Criação dos Doze
4 Capitulo 3
O dia amanheceu tão rápido quanto anoiteceu, logo as aulas haviam se encerrado e as garotas estavam reunidas dentro do grande quarto cor-de-rosa de Letta. A garota tinha um gosto um pouco exagerado, aparelhos de dvd, uma teve de plasta, um espaço separado para a prática de suas coreografias, alguns aparelhos de malhação, um sofá e várias outras coisas que não deveriam estar em um quarto estavam arrumados em seus perfeitos e sistemáticos lugares. O closet da garota, que tinha metade do tamanho do seu quarto, estava lotado de roupas sapatos e acessórios, dentro dele havia um sofá cor-de-rosa e três espelhos de corpo inteiro, uma penteadeira que abrigavam alguns dos produtos de beleza da loira.
As quatro garotas estavam se olhando nos espelhos, decidindo oque usariam na festa que haveria aquela noite, e essa seria uma festa que mudaria a vida de algumas delas, umas pra bom, outras para mal, mas influenciaria na vidinha de todas, uma vida que, como já disse, era superficial e vivida de aparência, mas quem sabe depois dessa noite, depois de algum tempo convivendo com as consequências que ela traria, alguns deles mudariam suas maneiras de pensar e modos de agir, isso era uma possibilidade não é ?
Maya enfeitava os cachos com uma presilha, decorada com um enorme laço dourado, que dava o toque final em sua roupa que era composta por um short pequeno de mais e uma blusa extremamente transparente, que mostrava completamente o sutiã rosa shok da morena.
Taw estava passando as mãos pelo vestido tomara que caia preto com bolinhas brancas e ajeitando a pequena teara, que seguia o mesmo estilo do vestido, nos cabelos. Seus lábios foram realçados pelo forte batom vermelho e suas orelhas pendiam brincos de pérolas extremamente caros, mas Taw não se preocupava com um ladrão que ameaçasse arrancar suas orelhas, ela só queria estar linda para aquela noite.
–Como eu estou – Letta peguntou as garotas dando uma volta, ela usava um vestido de lantejoulas preto que ia ate o meio de suas coxas e um salto preto alto de mais, seus cabelos loiros estavam soltos e seus olhos marcados pelo preto, sua boca estava rosada pelo batom.
–Linda- rose falou com um sorriso, saindo do meio das araras vestindo uma saia preta e um corpete vermelho – e eu como estou ?
–E a vadia mais linda que já vi – Letta falou e todas sorriram, elas se divertiam juntas, esses eram os momentos onde os piores xingamentos eram levados na brincadeira e onde alguns dos sorrisos eram verdadeiros.
Rose se olhou no espelho de corpo inteiro e admirou seu reflexo, imaginando quais eram as chances de Tommas olhar para ela e a desejar. Ela sempre nutrira sentimentos escondidos pelo namorado da "amiga" e não perderia a oportunidade de roubá-lo dela essa noite, apesar de duvidar muito que conseguisse fazer isso. Os olhos da ruiva correram pelo corpo de Letta, que estava deslumbrante no seu pequeno vestido. " acho que não vai ser dessa vez " pensou ela, voltando-se para seu próprio reflexo novamente.
Em quanto, longe do quarto que parecia a superfície de um flamingo rosa, num galpão um pouco afastado da cidade próximo a reserva florestal a festa estava para começar, as luzes já estavam acessas e as portas abertas, os primeiros convidados já estavam chegando e Jack esquadrinhava as pessoas que passavam pela grande porta com os olhos "logo ela aparecerá" pensou ele, um sorriso se formou em seus lábios, logo o dinheiro entraria em sua conta e ele arruinaria mais uma vida, mas nada disso importaria, afinal tudo oque o interessa e o dinheiro, as vítimas que se virem não é Jack?
Temo que seu fim não seja exatamente como todos nós esperamos, mas o fim de Jack ainda está muito longe.
–Hoje completaremos a parte seis pessoal – ele disse para sua gangue, os garotos que antes foram garotos de rua, com os quais ele dividia o dinheiro dos "trabalhos " que eles realizavam.
–Hai ! — ele falaram em uníssono
–essa e a garota que procuramos – uma pequena foto passou de mão em mão, os garotos observavam atentamento o retrato da próxima vitima — lembrem-se, ela vale seis milhões, não vamos perder essa grana galera, espalhem-se e a encontrem, depois me avisem e a distraiam, logo teremos esse dinheiro na nossa conta
–Hai – eles responderam novamente e então se espalharam.
E e aqui, caros espectadores, que a nossa história realmente começa. Essa e a noite em que tudo mudará, de uma maneira um tanto lenta porém dolorosa. Aqui a ligação será formada, aqui o perigo e a dor serão injetados no corpo frágil da jovem, aqui os olhos azuis elétricos tomarão um tom mais escuro e um tanto amarelados, será aqui que as marcas começarão a ser deixadas.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Logo quando o pequeno grupo chegou a festa eles se separaram, de maneira involuntária eles seguiram caminhos opostos e se perderam uns dos outros em meio a multidão que lotava o grande galpão, que era bem iluminado estava bem mobilhado para uma festa.
Letta de início caminhava pelas pessoas com Thommas, porém em determinado momento, depois de vários copos de bebida, algumas danças e uma pequena discussão, que agora a loira mal lembrava o motivo, fizeram o casal se separar e perder-se entre as pessoas.
Letta podia ver tudo ao seu redor girar, a música estava começando a irritá-la e ela sabia que exagerara na bebida, um erro muito grave, que traria consequências mais graves ainda.
– Merda – reclamou deixando os ombros caírem e abandonando um pouco sua postura tão perfeita, seus olhos azuis esquadrinharam a multidão – se soubesse que seria assim teria vindo com meu próprio carro – disse em quanto caminhava, passando com dificuldade pelas pessoas, ate chegar ao lado de fora do galpão.
Thommas, que estava duas vezes mais bêbado que a loira, dançava entre duas morenas altas, com um copinho de tequila na mão, as garotas pressionavam seus corpos no dele, balançando-se ao ritmo da música.
Rose, que estava do outro lado do galpão, dava uns "amassos" num garoto qualquer, sob efeito de muito álcool e uma pequena dose de êxtase, que fora colocada por "acaso" em sua bebida, pelo mesmo garoto qual ela beijava de forma intensa e desinibida, sem se importar com as pessoas, estava um tanto fora de si a ruiva, mas quem se importa certo? Era uma festa, pena que nem todos estavam se divertindo tanto.
Maya não estava mais no galpão, havia sido levada mais cedo pelo seu novo parceiro, o garoto de pele escura e cabelos estilo militar deixara a morena apaixonada a algumas semanas, mas a mesma decidira deixar isso em segredo por um tempo.
De todas as que estava numa situação mais cômica era Tawny. Em um dos lados do bar, a garota que antes era tímida e retraída dançava sem blusa sobre o balcão, bem, talvez oque tenha a levado para esse ponto tenha sido mais que alguns copos de bebida, mas jamais saberemos com certeza oque todos fizeram aquela noite, que fora tão complicada e confusa.
Ao lado de fora Letta observava o céu, tentando aliviar os efeitos do álcool e esvaziar a mente, ela estava pensando em como iria para casa agora, pois os outros estariam bêbados de mais para dirigir, assim como ela, ealém do mais Thommas jamais lhe daria as chaves do carro sem pedir algum favor.
– Olá — um garoto de cabelos loiros e olhos azuis apareceu subitamente ao seu lado.
Letta olhou com um tanto de desconfiança.
–Olá – ela respondeu dando de ombros com um tom de indiferença, o garoto não parece surpreso ou ofendido com o tom que a loira usara.
—Algum problema? — ele perguntou, tentando ser solidário, ao menos era isso que ele queria passar, Jack sempre foi um bom ator.
—Não e da sua conta – respondeu a garota de maneira grosseira.
—Calma gatinha – Jack deu um sorriso e levantou as mãos em sinal de rendição
Letta olhou para dentro do grande galpão, ela não estava com saco para conversas, nem para festas ou qualquer uma dessas coisas, sua paciência já fora totalmente consumida e, a seu ver, ela não necessitava de mais um babaca para encher-lhe o saco.
—Você não parece bem, quer uma carona? — Jack perguntou num tom fingido de preocupação.
—Não obrigado, eu tenho as minhas pernas e posso muito bem caminhar ate em casa com elas- ao dizer isso Letta passou a mão esquerda pelos fios loiros e caminhou de maneira perfeita, ou quase, em direção a saída, que por acaso dava para uma trilha que passava pela floresta antes de chegar a estrada.
– Muito provavelmente passarei a noite caminhando – então a moça lembrou-se do celular que levava em sua bolsa – talvez não – disse procurando pegar seu celular, a essa altura ela já adentrava a trilha.
Sabe, muitas das vezes não percebemos quando os lobos se disfarçam de cordeiro para tragar-nos no momento mais inoportuno, no instante em que nos vemos mais frágeis e desapercebidos...
Fale com o autor