Criminal Case: District 1
2 The Death Of Rosa Wolf.
Notas iniciais
O despertador do celular de Anne tocou cedo naquela manhã. Ela apertou no botão "soneca" e cochilou por mais uns cinco minutos, com um pouco de preguiça de levantar. Ao trocar novamente, a moça levantou-se ainda meio sonolenta e foi tomar um banho rápido. Quando terminou, vestiu-se e desceu para acordar Georgia.
–Mocinha, acorda. — Anne acendeu a luz e depois chacoalhou um pouco a irmã.
–Pra que? — resmungou Georgia, cobrindo a cabeça com o edredom.
–Porque eu esqueci de avisar que hoje você tem escola, fui fazer sua matrícula ontem. Se arruma, a gente toma café no caminho e eu te deixo lá. — a moça guardava as coisas na bolsa e quando virou-se, a irmã ainda não tinha levantado. Revirando os olhos, Anne puxou o edredom de Georgia, que reclamou. — Anda!
Irritada, a mais nova foi tomar um banho e trocar-se, voltando rapidamente com a mochila nas costas.
No caminho para o colégio, Anne parou numa cafeteria para comprar café da manhã para as duas.
–Cappuccino e croissant pra você. — disse a mais velha, dando um copo e um saquinho de papel para a irmã quando entrou no carro. Anne ligou o carro e dirigiu com uma mão só, enquanto tomava seu café. Era viciada em cafeína desde que se entendia por gente. A moça não deixou de notar que Georgia estava meio desanimada. — Algum problema, Geo?
–Será que vão gostar de mim nessa escola? — Georgia olhou a irmã, bebendo um gole do cappuccino.
–Tenho certeza que sim. — Anne sorriu para a irmã e parou o carro em frente ao colégio, onde vários estudantes começavam a chegar. — E se não gostarem ou te incomodarem, não esqueça de mencionar que você tem uma irmã policial e que ela tem uma arma. Ok? — ela piscou para Georgia e deu um leve sorriso. A mais nova riu um pouco.
–Ok. Obrigado, Anne. Tenha um bom dia no trabalho. Amo você. — a menina deu um beijo no rosto da irmã e saiu do carro.
–Boa aula. — retribuindo o beijo, a moça baixou o vidro do carro para falar com Georgia antes de partir. -Se eu não conseguir te buscar, você volta de táxi!
–Pode deixar!
Anneliese seguiu para o DP e chegou lá dez minutos mais cedo. Ao entrar, foi recebida pela animação exagerada de Carrie.
–Bom dia, Detetive Maddox! Aqui está seu distintivo! — Carrie deu um largo sorriso, que dava um pouco de medo a Anne.
–Hm... bom dia, Carrie. Obrigado. — Anne prendeu o distintivo ao cinto e deu um longo gole no café, que ainda não havia terminado de beber. — Você pode me dizer onde está o Inspetor Jones?
–Na sala dele, que no caso, agora é de vocês, no quinto andar! — Carrie falava com tanta pressa que no final da frase precisava pegar ar.
–Hã, ok. — Anne virou-se para ir até o elevador com uma expressão um tanto confusa. Será que ela havia se enfiado num lugar de malucos? Quando chegou ao elevador, a moça apertou o botão para chamá-lo e deu mais alguns goles no café, que já estava no final. Anne fez um beicinho. O elevador chegou trazendo o Chefe King. — Bom dia, Chefe.
Ele demorou alguns segundos para reconhecer Anne.
–Bom dia, Detetive Maddox. O Inspetor Jones a aguarda em sua sala com novidades. — disse ele, sendo simpático mas mantendo o semblante sério.
–Muito bem. Até mais, Chefe. — a moça entrou no elevador que subiu para o quinto andar. Ele era repleto de portar que serviam de entrada para várias salas, o que fez Anne ficar um pouco perdida, mas como seu instinto nunca falhava, ela foi até a sala que ficava no final do corredor. Ao entrar, encontrou Jones um tanto preocupado.
–Bom dia, Jones. — disse ela.
–Anne, uma mulher jovem foi encontrada morta na entrada da cidade. Vamos até lá ver se achamos alguma coisa.
A moça se assustou um pouco. Mal tinha começado o dia e alguém já morrera? Aquela cidade era definitivamente estranha.
–Já terminei meu café mesmo. Vamos. — Anne jogou o copo no lixo e os dois saíram da sala. Sem paciência para esperar o elevador, eles desceram rapidamente as escadas e se dirigiram até a viatura. Jones foi até o lado do motorista e antes que entrasse, Anne reclamou. — Ei, por que você vai dirigir?
–Sempre fiz isso, moça. Agora entra. — de cara feia, a moça entrou no carro e Jones acelerou para a beira da estrada.
Anneliese percebeu de cara que Jones trabalhava com agilidade e gostou disso nele. Não demorou muito para que eles chegassem à entrada da cidade e o rapaz parou a viatura no acostamento.
–Ah, meu Deus. — Anne saiu as pressas do carro ao ver uma poça de sangue perto da placa que dava boas vindas à cidade. No seu antigo trabalho, ela quase nunca tinha contato com os corpos das vítimas. Jones a seguiu e encostada numa pedra ao lado da placa, se encontrava o cadáver de uma mulher jovem com a garganta cortada. Ela possuía cabelos loiros e usava um vestido vermelho. — Que tipo de pessoa faria uma coisa dessas?
–Não sei. — respondeu Jones. Olhando nas proximidades de onde a mulher se encontrava, o rapaz abaixou-se para pegar um cartão no chão. — Achei a identidade. O nome da vítima era Rosa Wolf. — o rosto do rapaz adquiriu uma expressão de nojo devido ao cheiro de podridão que o corpo de Rosa começava a exalar. O mesmo aconteceu com o de Anne. — Eu... vou ligar para a emergência vir buscar o corpo dela e levar para a autópsia.
–Tudo bem. — Anne engoliu em seco e andou um pouco mais a frente. A poucos metros de Rosa, se encontrava uma faca ensanguentada. Anne colocou as luvas de látex e pegou-a com cuidado, analisando-a. Jones voltou e foi até a parceira. Sem tirar os olhos da faca, Anne perguntou. — Você acha que isso pode ser a arma do crime?
–Sim, mas é melhor mandarmos para o Nathan pra ter certeza. — disse Jones. Anneliese fora até a viatura e pegou um saco plástico para guardar a faca.
–Nathan? — perguntou Anne.
–Nosso médico legista. — respondeu o rapaz.
Pouco tempo depois a emergência chegou e de lá foram para o DP, onde ele fora encaminhado ao laboratório para a autópsia, juntamente com a faca para ser analisada. Anne e Jones também foram ao laboratório, onde foram recebidos por Nathan.
–Anne, este é Nathan Pandit, o nosso legista. — disse Jones. Nathan era um homem negro, com cabelos e olhos escuros, que dava para serem observados atrás dos óculos vermelhos.
–Prazer em conhecê-la, Anne. — Nathan a cumprimentou com um aperto de mão. — Eu vou demorar um pouco aqui, vocês podem ir buscando novas pistas.
–O prazer é meu, Nathan. E pode deixar, sinto que esse caso não vai acabar tão cedo. — falou Anne, retirando-se do laboratório, seguida por Jones.
Eles subiram para o quinto andar, onde foram até sua sala. A moça se encostou na mesa e olhou para baixo, numa expressão pensativa. Jones se encostou na parede a sua frente, observando Anne. Ela levantou o olhar na direção do rapaz e suspirou.
–O que a gente faz agora? — perguntou a moça.
–Não tem muito o que fazer. — suspirou Jones. — Não temos nenhum suspeito e não há muitas informações sobre o assassino. Só nos resta esperar o fim da autópsia pra ver se tem algum sinal de quem matou Rosa.
–Eu só queria pelo menos uma informação pra poder prender logo esse desgraçado. — choramingou Anne, com um pouco de raiva.
–Eu também. — falou ele. — O que a fez seguir a carreia criminalística, Anne?
–Meus pais. Eles morreram num assalto quando voltavam de um restaurante. Tinham ido comemorar os 25 anos de casados. — Anne se emocionava ao falar dos pais, mas engoliu o choro. — Desde então somos só eu e minha irmã. Então eu decidi caçar e prender pessoas que fazem isso. E você?
–Sinto muito pelos seus pais, deve ter sido muito difícil pra você. — disse Jones, observando atentamente Anne. — Ah, não sei ao certo. Quando eu era criança queria ser um mágico, mas depois fiquei meio sem opção e decidi ser um policial. E não foi uma má escolha, eu gosto muito da minha profissão, mas as vezes a pressão dela é muito grande, então quase sempre estou estressado. — ele deu de ombros.
–Estresse não faz bem, sabia?
–Sim, mas acho que você melhor do que ninguém sabe que é inevitável não tê-lo. — ele ergueu uma sobrancelha e deu um sorriso torto.
–Verdade. — ela riu levemente e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
Trabalhar com Jones não era ruim. Ele era uma pessoa muito agradável que fazia Anne se sentir bem, pelo menos até o momento. Ela não era uma pessoa de muitos amigos, então quando resolveu aceitar a proposta e mudar-se, disse a si mesma que ia buscar ter uma relação saudável com seus colegas e até agora parecia dar certo.
Eles ficaram na sala uma meia hora e depois de muita procura, conseguiram achar algumas informações úteis sobre a vítima. Descobriram que Rosa tinha um ex-namorado chamado Matt Barry e que ela havia terminado a pouco tempo por causa do seu ciúmes excessivo. Como não era uma coisa para se deixar passar, Anne e Jones o procuraram e o trouxeram à delegacia para um interrogatório.
Com toda a certeza, Rosa tinha motivos para ter terminado com ele. O rapaz era um tanto raivoso. Disse que nunca machucaria a ex e que eles tinham terminado o relacionamento de forma amigável. Após ser liberado, Anne ficou com a pulga atrás da orelha.
–Tem alguma coisa que não está me cheirando bem... — disse para si mesma.
Minutos depois, o Chefe King apareceu trazendo notícias à Anne.
–Detetive Maddox, segundo a testemunha, o assassino usa um boné azul! Ela também visualizou Ash Bison, próximo ao local onde encontraram a vítima. Sugiro que você e o Inspetor Jones voltem a entrada da cidade e inspecionem a casa destruída em busca de alguma evidência. — ordenou King, severamente.
–Pode deixar, Chefe. — concordou a moça, vendo o Chefe se retirar. — Ok, você conhece tudo aqui. Acho que facilitaria nosso trabalho se algum outro policial interrogasse o Ash enquanto eu e você vamos até a casa abandonada. — disse ela virando-se para Jones.
Ele olhou para cima e colocou a mão no queixo, pensando:
–É, concordo. Só um minuto. — o rapaz pigarreou. — RAMIREZ!!
–Ai, meu ouvido! — reclamou Anne com o grito do parceiro.
Um minuto depois, um oficial baixinho, devia ter já seus 40 anos, usando um quepe. Ele tinha bigode, o que lhe dava um ar mexicano.
–Chamou, senhor? — Ramirez disse com um leve sotaque, o que fez Anne confirmar suas suspeitas de ele era realmente mexicano.
–Eu preciso que você interrogue um suspeito, seu nome é Ash Bison. Procure-o e não seja bonzinho. — falou Jones, coçando a nuca. — Ah, e antes que eu me esqueça! Ramirez, essa é a minha nova parceira e membra da nossa equipe, Detetive Anneliese Maddox.
–Farei isso, senhor. E é um prazer finalmente conhecê-la, Detetive Maddox, ouvi falar muito bem do seu trabalho! — falou o oficial, dando um largo sorriso para Anne, que retribuiu.
–Digo o mesmo, Ramirez.
–E, senhor, Nathan gostaria de falar com você e a Detetive Maddox. — informou o mexicano.
–Obrigado, Ramirez. Está dispensado.
O oficial retirou-se e foi cuidar da convocação do suspeito como lhe foi imposto. Jones e Anne se dirigiram ao laboratório, onde Nathan os aguardava.
–Ah, ai estão vocês! — exclamou Nathan, indo em direção aos dois. — Eu analisei o ferimento no pescoço da vítima e posso afirmar seguramente que o assassino é destro. Já adicionei a informação ao seu arquivo, Anne. — ele deu um leve sorriso. — E quanto a faca que encontraram, o sangue nela bate com o da vítima, então ela é sim a arma do crime.
–Obrigado mesmo, Nathan. — agradeceu Anne, um pouco mais aliviada por ter achado mais uma informação sobre o assassino. — Vamos, Jones.
Ao entrarem na viatura para irem até a entrada da cidade, Anneliese ligou para a irmã dizendo que não poderia buscá-la no colégio.
Os companheiros chegaram o quanto antes à casa destruída e começaram a procurar alguma evidência. Lá dentro se encontrava todo o tipo de coisa. A casa cheirava a mofo e um pedaço do teto estava se soltando. Os poucos móveis que tinha lá dentro, estavam quebrados e jogados. Sem encontrar nada lá, Jones foi buscar do lado de fora da casa, onde encontrou pedaços de tecido azul.
–Esse tecido rasgado está coberto de sangue. — falou ele, enquanto pegava um pedaço do tecido e observava-o. — Consegue reconstituir para ver se encontramos algo?
–Claro que sim. — Anneliese pegou seu kit forense e com calma, mas ágil, reconstituiu os pedaços de tecido rasgado. Eles viraram uma camiseta de futebol que possuía o número 9.
–Muito bom trabalho, senhorita Maddox. — elogiou Jones.
–Não subestime minhas habilidades. — disse ela num tom irônico, entregando a camisa ao colega.
–Acho que temos a evidência que precisamos. Vamos voltar para o DP e ver o que o Ramirez descobriu.
Voltaram ao Departamento e lá, Ramirez trazia notícias sobre o interrogatório de Ash. O rapaz disse que nunca teve contato com a vítima e estava passando naquele local por um acaso.
Eles cuidariam de Ash depois, já que tinham evidências o suficiente para prender o assassino. A dupla fora até a sala onde estava Matt Barry, que não havia deixado a delegacia desde tinha sido interrogado.
–Fim da linha, Matt. Sabemos que foi você quem matou Rosa e não adianta negar. — disse rudemente Anne, com uma expressão de raiva. Pensava na vida que a Rosa poderia ter tido pela frente se aquele canalha não a tivesse matado.
Matt levantou-se raivoso da cadeira e empurrou a mesa da sala de interrogatório.
–Aquela vadia me trocou no instante em que terminamos! Ela me traiu! Mereceu o que aconteceu! — gritou ele, completamente fora de si. Jones o segurou junto com um outro oficial que ali estava e colocou as algemas.
–Esses argumentos fúteis não vão te livrar da prisão. — retrucou a moça.
–Matt Barry você está preso pelo assassinato de Rosa Wolf. Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que você disser poderá ser usado contra você... — falou Jones, com uma leve expressão de tédio, como se ele já tivesse repetido aquela ladainha muitas vezes.
–Eu mereço... um idiota que matou a ex por ciúmes. — reclamou Anne. — Me mandassem um assassino com um motivo melhor, pelo menos.
Naquele mesmo dia ocorrera o julgamento de Matt, onde a Juíza Hall o condenou a 25 anos de prisão. Anne ficou surpresa com a eficiência e rapidez que as coisas aconteciam naquela cidade. Seria gostoso e fácil de trabalhar, pensou ela. Geralmente, ela demorava no mínimo uma semana para resolver um caso em New Jersey. Em seu primeiro dia de trabalho, ela já conseguira botar um assassino atrás das grades em Grimsborough. Isso deixava Anne muito satisfeita.
Mas o dia ainda não havia acabado. O horário de Anne era até as nove e quando ela e Jones voltaram do tribunal, o Chefe King os aguardava na sala dele.
–Detetive Maddox, fico feliz que tenha concluído com sucesso seu primeiro caso em Grimsborough. — elogiou King, orgulho da nova policial.
–Obrigado, Chefe. Mas eu não teria conseguido sem a ajuda do Inspetor Jones. — disse ela, para a surpresa do parceiro, que sorriu.
–Imagino. Jones é um excelente membro da nossa equipe. No entanto, eu gostaria que investigasse Ash Bison. Ele pode não ter matado Rosa Wolf, mas ainda sim é um personagem suspeito. — disse King, colocando as mãos para trás e observando a dupla. — Você deve ter notado a tatuagem em seu pescoço. Ele é membro da maior gangue da cidade, os Víboras. Quero que o interrogue e veja o que pode nos dizer sobre a gangue. Qualquer informação pode ser útil para acabar com eles!
–Entendido, Chefe! — disseram Anne e Jones em uníssono.
Jones pediu no rádio para que levassem Ash para a sala de interrogatório.
–Você faz as perguntas. — falou Anne para Jones. — Não estou com cabeça para discutir com nenhum membro de gangue.
–Como quiser.
Eles entraram na sala e viram Ash sentado na cadeira. Anne ficou encostada na porta enquanto Jones ficava em frete a mesa.
–Precisamos de informações sobre sua gangue, os Víboras. Você tem algo a compartilhar conosco? — perguntou o rapaz, olhando com uma expressão irônica para Ash.
–Não tenho nada a declarar sobre isto. — respondeu Ash.
Jones apoiou os braços na mesa, ficando cara a cara com Ash, mantendo a expressão séria.
–Bem, então a Detetive Maddox e eu vamos dar mais uma olhada na beira da estrada, e te asseguro que vamos encontrar algo para fazer da sua vida um inferno. — a forma seca que Jones falou causou arrepios até em Anne.
–Sim? Vão até a beira da estrada, pouco me importa... Se vocês tem tempo a perder, não é problema meu. — retrucou o Víbora.
Os dois deixaram alguns oficiais tomando conta de Ash na sala e foram mais uma vez para a viatura, novamente em direção à beira da estrada.
–Já perdi a conta de quantas vezes fomos nesse lugar hoje, daqui a pouco estarei indo morar lá. — disse Anne, entrando no carro e batendo a porta. Antes que Jones entrasse, ela já estava no banco do motorista. — Dessa vez eu dirijo, queridão. — ela piscou pra ele e riu.
A moça acelerou para a beira da estrada, ultrapassando alguns faróis vermelhos para o desespero de Jones. Já estava escurecendo quando chegaram, o que dificultava um pouco sua busca.
–Você é uma policial e ainda desrespeita leis de trânsito!? — indagou o rapaz, saindo com carro passando a mão na cabeça.
–Na nossa condição, meu caro Jones, todo tempo é precioso. — falou ela, batendo a porta do carro e olhando pelo chão em busca de algo que não deveria estar ali.
Depois de alguns minutos procurando, Anne encontrou uma pistola no chão, pegou-a e foi até o companheiro.
–Achei uma pistola.
–Acho melhor examinarmos isso. O Bison pode tê-la deixado cair quando foi pego. — falou Jones.
Anne colheu algumas digitais da pistola e mostrou-as a Jones.
–O que acha? — perguntou Anne.
–Estas digitais estão muito claras. O pessoal do laboratório não terá problemas em analisá-las e obter uma resposta. — Anne concordou e ambos voltaram ao DP.
Eles entregaram as digitais ao Analista Tecnológico, Alex Turner. Um rapaz de 24 anos de idade, com cabelos e olhos castanhos. Durante o período da análise, Anne e Jones ficaram em sua sala, conversando.
Com isso acabaram se conhecendo melhor e Jones adorou o bom humor da colega. Anne tinha um excelente senso de humor e uma inteligência nata que agradava qualquer um a sua volta. Ela admitiu que era impaciente e era legal até a página três, o que fez o rapaz prometer que não iria irritá-la. Eles não sabiam como, mas sentiam que seriam bons amigos. Era apenas o primeiro dia dela lá, mas Jones já se sentia muito próximo de Anne.
Passado uma meia hora de conversa alheia, Alex mandou chamar os dois.
–Ei, pessoal! — falou Alex quando eles chegaram. — As digitais que vocês encontraram correspondem com as de Ash!
–Perfeito! — exclamou Jones, com uma extrema satisfação. — Estou certo de que aquele idiota não tem permissão para porte de armas! — sorrindo, ele olhou a colega. — Aposta quanto que adora ele fala, Anne?
Rindo, os dois desceram para a sala de interrogatório e lá encontraram Ash do jeito que deixaram.
–Encontramos sua pistola e suas digitais. E se você é burro o bastante para se dar conta, isso não é bom. — disse Jones para o Víbora assim que entrou na sala. — Agora nos diga algo sobre os Víboras ou vai para a cadeia! — a expressão do rapaz tornou-se de raiva.
–Anda logo, Ash. — Anne estava perdendo a paciência. — Não vou tornar as coisas fáceis pra você, então seja bonzinho e colabore.
Ele riu de Anne e disse:
–Tudo bem, Detetive, me pegou! Mudamos de líder recentemente. E o nome do novo é... Beije minha bunda!
–Excelente! — exclamou Jones, contente. Anne percebeu que seu colega era um pouquinho lento para processar as coisas. — Anne, vamos falar com esse tal de Beije... — no segundo seguinte, o semblante do rapaz mudou de satisfação para ódio aos poucos.
–Agora ele sacou... — sussurrou a moça.
–Acabou! — gritou Jones, dando um tapa na mesa.- Detetive Maddox, coloque esse palhaço atrás das grades!
–Ash Bison, você está preso por desacato à autoridade! — disse Anne, pegando as mãos pesadas de Ash, que não quis cooperar e quis soltá-las a força, mas com a ajuda de Jones, a moça conseguiu prendê-lo com as algemas. Ela chamou dois oficiais que estavam do lado de fora da sala e pediu que eles o encaminhassem até a cela. Respirando fundo e passando a mão no cabelo, Anne encostou na parede, cansada. — Acho que já deu por hoje. — suspirou ela.
–Também acho. — concordou Jones, dirigindo-se a colega e pegando suas mãos. — Você se machucou? — ele olhou os pulsos de Anne procurando algum vestígio de machucado.
–Não, estou bem, obrigado. — respondeu ela, soltando as mãos com cuidado. — Vou pra casa agora. Obrigado pela ajuda hoje, Jones. Você é um excelente parceiro. — ela sorriu levemente para ele, que retribuiu.
–Eu que agradeço. Também vou. Boa noite, Anne. — disse ele, beijando-lhe o rosto. — Até amanhã.
–Até. — ela retribuiu o beijo no rosto e foi até a sala pegar as coisas. Ele fez o mesmo.
–Ok, eu lhe acompanho até seu carro, milady. — Jones usou um tom sarcástico e cheio de humor e os dois desceram juntos até o estacionamento, onde cada um foi para o seu carro e seguiu para casa.
Quando entrou em casa, viu Georgia sentada no sofá comendo pipoca e assistindo TV.
–Boa noite. Quem morreu hoje, homem ou mulher? — perguntou Georgia, sem tirar os olhos da TV.
–Mulher. Você já jantou? — Anne largou a bolsa no hack e fechou a porta.
–Estou jantando, não está vendo? — disse a menina, referindo-se ao balde de pipoca. Anne revirou os olhos.
–Bela janta. Olha, eu estou cansada e com preguiça de cozinhar, então pede uma pizza e pega o dinheiro na minha bolsa. Vou dormir, até amanhã. — falou a mais velha, bocejando a subindo as escadas.
–Ok, bons sonhos!
Anneliese tomou um banho de banheira um tanto demorado, procurando relaxar dentro d'água e esquecer as cenas que vira hoje. Geralmente um bom banho de espuma e um copo de vodca a faziam esquecer tudo, mas ela estava evitando beber. Ao terminar, secou-se e vestiu uma blusa de flanela e se jogou na cama, dormindo instantaneamente, aguardando o dia seguinte que ela rezava para ser muito produtivo.
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