Criaturas da Noite

14 Em outros mundos


Aaron entrava em casa e subia para o seu quarto, batendo a porta e jurando matar Mik.

Enquanto isso, num quarto de hotel bem longe

—Olha Oliver, eu nunca imaginei que você ficaria do meu lado em uma separação, estou lisonjeado. — brincava Mik.

—Até quando só tem duas pessoas do seu lado, você continua fazendo piada com tudo. — respondia Oliver, indo dormir logo em seguida. Gen foi preparar um café, pois não conseguia dormir e Mik percebeu que ela estava acordada, indo até lá conversar.

—Até hoje não me disse como você e o Oliver descobriram que eu era um Guardião. — perguntava, curioso.

—Faz muito tempo. Eu sabia que tinha forças estranhas vindas de você, e Oliver também. Uma vez esperamos você voltar do trabalho e te demos um chá para beber, um chá que estava enfeitiçado por mim. Essa bebida te fez ficar vulnerável ao meu controle mental, foi quando perguntei o que você fazia a parte do nosso trabalho, sendo respondida com "Eu era um Guardião". Aquilo me deu vontade de te matar. — Respondia a espectro.

—E por qual motivo não matou? Eu estava vulnerável, você podia me mandar ir pra longe que eu iria.

—Eu não lembro bem, faz muito tempo- Gen dava essa resposta, mas Mik percebeu que ela estava mentindo, escondendo alguma coisa.

Depois desse diálogo, foram todos dormir, pois sabiam que o dia seguinte seria muito longo. Essa briga só era entre os Sete e não incluía seus caporegimes, e esses também não se envolveram em nada, focando somente nos caçadores.

Era um novo dia, com muitas nuvens, muito frio e parecia chover. Valentin estava em casa, deitado no sofá quando ouviu um barulho estranho, mas não vinha de perto, parecendo ser da floresta, eram barulhos de tiro. Ele, então, avisou aos outros três que estavam na casa e foram todos ver o que estava acontecendo. Chegando lá viram os caçadores contra os Guardiões. Kammel, Bartoryz e Laverne raramente lutavam com suas asas de fogo, mas quando viram os quatro, se armaram. Logo depois, Aodh percebeu que tinham mais pessoas vindo em sua direção, e então os outros três aparecem diante das árvores, o que gerou olhares ruins de Aaron. Estavam frente a frente o sereiano e o demônio, e alguns segundos depois só tinham os 7 na floresta, os outros tinham fugido, e todos se transformaram. Estava claro que ali haveria uma bela de uma briga, onde seriam, de um lado, um vampiro, um lobisomem, um sereiano e um bruxo, e do outro uma espectro, um demônio e um anjo. Pareciam ter esquecido todos os longos anos que viveram juntos e só viam oponentes em suas frentes. Será que era uma luta justa? Quatro de um lado e três do outro, e ainda mais que todos ali eram imortais, então até quando iriam lutar?

—É, irmãos. Vamos terminar isso no lugar onde começamos. — Fala o sereiano.

O local onde todos estavam era perto da famosa cabana, que onde tinha um lago, e Aaron tirou proveito disso, levando toda a água para perto e fazer uma barreira ao redor dos Primeiros. Mik e Aaron começaram a lutar, o fogo de um com a água de outro. A maior parte da briga deles dois foi física, com bastantes socos e chutes, e Aaron sabia lutar melhor que o demônio.

Do lado estavam Taylor e Valentin contra Gen. O bruxo começou jogando árvores para direção de Gen, mas ela atravessou e começou a voar em sua direção, acertando um soco bem no meio da cara dele. O lobo conseguiu cravar suas garras na barriga da espectro, mas Oliver, que estava lutando com Aodh, percebeu e atacou Val com suas asas totalmente afiadas, fazendo Gen conseguir se soltar e jogar o lobo bem longe. O vampiro aproveitou essa distração do anjo para poder atacar Oliver com seus afiados e longos dentes, e a reação dele foi acertar sua espada bem no meio do peito dele.

No meio dessa luta uma coisa aconteceu, uma coisa bem incomum. Era um barulho alto e incomodante e uma luz tão forte que tiveram que fechar e proteger os olhos, e quando abriram já não estavam mais no mesmo lugar. Eles estavam na mesma posição de antes, então levantaram e ficaram observando, foi então que reconheceram.

—Não viemos aqui há milênios. — comentava Aodh. Bem na frente, tinha um longo caminho, que diferente de antes já não estava mais tão claro assim, e sim um tanto obscuro, e no final uma escada que subia e parecia flutuar, e no topo dela, uma grande e bonita porta dourada. Quando andaram tudo e subiram as escadas, abriram a porta, entraram na Grande Sala e chegaram bem perto de uma pessoa, se ajoelhando todos e abaixando a cabeça. Essa pessoa não era uma simples pessoa, estava com um terno branco e de costas para os Sete, e então se virou.

—Pai — todos disseram.

Enquanto isso, na Terra.

Os Guardiões não tinham desaparecido totalmente, só estavam escondidos vendo toda a luta, e quando os Primeiros sumiram, eles foram imediatamente contar para Zummach.

—Sumiram? Como assim sumiram?- perguntava Furcalor, curioso.

—Eles estavam lutando e depois desapareceram. — explicava Laverne. Zummach começou a pensar na possibilidade de terem realmente morrido, mas percebeu que não tinha como morrerem assim, do nada.

Chloe estava voltando para a casa muito machucada, quase morrendo. Ela não tinha certeza se conseguiria voltar em outro corpo, já que foi ferida por um Guardião, e era uma ferida muito profunda. Estava longe de casa e desmaiou no centro da cidade, e o pessoal que estava por lá a levou para o hospital, onde ficou sendo cuidada por Abel. O anjo podia muito bem matá-la, mas sentiu pena e então a ajudou. Limpou o ferimento, guardou o sangue dela para mandar para Tom, e então costurou sua barriga, colocando suas mãos sobre ela, fechando os olhos e tentando a curar. Uma coisa que ele achou muito estranho, foi o fato de ter conseguido curar a menina e não ter conseguido com James, e então tirou a conclusão que a arma que os caçadores possuíam eram mais fortes do que as armas dos Guardiões. Ele deixou a menina lá, se recuperando e foi pra casa, dar o sangue dela para o bruxo. Tom pegou e repetiu o processo, pegando um papel qualquer, colocando em cima de uma mesa, despejando o sangue, estendendo as mãos e citando o feitiço "In virtute tua, eaque sentio", até conseguir sentir o poder dela.

— Sereia — afirmava ele. Depois, Abel voltou para o hospital e ficou observando-a.

De volta ao Céu

Depois de o chamarem de pai, todos levantaram. Mik e Oliver ainda estavam com suas asas, os únicos que estavam "transformados".

—Eu não os mandei para brigar. — disse Deus.

—Mas temos um traidor entre nós. Mikhail- antes que Aaron pudesse terminar, foi interrompido por seu Pai.

—Eu sei o que ele fez, mas você sabia que só saíram daqueles porões por causa dele? Mikhail que mandou Peter Walsh salvar Aodh, e também deu a pista de onde Genevieve estava. — chegava perto de Mik e logo seguia. — E o traidor de verdade não é nenhum dos que estão aqui presentes, mas é alguém muito próximo. Meus filhos, eu sei que dei poderes excelentes para cada um de vocês, mas saibam que são mais poderosos ainda juntos. Lúcifer está fazendo de tudo para separá-los, não caiam nessa tentação. — Terminava e dialogar e os mandava de volta para Terra.

Depois dessa séria conversa no Céu, eles decidiram todos fazerem as pazes. Quando Aaron ia sair andando, Mikhail o chamou e falou novamente que não tinha matado Priya, que foi um acidente, e dessa vez o sereiano acreditou, e acabaram apertando as mãos e indo para a casa.