Criminal
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Pf não jogem pedras em mim!!
Seria uma cena um tanto incomum à qualquer pessoa que visse. Mas quem é que estaria às duas da manhã acordado olhando para a escada de incêndio de um prédio? Se você faz parte dos observadores de escadas de incêndio madugadores, é provavel que você já saiba o que aconteceu e eu lhe dou permissão para pular os próximos dois parágrafos da história. Porém, se você não é uma dessas pessoas e deseja saber o que aconteceu, continue lendo.
— É melhor a gente entrar. Não vai querer que nos vejam aqui. — Uma voz sussurou doce nos ouvidos de Freddie. Era a voz da pessoa que empunhava uma faca contra seu pescoço. Mas era mais que isso, era a voz de Sam.
Quando Freddie se virou, ela já não estava mais lá. Não havia mais nenhuma faca em seu pescoço, nem nenhum vestígio da presença dela. Por um instante, Freddie achou que tudo não tinha passado de um sonho. Que ele, sem querer, dormira e nem havia notado. Entretanto, quando a luz dentro do seu apartamento acendeu, ele percebeu que aquilo não tinha sido um sonho. Era real. Ela estava lá.
"Será que de tanto que eu pensei nela, ela se materializou aqui?", ele pensou enquanto entrava em casa. Você acredita nisso? Na conexão entre pessoas? Será que é possível que de tanto pensarmos em alguém, este certo alguém acaba, de um certo modo, pensando na gente também? Não sei se acredito que isso exista. E aposto de Sam também não acredita. Pois, nem por um segundo, por todos esses anos, ela havia parado de pensar nos velhos amigos, mas eles sempre estiveram ocupados demais para pensar nela.
Ao entrar em casa, Freddie observou confuso a mulher que estava sentada em seu sofá. Sam havia tirado o seu tênis e estava sentada com as pernas cruzadas. Só agora que Fredde tinha notado como Sam estava vestida. Suas roupas escuras não estavam muito limpas e estavam até um pouco rasgadas. Seu tênis, assim como o restante de sua roupa, parecia muito gasto. Ela usava um cordão com uma chave pendurado no pescoço e as argolas das algemas que ele havia colocado nela ainda estavam presas em seu pulso, mas o elo que as unia havia sido destruído.
– Você vai me matar? — Freddie perguntou se aproximando cautelosamente dela.
– Você vai tentar me prender? — Sam o retrucou, mas vendo que Freddie ainda a olhava desconfiado, ela continuou. – Se eu quissesse te matar já teria feito isso há muito tempo. Relaxa e senta aí!
Era difícil para Freddie relaxar. Toda aquela situação era confusa demais. Bizarra demais. Ele era um policial. Ela era uma criminosa. Ele tinha que prendê-la. Era o seu dever. Então porque ele era incapaz de fazer isso?
– Como você sabe onde eu moro? — Freddie falou enquanto, finalmente, se sentava no sofá.
– Sei sabendo. — Sam olhou para o chão.
– Essa não foi uma boa resposta.
– Essa também não foi uma boa pergunta.
Sam não olhava para Freddie, mas ele não tirava os olhos dela. Freddie reparou que o rosto pálido e o braço da loira estavam um pouco arranhados e seu pulso estava muito vermelho. Os arranhões deviam ser sido feitos quando ela se jogou da viatura em movimento, porém o pulso machucado era conseqüencia exclusiva das algemas. Sam estava ferida e era tudo culpa dele, direta e indiretamente.
– Ouch! — Sam gritou quando Freddie segurou o seu pulso rubro. – Quando eu estava tentando quebrar o elo entre as argolas, eu acabei me machucando. Eu achei que seria mais fácil do que realmente foi.
– Espera aqui. — Freddie se levantou do sofá.
Ele foi até o seu quarto e procurou dentro do bolso da sua roupa de serviço por uma pequena chave prateada. Assim que a encontrou, voltou correndo para sala de estar. Freddie agachou-se no chão na frente de Sam e, com a chavinha, a desalgemou.
– Uau! — Sam disse assim que as argolas sairam do seu pulso. – Como a vida dá voltas. Há algumas horas atrás, era você quem estava colocando as algemas que tirou agora.
– Está doendo muito?
– Um pouco, mas acredite isso aqui — Sam mostrou os pulsos vermelhos para Freddie. – é o menor dos meus problemas. Há dois dias, eu me escondo da polícia numa loja abandonada com ratos e baratas, durmo num balcão duro e frio, tomo banho com a água que escorre de uma torneira enferrujada na pia, como Bolos Gordos velhos que estavam dentro de uma caixa que estava jogada no depósito e, há algumas horas atrás, me joguei de um carro em movimento. Então, esse machucadinho não é nada pra mim.
Sam olhou para Freddie. Ele estava estático, só escutando o que ela falava. Os últimos meses não tinha sido nada fáceis para ela, é possível até dizer que nem os últimos anos, mas as coisas pioraram muito nos últimos meses. Ela estava sem casa, sem dinheiro e sem esperanças.
– Desculpa. — Sam disse se levantando do sofá. – Acho que precisava desabafar um pouco. Eu já disse que você é a primeira pessoa com que eu falo em dois dias?
– Deixa eu ver se entendi direito? — Freddie falou se levantando do chão. – Procurada, cansada, suja, faminta e machucada. Esqueci alguma coisa?
– Sem-teto e pobre.
– Uau! Isso é muita coisa para uma pessoa só. — Freddie riu levemente. — Olha, eu não posso fazer nada quanto a procurada, sem-teto e pobre, mas se você quiser tomar um banho, isso resolve o suja, e se, depois que você sair do banho , eu colocar uma lasanha no microondas para você, isso resolve o faminta. E, depois que você estiver limpa e alimentada, — Freddie se aproximou de Sam e colocou seu longo cabelo loiro para trás para que pudesse ver melhor o seu rosto — eu cuido dos seus ferimentos para resolver o machucada. E, por fim, essa noite você dorme aqui no sofá e amanhã já não estará mais cansada.
– Você me ganhou com a lasanha, Benson. Nem precisava oferecer o resto.
– O banheiro é por aqui.
Freddie andou até a porta do banheiro e a abriu para que Sam entrasse. Assim que ela entrou, ele a seguiu. As paredes do banheiro eram na metade inferior revestidas por pequenos azuleijos azuis-escuro e na metade superior pintadas de branco. O chão tinha um piso preto brilhante como se tivesse vários cristais por ele todo. O banheiro também tinha uma banheira com ducha, mas Sam notou a ausência de cortinas no chuveiro; uma privada branca; uma pia branca com um pequeno espelho pendurado em cima; um cesto de palha alto e um armário com várias coisas próprias para banheiro, como papéi higiênicos extras e sabonetes, e alguns produtos de beleza, como gel de cabelo e pentes. E foi dentro desse armário que Freddie pegou uma toalha de banho vermelha e entregou para Sam.
– Pode usar está aqui para se enxugar. Não coloca a roupa suja naquele cesto não. Quando você sair, coloca em um cesto branco na sala, porque eu vou lavar toda aquela roupa amanhã, então vou aproveitar para lavar a sua junto. Espere aqui em quanto eu pego um pijama limpo para você.
Aproveitando a ausência de Freddie, Sam foi até a pia e olhou para si mesma no espelho. É uma coisa tão comum para as pessoas, se olhar no espelho, que elas nem notam quando fazem isso. Sam evitava olhar para espelhos. Ela evitava, pois não gostava da pessoa que ela via quando olhava para ele. Porque mentir olhando nos olhos dos outros é fácil, mas mentir olhando dentro dos próprios olhos é impossível.
– Olha, — disse Freddie entrando no banheiro e fazendo com que Sam voltasse a ignorar o próprio reflexo. — eu tenho esse pijama que eu sei que você vai odiar, mas acho que você vai ficar fantástica nele. Ele não cabe mais em mim, mas eu gosto muito dele por isso não o jogo fora.
– Um pijama do Galaxy Wars? — Sam falou enquanto examinava o pijama que Freddie a havia entregue. – Acho que você não deixou de ser nerd.
– Não, nem um pouco. Hum, Sam... — Freddie olhava para ela meio envergonhado. — nós temos um pequeno problema. Eu moro aqui sozinho, então não tenho "coisas de mulher" aqui.
– Tudo bem eu dou um jeito de me virar sem as "coisas de mulher".
– Ok, então. — Freddie foi andando até a porta do banheiro e parou. — Sam? Porque você veio justo para cá, para o meu apartamento? — Ela olhou para ele e sorriu.
– No momento que você não insistiu em me revistar, eu sabia que ainda podia contar com você.
– Eu sabia que você estava escondendo alguma coisa. — Freddie falou.
– E mesmo assim você me deixou ir embora. — Ele corou quando ela disse isso. — Freddie? Agora eu posso te fazer uma pergunta? — Freddie afirmou positivamente com a cabeça. – Porque você se importa comigo?
– Porque não importa o que as pessoas falem, quando eu olho para você eu ainda vejo aquela garotinha com quem eu dei o meu primeiro beijo na escada de incêndio.
Freddie saiu do banheiro deixando para trás uma Sam faminta, suja, procurada pela polícia, pobre, sem-teto, machucada e cansada, mas ainda muito apaixonada por ele.
Notas finais
Não adiantou nada o mistério do capítulo anterior, todo mundo descobriu. Acho q eu não sou muito boa com mistérios.
Até o próximo capítulo!
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