazer uma coisa dessas?

–Aquela vagabunda dormiu com meu namorado! — vociferou a garota com uma mistura de raiva e nojo. — E ela vivia cantando o senhor, papai! Eu VI! O senhor sempre começava a suar quando ela entrava no açougue! Vocês queriam que eu deixasse barato?

–Você quer dizer que esquartejou aquela garota porque achava ela safada? — questionou Jones, não acreditando no que ouvia. Ele ainda segurava Anne, que estava se esforçando para não voar no pescoço de Trish.

–Ela era uma PUTA! Eu tinha que ensinar bons modos a ela!

–Ah, na base da faca!? — exclamou o inspetor, cada vez mais impressionado.

–ELA MERECEU! EU NÃO ME ARREPENDO DE NADA! NADA! ERA SANGROU COMO A PORCA QUE ELA ERA! — Trish gritava e debatia-se nos braços do policial que a segurava. — E QUANTO A GEORGIA, SUA IRMÃZINHA MEDÍOCRE, ERA OUTRA ENXERIDA QUE EU DEVIA TER MATADO QUANDO A VI ESPIONANDO! ISSO É TUDO CULPA DELA!

–Sua... — Anne avançou contra a menina, mas Jones a segurou com meus força em seus braços. Não importava o quanto ela se debatesse, não ia conseguir se soltar. — VOCÊ VAI APODRECER NA CADEIRA, SUA DELIQUENTEZINHA DE MERDA!

Os oficiais levaram Trish dali e Jones foi com Anne até a viatura para tentar acalmá-la. Só Deus sabe o que ela poderia ter feito se o inspetor não a tivesse segurado. Depois de uns quinze minutos, a moça encontrava-se mais calma. O rapaz a encostou contra a porta da viatura e ficou fazendo carinho na moça até que ela ficasse mais tranquila, o que não foi difícil.

Nos braços de Jones, tudo ficava mais calmo. Eles trocaram alguns beijos carinhosos, felizes por aquela história finalmente ter acabado. Agora se tudo desse certo, poderiam ficar um ou dois dias sem nenhum tormento.

–Dorme comigo hoje. — pediu Anne aos sussurros entre os lábios de Jones, que acariciava sua cintura.

–Durmo, meu anjo.

Ela sorriu com as palavras e quando notaram o sol se pondo, eles voltaram ao DP. Depois de contarem ao Chefe King sobre o caso, ele os liberou para voltarem para casa.

Anne e Jones pegaram suas coisas em sua sala e desceram as escadas.

Georgia estava na sala de suspeitos, com medo do que poderia ter acontecido depois que contou a irmã sobre Trish. A angústia a dominava e ela queria sumir naquele momento. Minutos depois, a porta se abriu e uma Anne sorridente apareceu.

–Vem. Vamos pra casa. — disse ela tranquilamente com o doce sorriso que Georgia amava. A menina não deixou de sorrir ao ver a mais velha e levantou-se, indo abraçá-la. As duas se abraçaram apertado, sem querer soltar uma a outra.

Os três então deram boa noite para Carrie e deixaram o Departamento de Polícia de Grimsborough, onde mais uma vez, tudo deu certo.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Deixem seu comentário aqui e façam a tia Lara feliz! Amo vocês, beijo na alma!