Criminal Case: District 1
5 Apologizing.
Notas iniciais
No dia seguinte, Anne acabou atrasando-se. Dormira tarde pensando no que tinha visto no facebook de Jones. Ainda não acreditara que ele tinha sido tão cafajeste ao ponto de beijá-la sabendo que estava com outra. E ela estava começando a achar que ele era realmente diferente dos homens que havia saído.
Que burra era.
Georgia a acordou naquela manhã e a mais velha pulou da cama, arrumando-se apressadamente. Pegando as coisas correndo e puxando a irmã pela mão, Anne trancou a casa e entrou no carro.
–Pronto. Acordei. — falou ela, respirando fundo e olhando Georgia. — Vamos?
–Tudo bem... — concordou a mais nova pausadamente, colocando o cinto. — O que aconteceu que você se atrasou? Você nunca se atrasa! Tipo... nunca!
Anne suspirou e girou a chave na ignição, ligando o carro.
–Nada. Acho que apertei "desligar" ao invés de "soneca" ou algo assim.
–Ah, enten... CUIDADO! — exclamou Georgia arregalando os olhos. Anne pisou fundo no freio, evitando bater no carro da frente. A morena respirou fundo e sacudiu a cabeça para ver se ela se esvaziava um pouco. — O que há de errado com você!?
–Nada! — disse Anne num tom mais alto que o normal, assustando um pouco a irmã. — Desculpe, é que eu tive um dia cheio ontem. Eu só preciso de um café,
–Tudo bem. — a mais nova passou a mão nos cabelos e observou a mais velha de canto. — Escuta... eu tenho que fazer um trabalho na casa de uma amiga hoje depois da aula e se eu te mandar o endereço, você me busca mais tarde? — Georgia mordeu o canto da boca, com medo da resposta de Anne.
–Tá, busco sim. — a moça deu um sorriso de leve e parou o carro na frente do colégio da irmã. — E o que acha de sairmos pra jantar fora depois? Faz tempo que não fazemos isso.
–Acho ótimo! — Georgia deu um sorriso, animada. — E onde iríamos jantar?
–Não sei... Hm... Que tal no Outback? — Anne riu e ficou esperando a reação da mais nova. O Outback sempre fora o restaurante favorito de Georgia e fazia mais de um ano que as duas não iam lá.
–Sério!? Awwwn, eu te amo, Banannie! — exclamou a menina abraçando a mais velha, que beijou-lhe o rosto ao ouvir chamá-la do apelido que usava quando eram criança.
–Também te amo, Little Geo. Agora vai.
Georgia pegou sua mochila e saiu do carro, deixando Anne seguir até o trabalho. Ela não parou na cafeteria por conta do atraso, então tomaria café na sala do DP.
Carrie saudou-a com seu bom dia extra animado de sempre e fez um beicinho quando a perita respondeu de forma fria. Anne chamou o elevador e ficou um tanto contente por não encontrar ninguém dentro dele. Ao entrar na sala que dividia com Jones no quinto andar, o inspetor estava sentado na cadeira, mexendo em seu laptop.
–Bom dia, moça. — cumprimentou ele sorrindo para a morena.
Ela ignorou-o e foi colocar sua bolsa em cima do gaveteiro. O rapaz estranhou a atitude de Anne, que sempre dizia bom dia quando chegava e esperava um pouco mais de doçura da parte dela depois dos beijos que trocaram no dia anterior.
–Ei, o que aconteceu? — indagou ele levantando-se e indo até a colega.
–Por que não me contou que tinha namorada? — Anne cruzou os braços sob o peito e encarou os olhos azuis de Jones. A moça falava de forma tranquila, o que queria dizer que estava muito nervosa.
–O que? — ele uniu as sobrancelhas sem entender. — Anne, eu não tenho namorada, de onde tirou essa ideia!?
–Do seu facebook! Eu vi as fotos de você abraçando uma tal de Charlotte! Não adianta explicar, Jones, eu vi. — ela falou aumentando um pouco o Tom de voz. Jones ficou um pouco sério ao ouvir a resposta de Anne.
–Viu as fotos, então. — suspirou ele, encostando na mesa. — A Charlotte é minha ex-esposa.
Foi como se tivesse levado um tapa muito forte na cara. Anne engoliu em seco e sentiu-se muito envergonhada.
–V-você era casado? — gaguejou Anne um tanto abalada.
–Sim, eu era. — Jones passou a mão nos cabelos e fitou a parceira. — A gente se divorciou quando ela percebeu que não podia lidar com o risco do meu trabalho. Não falo com ela já faz um tempo e esqueci de me desmarcar das fotos. Me desculpe.
–Não. — falou a morena dando um passo na direção do inspetor. — Você não tem que se desculpar de nada. Eu que fui idiota e me precipitei. Sendo uma policial eu já devia saber que não se pode julgar o outro sem ter provas. Eu que peço desculpas, de verdade.
–Não tem problema. — Jones deu um sorriso torto para a colega que retribuiu com um sorriso tímido.
O silêncio pairou no ar uns minutos. Anne castigava-se mentalmente por desconfiar do colega e virou-se de costas para ele. Nem lembrava-se de ter visto a data das fotos. Ela era uma idiota.
Jones caminhou em silêncio até a morena e passou um braço por sua cintura, puxando-a para si. Ao virar-se, ele tomou seus lábios em um beijo lento que mesmo relutante, foi retribuído por ela. Anne pousou suas mãos nos ombros do inspetor enquanto as dele estavam firmes em sua cintura. O rapaz pediu passagem com o língua, que foi concedida, intensificando o beijo. Uma de suas mãos subiu pelo corpo da moça até seus cabelos, acariciando.
Ela parou o beijo aos poucos e encostou a testa na dele.
–Eu só preciso de um tempo. — sussurrou Anne, afagando o ombro do parceiro. — Sei que tenho sentimentos fortes por você. Só preciso colocar tudo no lugar e ter certeza. Estou muito confusa.
–Eu entendo. Não quero te apressar, Anneliese. — Jones passou um dedo delicadamente pelo rosto da morena, que fechou olhos. — Mas não quero te perder.
–Você não vai, David. — aquele som musical que soava toda vez que a moça dizia seu primeiro nome chegou aos ouvidos do inspetor, que beijou-a novamente com mais calma.
Ambos não queriam que aquele momento acabasse. Pela primeira vez em anos, Anne realmente sentia vontade de beijar alguém, de ficar ao lado de alguém. Não entendia como o rapaz mexia tanto com ela.
O beijo doce dos companheiros foi interrompido por Ramirez, que abriu a porta sem bater.
–Com licença, Dete... Ah, me desculpem! — o oficial engoliu em seco ao perceber que atrapalhara os dois e sorriu sem graça. Anne e Jones se afastaram rapidamente e tentaram disfarçar.
–Sem problemas, não estávamos fazendo nada. — disse Jones coçando a nuca. — O que foi, Ramirez?
–O Chefe King está chamando vocês na sala deles. — explicou o atrapalhado.
–Já vamos descer. — falou Anne, passando a mão nos cabelos.
–Até mais! — despediu-se Ramirez saindo de lá o quanto antes.
A dupla desceu até a sala do Chefe King e lá o encontraram uma imensa satisfação ao vê-los.
–Ah, minha dupla de policiais preferida! — exclamou alegremente King com um sorriso. — Fico feliz que tenham resolvido brilhantemente outro caso.
–Obrigado, Chefe, ficamos felizes também em fazer o nosso trabalho. — agradeceu Anne com um leve sorriso.
–Muito bom, muito bom. — riu o chefe. — No entanto, tenho algumas informações para vocês. Descobrimos que o Brown recebeu uma grande quantidade em dinheiro efetivada em uma conta estrangeira. Tenho certeza de que Marconi o pagou para assassinar Ned Dillard. — King ficou sério, fitando os dois. — Pressionem Dave Simmons, ele deve saber de alguma coisa. Ele foi visto recentemente na cena do crime, aconselho vocês a irem para lá o quanto antes.
–Pode deixar, Chefe. — comprometeu-se Jones, assentindo com a cabeça.
–Ah, e na volta passem no minimercado, Joe Stern precisa de sua ajuda. — finalizou o chefe, dispensando os dois.
No caminho para a viatura, a perita fez uma cara de desapontamento:
–Fala sério, só porque eu jurava que nunca mais ia precisar ver a fuça do Stern de novo. — reclamou a moça entrando no carro.
–Também não estou feliz com isso, mas fazer o que? — Jones deu de ombros e acelerou para a casa abandonada no pátio do ferro-velho.
Durante o trajeto, a dupla fora cantando "Uprising" da banda Muse, uma das bandas favoritas de Anne. Na verdade, quem cantou a música foi ela e o rapaz cantava apenas a parte do "so come on". Jones parou a viatura e os dois seguiram até o pátio, onde avistaram Dave Simmons.
–Ei, Simmons! — gritou Anne indo em direção ao homem, com Jones bem atrás dela. Dave deu um pulo para trás, surpreso com a presença dos policiais. — O que está fazendo aqui? Aqui é uma área restrita!
–Ah... Bem... Eu perdi minha caneta da sorte da última vez que estive aqui. Nunca assino um contrato sem ela! — o corretor transparecia um pouco de medo preocupação.
–A gente acha pra você. Agora cai fora. — ordenou Jones e o homem se retirou do pátio. Anne e o inspetor se entreolharam depois que Dave sumira de vista.
–Tudo bem, ou eu sou maluca ou essa foi a desculpa mais idiota que eu já vi na vida. — comentou Anne.
–Fico com a segunda opção. Vamos ver o que esse fingido estava procurando de verdade.
Separando-se para cobrirem uma área maior, os dois procuraram a "caneta" que Dave Simmons tanto queria. Mesmo sendo seu segundo caso na cidade, Anne percebera que as pessoas não mediam esforços na hora de mentir e muito menos matar pessoas, pelo motivo mais fútil que fosse. Apesar de já trabalhar na área criminal a anos, ela nunca vira algo assim.
Caminhando perto de uma bicicleta enferrujada, a moça encontrou uma pasta contendo documentos sujos.
–Hey! Olha isso aqui! — chamou Anne, olhando os papéis e entregando-os a Jones que folheou as páginas.
–Espera... Tem o nome do Marconi nisso aqui. — ele continuou folheando, buscando mais alguma coisa. — E eu acho que tem um número de arquivo aqui, mas eu não consigo ler. — o rapaz olhou Anne e fez um beicinho. — Decifra pra mim?
A moça puxou os documentos da mão do parceiro e fez um sinal de desaprovação.
–Sempre se aproveitando do meu talento. Vamos lá ver o idiota do Stern.
Eles voltaram para a viatura e seguiram até o minimercado. A campainha tocou quando entraram e foram recebidos aos berros por Joe Stern.
–Ah, ai estão vocês! — o comerciante saiu esbravejando de trás do caixa. — Eu peguei um desses filhos da puta com tatuagem de serpente invadindo a minha loja e bagunçando as minhas prateleiras! Ele fugiu quando me viu, mas tenho certeza de que ele fez alguma coisa!
–Sossega ai, meu filho! — pediu Anne, cruzando os braços. — Se tem tatuagem de serpente, é um membro dos Víboras.
–Eles eram só um grupo pequeno de traficantes, mas agora estão se organizando de algum jeito. — comentou Jones, coçando o queixo. — Vamos verificar o local e procurar alguma coisa.
Averiguando as prateleiras, Anne não encontrara nada suspeito, mas uma caixa de biscoitos cor de rosa chamou sua atenção. Estava aparentando ter sido aperta e remexida. Observou-a de vários ângulos e realmente havia algo errado.
–Moça, isso não é hora de fazer lanche. — riu o inspetor aproximando-se da colega.
–Eu sei, mas olha a caixa. — ela indicou um pedaço rasgado. — Tem alguma coisa aqui. — Anne abriu a caixa e remexeu os biscoitos dentro dela, encontrando por fim um saquinho contendo um pó branco.
–Espera aí, que porra é essa? — indagou Jones, pegando o saquinho das mãos da perita.
–Parece cocaína pra mim. — a moça deu de ombros.
–Deduziu isso sozinha, foi? — ironizou o rapaz, que levou um leve tapa no ombro de Anne. — Desculpe. Vamos levar isso pra Grace.
Anne deu uma curta explicação a Joe para levar a caixa de biscoitos, mas não deu tantos detalhes e omitiu o fato de ter encontrado a cocaína, para não ter que demonstrar tanto o desprezo que sentia por ele desde seu último encontro. Geralmente, ela não guardava rancor de ninguém, mas algo lhe dizia que o comerciante ainda iria aprontar algo. Confiar em suspeitos não era do feitio da perita.
Ao entrar no laboratório, a morena foi em passos silenciosos até sua amiga ruiva que estava distraída jogando Candy Crush em seu iPad.
–Oi, Grace Gracinha! — falou Anne alto no ouvido da chefe do laboratório, que se assustou e deu um pulo para trás.
–Ei, vai se ferrar! — exclamou Grace dando um riso ao ver Anne que também estava rindo. — Idiota. O que posso fazer por você?
–Preciso que verifique isso aqui. — ela entregou o saquinho com o pó branco. — Jones e eu temos certeza que é cocaína, mas queremos mais informações. Faz esse favor pra mim?
–Claro. Faço isso em um minuto! — a ruiva deu um sorriso e começou a fazer seu trabalho.
Enquanto espera o resultado do teste de Grace, Anne procurou decifrar o número de arquivo dos documentos manchados que encontrara no pátio do ferro-velho. Tentou ser o mais delicada e ágil possível no procedimento. Lembrava-se com clareza de quando aprendeu as habilidades forenses que lhe permitiam fazer um bom trabalho.
Sempre fora uma pessoa dedicada e apaixonada por tudo o que fazia. No início, ela entrou para a carreira criminal para se vingar de assassinos, igual o que matara seus pais, mas depois se apegou ao oficio. O mistério, as buscas, tudo fazia seu trabalho se tornar excitante e já que não ficava parava, era impossível tornar-se tedioso.
Anne descobrira o código e o entregara a Alex, indo em seguida obter o resultado do pó branco com Grace.
–É cocaína como você disse e já afirmo que não é das melhores. — esclareceu Grace, colocando sua franja atrás da orelha e cruzando os braços. — 20% cocaína e 80% de uma substância açucarada geralmente usada como... laxante. — ela riu.
–Uma pena o fugitivo não ter tomado um pouco antes de sair do minimercado. Pegar o rastro dele ia ser moleza. — gargalhou Anne. — Obrigado, Grace, você é a melhor.
–Disponha, milady. — a ruiva sorriu. Alex também terminara rapidamente sua tarefa e fora até Anne.
–Hey, meninas! — cumprimentou ele com um sorriso. — Anne, decifrei o código que você me pediu e... — o analista franziu as sobrancelhas olhando ao redor, procurando algo. — Ué, cadê o Jones?
–Foi buscar café pra mim, porque sim. — respondeu a morena. — E quais as novidades?
–Ah, sim. O número dos documentos é da escritura de um terreno e é um arquivo do Marconi, ne verdade!
–E?
–E que eu observei que o Marconi queria comprar algumas propriedades, cujas hipotecas pertenciam ao... Ned Dillard! — afirmou o rapaz dando um sorriso.
–Alex, você é mesmo um gênio! — exaltou-se a moça. Grace nem prestava atenção na conversa dos dois pois voltara a jogar Candy Crush. — Esse é o motivo do Marconi querer ele morto! — Anne adquiriu uma expressão pensativa no instante seguinte. — Mas ainda não é o suficiente para incriminá-lo, mesmo assim agradeço! — a morena beijou o rosto do amigo e fora para sua sala.
Jones tinha acabado de voltar da copa quando Anne entrou.
–Temos que ir avisar o Stern que quem deixou a cocaína lá pode ir voltar pra buscar. — falou a morena pegando sua caneca e dando um gole. — E Alex conseguiu informações sobre aqueles documentos. Pertenciam ao Marconi e realmente, ele tinha um belo motivo parar querer o Ned morto, mas de qualquer forma não são provas concretas. Tendo isso, talvez consigamos fazer o Simmons falar algo útil.
–Ótimo. Já te contei que amo o Alex? — riu Jones, bebendo seu café. Anne sabia que o companheiro odiava Marconi talvez até mais do que ela e faria de tudo para colocá-lo atrás das grades. — E sobre a cocaína: ultimamente temos apreendido muito dessas coisas aqui. As vezes me pergunto onde essa cidade vai parar.
–Concordo com você. — Anne terminou de beber o café e deixou a caneca em cima da mesa. — Vamos lá.
Novamente de volta ao minimercado, a dupla encontrou Joe Stern no caixa emburrado como sempre.
–Tinha razão, Sr. Stern. Nós encontramos um pacote pequeno de cocaína escondido na loja. — informou Jones.
–O que!? Merda, o que eu vou fazer se eles voltarem procurando ela? — apavorou-se o comerciante.
–Não se preocupe. Policias à paisana vão estar patrulhando para garantir que você não tenha problemas. — prometeu o inspetor, tranquilizando Joe.
–Esses vagabundos vão acabar com meu negócio! — reclamou Stern passando a mão nos cabelos desgrenhados. — Mas, bom... Eu queria me desculpar pelo nosso mal entendido no outro dia, sei que não fui muito legal com vocês. E muito obrigado pelo ajuda hoje, policiais!
–Tudo bem, Joe, são águas passadas. — disse Anne com um leve sorriso, um tanto forçado. Ela não caia fácil nesse joguinho de arrependimento.
–Obrigado! Olha, fiquem com esses refrigerantes por conta da casa! — ele entregou uma embalagem com 6 cocas.
–Uol, hm... Obrigado. Até mais, Sr. Stern. — agradeceu Jones, saindo da loja com a parceira. — Pra onde vamos agora, moça?
–De volta pra delegacia interrogar o Dave.
No DP, Dave Simmons já se encontrava na sala de interrogação, aguardando. Anne dessa vez preferiu ficar do lado e fora e observar tudo pelo vidro, deixando apenas Jones entrar.
–Ah, olá Inspetor. — cumprimentou o corretor. — Vocês... acharam a minha caneta da sorte?
–Infelizmente não, mas eu tenho outra pra você aqui. Ela se chama "eu não sou idiota portanto comece a falar". — falou o inspetor apoiando as mãos na mesa. — Graças aos documentos que você perdeu, descobrimos que o Ned possuía ativos imobiliários que o Marconi desejava. Incrível, não é?
–E-eu não sei do que você está falando. — disse Simmons engolindo em seco, intimidado. — Ele só me contratou para vender a casa!
–Escuta aqui. — a voz de Jones agora era fria e ríspida. — Temos quase certeza de que Marconi colocou a cabeça do Ned à prêmio e não vamos parar até podermos provar.
–Não vou lhe contar nada sobre o sr. Marconi! — o medo do corretor era evidente agora e ele suava frio, encostando-se mais na cadeira, trêmulo. — E se eu fosse você, pararia de me meter num assunto que não é da sua conta!
O inspetor, nervoso, estava prestes a partir aquela mesa ao meio, mas se conteve. Ao invés de continuar com aquela conversa que ele sabia que não daria em nada, dispensou Dave e colocou as mãos atrás da cabeça. Anne entrou logo em seguida e foi até o parceiro.
–Merda! Eu tinha certeza que ele ia acabar entregando o Marconi... — suspirou Jones, desapontado.
–Tenha paciência. — aconselhou a moça, colocando a mão no ombro do rapaz. — Quando ele vacilar, vamos estar lá para acabar com ele, não se preocupe.
–Tem razão. — concordou ele.
Retirando-se da sala de interrogação, Anne e Jones foram até a sala do Chefe King, onde explicaram os acontecimentos do dia e contaram o que descobriram sobre Marconi. Satisfeito com o empenho da dupla, ele resolveu dar-lhes o resto do dia de folga, que foi muito merecida já que eles trabalharam com determinação no caso de Ned Dillard.
Cansada pela noite mal dormida, Anne pegou sua bolsa na sala, despediu-se de Jones com um selinho e fora para casa, sem enrolar muito.
Passava um pouco das três da tarde quando ela entrou em casa e se assuntou um pouco por estar sozinha, pois geralmente era o horário que Georgia chegava do colégio, mais lembrou-se que ela fora fazer um trabalho na casa de uma amiga. Dois segundos depois, seu celular apitou com uma mensagem da mais nova dizendo que já havia chegado na casa de Jennifer e que quando fosse para buscar ela ligaria antes.
Exausta, a moça subiu para tomar um banho de banheira um tanto demorado, fechando os olhos e tentando esvaziar sua mente. Nunca ficara tão cansada daquele jeito, mas a água relaxava seus músculos e lavava seus pensamentos. Naquele momento, ela não conseguia parar de pensar em Jones, que só mexia cada dia mais com ela. Anne nunca fora uma pessoa namoradeira, sempre ficava mais em seu canto. Ela só teve dois namorados sérios nesses 29 anos e não lembrava-se de ter amado nenhum deles de verdade, um dos quesitos para seus relacionamentos terem acabado rápido. Na verdade, ela não se lembrava de ter amado ninguém além de seus pais e sua irmã, talvez com exceção do cachorro Toby, que morrera quando Anne tinha 14 anos.
No momento ela apenas sabia que tinha uma afeição muito grande pelo parceiro, mas talvez fosse mais do que uma simples afeição. Ele conseguia deixá-la sem ar, arrepiar seu corpo inteiro com um toque e lhe causar devaneios com seus beijos. Era estranho. Ao lembrar da sensação de ter os lábios dele juntos dos seus, Anne mordeu levemente o lábio inferior.
Abrindo os olhos, ela sacudiu a cabeça para espantar os pensamentos e saiu da banheira. Secou-se e vestiu um short jeans, uma regata branca e desceu as escadas. Caminhou até a cozinha e abriu a geladeira, não encontrando nada que lhe agradasse.
–Vou morrer de fome. — choramingou falsamente a morena. No mesmo instante, a campainha soou. Anne uniu as sobrancelhas, estranhando, já que não esperava ninguém e não conversava muito com seus vizinhos.
Anne abriu a porta e deu de cara com a pessoa em que pensava minutos antes. Jones sorriu para a moça, que retribuiu.
–O que faz aqui? — riu ela, encostando-se na porta.
–Primeiramente, me desculpar pelo mal entendido com as fotos e em segundo lugar, almoçar com você. — ele levantou uma sacola que exalava um cheiro delicioso. — Aceita?
–Como você sabia que eu estava com fome? — perguntou a morena dando passagem para que o colega entrasse e o guiou até a cozinha.
–Sei lá, deduzi. — Jones deu de ombros e colocou a sacola em cima da mesa, contendo spaguetti, suco e uma caixa de bombons. — Sim, foi tudo comprado porque você ainda não está preparada para comer a minha comida. — riu ele.
–Não importa, é comida e isso foi muito elegante da sua parte. — Anne pegou os pratos, talheres e copos dentro do armário, ajudando o rapaz em seguida a arrumar a mesa.
–Obrigado. — o rapaz deu um sorriso torto e serviu spaguetti para ele e Anne.
Durante o almoço, eles conversaram muito sobre seu passado, abrindo-se um para o outro. Jones também falou sobre Charlotte, que não era nada compreensiva e isso o afastou dela depois de um tempo de casados e Anne também contara sobre seus relacionamentos fracassados. O rapaz pegou um pouco do macarrão com o garfo e levou a boca da morena, que mastigou dando um sorrisinho.
Depois de comerem, Jones se ofereceu para lavar a louça, mas Anne negou-se a deixar, então ela lavou e ele secou. Ao terminar, a moça começou a secar a pia, quando o colega chegou por trás e seus braços envolveram sua cintura, fazendo ela dar um sorriso. Ele beijou-lhe o pescoço e um arrepio percorreu o corpo da morena, que soltou um leve suspiro. Jones fez uma trilha de beijos pelo pescoço de Anne, descendo pelo ombro e uma de suas mãos acariciava a barriga da moça.
Virando-se, ela segurou nos cabelos do parceiro e deu-lhe um beijo intenso, colando seu corpo ao dele, mesmo assim puxando-o para o mais perto possível. Não queria se afastar de Jones, não podia, pensava ela. Com facilidade e como se não pesasse nada, o rapaz pegou-a no colo, segurando pelas coxas macias de Anne, que arfou entre o beijo. Um calor intenso percorria o corpo da perita, que pedia por mais dele a cada segundo.
–A gente devia comer os bombons. — sussurrou ela mordendo o lábio inferior dele e puxando seu cabelo com carinho.
–Não é isso que eu quero comer agora... — a voz dele saiu rouca e cheia de desejo, que arrepiou Anne dos pés à cabeça. Sorrindo nos lábios de Jones, ela desceu de seu colo e o puxou pela camisa até seu quarto.
Anne não conseguia parar e de forma alguma tentava. A morena trancou a porta ao entrarem no quarto e encostou o rapaz na porta, beijando-o mais uma vez com desejo, deixando uma das mãos subir por dentro da camiseta e descer arranhando o peitoral do colega, que arfou. Jones segurava os cabelos da perita e puxava-os levemente, enquanto passava dos lábios para o pescoço da moça, dando leves mordida, fazendo-a dar um baixo gemido, que o excitou ainda mais.
Suas mãos passeavam pelo corpo da morena, depois passaram subindo a regata e tirando-a. Para sua surpresa, Anne não usava sutiã. Deitando-a na cama, Jones tirou a camiseta e desceu os beijos pelo colo da moça, abocanhando um de seus seios, chupando e dando leves mordidas. A moça gemia alto e arranhava com força as costas do rapaz, deixando marcas vermelhas, delirando de prazer. Nunca sentira tanto tesão por alguém antes e no momento só queria mais e mais o colega.
Invertendo as posições e ficando por cima de Jones, Anne começou uma trilha de beijos úmidos no pescoço do rapaz e desceu pelo peitoral, dando leves lambidas de vez em quando, fazendo-o arrepiar-se. A morena parou os beijos ao chegar no cós do jeans do inspetor e abriu o botão, depois desceu o zíper com os dentes, tirando-o apressadamente. Ela encarou o volume em sua cueca e sorriu de forma safada para o companheiro, apertando seu membro levemente e dando um beijinho por cima da cueca. A respiração de Jones estava acelerada e a moça deliciava-se com o fato de que estava excitando o parceiro.
–Anneliese... — gemeu Jones com a voz rouca de prazer, puxando os cabelos escuros da moça. Ela estremeceu ao ouvi-lo gemer seu nome, então sem esperar mais, tirou sua cueca revelando o membro ereto.
Anne começou a masturba-lo devagar, provocando-o, beijando sua glande em seguida e abocanhando seu membro. O inspetor ofegava, enlouquecendo de prazer com a morena chupando-o. Sentindo que ia chegar ao seu ápice, ele inverteu as posições novamente ficando por cima, querendo dar a colega o mesmo prazer que ela lhe deu. Tirou de uma vez o shorts e a calcinha da moça, e devagar passou os dedos por sua intimidade, sentindo-a molhada. Consumido pelo desejo, Jones lambeu a intimidade da morena, que soltou um grito abafado e apertava o seio direito. Deliciando-se com o gosto de Anne em sua boca, ele chupava e lambia seu clitóris. Uma de suas mãos subiram até o seio esquerdo da perita apertando-o. Ela empurrava a cabeça do rapaz em direção sua intimidade querendo mais prazer.
Jones pegou no bolso de sua calça um preservativo e o colocou, beijando Anne depois, fazendo-a sentir o próprio gosto. A morena sorriu nos lábios do rapaz e puxou mais uma vez seus cabelos. Sem esperar, ele a penetrou devagar, aumentando aos poucos o ritmo dentro dela. Eles gemiam juntos, pedindo mais um do outro.
O prazer era tanto que Anne não conseguia pensar, estava enlouquecida pelo homem com quem transava. A cada minuto precisava mais de Jones. Ele dava estocadas fortes, rápidas e contínuas, aproveitando o som dos gemidos da moça.
–David! — gritou Anne de tesão, cravando as unhas nas costas do rapaz. Sem aguentarem mais, os dois gozaram juntos dando um último gemido de prazer.
Jones encostou sua testa na da morena, que o beijou carinhosamente. Saindo de dentro dela e deitando-se ao seu lado, o inspetor acariciou seu rosto e sorriu ao encontrar aqueles olhos esverdeados que contava os minutos para ver todos os dias.
–Você é incrível. — disse Anne, afagando as costas do rapaz e sorrindo. — Desculpe pelas marcas, acho que vão demorar um pouco pra sair.
–Sem problemas, por mim ficaria com elas por muito tempo. — ele sorriu e beijou a testa da moça. — Você é tão linda, Anneliese.
–Olha quem fala. O cara com o físico e o espírito mais lindo do mundo. Sou tão sem-graça.
–Você é perfeita. Seu corpo é lindo, você é linda, por dentro e por fora. — o rapaz tirou uma mecha de cabelo da frente do rosto da morena, que sorriu.
–Obrigado, David.
Eles ficaram um tempo deitados na cama trocando carinhos, até que o celular de Anne tocou. Ela desceu as escadas correndo ainda nua e atendeu no terceiro toque.
–O-oi, Georgia! — gaguejou um pouco a moça tomando um pouco de fôlego.
–Ei, por que você não atende? Já liguei umas três vezes! — indagou Georgia do outro lado da linha.
–É que... eu estava um pouco ocupada. Já posso ir?
–Pode sim. E não esquece que vamos ao Outback! Você me prometeu Outback! — lembrou-lhe a mais nova com uma voz manhosa.
–Tudo bem, vou trocar de roupa e estou indo. Até mais. — ela desligou e subiu novamente as escadas correndo, encontrando Jones colocando novamente suas roupas. — Ei, quer ir jantar comigo e a Geo?
–Hm, claro! — sorriu o rapaz, olhando-se no espelho e arrumando o cabelo. A moça procurou em seu closet algo elegante e alegre para usar, escolhendo por fim um vestido azul e um scarpin preto para combinar. Logo depois, foi ao banheiro e fez uma maquiagem leve.
Ela vestiu-se na frente do parceiro, que observava tudo atentamente, focando em cada parte do corpo de Anne. Deus, como ela era gostosa! E de vestido ficava mais atraente e feminina, já que só vira ela usando calça e camisa social. A morena era bonita naturalmente, mas quando se arrumava ficava ainda mais linda.
–Vamos? — perguntou a moça saindo do banheiro e olhando o rosto abobado de Jones. — O que foi?
–Você tá muito linda. — elogiou ele, hipnotizado pela visão. Anne corou um pouco e sorriu.
Os dois desceram as escadas, Anne pegou sua bolsa e eles foram até o carro dela, que ela deixara o rapaz dirigir, uma coisa quase impossível, pois ninguém dirigia sua Land Rover Discovery além dela. A morena mostrou o endereço e Jones dirigiu até a casa da amiga de Georgia. Não ficava muito longe, apenas a alguns quarteirões, então não demoraram para chegar lá.
Georgia já estava na frente da casa com Jennifer, uma garota com cabelos loiros e olhos castanhos. Ao ver o carro de sua irmã, a mais nova despediu-se da amiga e entrou no banco de trás.
–Olá, Banannie e... Pera, quem é você? — perguntou Georgia encarando Jones.
–Esse é o Jones, meu colega de trabalho, ele vai jantar com a gente hoje. — falou Anne, sorrindo para a irmã.
–Ah, você é o Jones? — entusiasmou-se a mais nova sorrindo, enquanto o rapaz dirigia para o restaurante. — A Anne só sabe falar de você!
–Georgia! -exclamou a morena, incrédula.
–Sério? Fico feliz. — riu o rapaz.
A mais nova foi o caminho todo contando os podres de Anne para Jones, e a mais velha revirava os olhos a cada besteira que ela dizia. O inspetor só sabia rir.
Vinte minutos depois, chegaram ao restaurante, que por um milagre, tinha uma mesa para três pessoas. Georgia torcia para que o atendimento fosse bom, pois estava morrendo de fome. Eles pediam costela, uma cebola gigante aberta, batatas fritas com queijo cheddar por cima. O tempo de espera foi só até prepararem a comida, porque ela foi servida rapidamente.
Os três aproveitaram a noite como se fossem uma família e pela primeira vez em muito tempo, Anne estava alegre por estar com duas pessoas importantes para ela. Em menos de duas semanas, Jones já tinha ocupado um lugar especial em seu coração.
Tudo correra bem durante o jantar e eles se fartaram de tanto comer, quase não sobrou espaço para a sobremesa.
–Obrigado por estar aqui hoje. — sussurrou Anne ao ouvido de Jones, que sorriu para a moça.
–Eu que agradeço. — respondeu, pegando a mão da moça e beijando-lhe delicadamente.
–Awwn, que lindos vocês dois. — animou-se Georgia, feliz por ver a alegria da irmã. O casal tentou disfarçar, envergonhados.
–Ok, vamos pedir a conta. — Anne chamou o garçom e ele fora buscar a conta. Durante um tempo, Jones e a morena ficaram discutindo sobre quem iria pagá-la, mas depois de muito insistência, ela deixou o rapaz pagar. — Vamos embora.
A moça levantou-se da cadeira e preparou-se para sair, quando um barulho explosivo soou e o vidro da janela da mesa ao lado se estilhaçou um mil pedaços, caindo em cima das pessoas que lá estavam. Georgia gritou e fora para perto de Anne, que abraçou-a e as duas foram para perto de Jones. As pessoas no restaurante entraram em pânico.
Os olhos da perita se arregalaram de susto e ela apertava a irmã contra seu peito. Afastou-se um pouco, indo até onde o vidro havia caído e observou uma pequena bolinha de chumbo no chão e engoliu em seco.
Alguém atirara contra o restaurante.
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