Crime Perfeito
2 Descoberta
CRIME PERFEITO
CAPÍTULO 2 Meu padastro chegou em casa e logo foi pra cozinha onde a mamãe estava, me olhou com desprezo e comprimentou Kellen com um beijo. –Papai adivinha quem saiu da escola mais cedo e sem permissão?- Kellen falou olhando pra mim. –SAM, quantas vezes vou ter que falar pra você não fazer isso?- Ele gritou comigo e eu o ignorei. –Tudo bem papai, ela é um fracasso em tudo que faz mesmo! –Parem vocês- mamãe repreendeu- Sam já pro seu quarto! Subi as escadas fazendo questão de esbarrar no meu padastro e logo me tranquei no quarto. Coloquei os fones de ouvido e deixei a musica no volume mais alto. Não pude evitar de pensar em tudo que já me aconteceu. E a pior com certeza foi a mamãe ter casado com Louis Paker e a sua filinha mimadinha ter vindo junto. Nós nunca nos demos bem, sempre nos odiamos, desde que eles chegaram aqui a mamãe me esquceu, e hoje sou apenas alguém que dorme no quarto ao lado. Adormeci antes mesmo da primeira música acabar, ouvi mamãe batendo na porta do meu quarto me chamando pra jantar, eu disse que estava sem fome e ela logo desistiu. Voltei a dormir e acordei como despertador tocando, levantei e fui trocar de roupa, pro meu azar estava chovendo em Aurora e teria que pegar carona com Kellen, tomei meu cafe rapidamente esperando dar o horário para ir à aula. Por sorte parou de chover e resolvi ir andando, a escola não era longe então não tinha problema. Cheguei no colégio e encontrei Irene, sentamos na frente do portão e ela me contou sobre seu encontro com Gale ontem à tarde. Eles namoravam a alguns meses e ele não tinha muito tempo por causa da faculdade, mas sempre que podiam eles se encontravam. Os dois se amavam acima de tudo e eles eram os melhores amigos que alguém poderia ter. O sinal bateu avisando o ínicio das aulas, me despedi de Irene e fui pra aula de Ingles. John me disse "oi" ao entrar e eu retribui com um sorriso. Fui pro canto mais afastado da sala e me sentei lá, como de custume John sentou do meu lado e Thália ao lado dele. Eles começaram a conversar e não dei muita atenção e comecei a rabiscar na ultima folha do meu caderno. Mas ao ouvir uma coisa, parei tudo que estava fazendo. Fiquei perplexa ao ouvir aquilo. Não era possível que ela sabia disso. Nem minha melhor amiga sabia! Como ela desconbriu? John me olhou e eu voltei minha atenção ao professor, ignorei ele durante todo o dia. Não conseguia tirar aquila frase da minha cabeça."A Sam, se machuca de propósito, ela se corta..." Isso ficou martelando na minha cabeça. Irene perguntou o que havia de errado comigo e eu dei a mesma desculpa de sempre " É apenas sono" ela deu de ombros e foi atender a um telefonema do Gale. O meu lugar favorito no colégio era a antiga sala de música na parte desativada do colégio. Lá tinha um piano de cauda preto e eu sempre que podia me sentava lá e ficava pensando... Ao entrar no corredor da sala de música notei que havia alguém lá dentro tocando A thousand years no piano. Eu era apaixonada por essa música e resolvi ver quem estava lá. Parei na porta ao ver que era o John Siedel! Eu não sabia que ele tocava, assim que terminou a música, ele se levantou para ir embora. Ao virar ficou surpreso ao me ver. –Eu não sabia que estava aqui- disse me desculpando e olhando pro chão. –Tudo bem, eu não te vi entrando — ele disse hesitante. –Não sabia que tocava piano, é uma música linda- alei encarando aqueles lindos olhos castanhos. –Toco desde os 6 anos de idade e também acho uma música linda — ele falou olhando para o piano. –Então... O que faz aqui? — perguntei tentando puxar assunto. –Eu venho aqui para pensar as vezes, é um lugar calmo... E você? — perguntou curioso. –Venho aqui quando quero me livrar de todo mundo e tem razão é um lugar calmo — disse olhando a velha sala empoeirada. Depois de alguns segundos de silêncio John veio mais pra perto e disse: –Fico feliz que tenha vindo, eu preciso falar com você sobre uma coisa... Eu já sabia sobre o que era e fiquei com medo, eu queria evitar essa conversa ao máximo, mas eu ja não ia conseguir fugir dele, pelo menos não agora. –Eu soube de uma coisa sobre você, que eu realmente não esperava — ele disse me encarando. –E o que você descobriu? Aposto que deve ser mentira — disse desconcertada tentando mudar de assunto. –Isso que eu descobri- ele veio até mim e ergueu minha blusa passando seus longos dedos pelas minhas cicatrizes. Tirei meu braço o mais rápido que pude e abaixei a manga cobrindo minhas cicatrizes novamente. Cruzei os braços junto ao peito. –Isso não importa — disse me afastando dele. –Claro que importa eu sei o que leva uma pessoa a fazer isso consigo mesma... –Não se preocupe com isso- disse virando as costas pra ele e me dirigindo à saída. –Samantha... Não dei tempo dele terminar a frase, pois sai correndo dali o mais rápido que pude. Enquanto descia as escadas correndo, senti John me seguindo, fui direto pro banheiro feminino, ele não podia entrar lá, então eu estaria segura por um tempo. Não sei por quanto tempo fiquei lá, mas quando finalmente sai vi que a escola estava praticamente vazia, olhei no relógio e já fazia uma hora que as aulas tinham acabado, não sei como consegui me desligar por tanto tempo. Havia algumas ligações perdidas de Irene, não liguei de volta, hoje eu não estava afim de falar com ninguém, queria apenas ir pra casa e ficar no meu quarto, eu sabia de uma coisa que podia me fazer melhorar rapidamente.
Fui até meu armário pegar o restante do meu material pra ir embora e lá havia um bilhete de John."Sinto muito pelo o que aconteceu, vamos conversar novamente amanhã na sala de música na hora do almoço?" Joguei aquele bilhete na lata de lixo ao me dirigir a saída, eu não queria mais olhar pra ele, não depois do que ele soube. Andei lentamente pra casa, quando cheguei ignorei Kellen que estava dando chilique no telefone com o pai dela e fui pro meu quarto. Como de costume peguei meus fones e liguei a música, fui até a minha escrivaninha e peguei um porta jóias, lá havia uma lamina que eu não usava a muito tempo, fui pro banheiro e passei ela algumas vezes sobre minha pele cheia de cicatrizes, me senti mal por terem descoberto meu segredo e eu também não aguentava mais aquela casa, eu só queria sumir dali, eu simplesmente odiava a minha existência e sei que ninguém sentiria a minha falta, nem mesmo Irene, ela ficaria bem, eu não sei porque eu não acabava com aquilo logo... No andar de baixo ouvi a mamãe conversando com Kellen e entrei no banho, depois de alguns minutos sai e coloquei a minha melhor máscara. –Vai lá Sam, você só precisa fingir que está bem — eu repetia em frente ao espelho. Desci para o jantar e ninguém percebeu que eu estava com os olhos inchados de tanto chorar e com pijamas comprido em uma noite abafada, agradeci por isso e logo voltei ao meu quarto, deitei na cama e fiquei pensando em tudo que tinha acontecido naquela tarde, eu sei que essa descoberta não acabaria bem...
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