Criminal

3 Detetive Robins


Notas iniciais
Gente, desculpe a demora. Não é sempre que eu consigo escrever, e ultimamente ando um pouco sem ideias. O capítulo está meio curto, mas prometo que o próximo será muito melhor, ok?

Depois que sua filha saiu, o detetive continuou arrumando seu quarto e, quando acabou, ficou parado em pé no meio dele, pensativo. Há cinco anos morava na cidade que havia deixado para trás. Sua vida estava relativamente boa lá, tinha uma carreira estável, tudo parecia equilibrado. Mudar-se para Breaken Valley significava o mesmo que mudar-se para o incerto, o desconhecido. Ele não sabia o que teria de enfrentar. Ele não sabia do que esse misterioso assassino era capaz. E apesar de sempre assumir uma postura corajosa e forte em frente aos outros, ainda era um ser humano. Aquilo o assustava tanto quanto assustava aos moradores da cidade. O medo que sentia não era por ter de confrontar com ele mais cedo ou mais tarde. Era por Allison. Tinha medo de colocá-la em risco. Tinha medo de perdê-la. Tinha medo de que pudesse morrer e deixá-la completamente órfã e sozinha.

Ele foi até o quarto que reservara para ser seu escritório. Organizou-o até que ficasse da mesma forma que seu aposento em sua antiga casa. Olhou pela janela e uma sensação de preocupação tomou conta dele. O sol estava se pondo. Pegou o relógio em cima da mesa e checou a hora. Onde estaria sua filha?

O sol poente agora entrava pela janela e refletia o brilho dourado de um objeto sobre a escrivaninha. Seu distintivo de polícia.

Pegou-o na mão e ficou passando levemente os dedos sobre as letras gravadas em sua superfície. Detetive August Robins. Aquele simples objeto lhe trazia muitas memórias. De como ficou feliz quando finalmente o ganhou. Dos inúmeros casos que resolveu. De como seus colegas de trabalho forjaram uma chamada falsa no dia em que Allison nascera, e quando ele chegou ao local era, na verdade, uma festa surpresa em comemoração à sua paternidade.

Colocou o distintivo de volta na mesa, ao lado de um porta-retrato com uma foto antiga, dele e de sua mulher quando eram jovens e ainda não tinham se casado. Ficou um tempo encarando a foto.

– Ah, Madison! Que falta você faz... – falou para si, e depois de um suspiro deixou o quarto.


* * *

Impaciente e preocupado, decidiu dar uma volta pelas ruas do centro. O céu estava tingido com as cores do crepúsculo e as luzes dos postes na rua começavam a se acender. Passou pela frente da escola, e não conteve o impulso de espiar para dentro da janela da secretaria. Enxergou Allison apoiada sobre o balcão, preenchendo as fichas para fazer a matrícula, e sentiu uma sensação de alívio. Decidiu ficar por ali até que a filha terminasse e saísse do prédio da escola.

Ela pareceu surpresa quando o viu esperando no portão de entrada.

– Pai. – disse Allison – Decidiu dar uma volta na cidade e ver onde fica a escola?

August sorriu e colocou o braço por cima dos ombros da filha.

– Vamos? Melhor voltarmos para casa, está escurecendo.

Eles foram para casa, fizeram o jantar e assistiram televisão. Ambos estavam cansados devido à mudança e a arrumação que haviam feito durante a tarde, e foram para cama cedo.

Quando acordou, o detetive Robins levou alguns segundos para situar-se de onde estava. Sua rotina mudara bastante em pouco tempo. Olhou para o relógio ao lado, na mesa de cabeceira: oito da manhã.

Vestiu-se, foi ao banheiro e, quando finalmente desceu as escadas, Allison estava colocando sua caneca na pia, já vestida para ir ao colégio.

– Já tomou café, querida? – perguntou ele, com a voz ainda um tanto embargada de sono.

– Já. – respondeu Allison. Depois de uma pausa, ela continuou. — Acho que já vou indo, papai. Tenho que chegar um pouco mais cedo para pegar os horários e ver qual é a minha sala.

Ele olhou o relógio da cozinha. Eram 8:35.

– Tudo bem. – disse. – Tome cuidado.

Ela deu um beijo em sua bochecha, jogou a mochila sobre um ombro e foi para a escola.

August sentou-se à mesa e tomou café da manhã sozinho. Enquanto lavava as xícaras, o telefone tocou. Era o chefe da polícia de Breaken Valley.

– Alô? – disse August.

– Detetive Robins? – falou o policial do outro lado da linha. Seu tom de voz parecia pesado e sombrio. – Receio ter más notícias para o senhor.

O detetive temeu as próximas palavras do policial, mas, pelo seu tom, ele já sabia quais seriam.

– Venha rápido para cá. – disse o chefe de polícia. – O assassino atacou mais uma vez.