Criminal Case: District 1
6 The Grim Butcher - Parte I
Notas iniciais
Duas semanas passaram-se desde o incidente no restaurante e Anne perguntava-se quem poderia ter atirado contra a janela e seus motivos. Ela tentara conversar com o grupo de pessoas que jantavam na mesa ao lado do vidro e eles responderam que não notaram a bala atravessando o vidro, o que não ajudava a moça em nada. Mesmo assim, preocupada com o ocorrido, ela buscou esquecer esse fato pelo menos por alguns dias e concentrar-se em seu trabalho.
Durante esse tempo, ela também se aproximara mais de Jones e os dois eram vistos com frequência juntos. Ainda ficavam as escondidas, mas nunca negando o quanto gostavam de estar perto um do outro.
Naquela manhã, Anne acordou com uma bela visão e abriu um lindo sorriso ao ver seu parceiro ao seu lado dormindo tranquilamente. A morena beijou o rosto do rapaz e sentou-se na cama na cama, se espreguiçando. Jones havia levado jantar para ela e Georgia, mas apenas os dois comeram, porque quando a mais nova voltara da casa de Jennifer, não quis comer nada e foi direto dormir, o que preocupou Anne. Já era tarde da noite, então a morena insistiu para que o inspetor passasse a noite na sua casa
Ela colocou os pés para fora da cama, mas no instante que foi se levantar, Jones a puxou para perto, fazendo ela deitar novamente e rir.
–Hm, bom dia. — falou ele com a voz cansada enchendo o rosto da moça de beijos. Anne estremeceu ao sentir o peito nu do rapaz contra suas costas.
–Bom dia. Dormiu bem? — perguntou a moça virando-se de frente para Jones e beijando carinhosamente seus lábios.
–Muito bem. — o inspetor roçou o nariz no ombro da morena e sorriu. — Queria poder não ir trabalhar hoje e ficar assim com você.
Anne sorriu e deu alguns beijos no pescoço do parceiro.
–Mas temos que ir. Teremos mais momentos como esse depois, agora vamos. — ela lhe deu um beijo rápido e levantou-se. Jones resmungou alguma coisa, virou para o outro lado e fechou os olhos de novo. A moça vestiu-se rapidamente e foi ao banheiro fazer a maquiagem, quando voltou, estava desacreditada com a cena que vira. O parceiro estava cochilando. — Nananinanão moço! Levanta essa sua bundinha linda e vai se arrumar. Anda, David! — Anne puxou as cobertas do rapaz e ele reclamou, mas levantou-se.
Enquanto o inspetor vestia-se, a moça fora até o quarto da irmã chamá-la, mas não obteve resposta. Mais uma vez e nada. Anne então empurrou a porta e entrou, encontrando uma Georgia no canto debruçando-se em lágrimas.
–Georgia, o que foi? — Anne correu até a irmã e abraçou-a apertado. A menina chorava e soluçava cada vez mais. — Georgia, fala comigo! Meu amor, temos que ir...
–EU NÃO QUERO IR! EU NÃO QUERO! — gritou a mais nova em pânico, debatendo-se nos braços da mais velha. — Por favor, eu faço qualquer coisa, mas eu não quero ir hoje, pelo amor de Deus! — a voz da menina era estrangulada, como se algo horrível tivesse lhe acontecido. Vendo o desespero da irmã, Anne decidiu deixá-la em cada. Sua expressão tornou-se abatida e preocupada, como se a causa do estado de Georgia fosse sua culpa.
Anne ainda sim precisava ir trabalhar, mas prometeu à menina que ia ligar toda hora. Quando desceu as escada, Jones já a esperava no carro.
–Cadê a Geo? — perguntou ele colocando o cinto.
–Ela não quer ir hoje, parece que está com pânico ou algo assim. -a perita estava um pouco perturbada já que nunca vira a irmã naquela situação. A única coisa que pensava era no que poderia ter ocorrido com Georgia. — Não gosto disso, David.
–Fica calma. Se não tivermos nada hoje, eu falo com o King e peço pra ele deixar você tirar o dia de folga. — tranquilizou-a Jones pousando a mão no joelho da parceira e dando um sorriso leve. — E se você precisar de mim, saiba que eu vou sempre estar aqui.
–Obrigado, David. — agradeceu a morena com um sorriso fraco.
No caminho, Jones parou para comprar café para os dois enquanto Anne ficou no carro. Encostada com a cabeça no vidro, ficara pensando se realmente a culpa não era sua. Não tinha dado muita atenção para a irmã desde que chegara em Grimsborough. O trabalho era puxado e agora que estava saindo com Jones não lembrava quando tinha tido um momento a sós com Georgia, apenas as duas.
Cincos anos antes, a mais nova pedira um dia após a morte dos pais para que Anne prometesse que nunca a abandonaria e assim o fez. Mas será que não descumprira a promessa? A morena engoliu em seco ao imaginar que estava sendo uma péssima irmã mais velha e talvez até mais do que isso. Mesmo que Georgia não soubesse, Anne assumira a função de mãe mas seu trabalho era tanto que as vezes era complicado cuidar de todas as suas responsabilidades sozinha.
Anne achava que ia enlouquecer com tanta pressão e trabalho.
Pouco tempo depois, a dupla se encontrava na sua sala do Departamento de Polícia de Grimsborough, largados em suas cadeiras tomando um copo de café extra forte. Jones fazia carinho no cabelo da morena tentando acalmá-la, mas ela estava tão tensa que não conseguia pensar em mais nada.
–Com licença... — anunciou-se Ramirez, entrando na sala após bater na porta (primeira vez em muito tempo). — Senhores, o Chefe King pediu que eu desse uma notícia a vocês porque nem ele tem condições de falar sobre isso. — a expressão do oficial era de náusea e Anne podia jurar que ele estava verde. — Espero que vocês não tenham comido ainda. Uma garota chamada Jennifer Carter fora assassinada e de uma forma nada feliz. Seu corpo foi encontrado pendurado e aberto... como um porco. — Ramirez engoliu em seco para não vomitar. Ao ouvir suas palavras, Anne ficara pálida e seu rosto estava sem expressão. — Encontraram ela no armazém do Açougue Colletti, perto das docas. O Chefe mandou vocês irem até lá. Agora com licença...
Jones estava tão nauseado quanto Ramirez, mas Anne estava sem reação. Tudo estava claro em sua mente, como se uma luz de lucidez viesse num baque. Meio relutante e trêmula, a perita levantou-se da cadeira e seguiu com Jones para a viatura.
Ao chegarem no açougue, ela estava com medo de entrar e ver a cena descrita por Ramirez. Era absurdo como o ser humano conseguia ser tão frio e cruel. Segurando na mão do inspetor, ela entrou de olhos fechados. Nunca tivera medo de olhar um cadáver, mas este era diferente. Até a mão de Jones estava suada e ele engolia em seco.
Entrando no armazém, parte da equipe já se encontrava lá e Anne conteve um grito. A cabeça estava intacta, mas o tronco de Jennifer fora aberto no meio e ela fora pendurava de cabeça para baixo num gancho de carne, exatamente como um porco. Jones pediu para que os policiais se afastassem um pouco para que eles pudessem averiguar o local. A perita caminhou pelo armazém lentamente, atenta a tudo, mesmo com o horror estampado da face. Ela e Jones pararam na frente do corpo pendurado de Jennifer, vendo algumas poucas gotas de sangue pingando no chão.
Perto de onde os dois estavam, havia uma pegada de sangue a poucos passos do cadáver da vítima. Anne abaixou-se e examinou a pegada.
–Olha aqui. — falou a moça, gesticulando com o dedo sem encostar na pegada. Jones agachou e observou-a. — O jeito que o sangue contorna a pegada. Isso só pode significar que o assassino ficou parado do lado da Jennifer vendo ela sangrar até a morte.
–Essa pessoa é doentia. — estremeceu Jones, levantando-se. Anne deu permissão para que levassem o corpo da vítima para a autópsia.
–E eu acho que devemos olhar aquela lata de lixo ali. — ela apontou para uma lata de lixo no canto do armazém e o inspetor fez uma expressão de nojo.
–Sério? Que seja, mas você vai enfiar a mão ali. Já estou muito nauseado pra um dia só. — reclamou Jones. Anne pegou um molde da pegada para levar para análise. — E o dono do armazém, Raoul Colletti está esperando para ser interrogado.
A moça mandou chamarem Raoul Colletti para que eles pudessem conversar.
–Ah, policiais! — suspirou o açougueiro abatido. — Que tragédia, meu Deus! Jennifer sempre vinha aqui. Era uma menina adorável e sorridente.
–Imaginamos, sr. Colletti. — disse Anne colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
–Sr. Colletti, além do senhor, quem mais tem acesso a este armazém? — perguntou Jones, cruzando os braços.
O açougueiro fez uma cara pensativa. Era um homem um tanto gordo, de cabelos escuros e olhos castanhos, pouco afetado pela idade.
–Bem... meu aprendiz, Raphael Soza tem uma cópia das chaves. E a minha filha, foi ela quem encontrou o corpo. — informou ele.
–Ok, obrigado pelas informações. — agradeceu Anne liberando o açougueiro. Ela virou-se para Jones e os dois se entreolharam.
–Temos que falar com o Raphael e com a filha do Raoul. Se eles tem a chave do armazém, são os primeiros suspeitos.
–Concordo, mas antes vamos levar o que encontramos pro laboratório.
Junto com a equipe, os dois seguiram para o DP, onde entregaram a pegada para Alex analisar. Anne foi até uma mesa de aço e jogou o conteúdo da lata de lixo em cima. Para sua surpresa, um barulho alto foi reproduzido quando algo se chocou contra a mesa. A moça encontrou no meio do lixo um cutelo ensanguentado.
–Acho que encontramos a arma do crime. — comentou Jones. — Imagine alguém balançando isso na sua frente... — o rapaz estremeceu e sacudiu a cabeça.
–Deve ser horrível. Agora que achamos a arma do crime, você pode limpar a bagunça pra mim. — Anne beijou o rosto do rapaz e saiu do laboratório.
Ela caminhou até sua sala, onde trancou a porta e respirou fundo. Pegou seu telefone e discou um número de telefone. No terceiro toque, a pessoa atendeu.
–Oi, sou eu. Você precisa vir aqui na delegacia e sem desculpas. Quero você em uma hora aqui. Até. — falou Anne de forma curta e grossa.
A moça desligou o celular e desceu as escadas, indo para a viatura. Ela esperou Jones que chegou minutos depois e os dois retornaram ao açougue para interrogar o aprendiz e a filha de Raoul Colletti.
Lá encontraram uma menina de cabelos pretos, olhos azuis e boca carnuda, com uma flor no cabelo. Deveria ter uns 16 anos e pela aparência, deduziram que era a filha do açougueiro.
–Olá. — apresentou-se Jones para a menina. — Você é a filha do Raoul?
–Sim, sou Trish Colletti. — respondeu Trish, olhando o inspetor. — Eu não consigo tirar aquela cena da cabeça! Ela parecia um porco!
–Lamentamos que tenha visto aquilo. — falou o inspetor compassivo. — Jennifer era sua amiga?
–Ah, não, não. — Trish agora estava mais séria e com uma cara de poucos amigos. — A gente não andava junto, ela era patricinha demais pra mim. Ela era assanhada, isso eu posso afirmar. Não me surpreenderia se ela atiçasse o cara errado... — a menina deu um sorriso sarcástico. Anne não gostou nada da atitude daquela garota e controlou-se para não dizer besteira.
–Você sabe se ela tinha alguma amiga? — perguntou a perita, encarando a garota.
–Ah, ela andava com uma menina que chegou faz um tempo na escola. Nem sei o nome dela. — Trish fez uma cara de tanto faz e foi liberada pelos policiais. Anne cruzou os braços e encarou o chão por uns minutos, depois foram atrás do garoto chamado Raphael Soza.
Era um rapaz que aparentava estar muito cansado, mas ainda sim com belas feições, apesar de estar sempre com a cara fechada. Seus olhos eram verdes e seus cabelos castanhos.
–Olá, Raphael. — cumprimentou Anne com um leve sorriso. — Eu sou a Detetive Anneliese Maddox e esse é meu parceiro, Inspetor David Jones. — o rapaz acenou com a cabeça para o garoto que fez o mesmo. — Conte-nos sobre você.
–Minha mãe me abandonou dois anos atrás, e desde então, eu moro em Cooperville. O sr. Colletti foi o único que me deu uma chance. — disse Raphael um tanto amedrontado com a presença da polícia.
–Entendo. — falou Jones, coçando o queixo. — Ele disse que Jennifer vinha regularmente ao açougue. Você a conhecia bem?
–Hm... a gente conversava, só isso. — o garoto começou a esfregar uma mão na outra, um tanto nervoso. — Faz uns 6 meses que estou namorando a Trish. Não... não presto atenção em outras garotas.
–Meio incomum para uma adolescente. — comentou Anne com um pequeno sorriso. — Até mais, Raphael.
O menino voltou ao trabalho e a morena olhou para Jones, que pegou o que ela pensara.
–Vamos até Cooperville dar uma olhada nas coisas desse jovem. — disse o inspetor. — Mas primeiro, vamos passar no laboratório para pegarmos o resultado da autópsia.
Novamente no laboratório, Anne e Jones foram até Nathan informarem-se sobre a autópsia.
–E as novidades, Nathan? — perguntou Jones, cruzando os braços. O amigo comprimentou-os com um sorriso.
–Pelas minhas observações, Jennifer levou uma pancada na cabeça com um objeto pesado, mas ainda estava viva quando o assassino a cortou. — falou o legista ajeitando o óculos. — E querem saber o que mais? O coração dela sumiu.
–S-sumiu? — gaguejou Anne engolindo em seco. Como alguém pôde ser tão cruel?
–Exatamente. — confirmou Nathan levantando a sobrancelha. — Jones, está tudo bem? Você está meio verde...
–Ah, estou sim... — respondeu o inspetor com a testa um pouco molhada de suor. Anne podia jurar que ele ia vomitar. — Pode continuar.
–Ok... — continuou Nathan não tão convencido sobre Jones. — A Jennifer também foi torturada. Havia também várias marcas pequenas de queimaduras nos seios dela. O assassino é sem dúvida um fumante, mas com certeza não é muito experiente. Ele deixou fios de cabelo nas feridas da vítima. A pessoa que você procura tem cabelo preto.
–Obrigado, Nathan. — agradeceu Anne.
Ela deixou Jones e o legista conversando, e foi até Alex que já tinha os resultados da pegada.
–A pegada que você encontrou deixa muito a desejar, mas pelo menos dá pra saber que o assassino calça 40.
–Muito obrigado, Alex! Você é incrível! — elogiou a moça sorrindo.
Pouco depois, a perita e o inspetor foram até a viatura e seguiram para Cooperville, um acampamento para pessoas sem-teto. Anne estava começando a cansar de rodar o bairro inteiro e fazia tudo com um pouco de pressa, pois tinha uma pessoa importante para interrogar. Mas de qualquer forma, não mataria se ela aguardasse um pouco.
Em Cooperville, eles foram recebidos pelo "prefeito" de lá, um senhor chamado One-Tooh-Sam que usava um casaco amarelo, possuía cabelos e barba compridos e grisalhos, e como já dizia seu próprio nome, apenas um dente. O lugar era quase que um típico lixão, com vários barracos montados com vários tipos de material. O chão tinha sujeira de sobra. A perita ficou compadecida com o estado das pessoas que ali viviam e se pudesse faria algo para ajudar.
–Jones! Quanto tempo! Quem é o novo recruta? — disse o senhor dando um sorriso banguela.
–Hey, Sam! Essa é a Detetive Anneliese Maddox, minha nova parceira e grande amiga. — riu Jones, piscando para a moça que deu um sorriso para Sam. — Anne, esse é o One-Tooth-Sam, prefeiro de Cooperville e um velho amigo.
–Muito prazer, Sam. — falou a morena de forma simpática.
–O prazer é meu, Detetive. Gostaria que você não passasse aqui somente quando as coisas estivessem ruins, mas... — comentou Sam desapontado. — Andei sabendo do que aconteceu com a menina. Enfim, você está aqui pelo garoto e não por mim. Raphael dorme num carro, bem ali. — o idoso apontou para um carro velho abandonado mais a frente.
Os policiais agradeceram o prefeito e se aproximaram do carro, onde começaram a mexer nas coisas do suspeito. Do lado de fora do carro, perto de um dos barracos, Jones encontrou uma calcinha cor de rosa com a letra J atrás. No momento em que ele a segurava, Anne virou para o inspetor e levantou uma sobrancelha.
–Devíamos coletar DNA dessa calcinha para ver a quem pertence! — defendeu-se o policial meio sem graça ao ver o olhar da colega.
–Ok. Deixa que EU faço isso! — retrucou Anne, tomando a calcinha da mão de Jones e guardando em um saco plástico.
Após isso, eles se despediram de Sam e deixaram Cooperville. No laboratório, a morena colheu amostras de DNA na calcinha encontrada e entregou para Grace. Minutos depois, Ramirez chamou ela e o colega dizendo que uma pessoa chegara querendo vê-los e os aguardava na sala de interrogação.
A expressão da moça tornou-se séria e ela pediu a Jones que a deixasse conversar com o suspeito sozinha, e ele concordou. Descendo pelas escadas mesmo, sem pressa, ela engolia em seco com a mente perturbada cheia de perguntas. Nunca passou pela sua cabeça que um dia iria fazer uma coisa dessas. Seu coração batia freneticamente e suas mãos suavam.
Anne parou em frente a porta da sala de interrogação e respirou fundo antes de entrar. Ao abri-la, uma garota morena de cabelos castanhos estava sentada na cadeira. Suas mãos estavam sobre a mesa e ela girava os polegares. Ao ouvir a porta bater, seus olhos e os de Anne se encontraram.
–Olá, Georgia.
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