Notas iniciais
Gente. Eu não sei nem mesmo como começar isso daqui. Primeiro que eu queria pedir milhares desculpas pela demora, mas a minha vida se tornou uma loucura do final do ano para cá. Primeiro que eu descobri que minha avó paterna está morrendo de câncer no estômago (já é terminal, então a gente não pode fazer nada além de esperar). Eu fiquei muito muito muito mal, e comecei a passar ainda mais tempo com ela, isso significa que eu soltei o celular. Depois, quando estava começando a melhorar, descobri que não havia passado em arquitetura. Isso foi dia 12. Dia 13, minha tia avó morreu e dia 14 Alan rickman morreu. Eu sou muito muito muito fã de Harry Potter, então a morte dele foi muito chocante para mim. Fiquei a semana deitada na cama, sem conseguir fazer nada. Enfim, apenas agora estou começando a me sentir melhor e espero que me perdoem pela demora. Eu realmente sinto muito.

Catherine se levantou a contragosto quando Anne puxou suas cobertas e a avisou que iam sair cedo para subirem o morro.

"Quanto mais cedo sairmos, melhor será para subirmos. Pelo menos não morreremos de calor antes de chegarmos ao topo. Nathan já está pronto, assim como o seu café da manhã, então se arrume rápido."

Se arrume rápido, Cath resmungou mentalmente. Para Anne era fácil falar, não era ela que tinha ido dormir mais de três horas da manhã lendo um romance policial. Porém, Cath não reclamou, apenas colocou seus pés para fora da cama e se arrumou da forma mais rápida que conseguiu. Como iam fazer bastante exercício, optou por colocar um short jeans branco e uma blusa preta tribal em cima de seu biquini rosa choque. Aquela cor sempre ficava boa nela, principalmente quando começava a bronzear.

—Bom dia, flor do dia. -Nathan falou piscando para ela, assim que essa entrou na cozinha. Ele estava claramente de bom humor, visto que seu sorriso deixava a amostra seus maravilhosos dentes brancos. Se Cath não estivesse tão cansada e de mal humor, provavelmente teria de derretido ao corresponder o sorriso, mas como aquele não era o caso, apenas pegou a xícara de café bruscamente da mão do moreno.

—Obrigada. -se forçou a dizer com a voz ainda rouca de sono.

—Desculpe por não ter te avisado antes que íamos hoje para o morro, Cath- Anne disse docilmente, ajeitando o cabelo castanho em um coque. Como sempre, ela estava linda. Usava um vestido solto de renda branca, e uma simples sandália gladiador que ia até o seu tornozê-lo. -Às vezes eu esqueço que você não vem todo verão com a gente. Da próxima vez, prometo que aviso para você se preparar. Vi que terminou o livro que te emprestei.

—Mas já? -Nathan perguntou surpreso, desviando o olhar da irmã, para Cath, não se incomodando de fechar a boca -Foi dormir que horas?

—Três da manhã. Estou morta. Preferia estar dormindo.

—Ah, mas você não veio para cá para dormir, Cath. -Anne afirmou com um sorriso, já pegando a chave de sua moto -Você veio para conhecer o verão dos Tanners.

—Para se divertir! -completou o irmão, fazendo a loira revirar os olhos. Ainda era engraçado ver como eles agiam juntos, como se fosse gêmeos e não conseguissem viver separados, sem um completar a frase do outro. Catherine não conseguia nem imaginar como Anne ficaria quando Nathan fosse para a faculdade naquele ano, provavelmente se sentiria como se uma parte de si fosse embora. Provavelmente não. Cath tinha certeza que Anne se sentiria assim.

—Certo, agora que nossa bela adormecida já acabou de tomar o café da manhã, podemos ir? -ele perguntou esperando pela confirmação da irmã, que não demorou a vir. Anne abriu um sorriso e levantou a chave da própria moto.

—Adoraria que parasse de me chamar de bela adormecida, Nathan.

—O que aconteceu com o Nate?

—Sumiu no momento que você insistiu em continuar com esses apelidos infantis. -resmungou, apesar de saber que não era aquilo.

—Acho que alguém amanheceu de mal humor. -Anne disse, dando uma piscadinha para o irmão, que rapidamente abriu um sorriso.

—Vem aqui. -ele pediu, a puxando pela cintura para colocar o capacete na cabeça dela.

—Não quero. -resmungou empurrando a mão de Nathan que segurava o capacete.

—Mas é para a sua segurança.

—Mas eu não quero, Nathan! Você falou que depois, se eu não quisesse, poderia escolher. E eu já disse que não quero. -quase gritou, irritada- Pare de me tratar como se eu fosse uma criança de 5 anos, eu só sou um ano mais nova do que você. Quando eu disse que não quero colocar a porcaria do capacete, então você não coloca a porcaria do capacete.

Nathan não falou nada, apenas jogou o capacete no chão e se sentou na moto, com força o bastante para fazê-la balançar.

—Não vai subir? -perguntou com a expressão fechada.

—Pare com isso.

—Com isso o que?

—Pare de tentar me transformar na vilã, de tentar me fazer sentir culpada por algo que você fez e insiste em fazer. Não precisa ficar cuidando de mim o tempo todo, eu consigo me virar sozinha, tudo bem?

—Eu sei que você consegue se virar sozinha, mas qual o problema em eu me preocupar?

—Talvez eu não precise da sua preocupação. Sabe quem precisa? Aquelas inúmeras meninas que você iludiu.

—O que elas tem a ver com nossa discussão?

—Tudo! Eu estou falando do seu jeito e da sua hipocrisia. Engraçado você vir todo carinhoso para cima de mim, quando parte o coração de milhares de garotas. E para que você faz isso afinal? Nunca consegui entender o sentido disso.

—Eu sou carinhoso com você porque você é minha segunda irmã, me desculpe se isso te ofende. E sobre as garotas-

—O que está acontecendo aqui? -Anne perguntou, entrando na garagem. Ela havia saído na frente dos dois, mas devia ter voltado devido a demora. O olhar da morena percorreu os dois, percebendo a tensão no ar- Está tudo bem?

—Sim. -Cath disse, por fim, subindo na Harley Davyson de Nathan. Não queria perturbar Anne com uma briga dos dois. Briga essa, que não levara a lugar nenhum.

—Apenas sua amiga descontando o mau humor dela em mim. -resmungou, colocando seu óculos escuros, que momentos antes estava apoiado na gola da camiseta branca, e ligando a moto.

—Calma, parem. Desligue essa moto. -Anne pediu ao se aproximar- O que está acontecendo com vocês dois?

—Nada. -Cath resmungou, ao passo que Nathan perguntou "O que você quer dizer com isso?".

—Eu estou me referindo ao fato de Nathan não parar em casa. E não venha me contrariar, porque essa quantidade de saída é bem maior que o normal. -disse ao ver a tentativa de Nathan de retrucar- Estou me referindo ao fato de vocês estarem brigando com muita mais frequência. O que aconteceu para deixá-los assim? Eu não sou cega, sabe?

—Mas bem que poderia ser. -Nathan resmungou baixinho, ao ver a irmã apontar todos aqueles fatos na sua casa- E está tudo bem, não aconteceu nada entre a gente. A briga de hoje foi apenas porque Cath está mal humorada e sobre as garotas -olhou para a loira ao responder essa parte- quero aproveitar melhor o meu último verão antes de ir para a faculdade. Não quero chegar aos 70 anos arrependido por não ter feito algo.

—Você não poderia usar um outro discurso além do YOLO, não? Porque, sinceramente, estou com vontade de vomitar. -Cath, comentou, não conseguindo se impedir de revirar os olhos.

Anne apenas observava tudo atentamente.

—Mas é a verdade. You only live once.

—Então porque você não se joga de um prédio para ter essa experiência, ein? Tenho certeza que irá ser emocionante e que não chegará a se arrepender disso aos 70 anos.

—Você está tão engraçadinha de mal humor. -disse sarcástico e irritado- Por que nunca me mostrou esse lado antes, ein, Cath?

—Parem. -Anne pediu, por fim, interrompendo a briga- Acho que nenhum dos dois acordaram de muito bom humor, então acho melhor Cath vir comigo em cima da moto.

—E porque eu nunca percebi que você era o rei dos hipócritas?-Cath perguntou acidamente, ignorando completamente a amiga, apesar de ter saído de cima da moto- Ontem você falou que nunca havia namorado porque não queria estar com alguém sem realmente amar, mas mesmo assim, vai começar a namorar Emily. Você perdeu completamente a noção das coisas? Você faz a menor de ideia de como ela vai se sentir quando sair desse relacionamento com o coração completamente partido? Pense se alguém fizesse isso com Anne, você gostaria?

—Não! É claro que não! Mas eu tenho que tentar pelo menos alguma vez na vida. Você não quer me ver feliz? Porque está sendo tão dura comigo hoje? Ontem não tínhamos combinado que íamos parar com a briga?! -Nathan também havia saído da moto e seu tom estava tão alto que ele havia ficado levemente vermelho.De fato, Cath sabia que eles haviam combinado parar de brigar, mas estava com tanto mal humor, tão estressada, que não conseguia conter todos os pensamentos e comentários que gostaria de falar há um bom tempo. Ela se sentia extremamente irritada pela forma como Nathan tratava as garotas com que ele dormia, de forma tão superficial. A irritava ele ter um comportamento tão contraditório, como se as pessoas apenas devessem se importar com conhecidos, quando não era assim que as coisas funcionavam. Catherine tinha combinado parar de brigar, mas atitudes de Nathan a incomodavam demais para que ela conseguisse ficar calada e calma.

—Parem! -Anne gritou, apesar de desnecessário, visto que Cath havia ficado calada apenas encarando um Nathan irritado. Ambos tentavam fazer a respiração voltar ao normal- O que está acontecendo aqui? Quem, por Deus, é essa Emily? E você está namorando ela, Nate?

O moreno suspirou longa e pesadamente, antes de se virar para encarar a irmã.

—Não, Ann. Não estou namorando e Emily é apenas uma garota que eu trouxe para casa mais de duas vezes.

—Como Cath conhece ela?

—Cath tem o hábito de acordar cedo e chega a ver as garotas que eu tenho dormido.

A expressão de Ann fechou tão rapidamente, que Cath se assustou, assim como Nathan. O moreno tentou se aproximar um passo da irmã, mas ela se afastou.

—Não, fique aí. Teremos uma séria conversa mais tarde, Nathan. Agora, eu irei apenas guardar a moto e pegar a chave do carro. Não perderei uma manhã tão bonita como essa, por causa de uma discussão. Eu já volto.

Tanto Cath, quando Nathan ficaram calados ao verem Anne estacionar a moto. Entretanto, no momento que a morena entrou, Catherine soltou a última frase.

—Só quero que você saiba, que eu não me arrependo do que eu disse. Você é sim um hipócrita nesse sentido e acho que pelo menos alguém deveria te falar isso. Você está tão acostumado a ser idolatrado, que não percebe as besteiras que faz.

—Fico feliz que agora eu sei o que você realmente pensa de mim. Eu nunca te considerei nada além do que uma irmã, nunca te tratei de uma maneira nada além de extremamente educada e boa, e é assim que eu sou tratado.

Catherine rosnou com aquele comentário. E precisou de toda a sua força, para não esmurrar aquela cara perfeita.

—Pare de se fazer de vítima!—grunhiu baixinho ao se aproximar do moreno- Eu te adoro, Nathan! E você sabe disso. Você sabe que eu sou extremamente grata por você ser tão legal comigo, por todos vocês serem tão legais comigo. Eu apenas estou criticando um lado seu, então não venha fazer esse discurso de pobre coitado para cima de mim.

—Pobre coitado?! -perguntou indignado, se aproximando ainda mais. Dizer que ele estava irritado, era eufemismo- Eu sou chamado de hipócrita, galinha e não sei mais o que, e você vem me dizer que estou me fazendo de pobre coitado. Pois sabe o que eu acho? Que você está me tratando dessa maneira porque está com ciúmes de Emily.

—Há! Querido Nathan, acho que estou sendo sufocada pelo seu ego nesse momento. Muita prepotência sua, não acha? Você não consegue nem ao menor receber uma crítica e já tenta encontrar um motivo para ela que vá te fazer feliz. Sinto muito, mas infelizmente eu não estou sentindo ciúmes de Emily, apenas pena mesmo.

—Não estou convencido. -sussurrou com um sorriso no rosto, ele estava perigosamente perto, mas Cath estava com tanta raiva que nem ao menos se incomodou.

—Pena para você, porque não preciso provar nada para ninguém. Você está incluso nisso, querido Nathan.

—Tão perigosa, essa Catherine. -sussurrou, antes de colocar as mãos no rosto dela e a puxa-la para um beijo.

Catherine ficou tão surpresa, que não teve tempo nem mesmo de se afastar antes de ser completamente consumida pelo beijo de Nathan. Se o primeiro havia mexido com ela, aquele segundo a queimava. Ela era pura chama e ele a beijava tão intensamente. Catherine conseguia sentir a frustração dele pela discussão, pelo fato dela tê-lo chamado de hipócrita e, talvez fosse meramente coisa da cabeça dela, mas Cath chegava a sentir o desejo guardado por uma semana ser, finalmente, liberado.

Era tão bom, que ela não conseguiu fazer nada além que retribuir. Talvez pensasse nas consequências depois, talvez pensasse no fato de que Anne estava a ponto de chegar, mas assim como na primeira vez que Nathan a beijou, Catherine não podia se importar menos com o que acontecia ao seu redor.

Notas finais
Deixem reviews. Todos vocês. Sério. Eu realmente preciso do comentário de vocês para voltar mais frequentemente. Ah! Olhem o tumblr da fanfic! Eu estou postando várias coisas lá. Até mesmo notificações. http://crestsofwavesfic.tumblr.com