Crime Perfeito

3 Primeiro Beijo


Acordei com a mamãe batendo na porta do meu quarto falando que já estava na hora de levantar, com muito esforço sai da cama e resolvi tomar um banho. Aquela noite havia sido estranha, tive pesadelos e não queria ter acordado. Terminei de me arrumar e resolvi sair mais cedo pro colégio, estava sem fome e nem me dei o trabalho de comer, mamãe ja estava saindo pro trabalho e me deu uma carona até a escola.

O primeiro período passou como um borrão, não lembro de nada, nem me esforcei pra prestar atenção em algo, so percebi que John e Thália me olhavam diferente, ignorei eles e pra piorar tudo eu tinha aula de Inglês naquela manhã, resolvi não ir pra essa aula e como já havia passado o almoço fui pra sala de música e sabia que lá estaria vazio...

Ao chegar, peguei um violão velho que estava em um canto mais afastado e comecei a tocar e cantarolar uma música da Jessie J.

I stare at my reflection in the mirror

(Eu olho para meu reflexo no espelho)

Why am I doing this to myself?

(Por que estou fazendo isso comigo mesma?)

I nearly left the real me on the shelf

(Eu quase deixei meu verdadeiro eu na prateleira)

–Você canta bem — John disse da porta.

Levei um susto e me virei rapidamente.

–O que vocês estão fazendo aqui?- perguntei olhando pra Thália e pro John.

–Vimos que você não estava na aula de Inglês e viemos te procurar- Thália disse meio hesitante.

–O que vocês querem comigo? — fui logo ao ponto tentando acabar com aquela conversa sem sentido logo.

–Precisamos conversar sobre o que descobrimos sobre você. Eu sei que você me acha uma vadia e que não passo de uma garota superficial, estamos aqui para te provar o contrário, eu sei que não deve estar entendendo nada agora e que deve estar confusa, mas prometo que se você deixar iremos explicar tudo.- Thália falou sem rodeios.

–Então expliquem — me arrependi na mesma hora que disse essas palavras.

–Como você sabe eu conheço o John desde criança, mas nunca fomos amigos até que tudo um dia mudou. Ele estava com muitos problemas em casa e em conflito consigo mesmo. Ele queria acabar com tudo, ele já não aguentava mais tuda aquela confusão que a sua vida estava.

Me virei pra John que estava sentado no banco do piano e ele deu de ombros, Thália continuou:

–Um dia eu estava indo embora e vi que John estava saindo de casa chorando e muito irritado, ele queria se jogar na frente do primeiro carro que viesse em alta velocidade e eu impedi ele de cometer suicídio. E você deve estar se perguntando o que eu e você temos haver com isso. Bom, eu desenvolvi bulemia aos 11 anos, nunca fui aceita por causa da minha familia e acabei me tornando a garota que todos queriam, e ninguém nunca percebeu, depois de algum tempo que salvei John nos tornamos amigos e desde então um ajuda o outro.

Fiquei chocada ao ouvir aquilo, eu não esperava, não sabia que isso estava acontecendo com eles.

–Eu comecei a perceber que você agia de forma diferente e que sempre estava com blusa independente do calor que fizesse. Reparei que você se sentia deslocada e que queria explodir com tudo eu percebia as suas mascáras porque eu também vivo delas. Quando contei ao John sobre você era apenas uma desconfiança e ele acabou descobrindo a verdade e hoje estamos aqui para tertar te ajudar.

–Não se preocupem comigo, eu estou bem- disse mais pra mim mesma do que pra eles.

–Está bem mesmo? Tem certeza? Porque se você tivesse bem não teria se trancado no banheiro feminino por horas! — Thália falou me encarando.

–Sam, eu sei que é difícil, e que tudo isso é muito novo, vai por mim, eu sei o quanto é difícil confiar nas pessoas pra contar algo tão grave e tão intímo, mas saiba que quando você precisar estaremos contigo, não duvide disso!- John disse vindo ao meu lado.

–Pode deixar, se eu precisar procurarei vocês, só não se preocupem comigo, não vale a pena o esforço. E só não contei isso há ninguém, ainda quero que seje um segredo — disse olhando de Thália para John.

Não esperei pela resposta e sai logo daquela sala, estava ficando claustrofóbica.

Resolvi ir embora não aguentaria ficar nem mais um minuto naquele colégio, ao sair vi que Gale estava do lado de fora esperando Irene, passei direto, não queria ter que explicar do porque estava indo embora antes do horário.

Em vez de ir direto pra casa, dei uma volta na cidade tentando arrumar meus pensamentos, não tive muito suceso nisso e fui pra casa antes que mamãe mandasse o FBI atrás de mim.

Ao chegar mamãe estava na sala com o meu padastro ao lado dela.

–ONDE VOCÊ ESTAVA SAM??????- mamãe perguntou assim que passei pela porta.

–Eu fui dar uma volta, estou bem- disse abrindo os braços e olhando pra ela.

–Nunca mais suma desse jeito sem dar notícias, você só me trás problemas. Eu não quero ver mais a sua cara hoje. — Subi correndo pro meu quarto escondendo o choro.

Ao entrar me joguei na minha cama e fiquei chorando em posição fetal durante horas.

Mamãe não veio me chamar pra jantar naquela noite e ouvi as gargalhadas vindo do andar de baixo. Eles realmente eram uma família feliz e eu só estava ali atrapalhando a vida deles.

Eu só não aguentava mais, aquela dor estava me consumindo, eu precisava me aliviar e os cortes já não resolviam mais.

"Quando a música não é mais o suficiente os cortes começam, e quando os cortes não são mais o suficiente?"

Essa frase tirou o meu sono e tive vontade de ligar pro John mas n queria encomodar, então só fiquei enrolada nas cobertas ouvindo música...

O dia amanheceu e eu não tinha dormido ainda, pra minha sorte era sábado e não tinha aula.

Mamãe trabalhava e Kellen ia pra casa de Matt, eu ficaria sozinha com Loius, essa ideia não me agradava nem um pouco. Disse que ia dar uma volta com Irene e ele logo me mandou sair. Me arrumei rapidamente, tentando ao máximo tampar minhas olheiras pra ninguém perceber que eu estive chorando.

Sai de casa e não sabia pra onde ir. Shopping nem pensar, muita gente, pracinha tinha muitos garotos, então resolvi ir para um parque aqui perto.

Ao chegar, procurei um lugar mais reservado e nas sombras. Quando me sentei meu celular tocou e vi que era John.

–Oi Sam, quer sair hoje? — ele perguntou eufórico.

–Não estou bem pra sair, estou doente — menti.

–Eu estou te vendo no Parque Nova Aurora — ele disse em tom divertido.

Olhei em volta e vi ele vindo em minha direção, desliguei o telefone e esperei ele chegar até mim.

–Está doente né? — ele disse sentando ao meu lado.

–Eu só não estava afim de sair, não estou nos meus melhores dias — eu disse olhando pro nada.

–Ei Sam, que tal passarmos o final de semana juntos? — ele perguntou esperançoso.

–Não acho uma boa ideia...

Eu realmente não achava, não queria me envolver com ele, ele era tipo de garoto pra ser adimirado e quando tinha ele em suas mãos era um desafio.

Parei pra reparar nele, ele estava com uma camiseta polo azul, colado no seu peitoral, calça jeans escura, all star preto, óculos escuros e com aqueles cabelos castanhos bagunçados de uma forma que o deixava sexy.

–Qual é Sam, me da uma chance, vamos ser amigos — ele interronpeu meus pensamentos.

–Tudo bem... O que você propõe? — perguntei fingindo animação.

–Vamos fazer uma coisa, já volto, me espere aqui — ele disse saindo correndo e me deixando ali estática.

Se passaram alguns minutos desde que John saiu, eu encarava o lugar por onde ele havia desaparecido. Quando ele apareceu ele carregava uma cesta de piquinique na mão esquerda e uma toalha na outra mão, comecei a rir, onde ele teria encontrado aquilo tudo?

–Vamos fazer um piquinique- ele disse estendendo a toalha e soltando uma gargalhada.

–Onde você conseguiu essas coisas? — perguntei curiosa.

–Eu tinha feito pra mim, mas como te encontrei vamos dividir, tem comida o suficiente pros dois.

–Tudo bem- eu disse me sentando na toalha quadriculada vermelha e branca- Você vem sempre aqui fazer piquinique sozinho?

– As vezes, eu gosto de passar um tempo só com os meus pensamentos... — ele disse fitando meu rosto.

A manhã passou rapidamente entre conversas e muitas risadas, John sempre tinha uma piada pronta e nunca deixava o assunto morrer, ele me contou um pouco da sua história e eu um pouco da minha, mas o que mais me marcou, foi o fato do irmão mais velho dele ter morrido aos 19 anos em um acidente de carro.

Um pouco depois das três da tarde, John me levou pra ver um lago que tinha em um lugar mais afastado do parque, tinha algumas crianças brincando com os peixes. Aquele lugar era lindo, com águas cristalinas e com os peixes de todos os tipos, lá tinha mais arvores que no resto do parte e era mais freco também, amei aquele lugar.

John pegou a minha mão e me levou pro outro lado do lago, me fazendo passar por uma pequena ponte de madeira, do outro lado tinha algumas arvores mais baixas e subimos em uma e ficamos o resto da tarde lá, observando os peixes e jogando conversa fora como se fossemos amigos a anos.

Quando já estava escurecendo, John me levou até em casa me dando um beijo demorado na buchecha.

–Nós vemos amanhã Sam — ele disse se despedindo.

–Tudo bem John — disse sorrindo.

Entrei em casa, dei boa noite pra mamãe e logo subi pra meu quarto, tomei um banho rapido e coloquei meus pijamas, não demorei pra pegar no sono e confesso foi a melhor noite de sono durante semanas.

Na manhã seguinte acordei com meu celular tocando as 7 hrs da manhã! Amaldiçoei quem quer que fosse, ao olhar o visor vi que era o John e logo o praguejei.

–O que você quer John? — perguntei irritada.

–Bom dia pra você também srta. mal humorada — ele se divertia as minhas custas só pode.

Bufei e respondi.

–Fala o que você quer, eu pretendo voltar a dormir.

–Se arrume e estarei a ir em uma hora — ele desligou o telefone.

Coloquei meu celular de lado e voltei a dormir. John era pontual há exatamente uma hora depois ele estava me esperando no andar de baixo, mamãe venho me acordar e tive que me arrumar.

Eu não queria sair de casa, estava frio e eu queria ficar de baixo das cobertas.

John não me disse pra onde estavamos indo, odiava surpresa, ele dirigia, super calmo e mantendo a conversa o mais agradável possível.

Alguns longos minutos depois, paramos em frente a uma trilha, que levava floresta a dentro.

Perguntei ao John onde estávamos e ele apenas sorriu, ele saiu do carro e eu o acompanhei. Ele caminhou pela trilha sem responder as minhas infinitas perguntas.

Depois de algum tempo andando, John se virou pra mim.

–Feche os olhos Sam — ele disse com aquele sorriso de canto de boca.

Fiz o que ele mandou e logo em seguida o senti pegando a minha mão e me guiando, depois de alguns passos ele mandou eu abrir meus olhos.

Demorei pra me acustumar com a claridade e olhei em volta, aquilo parecia uma clareira e no meio havia uma tenda que projetava sombras, John me levou até lá e nos sentamos.

–Que lugar é esse? — perguntei novamente

–O meu lugar favorito no mundo, eu custumava vir aqui com meu irmão jogar beisebol — ele disse se recordando das memórias.

–Ahhh — foi tudo o que consegui dizer.

Ao lado da tenda havia uma bolsa e não havia reparando nela, John a pegou e tirou de la um taco de beisebol, uma luva e uma bola, eu comecei a rir entendendo as intenções dele.

–Vou te ensinar a jogar beisebol Sam — ele disse se divertindo com a minha cara de panico.

Ele era um bom professor para uma péssima aluna,de umas cem bolas que ele me jogou eu rebati uma. Ele ria da minha cara de frustação toda vez que eu errrava. As horas se passaram como um piscar de olhos e ao nos darmos conta já esta escurecendo e eu precisava ir pra casa.

John me levou até o carro e abriu a porta pra mim entrar, alguns minutos depois já estavamos na frente da minha casa.

John desligou o carro e pegou a minha mão.

–Você é muito especial pra mim Sam, eu gosto muito de você, nunca se esqueça disso — ele disse passando a sua mão no meu rosto.

Logo depois ele se debruçou sobre mim e me deu um longo beijo, eu fiquei paralizada, não esperava por aquilo, ao perceber que eu não retribuira o beijo ele se afastou pedindo desculpas. Sai correndo do carro e corri escada acima pro meu quarto. Foi difícil dormir aquela noite, aquele beijo não saia da minha cebeça. Quando finalmente dormi, sonhei com John e me amaldiçoei por isso.