Criaturas da Noite
15 A descoberta
As coisas estavam todas dando certo, pelo menos por enquanto. Já se sabia poderes de três caçadores e faltavam apenas mais três, e agora era vez de Noah descobrir. O lobo nunca foi uma pessoa muito amigável, então era certo que teria um combate dessa vez. O motivo do combate era bem simples, em um ataque surpresa o caçador, no susto, iria usar seu poder mais forte, assim sendo descoberta sua habilidade. Noah era um lobisomem muito esperto e forte, porém não sabia nada sobre Dominic, então teve que construir dois planos, caso o primeiro não desse certo.
No primeiro plano, ele imaginou ir ao bar onde seu oponente costumava ir, e arrumar uma briga humana qualquer, fazendo os dois serem expulsos do local e irem resolver em um beco que tinha atrás, onde quase ninguém passava. O plano B seria se algo desse errado com eles não sendo expulsos do lugar, e o lobo se estressasse tanto que se transformaria no meio do bar, por isso quis levar Amber com ele, que o tiraria instantaneamente de lá caso isso ocorresse.
Antes dele ir, como Dominic podia ter poderes de quaisquer espécies, Genevieve o livrou de ser controlado mentalmente. Ela usou uma técnica especifica dos espectros, onde controlava a mente do lobo o forçando a não ser vulnerável a outros tipos de controle, coisa que ela não fazia há muito tempo, e isso o deixava imune a qualquer tentativa de persuasão por um curto período de tempo.
Noah tratou todo o plano com Amber, que aceitou na hora. Ele então se dirigiu ao bar, avistou o alvo, se sentando próximo e pedindo uma cerveja. Sua parceira sentou no fundo do bar, onde conseguia ver e perceber tudo. O lobo começou derrubando sua bebida no caçador, o que gerou uma discussão, e por fim uma briga começada por Dominic com uma tentativa de soco. Sendo o golpe desviado, Noah revidou com um chute, derrubando o rapaz. As outras pessoas que estavam no bar começaram a gritar e uns quatro homens tentaram separar os dois, não conseguindo, mas isso acabou ajudando o lobisomem que, quando foi tentar se soltar dos que estavam separando a briga, acabou jogando um banco em Dominic. Depois de jogar, Noah tinha certeza do poder do caçador, já que ele simplesmente atravessou o objeto, ficando invisível e voltando a sua forma normal em segundos, sendo tão rápido que quase nenhum humano viu, e os que viram acharam que era efeito do álcool.
Noah foi direto para a casa dos Primeiros, onde encontrou Tom e disse que Dominic era um espectro.
Os Primeiros estavam finalmente em paz, sem discussões ou brigas. Agora, sabendo que o traidor é alguém próximo, eles não estavam mais confiando em ninguém e começaram a imaginar situações para descobrir quem é, e assim matá-lo. Primeiro começaram de um jeito simples, montando uma lista com todas as pessoas que conheciam e que eram próximas, e foram riscando as que achavam que eram, mas não eram. Gen e Taylor tentaram alguns feitiços para descobrir, algo que brilhasse no nome da pessoa ou qualquer outra coisa, mas nada aconteceu.
—Os feiticeiros mais poderosos do mundo e nem uma luzinha? – caçoava Aodh
—Essa força está além de nossas capacidades, tanto que nem percebemos sua presença. É um poder surpreendente. – falava Taylor, enraivecido.
Aaron começou a pedir a Deus por algum sinal, algo que os ajudasse. Mik reviu toda a lista, nome por nome e começou a circular os nomes das pessoas que pareciam ter cara de traidoras.
—E como é a cara de um traidor, Mikhail?- perguntou Oliver.
—Um traidor pode ter qualquer cara, poderia ser até um de nossos caporegimes. – dizia Aodh e todos ficaram surpreendidos com o que acabara de acontecer, uma luz se ascendeu.
—Acho que alguém levou o nosso pedido de luz ao pé da letra. E você ainda continua os chamando desse nome estranho, caporegimes, Aodh? – Falava Aaron.
—É o melhor nome para defini-los. E eu não acredito que o traidor é um deles, não pode ser. – respondia o vampiro.
Eles começaram a ficar nervosos pelo traidor ser tão próximo assim e então, começaram também a pensar nas situações em que ocorreram coisas estranhas com eles. Algo tipo alguma briga em que um deles podia ter feito alguma coisa, mas não fez, ou inventou alguma desculpa para não estar em algum lugar, e só então lembraram que não estavam lidando com um sobrenatural qualquer e sim um Guardião com fortes poderes de alguma espécie. Tentaram qualquer detalhe, mas não sabiam quem acusar, não tinham nenhuma ideia.
Abel ficou de plantão no hospital, e aproveitou a situação para cuidar de Chloe durante a noite. Depois de umas horas dormindo, ela finalmente acordou e não se lembrava de nada. Ela ficou confusa e não sabia onde estava, mas quando conseguiu sua resposta, começou a perceber o que tinha acontecido. O anjo explicou todo o ocorrido e que ela poderia ir para a casa de manhã, passando a noite no hospital. Também disse que as armas dela estavam guardadas e que as devolveria em sua alta. Quando Abel foi examinar a caçadora, ela recuou achando que ele fosse fazer alguma coisa de ruim com ela.
—Ei, eu sou um anjo, não vou lhe fazer mal.
—Você é um ser sobrenatural. Está me dizendo que nunca matou ninguém?
—Você também é um ser sobrenatural a partir do momento em que tem poderes sobrenaturais. E eu estou dizendo que nunca matei alguém inocente, da pra ver pela cor de minhas asas. – Falava ele se aproximando dela para trocar o curativo.
—Eu quase matei seu amigo, seria justificada minha morte.
—Uma habilidade que eu amo ter, é conseguir sentir a presença de maldade e pureza nas pessoas, e eu não vejo maldade nenhuma em você. É claro que às vezes eu erro, mas tenho certeza agora. – Continuava ele enquanto acabava de trocar o curativo, terminando e falando para Chloe descansar e esperar a comida chegar.
Depois de Amber sair do bar, ela resolveu ir para sua casa. Quando chegou, trocou de roupa e começou a pensar em formas de descobrir sobre os poderes de Megan. Então, ela saiu e foi para a casa dos caçadores, ficou rondando ali até conseguir ver a caçadora que queria. Ela estava regando as flores do jardim, e num descuido de Amber de fazer barulho, foi percebido que havia mais alguém lá.
—Eu sei que você está aí, apareça! – ordenava Megan. Para o demônio mostrar que não tinha medo, saiu e encarou a mulher, que tentou a manipular, usando seu poder para atrair Amber cada vez mais pra perto, até que esteja próximo o suficiente para quebrar o cabo de vassoura nela. Sua oponente foi obedecendo e se aproximando, até que, numa tentativa de ataque, Amber segurou a vassoura rapidamente e a jogou longe.
—Sério? Uma vassoura? – soltava um riso e logo continuava — E além do mais seu poderzinho não funciona comigo, afinal eu sou um dos demônios mais poderosos do mundo. – falava ele empurrando Megan e a jogando longe, deixando-a desacordada.
O jeito de Claire foi mais fácil de todos para descobrir o poder de Ravena. Na verdade, pode-se até dizer que foi um acidente, o que foi mesmo. A vampira estava caminhando pela floresta e sentiu cheiro de sangue, logo indo ver de quem era para se alimentar. Quando ela sentiu que o cheiro estava bem perto, viu que a caçadora estava com as presas cravadas no pescoço de um animal selvagem, foi aí que percebeu que era também uma vampira. Mesmo Ravena sendo humana, por ela ter habilidades da espécie, também tem algumas vontades, como beber sangue, e ela escondia isso dos outros caçadores.
Era isso, estavam todos descobertos, o problema com os caçadores agora ficou bem menor, já podendo ter uma vantagem futuramente.
Depois de descobrir que o traidor é um dos caporegimes, Oliver teve a seguinte ideia: É contado para cada um deles um respectivo local de onde esta escondida uma arma muito poderosa capaz de tirar os poderes de uma espécie, transformando um ser sobrenatural em humano, e o local onde irão aparecer os Guardiões, dirá quem é o traidor.
Para Tom, Taylor contou que a arma estava na biblioteca. Para Claire, Aodh contou que estava na Cabana da floresta, onde todos conheciam. Para Noah, Valentin contou que estava no cemitério, bem perto das estátuas do final do terreno. Gen contou para James que estava na delegacia, na sala ao lado da de interrogatório. Mikhail contou para Amber que estava no hospital, no quarto andar na parte de injeções. E Oliver contou para Abel que estava no Noctis Gastro, na cozinha bem na parte de estoque de ingredientes. Eles realmente não sabiam quem era o traidor, mas torciam para que não fosse uma das pessoas em que mais confiavam.
Cada um dos Sete ficou no lugar que contou para seu caporegime, exceto Aaron que resolveu ficar no Centro da Cidade, observando tudo. Passaram-se duas horas e não havia algum sinal dos Guardiões, foi então que começaram a achar que nenhum deles era o traidor, quando se ouviu um barulho de uma porta abrindo, e Kammel apareceu na frente.
—Droga, não acredito nisso. – sussurrava um dos Sete.
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