Creatures Of The Midnight Sun
5 Chapter Four – Um Novo Mundo.
Notas iniciais
Chapter Four – Um Novo Mundo.
Algumas semanas se passaram, e o jovem de cabelos brancos já havia melhorado fisicamente. Mas sua voz continuava ruim, e era a primeira vez que permanecia mudo por muito tempo. Para ele, era irritante ter que fazer sinais com as mãos para quando quer algo.
Noiret e a jovem garota tornaram-se amigos, e este descobriu que ela se chamava Cryes. E ainda, descobriu que aquele grande jardim de flores brancas no qual “caíra” pertencia àquela garota.
Noiret ainda estava de cama, pois suas costas ficaram danificadas com a queda. Já tirara as ataduras do corpo, mas o ferimento do olho esquerdo demoraria a cicatrizar, então este ficaria com um tapa olho branco.
-Ai, ai, seria tão bom se você falasse, Estranho... – divagava a garota.
De repente, o nome “Estranho” já havia sido direcionado para o jovem, pois como não conseguia falar, ninguém sabia seu nome de verdade. Mas Noiret apenas sorria como quem não quer nada e logo retornava aos seus pensamentos. Ficava o tempo todo olhando para fora da janela, pensando em como seria se ele não tivesse abandonado tudo e melhorado sua vida ele mesmo.
Em conseqüência disso, ele sempre parecia triste e distante, e isso preocupava as pessoas que cuidavam dele naquele lugar.
Seu comportamento acarretava boatos sobre si, pois nunca fora visto em nenhum lugar, devido à sua estranha aparência.
Semanas continuavam passando, e conseguiu sair da cama. Já estava completamente bem, até tirara o tapa olho. Já ajudava nos serviços do local, entretanto ninguém nunca contribuiu no trabalho como forma de agradecimento, e isso gerava mais boatos.
Porém continuava mudo.
Pela primeira vez, saiu daquela casa branca junto com a jovem garota e avistou o céu. De repente, agradeceu a si mesmo por não ter sido morto. Pensou que ter feito aquilo poderia ter um lado bom. Poderia recomeçar, e num lugar fantástico.
Involuntariamente, sorriu como nunca sorriu antes.
A jovem garota viu sua expressão e quis saber no que ele estava pensando naquele momento. Ficou feliz de poder causar tal reação ao levá-lo simplesmente para fora. Pegou-se curiosa sobre seu passado.
O jovem murmurou algo incompreensível.
Cryes levou um susto. Olhou para o “Estranho” esperando que ele falasse mais.
Mas o jovem não falou mais.
***
Noiret levantou-se de madrugada, estava com muitos pesadelos. Sonhava com as visões que o livro amaldiçoado lhe mostrara ao cair, depois que conjurara o feitiço.
Tentara falar, mas a voz teimava em não sair.
Ao invés disso, várias vozes gritavam em sua cabeça. Gritos de horror, gritos de felicidade, gritos de tristeza.
Mas ele não podia gritar.
“Si em compromet a obeir, tornarà temporalment a la seva veu i la seva força.” ¹
“Quem é...?” pensou o jovem, meio assustado coma voz, que parecia algo morto.
“Jo sóc el que m'han fet un contracte. Jo sóc el que llances un encanteri. Jo sóc tot. Jo no sóc res. En part, jo sóc el llibre.” ²
Noiret gelou, pois nunca imaginara que alguém, ou mesmo alguma coisa, conversaria com si em sua cabeça. Estava ficando louco?
“Eu não estava pensando direito! Na verdade, nem pensei que isso seria real. So queria clarear minha mente!”
“Independentment dels seus motius, la veritat és que l'encanteri. El fet és que vostè li deu la seva ànima a mi!” ³
Noiret pôs-se a ajoelhar, e lágrimas caíram de sua face.
”Vostè té alguna cosa per què viure? Vostè té una raó per viure?” ³.¹
Noiret ficou com a mente vazia. Não podia negar de que a tal voz estava certa.
Lentamente, sussurrou como se estivesse falando pela primeira vez. Sussurrou como se fosse uma criança com problemas mentais, como se fosse alguém prestes a matar um ser vivo.
-Não...
Ainda era noite.
A hora do assassino.
***
TRADUÇÃO:
¹Se me prometer obedecer-me, lhe devolverei temporariamente tua voz e tua força.
²Sou aquele que tu me fizeste um contrato. Sou aquele que tu conjuraste um feitiço. Sou tudo. Sou nada. Em parte, sou o livro.
³Independente de seus motivos, permanece o fato de que tu conjuraste a magia. Permanece o fato de que tu deves sua alma a mim!
³.¹Tu tens algo pelo que viver? Tens uma razão de viver?
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