Crests of Waves
12 Capítulo 12
Notas iniciais
–Quem tem que achar alguma coisa dela é você, não eu. Não sou eu que estou namorando a garota.
–Nós não estamos namorando. -Nathan retrucou com uma careta -Estamos apenas...ficando.
–Tanto faz, Nathan, não me importo. -Cath falou com um pequeno sorriso, se virando para encará-lo. A luz da manhã deixava os cabelos de Nathan mais claros do que realmente eram, as mechas ficando de um tom quase mel.
–Mas o que custa responder? -perguntou Nathan se sentando ao seu lado, fazendo Cath levantar uma sobrancelha- O que foi?
–Você vai sujar seu pijama. -disse ela simplesmente, embora tivesse vontade de falar que o levantar de sobrancelha se devia a surpresa de vê-lo tentando ter uma conversa civilizada depois de uma semana de monólogos trocados.
–Quem teve a ideia de vir para areia foi você, não me culpe! -falou Nathan com um sorriso no rosto dando um leve empurrão no ombro de Cath- Mas não tem problema se sujar, eu tenho vários outros iguais a esse.
–A culpa não é minha se você quis me seguir. E afinal, por que você se importa com o que eu achei de Emily?
–Porque sim. Eu gostei bastante dela.
–Percebi, é bem difícil você sair com a mesma garota duas vezes, estou me perguntando quando você vai enjoar dela.
–É isso que você pensa de mim? -ele perguntou parecendo magoado, mas Cath não se deixou se intimidar com a cara de cachorro que caiu da mudança.
–E o que era para eu pensar? Você nunca teve um namoro sério, nem mesmo um namoro. Muda de garota a cada dia, as vezes permite que elas tenham o prazer da sua companhia por mais um ou dois encontros. Era para eu pensar que você realmente se importa com elas, quando parte o coração de muitas? -antes que ele pudesse responder, ela continuou- Nathan, você é uma boa pessoa em diversos aspectos, mas infelizmente, o aspecto amoroso não está incluso nisso.
Por alguns segundos, Cath ficou encarando os olhos âmbar de Nathan que brilhavam de um modo estranho, enquanto esperava por uma resposta que tentasse contradizê-la. Já sabia até com o que rebateria, falaria dos exemplos de garotas que já tinham pensado que poderiam ter alguma chance com ele. Porém, quando Nathan finalmente respondeu, Cath ficou tão surpresa com a resposta que esqueceu tudo que se passava em sua mente.
–Não vou tentar dizer que é mentira, porque eu sei que é verdade. Mas todas as meninas que vão para a cama comigo sabem disso, eu não sou um tipo de vilão que fica enganando as mocinhas puras e inocentes. Elas sabem quem eu sou, sabem do que eu gosto, se elas vão para a cama comigo mesmo assim, não é culpa minha. Elas são grandinhas demais para terem noção do que estão fazendo e no que estão se metendo, não posso ficar bancando um pai preocupado com as possíveis ilusões que elas possam criar, se não, não transaria com ninguém.
–Tocante. -Cath falou irônica, abraçando os joelhos.
–E outra, eu nunca namorei com ninguém -continuou Nathan, ignorando o comentário dela- porque eu não queria ficar com alguém só para ficar, só para dar um título. Não queria ter ninguém apaixonada por mim, não queria ter que lidar com o fato de não amar a pessoa de volta...não queria ter o peso na consciência, sabe?
–Nate...isso é muito triste. -Cath sussurrou, deitando a cabeça nos joelhos virada na direção de Nathan. Como sua mecha estava caindo um pouco em cima do rosto, ele fez o favor de tirá-la e colocá-la atrás da orelha. O novo hábito de Nathan, mas em vez de tirar a mão, ele a deixou parada, fazendo com que Cath conseguisse sentir o calor suave em sua pele.
–Você acha? Nunca me importei com isso. -respondeu em um tom de voz mais baixo, com um sorriso no rosto, enquanto, após fazer um leve carinho na bochecha de Cath, retirava lentamente a mão- Eu só...não queria ser um daqueles namorados estúpidos que não se importam com a namorada, um daqueles que em qualquer oportunidade, a trai.
–Então não seja.
Nathan abriu um pequeno sorriso, parecia triste, mas talvez fosse só coisa da cabeça de Cath. Ela pôde vê-lo ajeitar o cabelo, observar as ondas do mar indo e vindo, trazendo para ambos uma sensação de tranquilidade, antes de dar um longo suspiro e dizer:
–Eu queria saber sua opinião sobre Emily porque acho que...quero tentar. Acho que vou dar uma chance a ela, e queria saber se você acha ela é uma garota pela qual vale a pena a tentativa.
–O que?! -Cath perguntou surpresa, se empertigando, podendo perceber que seu tom de voz tinha ficado tão fino e alto, que Nathan poderia perceber, sem muitas dificuldades, que sua frase havia a abalado.
–Calma, Cath. Não vou pedir a garota em namoro agora, eu apenas, estou considerando dar uma chance a ela. Emily é uma garota legal, simpática e educada. Talvez não seja tão inteligente quanto você e minha irmã, mas ninguém é perfeito, né?
–Mas...mas..o que? -Cath perguntou tentando formar alguma frase que fizesse sentido- Por que você está fazendo isso agora? Todos esses anos você nunca se importou em tentar, por que agora, por que essa menina?
–Porque chegou a hora de tentar. Ano que vem irei para a faculdade e preciso ter uma experiência como essa antes de sair do colegial. Já tenho dezoito anos, Cath.
–Mas, por que ela?
–Não sei, talvez porque eu passei a semana inteira procurando uma coisa que eu não posso ter e que eu não deveria querer ter. Emily foi a primeira garota que conseguiu me fazer deixar de pensar no que eu estava pensando em uma mulher, no que eu não deveria querer. -ele pegou levemente em uma mecha de fio loiro das costas de Cath, parando sua frase por alguns seguros para encarar o loiro, e ela se perguntou, o que, por deus, ele estava querendo dizer com aquilo- Emily é simples. Ela me escutou por uma noite inteira falando coisas sem nexo enquanto estava bêbado e mesmo assim, aceitou sair comigo uma outra noite.
–Isso significa que na primeira noite que ela dormiu aqui, vocês não transaram?
–Shhh. -Nathan pediu colocando o dedo indicador sobre a boca, escondendo um sorriso de lado- Não podemos deixar as pessoas ouvirem isso, porque minha reputação de galinha pode ser afetada.
Cath revirou os olhos com o drama.
–Tinha esquecido o quanto você podia ser criança.
–Esqueceu tão rápido assim? -Nathan brincou- Pois agora pode ter certeza que não te deixarei esquecer nenhum minuto.
–Nate...- Cath começou a dizer, mexendo nos fios de cabelo dele que caiam para a nuca, ficando surpresa em vê-lo se arrepiar com o toque- O que aconteceu nessa semana?
–Como assim?
–Você quase não ficou em casa e eu me senti muito culpada, porque...foi por causa do beijo que eu retribui que você está agindo assim?
–O que? Cath! -Nathan riu, apesar de ter as sobrancelhas franzidas- Não acredito que você está se sentindo culpada achando que o motivo de eu ter saído foi você. Eu sai, porque sempre saio, pensei que minha irmã tivesse lhe dito isso.
Cath retirou a mão que fazia carinho na nuca de Nathan e perguntou, cautelosa:
–Anne te contou sobre isso?
–Claro que ela contou. Nós somos irmãos e quando o assunto surgiu ela me falou que você tinha perguntado sobre o que ela achava do meu sumiço.
–Maldita. -Cath resmungou baixinho. Se ela soubesse que assim que perguntasse, Anne sairia correndo contar para Nathan, não teria feito aquilo. Não queria que ele soubesse que ela estava preocupada ao ponto de questionar a melhor amiga.
–Hei...não tem problema, fiquei surpreso com a preocupação, mas isso é normal. Eu sempre saio no verão, não tem nada a ver com o nosso beijo. Eu apenas queria...sei lá, como as pessoas falam? Clarear a mente?
–Sim...
–Pois é, eu queria clarear um pouco a mente. Estava ficando estressado já no começo do verão e continuar brigando com você daquele jeito não daria certo. Agora...bem, agora estamos tendo uma ótima conversa civilizada sem nenhuma briga, né? -perguntou de modo retórico, sem esperar realmente por uma resposta- Acabou sendo uma coisa boa.
–Sim, parece que acabou...
Novamente, ficaram em silêncio, apenas sentindo o vento balançar seus cabelos e encarando as ondas, que começavam a se afastar cada vez mais deles, uma vez que a maré estava baixando. Quando passaram tempo o suficiente para cada um começar um devaneio próprio, Cath recomeçou a conversa do ponto principal da questão.
–E então, Nathan, Emily.
Ele soltou uma risada ao ver o olhar questionador de Cath.
–O que é que tem ela?
–Não acha que está indo rápido demais? Segunda noite juntos e já está considerando um namoro?
–Não falei que a gente ia começar a namorar agora, apenas que se continuar do jeito que está, algum dia gostarei de fazer o pedido. E outra, nós nos conhecemos desde pequenos, os pais dela moram nessa praia.
–Sério? -Cath perguntou surpresa. Por um lado, ela queria muito dizer que isso devia ser bem deprimente para Emily, que explicava o fato dela não ser tão inteligente, que achava ela fútil demais para Nathan, porém, não podia fazer isso. A Catherine de duas semanas atrás não teria nem ao menos considerado falar aquilo, teria ficado genuinamente feliz por Nathan estar pensando em tentar namorar com alguém por mais de alguns dias, além de tentar dar a maior força possível. Então, apesar de não estar muito contente com o que estava acontecendo, pois tiraria todas as suas chances de algum dia ter algo casual com Nathan, Cath falou- Ela parece ser bem legal, divertida, parece alguém que poderia valer a pena para você. Emily percebeu até que eu gostava de sanduíche sem presunto!
Nathan soltou uma risadinha e passou o braço por cima do ombro de Cath, puxando-a mais para perto de si.
–Bem, sinto muito lhe dizer, mas isso fui eu. Ela tinha feito todos os sanduíches com presunto, aí eu resolvi fazer um sem, para te deixar com um humor melhor.
–Não acredito! Você estava tentando me comprar com um sanduíche?
–Consegui? -perguntou sorrindo, a covinha aparecendo e os olhos brilhando em uma confusão de dourado e castanho.
–Definitivamente. -retribuiu o sorriso- Mas sério, Nate, eu sinceramente acho que ela poderia valer a pena. Ela é diferente de todas as garotas que você já ficou, parece ter conteúdo, parece ser uma menina que quando você não quiser transar-
–Acho difícil, Cath -Nathan a interrompereu- eu sou insaciável.
Cath rolou os olhos, ignorou completamente a interrupção de Nathan e continuou:
–Enfim, ela parece ser alguém que não vai ficar com raiva de ter que conversar contigo, ou fazer coisas normais como assistir a um filme sem se agarrar, passar tempo com os seus amigos e gostar. Vou ser sincera, eu me surpreendi com Emily, pensava que ela era uma das suas ficantes nojentas que fingem gostar de mim, mas que realmente não gostam. Emily é diferente, parece verdadeira.
Nathan assentiu quando viu que Cath não falaria mais nada.
–Obrigada, Cath.
–De nada, Nate. -ela respondeu, apesar de ter sido um pouco estranho falar para ele todas aquelas palavras, quando a última coisa que ela queria era que Nathan começasse a namorar.
Não era ciúmes, não podia ser, era mais algo como um pequeno incômodo por saber que a primeira pessoa que Nathan namoraria seria uma completa estranha.
Não, ainda não era isso.
O que realmente estava lhe incomodando era que ela não seria a primeira namorada de Nathan. Esse não era um sentimento claro, era algo que estava escondido por debaixo de todos os sentimentos e razões de Catherine. Algumas poucas vezes, principalmente na infância, Cath tinha imaginado como seria ter um Nathan apaixonado por si, e como deveria ser a experiência de namora-lo. Sempre pensara que ele seria dedicado, atencioso e amoroso, porque era assim que Nathan era com todos. E era assim que ele provavelmente seria com a futura namorada.
Quando Cath começou a crescer, esse tipo de pensamento foi sumindo gradativamente. Ela começou a conhecer garotos novos, pessoas novas, passou a descobrir o quão bom era beijar e, porque não admitir logo, transar. Passou então a não pensar mais em Nathan dessa maneira, apenas como um irmão que nunca teve. Um bom amigo e todas essas coisas. Claro que ainda o considerava muito bonito, ela não era cega, nem besta para negar o óbvio. Todo mundo, até mesmo alguns meninos, admitiam que Nathan Tanner era perfeito no quesito beleza.
Entretanto, aqueles pequenos devaneios da infância estavam a tanto tempo esquecidos, que quando Cath se viu, novamente pensando neles, foi uma grande surpresa. Ela não podia, mais do que isso, não devia se permitir pensar naquelas coisas porque Nathan merecia ser feliz e ter aquela experiência. Seria muito egoísmo de sua parte ficar com raiva, irritada ou até mesmo incomodada por Nathan estar tentando, apenas por ter gostado de um beijo estúpido que nunca deveria ter acontecido. Era para ser só uma brincadeira e Cath não poderia se deixar ter aqueles tipos de pensamentos por isso.
Portanto, Catherine precisou de toda sua força para tirar aqueles pensamentos de sua cabeça e só então dar um longo suspiro antes de apertar ainda mais o abraço e observar o mar.
***
Nathan e Catherine ficaram naquela maneira por muito tempo, até que a Lauren apareceu na porta da varanda chamando os dois para dentro.
Ao se virar surpresa por ter uma presença a mais, Catherine logo se afastou de Nathan, mas repreendeu a si mesma, dizendo que antes do beijo, eles estarem abraçados era a coisa mais normal do mundo. Porém, depois de Nathan dar a mão para ela, ajudando-a a se levantar, Cath deixou de se preocupar com o que Lauren poderia pensar sobre os dois abraçados e percebeu, pela primeira vez, o quanto a Sra.Tanner parecia cansada. Tinha profundas olheiras e a pele clara estava mais branca que o normal, quase como se não tivesse dormido a dias.
–Está tudo bem com Lauren? -Cath perguntou baixinho para Nathan, não querendo que a mesma escutasse.
–Claro que está. -Nathan respondeu de forma automática, mexendo nos cabelos de forma descontraída, ou ao menos, tentando ser. Catherine percebeu na mesma hora que algo não estava bem.
Nathan estava mentindo.
–Certo. -ela respondeu, apesar de lhe lançar um olhar que dizia que não estava nada certo, e que sabia que ele estava mentindo.
Nathan se limitou a dar de ombros e colocar um pedaço de bolo na boca.
–E então crianças -Lauren começou a dizer, colocando um pouco de suco de laranja no copo de vidro, enquanto encaravam os dois- o que estão fazendo acordados tão cedo?
–Todo dia eu acordo nesse horário, mãe.
–Eu também, tia. -Cath completou.
–Sério? Não sabia. -ela lançou um sorriso caloroso para Cath e essa pôde perceber que os cabelos da mulher estavam presos em um coque mal feito. Para Cath, Lauren estava lembrando algum tipo de Rainha em queda, ou uma deusa cansada. Era tão estranho não ver a Sra. Tanner impecavelmente arrumada e gloriosa, que agora que a estava vendo daquela forma, algo parecia errado, como se o universo estivesse de alguma forma, virado de cabeça para baixo -Bem, queridos, se eu soubesse, com certeza teria acordado mais cedo outros dias para lhes fazer companhia.
–Mãe. -Nathan falou com um sorriso compreensível e triste- Não precisa, de verdade. Eu e Cath já fazemos companhia um para o outro, não é?
Ele se virou e a encarou. Cath prontamente respondeu.
–É, tia Lauren, Nathan já é uma ótima companhia no café da manhã, a gente aproveita esse momento para conversarmos também, já que quase não nos vemos.
–Está vendo mãe? Pode ficar despreocupada, é melhor a senhora dormir até tarde para descansar de tudo.
A Sra. Tanner mudou o olhar de Nathan para Cath, até voltar novamente para o filho.
–Ah, entendo. -respondeu, como se acreditasse que algo mais estava acontecendo entre eles, mas, Cath pensou, ela não poderia saber- Que bom que vocês estão se entendendo, sempre esperei algo assim de vocês.
–Como assim algo assim? -Cath perguntou genuinamente confusa.
–Oh, não! Não preste atenção em mim! Eu já sou uma mulher quase entrando na meia idade, não ligue para o que eu falo.
Apesar de Nathan demorar para deixar de encarar sua mãe, um pouco irritado, ele conseguiu falar, revirando os olhos.
–Mãe, a senhora e seus dramas de sempre. Ainda vai demorar muito, muito mesmo para chegar a sua meia idade.
–Nate...-ela disse pegando no rosto do filho- Você sempre foi tão gentil. É um bom menino, sei disso, lhe criei bem.
Lauren passou um momento encarando Nathan, talvez estivesse pensando no nascimento do filho, talvez estivesse pensando em tudo o que eles passaram para chegar aquele momento. De qualquer forma, Catherine nunca poderia entrar na cabeça da Sra. Tanner e tirar sua curiosidade. Teve que se contentar em vê-la se levantar da cozinha com o copo de suco na mão, até ela parar e encarar Cath.
–Ele é um bom menino, não acha, Cath?
Surpresa pela pergunta tão direta, Cath se engasgou por alguns minutos antes de responder.
–Sim, Sra. Tanner, ele é. -e se amaldiçoou ao perceber que ficara vermelha ao afirmar uma frase tão simples e boba. Se amaldiçoou ainda mais quando viu um sorriso discreto aparecer tanto no rosto de Nathan, quanto no rosto de Lauren ao afirmar que subiria para voltar a cochilar.
Droga, resmungou mentalmente, tanta hora para corar, e ela tinha que corar justo naquele momento.
–E então -começou Nathan, com o sorriso malicioso de volta ao rosto- você acha que eu sou um bom menino?
–Tia Lauren estava bêbada? -perguntou na lata, ignorando completamente a pergunta dele.
O sorriso de Nathan se desfez em milésimos de segundos, dando lugar a uma careta desconfortável.
–Por que você diz isso?
–Porque tia Lauren normalmente não é daquele jeito. Ela não parecia bem. Não parecia nada bem. -como Nathan permaneceu calado, Cath continuou apontando os fatos, para que ele não tivesse outra alternativa a não ser respondê-la -Você viu as olheiras dela, os cabelos desarrumados. Tia Lauren nunca, em um estado normal, sairia do quarto daquela maneira. Alem disso, que conversa sem sentido foi essa que acabamos de ter? Ela parecia tão distraída..avoada, sei lá. Aérea! Pronto! Essa é a palavra. Tia Lauren parecia completamente aérea hoje.
–Ninguém é perfeito 100% do tempo, sabe, Cath? -Nathan perguntou com um sorrisinho de lado, após alguns segundos. Ele estava claramente tentando fazer daquilo uma piada para desviar o foco e não ter que começar a falar do assunto realmente serio e importante.
–Não, Nathan Tanner, nem comece.
O sorriso normalmente saiu de seu rosto, e Nathan deu um suspiro, enquanto se sentava na cadeira com os ombros encolhidos. Parecia que, com aquele suspiro, ele não estivesse colocando para fora apenas o ar, Cath conseguia sentir a frustração e tristeza sendo também postos para fora. Nathan parecia pequeno e sem forças sentado naquela cadeira daquela forma, tão desprotegido e vulnerável, que ela precisou se conter para não abraça-lo.
–Uma hora você ia perceber, estou surpreso por ter demorado tanto. -ele começou a dizer, com a voz baixa, olhando para baixo.
–Perceber que ela está assim? Faz tempo que tinha Lauren esta desse jeito? -Cath perguntou surpresa por só agora ter percebido. Quanto tempo ela estaria daquela maneira? Que egoísta tinha sido, passado a semana pensando em um drama tão besta quando tinha pessoas com problemas bem maiores do que os dela- O que esta acontecendo com ela?
Nathan levantou a cabeça e Cath pôde perceber que sua boca não passava de uma fina linha, de tão contraída que estava e os olhos âmbar estavam menos brilhantes que o normal.
–Cath, você não pode falar nada para minha irmã.
–Tudo bem.
–Não Cath, você não está entendendo. Você não pode comentar absolutamente nada, nada para ela. Nem comentar, muito menos perguntar. Anne não pode saber disso de jeito nenhum.
Cath precisou puxar uma cadeira ao lado de Nathan para se sentar, preocupada com o Nathan falaria em seguida.
–Tudo bem, Nathan. Eu prometo. Anne não saberá de nada.
–Certo. -ele se ajeitou na cadeira e deu um longo suspiro, antes de soltar a bomba- Cath, meu pai traiu minha mãe por dois anos e ela descobriu isso um pouco antes de virmos para cá. Eles vão se separar, por isso que ele não está aqui, por isso que minha mãe tem passado esse tempo no quarto. Ela tem tomado remédios para entrar não em depressão, porque já estava começando a apresentar os primeiros sintomas...Mamãe realmente amava o estúpido do meu pai e a recuperação esta sendo um pouco difícil para ela.
–O Sr.Tanner?- Cath perguntou surpresa, tentando entender como e porque alguém, em sã consciência trairia a Sra. Tanner. Ela era uma das mulheres mais perfeitas que Cath já conhecera na vida. Com toda a elegância, beleza, gentileza e inteligência que alguém poderia ter. Porque o Sr.Tanner trairia uma pessoa que era quase perfeita?
–Sim, ele mesmo. Mamãe voltou de uma viagem mais cedo e encontrou o papai com uma das secretarias dele. Vou chocante, para dizer o mínimo. Cath, Anne não pode saber disso, não sei como ela reagiria, mas sei que ficaria completamente arrasada. Desde pequena Anne tem idolatrado nosso pai, colocado-o em um pedestal, então...eu prefiro que mamãe conte para ela, quando estiver pronta para lidar com o fato, sabe?
–Humhum, entendo. -Cath assentiu com a cabeça, extremamente triste por aquilo estar acontecendo com a Lauren. Ela era uma pessoa tão boa, não era justo- E como você descobriu?
–Não tem muitas coisas que conseguem esconder de mim, no dia seguinte eu percebi que havia algo errado, então minha mãe acabou me contando.
–Caramba, Nate, estou tão triste por vocês. -ela sussurrou se aproximando o bastante para colocar uma mão nas costas dele- Eu realmente sinto muito.
–Eu também, Cath, eu também... -ele murmurou, colocando a cabeça no ombro dela. Apesar de ser bem mais alto que Cath, conseguiu achar uma posição confortável que o permitisse permanecer naquela posição.
–Amanhã vai ser outro dia, e então tudo vai passar. -Cath sussurrou, fazendo referencia a duas músicas de um artista brasileiro, chamado Chico Buarque, um dos artistas internacionais preferidos da família Tanner.
Nathan se limitou a dar um sorriso, concordando internamente com aquilo.
Fale com o autor